Passámos um fim-de-semana excelente, rodeados de amigos e de uma natureza belíssima. À beira de um lago, no meio de um enorme pinhal, numa zona que ainda não é conhecida dos turistas (só agora começa a ser conhecida pelos locais, pois durante várias décadas havia ali um centro da polícia política do comunismo e ninguém se atrevia a chegar-se sequer perto). As crianças adoraram, fartaram-se de brincar, correr, saltar, andar descalças e rebolar no chão. Ao fim do dia iam encardidas para o banho, mas muito felizes.
Na sexta apanhámos uma trovoada monumental à saída de Varsóvia, mas em contrapartida no sábado esteve um calor brutal. As peles mais claras (na nossa família o S. e a T.) ficaram logo queimadinhas. Passámos o dia numa quinta onde as crianças fizeram várias actividades e os pais relaxaram por aqui e por ali (os mais ousados foram fazer alguns desportos radicais). Eu ainda joguei um bocado de badmington, coisa que não fazia há anos. Ao fim do dia, de regresso à casa onde estávamos alojados, fizemos uma fogueira onde se assaram salsichas, cantou, conversou e passou um bom bocado.
O Domingo foi um dia mais relaxado, de passeio e descanso à beira do lago. Os mais novos e alguns pais (a propósito, ontem era o Dia do Pai na Polónia... e eu não sabia!! Ups...) aventuraram-se para dentro da água. Em suma, foi um fim-de-semana muitíssimo bem passado. Chegados a casa depois de uma viagem de várias horas (demorámos quase mais 2h para cá do que para lá... ainda estou para perceber como perdemos tanto tempo em paragens!!!), caímos todos na cama e dormimos, dormimos, dormimos... O M. foi o primeiro a acordar, por volta das 8h30 e a T. a última, já bem depois das 9!! Mas acordaram todos muito bem dispostos.
PS - Como não há bela sem senão, neste fim-de-semana calhou precisamente o solstício de Verão. Algo de que sempre gostei muito, por ser o dia maior do ano. No dia 21 tivemos um pôr-do-sol lindíssimo, com o sol enorme e o céu todo cor-de-rosa. Anoiteceu tardíssimo, o que também gosto muito. Só que, obviamente, nesta latitude, o sol nasce tão cedo que a pessoa fica toda baralhada. E o pior disso tudo é as casas não terem estores, cortinas escuras, o que quer que seja. Para não variar, o nosso quarto tinha apenas uns cortinados cor-de-laranja a fingir que tapavam a janela. Numa das noites tive o azar do M. acordar às 4h30 para beber leite. Bebeu e voltou a dormir, mas eu... quando acordo e vejo que já é completamente dia e o sol a brilhar com força na minha janela, por mais que queira já não consigo dormir a sério. Ainda consegui dormir um pouco até às 6h30, mas depois disso foi impossível. Devo ter algum bloqueio no cérebro que me diz que quando há sol, é para levantar. Claro que com nenhum dos polacos isto aconteceu, só mesmo comigo.
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Sol vs. Melgas
Mais um fim-de-semana na Mazúria (argh!!), no qual se avizinha muito calor, sol e... melgas!! Tendo em conta que as melgas polacas atacam mesmo durante o dia, a questão é: devo pôr às crianças protector solar ou anti-melga??... Acho que vamos decidir no local.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Não discutam com um polaco
Não sei se já falei aqui, mas os polacos para discutir são uns chatos. Quando digo discutir, refiro-me a todo o tipo de troca de ideias, não apenas às formas mais violentas de o fazer. Eles têm uma ideia e são capazes de a transmitir durante uma hora, dizendo a mesma coisa de várias maneiras diferentes. Apercebi-me disto só há poucos anos e confesso que me facilitou a vida. Agora já sou capaz de cortar certas conversas a meio, quando percebo que a pessoa vai tentar dizer outra vez o mesmo, mas por outras palavras. Para eles isto não faz confusão nenhuma. Para mim, é horrível. O próprio S. já se ri disto e reconhece ser verdade. O que em Portugal se diz com meia dúzia de palavras, na Polónia precisa de meia dúzia de frases, ou se calhar meia dúzia de parágrafos. Comparável a isto, só as pessoas em Portugal a quem se pedem indicações no caminho que explicam como se vai dar ao sítio de dez maneiras diferentes (quer dizer, o caminho é o mesmo, as palavras é que vão mudando). Só me consigo lembrar disto:
terça-feira, 18 de junho de 2013
Futebol americano
Há dias, passaram por nós quatro rapazes vestidos como jogadores de futebol americano (sim, são rapazes, apesar de na foto parecerem raparigas). Foi a primeira vez que a T. viu algo do estilo. A sua curiosidade habitual deu logo sinal de vida.
- Pai, porque é que eles estão assim vestidos?
- Porque são jogadores de futebol americano.
- Não, pai! Porque são astronautas!!
- Pai, porque é que eles estão assim vestidos?
- Porque são jogadores de futebol americano.
