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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Semana patriótica

Estamos em época de feriados na Polónia. Maio e Novembro são meses de fins-de-semana prolongados (em Maio um gigante, em Novembro dois seguidos, mais ou menos). Na semana passada tivemos o dia de Todos-os-Santos na 6ª feira e agora, na próxima 2ª feira, temos o Dia da Independência. Para celebrar esta efeméride, todos os anos o infantário da T. organiza a semana do "Pequeno Polaco". É uma semana em que as crianças se devem vestir com as cores da bandeira da Polónia (branco e vermelho... um bocado benfiquista demais para mim, mas paciência...) e aprendem canções patrióticas, ouvem histórias patrióticas, etc., porque, no fundo, os polacos são um povo patriótico. Durante o Euro organizaram no infantário um dia do adepto em que todos iam vestidos com as cores da Polónia. Nesse dia a T. levou um cachecol da selecção portuguesa (não a consegui deixar ir só de "Polónia"). Foi assim, mas não ligou grande coisa. No entanto, ontem de manhã, antes de sair de casa vestida de bandeira polaca, perguntou-me: "E quando é que vamos ter de nos vestir de verde e vermelho?" Lá lhe disse que qualquer dia havemos de fazer a semana de Portugal.
Ao fim do dia, quando a fui buscar ao infantário, mostrou-me o desenho que tinha estado a fazer. Disse-me com tristeza que não tinha conseguido acabar porque já não havia verde. Qual não foi o meu espanto quando me explicou que aquilo era... a bandeira de Portugal! Não importa se a posição das cores não era bem aquela. Até uma mini esfera armilar ela fez (independentemente do facto de ser mais azul e cor-de-laranja do que amarela, está lá)! Senti-me orgulhosa e naquele momento percebi que de facto a minha filha está bem consciente da sua dupla nacionalidade.

(o autocolante da Ariel foi ali colado completamente ao calhas, vá-se lá saber porquê... Se calhar achou que ficava bem na bandeira, já que as cores até combinam.)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um bocadinho do tempo de Portugal na Polónia

Há uma semana fomos passear ao centro de Varsóvia e, num jardim, assistimos a uma sessão fotográfica de uns noivos. Até aqui tudo bem, não fossem estar 9ºC ao sol, com vento gélido, e a noiva e a madrinha estarem com vestidos cai-cai... Para dar uma ideia, eu estava de sobretudo e cheia de frio. Mesmo o sol não me conseguia aquecer... Cheira-me que esta noiva passou a lua-de-mel a beber chá de limão com mel e a tomar anti-inflamatórios.

Agora, se tivessem decidido casar-se uma semana depois... a história era outra! Nos últimos dias temos tido um tempo espectacular por aqui. Com máximas à volta dos 20ºC!! A sair de casa sem casacos, nem chapéus, nem cachecóis. Com as botas bem fechadinhas em casa no armário. 
Para mim tem sido uma maravilha. É a primeira vez desde que vivo na Polónia que apanho uns dias assim no fim de Outubro. Deus queira que se mantenham ainda algum tempo! Só de pensar que exactamente há um ano caíram as primeiras neves!... :)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Água é vida