- Não, pai! Porque são astronautas!!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A Festa da Ciência
Depois de ver os nossos planos de sábado alterados, acabámos por ir à Festa da Ciência no Estádio Nacional, organizada pelo Centro de Ciência de Copérnico (um sítio que vale mesmo a pena visitar, mas isso fica para outro post). Deixámos o M. com a avó e seguimos rumo ao estádio. A T. aguentou-se muito bem, tendo em conta que andámos sei lá quantos quilómetros. À volta do estádio havia mais de cem barraquinhas onde diferentes instituições apresentavam coisas ligadas à ciência. Eram tantas e havia tanta gente que devemos ter visto talvez 10% ou menos do todo. Para além de que a maioria das coisas era mais para crianças a partir dos 10 anos. Mesmo assim, a T. ainda conseguiu participar em algumas coisas, incluíndo numa experiência de construção de um foguetão. O S. fez um jogo sobre gestão financeira e ganhou moedas de chocolate. No meio de milhares de pessoas ainda conseguimos encontrar uns amigos e, para maior coincidência, encontrámo-nos diante da barraquinha onde estava outro amigo nosso a fazer tijolos de barro para os miúdos construirem um mini-estádio.
Um robô que reage aos movimentos das mãos das pessoas. Se fazemos com a mão sinal para vir, ele vem; se fazemos sinal para parar, ele pára.
Conforme esta menina dava à bomba, o nível da água ia subindo.
O foguetão da T. Quando se aperta a garrafa, a ponta azul salta.
O interior de um carro com os materiais todos à mostra. No banco da frente de lado vê-se a bolsa com o airbag.
sábado, 15 de junho de 2013
Que planos para hoje?
Hoje era para ser a festa de anos da T., mas como o M. ficou doente tivemos de cancelar. Como alternativa, se calhar optamos por uma das festas ao ar livre que se fazem nesta época do ano, para a T. se divertir um bocado. Está um dia lindo de sol, pode ser que o M. não fique mal com uma saida (ele coitado já está fartinho de estar fechado em casa). É que de facto na Polónia os dias de bom tempo são mesmo para aproveitar.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Caraças de carraças!
Há coisa de mês e meio fomos passar umas mini-férias à região da Vármia. Também chamada Região dos Lagos, a Vármia-Mazúria é uma das minhas regiões preferidas da Polónia. É absolutamente lindíssima! Fomos num dia de grande calor e apanhámos imenso frio enquanto lá estivemos (com as malas feitas com roupa ligeira... enfim... mãe portuguesa nunca aprende!!). Acabámos por passear menos do que queríamos, mas ficámos num hotel sobre um lago, então paisagem tínhamos.
Esta região, para além de lagos e florestas enormes tem algo muito característico deste tipo de ambiente: melgas e... carraças! Há dias alguém me contou que houve nessa região uma acção de "des-melguização" das florestas para atrair turistas. Não sei até que ponto isso é possível, mas enfim. Mas com as carraças não é possível fazer isso. Do que percebi, os polacos estão muito habituados às carraças, quer dizer, mais do que os portugueses. No início de casados, quando íamos passear a alguma floresta, o S. regressava a casa e pedia-me para ver se não tinha carraças em alguma parte do corpo. Sempre achei isso um exagero e nunca liguei muito. Mas a verdade é que nunca vi nenhuma. Até ao dia. E esse dia foi horrível.
Tínhamos regressado das nossas mini-férias, as crianças já estavam na cama e eu tinha acabado de me sentar no sofá a ler um livro. O S. vem ter comigo, com a mão na barriga, e diz:
- Estou a sentir aqui uma coisa estranha. Vê lá o que é isto.
Aproximei-me e vi uma coisinha pequena escura. Pareceu-me uma crosta de uma ferida pequena que estava a sair. Ele, alarmado, diz:
- Vê lá se não é uma carraça...
- Não! Claro que não! É uma crosta. Espera aí, já a tiro...
E tirei. De repente, olho para o que tenho entre os dedos e vejo que tem umas patinhas minúsculas e que se está a mexer.
- Aaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!
Apanhei um susto daqueles e larguei logo o que tinha nas mãos. Imediatamente olhámos para a barriga do S., onde ela estava, mas não parecia ter nada de estranho. De qualquer maneira, lá foi o coitado para as urgências do hospital ver se não tinha nada. E só depois me lembrei que tinha deixado cair a carraça... E onde está? Pois é... procurei por toda a parte e... nada! Pus a roupa toda para lavar, aspirei o chão, no dia seguinte o S. voltou a aspirar a sala toda, sofás, etc. Esperemos que ela tenha ido embora... Felizmente a picadela foi mínima, pois consegui arrancá-la logo no momento certo (e da maneira adequada, sem o saber) e não trouxe consequências. Agora o stress que tive naqueles dias, a pensar que ela andaria por aqui por casa, à caça de uma próxima vítima...!!!
Entretanto informei-me e há imensos produtos para as carraças, desde kits especiais para as tirar do corpo, até coisas para aplicar nas picadas, etc. Nós agora já temos uma coisa para as tirar do corpo.
Nunca mais vi nenhuma, apesar de ter a sensação que um dia no banho do M. houve uma que foi pelo cano abaixo.
Conclusão: Gosto muito da Vármia-Mazúria, mas... acho que agora tenho outra região de que gosto mais...
Esta região, para além de lagos e florestas enormes tem algo muito característico deste tipo de ambiente: melgas e... carraças! Há dias alguém me contou que houve nessa região uma acção de "des-melguização" das florestas para atrair turistas. Não sei até que ponto isso é possível, mas enfim. Mas com as carraças não é possível fazer isso. Do que percebi, os polacos estão muito habituados às carraças, quer dizer, mais do que os portugueses. No início de casados, quando íamos passear a alguma floresta, o S. regressava a casa e pedia-me para ver se não tinha carraças em alguma parte do corpo. Sempre achei isso um exagero e nunca liguei muito. Mas a verdade é que nunca vi nenhuma. Até ao dia. E esse dia foi horrível.
Tínhamos regressado das nossas mini-férias, as crianças já estavam na cama e eu tinha acabado de me sentar no sofá a ler um livro. O S. vem ter comigo, com a mão na barriga, e diz:
- Estou a sentir aqui uma coisa estranha. Vê lá o que é isto.
Aproximei-me e vi uma coisinha pequena escura. Pareceu-me uma crosta de uma ferida pequena que estava a sair. Ele, alarmado, diz:
- Vê lá se não é uma carraça...
- Não! Claro que não! É uma crosta. Espera aí, já a tiro...
E tirei. De repente, olho para o que tenho entre os dedos e vejo que tem umas patinhas minúsculas e que se está a mexer.
- Aaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!
Apanhei um susto daqueles e larguei logo o que tinha nas mãos. Imediatamente olhámos para a barriga do S., onde ela estava, mas não parecia ter nada de estranho. De qualquer maneira, lá foi o coitado para as urgências do hospital ver se não tinha nada. E só depois me lembrei que tinha deixado cair a carraça... E onde está? Pois é... procurei por toda a parte e... nada! Pus a roupa toda para lavar, aspirei o chão, no dia seguinte o S. voltou a aspirar a sala toda, sofás, etc. Esperemos que ela tenha ido embora... Felizmente a picadela foi mínima, pois consegui arrancá-la logo no momento certo (e da maneira adequada, sem o saber) e não trouxe consequências. Agora o stress que tive naqueles dias, a pensar que ela andaria por aqui por casa, à caça de uma próxima vítima...!!!
Entretanto informei-me e há imensos produtos para as carraças, desde kits especiais para as tirar do corpo, até coisas para aplicar nas picadas, etc. Nós agora já temos uma coisa para as tirar do corpo.
Nunca mais vi nenhuma, apesar de ter a sensação que um dia no banho do M. houve uma que foi pelo cano abaixo.
Conclusão: Gosto muito da Vármia-Mazúria, mas... acho que agora tenho outra região de que gosto mais...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Já passaram 5!...
Cinco aninhos desde que a minha querida filha nasceu, num dia de grande calor, aqui em Varsóvia. Foi o início de muitas aventuras. Graças a ela conheci realidades da Polónia que desconhecia - e ainda hoje continuo a descobrir muitas coisas novas.
Ontem já celebrámos com a família, hoje será na escola e com a família nuclear e em breve será com os amigos mais próximos. A propósito disto, tive imensas dores de cabeça sobre como organizar a festa de anos dela com os amigos.
Uma das coisas que os comunistas fizeram na Polónia foi alterar drasticamente o sistema habitacional. Davam casas a toda a gente, mas que casas? Construíram blocos enormes, feíssimos, com dezenas de andares (o da avó do S. tem 17 andares) e centenas de apartamentos. Só que, para caberem muitas pessoas, faziam os apartamentos minúsculos. As casas antigas que sobreviveram à IIª Guerra Mundial foram fragmentadas em vários pequenos apartamentos. Ou seja, um apartamento antigo que tinha quase 200m2 era repartido em quatro casas de 50m2, ou mais até. Uma das primeiras casas onde viveram os meus sogros era precisamente uma destas, em que havia quartos com cozinhas improvisadas, casas-de-banho partilhadas, etc. O pior disto tudo é que o mercado imobiliário não consegue alterar-se de um dia para o outro e hoje em dia na mesma constroem-se imensas casas com 20m2, 30m2, 40m2, 50m2.
Li há dias que os comunistas fizeram isto como política anti-família. Para quem vive em casas pequenas, o aparecimento de filhos torna-se obviamente num problema logístico. E a ideia era essa: desincentivar as famílias numerosas. Duas décadas depois da queda do comunismo, continua-se a sentir este problema. Conheço várias famílias que vivem em casas com 50m2, com dois ou três filhos, e é um horror. Querem mudar para algo maior, mas não é fácil, porque os preços são proporcionais. Nós temos "sorte" por ter 70m2 e termos um quarto só para nós (há muitos casais que optam por dormir na sala e deixar os quartos para os filhos). Mas sentimos já falta de mais um quarto para trabalhar e outro para cada filho ter o seu.
E o que tem isto a ver com os anos da T.? Tem que eu gostaria de fazer uma festa de anos grande cá em casa, mas... não há espaço!! E como eu sentem-se muitas famílias. A tendência é alugar espaços e fazer festas organizadas, mas são caríssimas e eu gostava tanto de fazer como na minha infância: em casa, com bolos feitos por nós, decorações também nossas e a tranquilidade do lar. Ainda pensei fazer um piquenique, mas a perspectiva de andar o tempo todo a correr atrás do M. não foi muito agradável. Por isso, vamos na mesma fazer em casa, mas com uma lista de convidados reduzida. Paciência, quando arranjarmos uma casa maior talvez consigamos convidar mais gente. Mas para já, isso não é o mais importante. Por agora vou-me dedicar a desfrutar o aniversário da T.!
Ontem já celebrámos com a família, hoje será na escola e com a família nuclear e em breve será com os amigos mais próximos. A propósito disto, tive imensas dores de cabeça sobre como organizar a festa de anos dela com os amigos.