A bebida que mais bebo durante o dia é água. Às vezes bebo um chá, raramente bebo sumos. Já os polacos preferem beber chá, sumos, água com gás, água com limão,... Aos bebés, por exemplo, começam desde muito cedo a dar chás e sumos. Aquela imagem que temos dos bebés agarrados a um biberon ou caneca de água cá é alterada por recipientes com líquido colorido dentro. Sempre tive de lidar com a surpresa das mães polacas por os meus filhos preferirem beber água. Tanto um como outro prefere sempre água - e eu também.
Nos últimos dias tive duas situações que tornaram o meu hábito de beber água algo estranho. Em casa duns amigos dei por mim a querer beber um copo de água. Procurei visualmente uma garrafa ou garrafão e avistei uma na cozinha. Servi-me um pouco e quando fui a beber... blhac, era uma daquelas águas meio água das pedras, péssima! Acabei a beber água do biberon do M... Entretanto, por acaso, chegaram as compras que eles tinham encomendado online e nada de água (nós encomendamos sempre uns 5 garrafões). Fico a pensar: o que é que eles bebem?? Já noutro dia, em casa de outros, foi o contrário. Dizem-me eles: "Desculpa, mas não temos sumos... Se calhar queres um chá..." Nem queriam acreditar quando lhes disse que preferia beber água! Sim, porque é muito comum eu chegar a casa de alguém, pedir um copo de água e as pessoas acharem que eu estou a fazer cerimónia e quererem obrigar-me a beber qualquer outra coisa.
É tudo uma questão de hábito. Penso que terá a ver com o facto de durante muitos anos não haver água potável nas torneiras. Actualmente, apesar de dizerem que em Varsóvia já se pode beber água da torneira, na prática eu não me fio nisso. Eu e quase toda a gente. A água sabe mal (há uns meses bebi um copo de água da torneira por distração), às vezes tem uma cor estranha e tem imenso calcário. Ora, durante aqueles anos difíceis do comunismo, em que não dava para se estar sempre a comprar garrafões de água, o normal era ferver a água da torneira e beber assim, sobretudo em chás. 
É estranho não se poder beber água da torneira. A T., por exemplo, sabe que aqui no banho não pode beber água do chuveiro, mas em Portugal pode. No fundo é tudo uma questão de hábito.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sim, há homens que não gostam de futebol

Sendo nascida e criada em Portugal, há uma coisa que continua a fazer-me muita confusão na Polónia. É o facto de haver homens que não ligam ao desporto. Não me refiro concretamente ao facto de praticarem ou não (isso não sei), mas de assistirem, apoiarem, vibrarem. No caso concreto do futebol percebo que a liga polaca é fraca, mas há muita gente que apoia equipas estrangeiras, que vê a liga espanhola, inglesa, italiana, os jogos da Champions, etc. Agora, haver homens que se calhar nem sabem o que é um fora de jogo, isso já acho demais! Lembro-me, no ano passado, durante uma reunião de pais no infantário da T. que já se estava a prolongar demais, havia três pais que começaram a ficar com bicho-carpinteiro porque estava quase a começar um jogo de futebol importante. Três em sei lá quantos. Os outros nem sabiam quem ia jogar.
Quando estou com alguém que me diz que o marido "não gosta de futebol" ou "não liga", tento reagir com a maior naturalidade possível. Só que dentro de mim há uma voz que grita: "Oquê????????? Como é possível???". Ainda por cima acho um desperdício quando há famílias com grandes televisões em casa, com enorme qualidade, nas quais ver um jogo de futebol é uma delícia para os olhos, e simplesmente nem sabem qual é o número do Eurosport (ou semelhantes). Dá Deus nozes a quem não tem dentes.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O que as polacas fazem no Outono

Para muitas polacas, o Outono é a sua época preferida do ano. Julgo que gostam não só das cores da natureza, mas também da melancolia própria da estação. No entanto, há outra coisa de que acho que elas também gostam. É que no Outono aproveitam para fazer várias coisas para consumir durante o Inverno. Se os homens dedicam este tempo a fazer licores de diferentes frutos do bosque (há tantos e tão diferentes, que eu nem saberia traduzir os nomes), as mulheres dedicam-se a fazer compotas. Aproveitam os últimos tempos com fruta de Verão e é vê-las a encher frascos e mais frascos (e os supermercados cheios de recipientes vazios para vender). Mas não se ficam só nas compotas: há quem prepare também couve e pepinos para fermentar e fazer aquela espécie de chucrute e pikles. Nos últimos dias tenho visto várias mulheres todas entusiasmadas a fazer as suas compotas e todo o tipo de conservas de frutas e legumes. No ano passado eu também me dediquei a fazer o tradicional doce de abóbora português. Este ano não fiz, mas passei a minha receita a outras pessoas que se interessaram por ela no ano passado. Agora já me disseram que vão fazer um concurso de provas de doce de abóbora para eu ver que tal ficou. Estou para ver.
Mas o que acho mais engraçado nisto tudo é ver a alegria com que fazem isto e que é mais uma das coisas que faz os polacos gostarem tanto do Outono.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Autocarros em casamentos??