Uma das coisas que os comunistas fizeram na Polónia foi alterar drasticamente o sistema habitacional. Davam casas a toda a gente, mas que casas? Construíram blocos enormes, feíssimos, com dezenas de andares (o da avó do S. tem 17 andares) e centenas de apartamentos. Só que, para caberem muitas pessoas, faziam os apartamentos minúsculos. As casas antigas que sobreviveram à IIª Guerra Mundial foram fragmentadas em vários pequenos apartamentos. Ou seja, um apartamento antigo que tinha quase 200m2 era repartido em quatro casas de 50m2, ou mais até. Uma das primeiras casas onde viveram os meus sogros era precisamente uma destas, em que havia quartos com cozinhas improvisadas, casas-de-banho partilhadas, etc. O pior disto tudo é que o mercado imobiliário não consegue alterar-se de um dia para o outro e hoje em dia na mesma constroem-se imensas casas com 20m2, 30m2, 40m2, 50m2.
Li há dias que os comunistas fizeram isto como política anti-família. Para quem vive em casas pequenas, o aparecimento de filhos torna-se obviamente num problema logístico. E a ideia era essa: desincentivar as famílias numerosas. Duas décadas depois da queda do comunismo, continua-se a sentir este problema. Conheço várias famílias que vivem em casas com 50m2, com dois ou três filhos, e é um horror. Querem mudar para algo maior, mas não é fácil, porque os preços são proporcionais. Nós temos "sorte" por ter 70m2 e termos um quarto só para nós (há muitos casais que optam por dormir na sala e deixar os quartos para os filhos). Mas sentimos já falta de mais um quarto para trabalhar e outro para cada filho ter o seu.
E o que tem isto a ver com os anos da T.? Tem que eu gostaria de fazer uma festa de anos grande cá em casa, mas... não há espaço!! E como eu sentem-se muitas famílias. A tendência é alugar espaços e fazer festas organizadas, mas são caríssimas e eu gostava tanto de fazer como na minha infância: em casa, com bolos feitos por nós, decorações também nossas e a tranquilidade do lar. Ainda pensei fazer um piquenique, mas a perspectiva de andar o tempo todo a correr atrás do M. não foi muito agradável. Por isso, vamos na mesma fazer em casa, mas com uma lista de convidados reduzida. Paciência, quando arranjarmos uma casa maior talvez consigamos convidar mais gente. Mas para já, isso não é o mais importante. Por agora vou-me dedicar a desfrutar o aniversário da T.!
domingo, 9 de junho de 2013
Relação amor-ódio com o sol
Depois do austero Inverno polaco, o anseio pela chegada dos dias quentes é grande. Este ano isso foi particularmente notório: até os polacos se queixavam que nunca mais chegava a Primavera! Para mim, o facto de já poder sair de casa sem sobretudo ou kispo já é muito bom. Mas os dias grande... os dias grandes têm o seu charme. São os dias mais agradáveis do ano. Sol, sol e mais sol. Para tirar a barriga de misérias. Adoro estes dias, mas ao mesmo dia detesto-os. Parece incrível, mas se os dia pudessem ser um pouquinho mais curtos seria melhor. Passo a explicar.
Nesta altura do ano, às 4 da manhã já é dia. Dia com luz forte do sol a entrar pela janela. Não haveria problema nenhum se os polacos tivessem o hábito de pôr estores ou portadas de madeira nas janelas. Só que infelizmente não têm. Todos os anos passo por uma crise nestes dias em que faço grandes planos para mudar as cortinas dos quartos e pôr umas que tapem completamente o sol. No ano passado tirei medidas das janelas e tudo. Infelizmente as ideias nunca passam disso mesmo. Mas este ano vai ser diferente! Uma amiga nossa arquitecta já esteve a ver as janelas (porque elas têm uma particularidade que não deixa pôr certo tipo de persianas) e arranjou-nos uma solução! Só falta encomendar, aplicar e... dormir!!! Sim, porque hoje por exemplo estou a pé desde as 6 e não foi por causa de nenhuma criança chorar...
Entretanto, para as crianças os dias grandes também têm uma certa piada. Passam as tardes a brincar nos parques infantis, a andar de bicicleta, trotinete, patins, seja lá o que for, até ficar tarde. Não digo até ficar escuro, porque isso é outro problema. Se no Inverno quando a T. saía do infantário pouco depois das 15 já era quase noite, agora a dificuldade é convencê-la a vir para casa, a fazer o ritual de fim de dia (banho-jantar-cama), porque para ela ainda não são horas de ir para a cama. "Mas ainda é dia!", é a resposta que mais tenho ouvido nas últimas semanas. O que vale é que de noite (ou devo dizer de dia também, porque de madrugada é dia!) eles dormem bem e não acordam a achar que já são horas.
Nesta altura do ano, às 4 da manhã já é dia. Dia com luz forte do sol a entrar pela janela. Não haveria problema nenhum se os polacos tivessem o hábito de pôr estores ou portadas de madeira nas janelas. Só que infelizmente não têm. Todos os anos passo por uma crise nestes dias em que faço grandes planos para mudar as cortinas dos quartos e pôr umas que tapem completamente o sol. No ano passado tirei medidas das janelas e tudo. Infelizmente as ideias nunca passam disso mesmo. Mas este ano vai ser diferente! Uma amiga nossa arquitecta já esteve a ver as janelas (porque elas têm uma particularidade que não deixa pôr certo tipo de persianas) e arranjou-nos uma solução! Só falta encomendar, aplicar e... dormir!!! Sim, porque hoje por exemplo estou a pé desde as 6 e não foi por causa de nenhuma criança chorar...
Entretanto, para as crianças os dias grandes também têm uma certa piada. Passam as tardes a brincar nos parques infantis, a andar de bicicleta, trotinete, patins, seja lá o que for, até ficar tarde. Não digo até ficar escuro, porque isso é outro problema. Se no Inverno quando a T. saía do infantário pouco depois das 15 já era quase noite, agora a dificuldade é convencê-la a vir para casa, a fazer o ritual de fim de dia (banho-jantar-cama), porque para ela ainda não são horas de ir para a cama. "Mas ainda é dia!", é a resposta que mais tenho ouvido nas últimas semanas. O que vale é que de noite (ou devo dizer de dia também, porque de madrugada é dia!) eles dormem bem e não acordam a achar que já são horas.
sábado, 8 de junho de 2013
Uma criança bilingue
Se há coisa que é difícil para nós de perceber é a forma como funciona o cérebro de uma criança bilingue. Uma amiga nossa, bilingue, fez a tese de mestrado sobre o bilinguismo e deu-nos uma cópia, que li com interesse. Em conversa explicou-me que eles não pensam com palavras, mas sim com imagens. É algo difícil de explicar, mas para ela - sendo bilingue - não fazia confusão nenhuma.
Aquilo que noto como sendo o principal problema (abstraíndo-nos completamente da questão da nacionalidade e a divisão do coração que daí advem) é a incompreensão. Esta incompreensão é proveniente do facto de a criança não se saber explicar tão bem em determinada língua, mesmo sendo língua materna, como qualquer outra criança da sua idade. Acontece várias vezes fazer alguma coisa e, como não consegue explicar-se a tempo ou dizer logo o que quer, ser mal interpretada. Isto, como é óbvio, provoca choro, gritos e grandes confusões. Felizmente estamos cada vez mais atentos a isto e, no caso da T., percebemos que temos de lhe dar tempo para falar e explicar-se. Muitas vezes começa a dizer algo numa língua e a meio muda para a outra, porque não sabe como se diz determinada coisa. Isto é a parte chata do bilinguismo.
A parte boa é ver a facilidade que eles têm para aprender línguas. No infantário, a T. adora inglês e já diz imensas coisas. Mas para além disso, ela própria agora já brinca às traduções. Por exemplo, aqui há uns tempos andava sempre a cantar uma música de um filme que viu em português. De repente, um dia começou a cantar a mesma música, mas em polaco. Perguntei-lhe se tinha aprendido com algum amigo ou se tinha visto o filme em polaco, mas ela disse que não. Simplesmente inventou. E inventou bem! Desde essa altura, tem feito isso com várias músicas, por brincadeira. A facilidade com que ela o faz é realmente perturbadora.
E o M., com 18 meses, já é bilingue? Claro, já percebe que uns falam polaco e outros português. Como está o tempo todo comigo, por agora percebe mais português do que polaco. O que achei piada é que ele diz sempre adeus em polaco (papa) quando se despede de alguém, mas ontem, numa loja, quando me despedi da vendedora, virou-se para ela e disse "adeus", enquanto acenava. Foi a primeira de muitas baralhações linguísticas que ele ainda vai ter.
Aquilo que noto como sendo o principal problema (abstraíndo-nos completamente da questão da nacionalidade e a divisão do coração que daí advem) é a incompreensão. Esta incompreensão é proveniente do facto de a criança não se saber explicar tão bem em determinada língua, mesmo sendo língua materna, como qualquer outra criança da sua idade. Acontece várias vezes fazer alguma coisa e, como não consegue explicar-se a tempo ou dizer logo o que quer, ser mal interpretada. Isto, como é óbvio, provoca choro, gritos e grandes confusões. Felizmente estamos cada vez mais atentos a isto e, no caso da T., percebemos que temos de lhe dar tempo para falar e explicar-se. Muitas vezes começa a dizer algo numa língua e a meio muda para a outra, porque não sabe como se diz determinada coisa. Isto é a parte chata do bilinguismo.
A parte boa é ver a facilidade que eles têm para aprender línguas. No infantário, a T. adora inglês e já diz imensas coisas. Mas para além disso, ela própria agora já brinca às traduções. Por exemplo, aqui há uns tempos andava sempre a cantar uma música de um filme que viu em português. De repente, um dia começou a cantar a mesma música, mas em polaco. Perguntei-lhe se tinha aprendido com algum amigo ou se tinha visto o filme em polaco, mas ela disse que não. Simplesmente inventou. E inventou bem! Desde essa altura, tem feito isso com várias músicas, por brincadeira. A facilidade com que ela o faz é realmente perturbadora.
E o M., com 18 meses, já é bilingue? Claro, já percebe que uns falam polaco e outros português. Como está o tempo todo comigo, por agora percebe mais português do que polaco. O que achei piada é que ele diz sempre adeus em polaco (papa) quando se despede de alguém, mas ontem, numa loja, quando me despedi da vendedora, virou-se para ela e disse "adeus", enquanto acenava. Foi a primeira de muitas baralhações linguísticas que ele ainda vai ter.