Quando vim para cá, achei muito estranho ver à porta das igrejas, quando havia casamentos, autocarros de turismo. O que é que um autocarro tem a ver com um casamento?? Afinal tem, e muito! Para não haver o eterno dilema conduzir vs. beber, organizam-se autocarros que levam os convidados até ao sítio do copo de água e depois os vêm trazer até algum sítio combinado, onde poderão apanhar um taxi ou algum outro transporte. Uma ideia, no mínimo, curiosa. E que não se aplica só a casamentos. Na empresa do S., por exemplo, quando fazem a festa anual para os trabalhadores, também usam o esquema do autocarro.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Curioso

Actualmente passam na televisão polaca dois anúncios a carros de marcas diferentes gravados em Lisboa. Um é da Nissan, outro da Skoda. Dá um certo orgulho ver como cá escolhem os cenários de Lisboa para coisas destas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O fim do ano escolar

Hoje é o último dia de aulas nas escolas, infantários e creches. Seguem-se dois meses de intervalo (os infantários e creches públicos retomam em Agosto) e no dia 1 de Setembro lá estão as crianças todas de volta. Ontem e hoje as escolas fizeram as suas cerimónias de encerramento do ano, com entrega de diplomas, certificados, avaliações, etc. Cá na Polónia isto é algo que se leva a sério: as crianças vestem-se a rigor e a cerimónia é realizada muitas vezes com a presença de familiares.
Nós ontem tivemos a nossa no infantário. A T. estava com o seu melhor vestido e fez uma pequena representação com os colegas, antes de receber um diploma simbólico. No fim disto tudo, tivemos um pequeno ritual de agradecimentos e entrega de presentes à directora, educadoras, auxiliares, etc. E era precisamente disto que eu queria falar hoje.
Quando eu era pequena, lembro-me de ver em livros de banda desenhada os alunos levarem uma maçã à professora (o clássico era o Chico Bento). Aqui não se dão maçãs, mas há a mania de no fim do ano se dar algum presente aos professores e outros trabalhadores da escola. Alguns pais dão àquele ou àquela com quem a criança ou eles próprios tiveram melhor contacto, mas também acontece dar-se a todos indiscriminadamente. No nosso infantário, pelo menos neste dois anos em que lá temos estado, tem-se feito uma recolha de fundos entre os pais para comprar presentes para o pessoal. Claro que tudo o que envolve recolha de dinheiro dá confusão, por isso acabei por ouvir opiniões muito diferentes sobre esta questão. Mas nenhuma contra o acto em si de oferecer algo.
Em geral, todos estão mentalizados que tem de se dar presentes e nem questionam isso. Só houve uma pessoa com quem falei que, como eu, acha que é um exagero ter de se dar presentes a todos no fim do ano. Porque, se formos a pensar em todas as outras profissões, ninguém recebe presentes no final do ano por ter feito o seu trabalho (bem, há casos em que se recebem comissões ou prémios em dinheiro, mas isso é outra história). Percebo o simbolismo da questão, mas penso que se poderia resolver isto comprando pequenas coisas simbólicas, sem ter de gastar uma pipa de massa (ou mesmo não comprando nada!!). No caso do nosso infantário, este ano foi o descalabro e gastou-se imenso (porque teve de se comprar para várias pessoas e à última da hora afinal ainda para mais duas...). Por minha parte, eu também tomo conta de duas crianças várias horas por dia e a mim ninguém me da presentes! Vou ver se começo a negociar aqui em casa. ;)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Agnieszka ou Marysia?