Mais uma recuperação do blog
Um ano e meio depois decidi ressuscitar o blog. Vamos voltar não só a mais histórias sobre a Polónia, mas também sobre o dia-a-dia de uma família bilingue. Há muito que ficou por contar durante este grande intervalo. Com o passar do tempo vão-se descobrindo coisas que escapam ao olhar dos turistas, da Polónia profunda, da cultura e mentalidade dos polacos. Para além disso, quanto mais os filhos crescem, vamos estando mais envolvidos no mundo bilingue. Educar filhos bilingues e com dupla nacionalidade não é o mesmo que educar crianças que cresceram só com uma língua e um país. Há muitos desafios, crises e sobretudo incompreensões. Esperemos que este regresso seja mais prolongado. :)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Mais um Natal polaco
Este ano, ao contrário do que inicialmente planeávamos, passamos o Natal na Polónia. Por muitos motivos vai ser um Natal diferente do tradicional (sobretudo para mim, pois todos os Natais na Polónia são ainda uma novidade). Primeiro, pela ausência do avô que partiu este ano, e depois, pelo nascimento do nosso filhinho. Assim se vai renovando o ciclo da vida na família. Por causa do falecimento do avô, a avó não se sente com forças para organizar o Natal como sempre tem vindo a fazer. Então este ano mudamos de cenário, mudamos de pessoas (se é que se pode dizer assim, pela ausência de alguns familiares que este ano não virão a Varsóvia) e vamos mudar também de menu. Isto porque desta vez quem vai cozinhar é a minha sogra. Ela até cozinha bem, mas confesso que vou sentir saudades do barszcz e do bigos feitos pela avó.
Diz a tradição polaca que na véspera de Natal a mesa deve ter 12 pratos diferentes (não me refiro à baixela, mas sim à comida). Nos Natais anteriores nunca houve a preocupação de ser literal nisto, mas por acaso acontecia termos mesmo 12 (às vezes um mesmo prato em duas travessas). Este ano, como a minha sogra não está habituada a preparar as comidas do Natal todas sozinhas, ofereci-me para fazer qualquer coisa em casa e levar, para ela não ficar com o peso de ter de fazer vários pratos diferentes. Normalmente na véspera, os polacos comem carpa e arenque (este último geralmente marinado). Como não sei cozinhar nenhum destes peixes - e muito menos à maneira polaca - decidi fazer outro peixe qualquer. Felizmente a minha sogra, apesar de ser muito tradicional em vários aspectos, gosta de inovar na cozinha e não se importa que eu faça um prato à la portuguesa. Como cá não se arranja bacalhau (só mesmo bacalhau fresco, mas o efeito não é o mesmo), optei pela solha. Vamos lá ver que tal fica. Vai ser um bocadinho de Portugal no nosso Natal polaco. Pensei ainda que poderia também fazer uma sobremesa, mas os sonhos são difíceis de fazer e rabanadas já fiz uma vez e dá muito trabalho (preferia evitar ter de fritar alguma coisa). Alguém tem outra sugestão?
Já agora, um bom Natal para todos!!
Diz a tradição polaca que na véspera de Natal a mesa deve ter 12 pratos diferentes (não me refiro à baixela, mas sim à comida). Nos Natais anteriores nunca houve a preocupação de ser literal nisto, mas por acaso acontecia termos mesmo 12 (às vezes um mesmo prato em duas travessas). Este ano, como a minha sogra não está habituada a preparar as comidas do Natal todas sozinhas, ofereci-me para fazer qualquer coisa em casa e levar, para ela não ficar com o peso de ter de fazer vários pratos diferentes. Normalmente na véspera, os polacos comem carpa e arenque (este último geralmente marinado). Como não sei cozinhar nenhum destes peixes - e muito menos à maneira polaca - decidi fazer outro peixe qualquer. Felizmente a minha sogra, apesar de ser muito tradicional em vários aspectos, gosta de inovar na cozinha e não se importa que eu faça um prato à la portuguesa. Como cá não se arranja bacalhau (só mesmo bacalhau fresco, mas o efeito não é o mesmo), optei pela solha. Vamos lá ver que tal fica. Vai ser um bocadinho de Portugal no nosso Natal polaco. Pensei ainda que poderia também fazer uma sobremesa, mas os sonhos são difíceis de fazer e rabanadas já fiz uma vez e dá muito trabalho (preferia evitar ter de fritar alguma coisa). Alguém tem outra sugestão?
Já agora, um bom Natal para todos!!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Gosto do Inverno na Polónia
O título deste post não é inteiramente verdade, mas como o post anterior se chamava "Detesto o Outono..." e marcou o início de uma longa interrupção, nada como a chegada do Inverno para marcar o regresso à escrita.
Os últimos tempos foram atribulados, com um parto pelo meio e uma recuperação algo dolorosa, como é normal. Tenho algumas observações a fazer sobre a Polónia que gostava de colocar aqui, sobretudo sobre a minha estadia na maternidade. Espero nos próximos tempos ter capacidade para o fazer.
Por enquanto aproveito para dizer que ontem à noite nevou e hoje ainda se vêem restos de neve no chão. Disseram-me que no Natal não ia haver neve. Há um ditado cá que diz que quando em Sta. Bárbara (dia 4 de Dezembro) há chuva, então o Natal não vai ser agreste (em termos de temperatura, entenda-se). E como dizem que nesse dia chuviscou um pouco, é possível que no Natal o tempo esteja bom. Vamos ver.
Os últimos tempos foram atribulados, com um parto pelo meio e uma recuperação algo dolorosa, como é normal. Tenho algumas observações a fazer sobre a Polónia que gostava de colocar aqui, sobretudo sobre a minha estadia na maternidade. Espero nos próximos tempos ter capacidade para o fazer.
Por enquanto aproveito para dizer que ontem à noite nevou e hoje ainda se vêem restos de neve no chão. Disseram-me que no Natal não ia haver neve. Há um ditado cá que diz que quando em Sta. Bárbara (dia 4 de Dezembro) há chuva, então o Natal não vai ser agreste (em termos de temperatura, entenda-se). E como dizem que nesse dia chuviscou um pouco, é possível que no Natal o tempo esteja bom. Vamos ver.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Detesto o Outono na Polónia
O Outono é a estação do ano de que menos gosto na Polónia. O frio chega logo em Setembro, os dias começam a ser cinzentos e cada vez mais curtos. Desde que vim para cá que sinto que os meses até ao fim do ano são aqueles que mais custa a passar. Curiosamente, há pouco tempo, em conversa com duas pessoas diferentes mas com as quais veio à baila o tema do Outono aqui em comparação com o Outono em Portugal, ambas me disseram: "Ah, o Outono é a minha estação do ano preferida!!". Fiquei em choque, pois para mim é exactamente o contrário! E os argumentos? "A vegetação fica toda com cores lindas!" e "Finalmente podemos voltar a usar roupa quente, aquelas camisolas quentinhas tão agradáveis! Já não está aquele calor abrasador do Verão." Custou-me a acreditar no que estava a ouvir! Estes polacos são doidos! O argumento da natureza se vestir de várias cores quentes ainda aceito, é verdade. Quando está sol e o tempo não está mau, é muito agradável passear e ver as árvores com folhas vermelhas e amarelas, ou os tapetes de folhas de todas as cores no chão. É um quadro que não se vê em Portugal e que vale a pena ver. É de uma grande beleza. Mas isso só para mim não chega. Preciso de sol (!!!), calorzinho, dias grandes,... O argumento de vestir-se quente para mim não serve. Sei que há pessoas que gostam do tempo frio porque podem vestir outras roupas diferentes. Mas eu preferia reduzir esse tempo a alguns meses do ano e não à sua maioria. Admito que no Verão passei algumas dificuldades com o calor exagerado que apanhei no Algarve. Só que o Outono não tem de ser assim tão quente. Pode ser um médio-quente. Uns 20ºC, vá lá. Aqui, a média dos últimos dias tem sido 10ºC e ainda somado a isso vento forte. Para mim é uma passagem muito rápida do Verão para o Outono, sobretudo porque este Outono tem ar de Inverno português. Há que sobreviver, aproveitar para se sair enquanto ainda se pode e desfrutar ao máximo os dias de sol. Agora, no que diz respeito aos dias ficarem pequenos... ainda vamos ter de sofrer um bom bocado!!
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Viajar acompanhados por uma estrela
No Verão, quando fomos para Portugal, viajou connosco no avião a cantora polaca Edyta Górniak. Só dei por ela quando já estávamos dentro do avião. Ia sozinha com o filho. Durante a viagem, algumas pessoas foram até junto dela para pedir autógrafos ou tirar fotografias. Pessoalmente não ligo muito às vedetas polacas (nem às portuguesas, a bem dizer). Mas a verdade é que a Edyta é daquelas que aparece em quase todas as revistas de fofocas. Até eu, que praticamente nelas não pego, conheço os desaires amorosos da senhora. No aeroporto de Lisboa é que a vi mais de perto, porque ficámos quase lado a lado junto ao cinto das malas (fugimos para a zona que tinha menos gente). Eles tinham umas malas tão grandes que ficámos a pensar como é que as iam conseguir tirar do cinto. Sinceramente não vi o que ela fez, porque estávamos mais interessados nas nossas coisas do que no que a sra. cantora ia fazer.Curioso foi, já depois das férias, um dia em casa de uma pessoa peguei numa destas revistas cor-de-rosa e deparo-me com uma notícia a comentar o facto da Edyta Górniak ter ido passar férias a Portugal com o filho! E vê-se que as fotos foram tiradas no dia da nossa partida (a mesma roupa, etc). Diz a notícia que o namorado se foi despedir dela ao aeroporto (sim, porque ela viajou só mesmo com o filho) e que mais tarde se lhes juntou para passarem o resto das férias juntos. Do que me contaram depois, pelos vistos a cantora gosta de passar férias em Portugal, já que não é a primeira nem a segunda vez que para ali vai. Só posso comentar que tem bom gosto.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Quando o cérebro começa a baralhar línguas
Noutro dia telefonaram-me de uma agência de traduções a perguntar se eu podia ir fazer tradução simultânea numa formação. A tradução devia ser feita para espanhol. Se fosse há uns anos atrás, não havia qualquer problema, tinha dito logo que sim. No entanto, infelizmente tive de recusar o trabalho. Acontece que, desde que estou na Polónia, tenho tido mais dificuldade em falar línguas como o espanhol ou inglês. Como o meu dia-a-dia gira à volta do português e do polaco, não é fácil de repente passar para outra língua. Nos últimos anos, sempre que por qualquer motivo tenho de falar outra língua, dou por mim a meter palavras polacas pelo meio e a baralhar tudo. Por causa desta falta de treino não me senti capaz de fazer essa tradução.
Mas o pior de tudo é quando estou a falar português e de repente salta-me uma palavra polaca para a boca. Já me aconteceu em Portugal em várias situações, mas deu sempre para disfarçar de tal modo que as pessoas com quem estava a falar não deram por isso. Aqui em casa, por exemplo, quando estamos a falar português, às vezes meto uma palavra polaca pelo meio (normalmente palavras que não há em português, ou que em polaco resultam melhor em determinado contexto), outras vezes "aportugueso" algum termo polaco concreto. Por exemplo, quero referir-me aos prédios de vários andares típicos do comunismo, chamados coloquialmente "blokowisko", mas no plural; então faço à portuguesa e no fim acrescento um "s" (neste caso ficaria "blokowiskos"). O que nunca me tinha acontecido foi, como ontem, aportuguesar uma palavra sem me dar conta disso e dar por mim a dizer uma frase sem sentido nenhum. Tratava-se da palavra "pan", que significa senhor. Tínhamos acabado de falar com um senhor, de quem eu não me lembrava, mas o Stas sim. Depois deste se ausentar, comentei em português que não me lembrava do dito senhor. Só que, como a conversa anterior tinha sido em polaco, dei por mim a dizer: "Não me lembro deste pão"... Mal as palavras me saíram da boca, percebi a asneira que tinha dito (até porque o senhor, coitado, nem era nenhum pão...) e fiquei muito surpreendida como é que o meu cérebro me pregou uma partida destas. Vulnerabilidades linguísticas. Agora estou à espera para ver qual será a próxima. O mais curioso disto tudo é que a minha filha não tem estas baralhações como eu. Ou fala português, ou fala polaco, ou mistura, mas nunca aldraba as palavras destas maneiras.
Mas o pior de tudo é quando estou a falar português e de repente salta-me uma palavra polaca para a boca. Já me aconteceu em Portugal em várias situações, mas deu sempre para disfarçar de tal modo que as pessoas com quem estava a falar não deram por isso. Aqui em casa, por exemplo, quando estamos a falar português, às vezes meto uma palavra polaca pelo meio (normalmente palavras que não há em português, ou que em polaco resultam melhor em determinado contexto), outras vezes "aportugueso" algum termo polaco concreto. Por exemplo, quero referir-me aos prédios de vários andares típicos do comunismo, chamados coloquialmente "blokowisko", mas no plural; então faço à portuguesa e no fim acrescento um "s" (neste caso ficaria "blokowiskos"). O que nunca me tinha acontecido foi, como ontem, aportuguesar uma palavra sem me dar conta disso e dar por mim a dizer uma frase sem sentido nenhum. Tratava-se da palavra "pan", que significa senhor. Tínhamos acabado de falar com um senhor, de quem eu não me lembrava, mas o Stas sim. Depois deste se ausentar, comentei em português que não me lembrava do dito senhor. Só que, como a conversa anterior tinha sido em polaco, dei por mim a dizer: "Não me lembro deste pão"... Mal as palavras me saíram da boca, percebi a asneira que tinha dito (até porque o senhor, coitado, nem era nenhum pão...) e fiquei muito surpreendida como é que o meu cérebro me pregou uma partida destas. Vulnerabilidades linguísticas. Agora estou à espera para ver qual será a próxima. O mais curioso disto tudo é que a minha filha não tem estas baralhações como eu. Ou fala português, ou fala polaco, ou mistura, mas nunca aldraba as palavras destas maneiras.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Afinal, a Polónia também é um país pequeno
Ontem à tarde, depois de regressarmos do infantário, parámos no parque infantil para gastar ainda mais umas energias. Apareceu uma menina com quem a minha filha em pouco tempo começou a brincar. Como é costume dela, ia falando e volta e meia dirigia-se a mim dizendo algumas coisas em português. De repente, a mãe da outra criança vira-se para mim e diz: "Ela está a falar português!". Fiquei muito surpreendida e respondi-lhe que sim. Normalmente as pessoas pensam que é espanhol, ou outra língua parecida, mas nunca ninguém acerta que é português. (Noutro dia, por exemplo, quando estava no centro de saúde à espera de ser atendida estava a ler um livro em português e a senhora do lado - que já tinha metido antes conversa comigo - perguntou se era francês ou espanhol.) Vim então a saber que a mãe da nova amiguinha da minha filha formou-se em língua portuguesa! Do que percebi estava mais familiarizada com a versão brasileira, pois até tinha vivido no Brasil durante uns meses. Mas das poucas coisas que a Teresinha disse (ainda por cima com sotaque de criança pequena) conseguiu captar logo em que língua ela estava a falar. Diz-me essa senhora a certa altura: "Engraçado como o mundo é pequeno!". É bem verdade! E para o comprovar contei-lhe ainda que a minha vizinha de cima casou com um brasileiro e tem um filho também bilingue (só que esses moram no Brasil e ela só esporadicamente vem cá passar alguma temporada com a criança - por acaso agora está cá). Ou seja, não só no meu prédio há duas famílias ligadas à língua portuguesa, como no prédio ao lado vive uma senhora que domina o português! Afinal de contas, a Polónia também é um país pequeno.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O mistério das quadrículas
Com o regresso às aulas, o que mais se vê à venda nos grandes supermercados é material escolar. Há dias passei num hipermercado e lembrei-me de dar um salto à enorme secção em destaque com cadernos, canetas, estojos, etc. Queria comprar um caderno A5 de linhas, com argolas, ao estilo daqueles da Agata Ruiz de la Prada (mais grossos do que o normal). Não sei precisar a quantidade de cadernos que vi espalhados pelos expositores, mas eram mesmo muitos. Uns fininhos, outros com mais páginas, capa dura e lombada e outros com argolas, como eu queria. Devo ter pegado em praticamente todos os cadernos com argolas que por ali vi e... eram todos quadriculados!! Nem um liso, nem um de linhas! Comecei a achar aquilo muito estranho, então embrenhei-me mais na procura, indo até à secção habitual de materia escolar confirmar que não havia lá nada escondido. Mas não. Só quadrados, quadrados, quadrados. As linhas devem ter ficado esquecidas algures. Nesse dia fiquei a saber - por experiência própria e por ter perguntado a alguém depois - que os miúdos nas escolas usam sobretudo cadernos de quadrados. Porque será?? E eu continuo em busca do meu caderninho de linhas.
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