Há quem diga que todas as polacas são Agnieszkas ou Marysias. De facto, estes são os nomes femininos mais populares. Se Marysia (diminutivo de Maria) continua ainda hoje a ser um dos nomes mais dados às filhas, Agnieszka (Inês) já não tanto. Deve é ter sido o grande nome da moda na década de 70 e 80, pois onde quer que eu vá, há uma Agnieszka. A lista de contactos do meu telefone está cheia delas (e aquelas de quem não tenho o número, mas com quem me cruzo diariamente??). E a confusão que é para sabermos de quem estamos a falar? A partir de certa altura já só vamos lá evitando o primeiro nome e referindo-nos a elas pelo apelido. É que são mesmo mais que as mães!!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O nosso peixe era transexual

Durante 9 meses tivemos um peixe. Foi o presente de onomástico da T. Ela nunca lhe ligou grande coisa e de facto ele era apenas um elemento decorativo na nossa casa. Só que nos deu volta e meia dores de cabeça quando tivemos de viajar e deixá-lo com alguém durante esse tempo.
Apesar de ser um animal que não interage grande coisa, este peixe foi motivo de grande baralhação linguística. Tudo isto porque em português a palavra peixe é masculina e em polaco é... feminina! Então, eu que me referia sempre a ELE, tinha de ouvir os outros a chamarem-lhe sempre ELA. Na realidade era um macho, mas mesmo assim era... ela! Era estranhíssimo ele ser o tempo todo tratado como se fosse uma fêmea.
De qualquer maneira, ao fim de 9 meses de confusão de género, o nosso peixinho decidiu ir desta para uma melhor e lá foi pelo cano abaixo...


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Não discutam com um polaco

Não sei se já falei aqui, mas os polacos para discutir são uns chatos. Quando digo discutir, refiro-me a todo o tipo de troca de ideias, não apenas às formas mais violentas de o fazer. Eles têm uma ideia e são capazes de a transmitir durante uma hora, dizendo a mesma coisa de várias maneiras diferentes. Apercebi-me disto só há poucos anos e confesso que me facilitou a vida. Agora já sou capaz de cortar certas conversas a meio, quando percebo que a pessoa vai tentar dizer outra vez o mesmo, mas por outras palavras. Para eles isto não faz confusão nenhuma. Para mim, é horrível. O próprio S. já se ri disto e reconhece ser verdade. O que em Portugal se diz com meia dúzia de palavras, na Polónia precisa de meia dúzia de frases, ou se calhar meia dúzia de parágrafos. Comparável a isto, só as pessoas em Portugal a quem se pedem indicações no caminho que explicam como se vai dar ao sítio de dez maneiras diferentes (quer dizer, o caminho é o mesmo, as palavras é que vão mudando). Só me consigo lembrar disto:


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Caraças de carraças!

Há coisa de mês e meio fomos passar umas mini-férias à região da Vármia. Também chamada Região dos Lagos, a Vármia-Mazúria é uma das minhas regiões preferidas da Polónia. É absolutamente lindíssima! Fomos num dia de grande calor e apanhámos imenso frio enquanto lá estivemos (com as malas feitas com roupa ligeira... enfim... mãe portuguesa nunca aprende!!). Acabámos por passear menos do que queríamos, mas ficámos num hotel sobre um lago, então paisagem tínhamos.
Esta região, para além de lagos e florestas enormes tem algo muito característico deste tipo de ambiente: melgas e... carraças! Há dias alguém me contou que houve nessa região uma acção de "des-melguização" das florestas para atrair turistas. Não sei até que ponto isso é possível, mas enfim. Mas com as carraças não é possível fazer isso. Do que percebi, os polacos estão muito habituados às carraças, quer dizer, mais do que os portugueses. No início de casados, quando íamos passear a alguma floresta, o S. regressava a casa e pedia-me para ver se não tinha carraças em alguma parte do corpo. Sempre achei isso um exagero e nunca liguei muito. Mas a verdade é que nunca vi nenhuma. Até ao dia. E esse dia foi horrível.
Tínhamos regressado das nossas mini-férias, as crianças já estavam na cama e eu tinha acabado de me sentar no sofá a ler um livro. O S. vem ter comigo, com a mão na barriga, e diz:
- Estou a sentir aqui uma coisa estranha. Vê lá o que é isto.
Aproximei-me e vi uma coisinha pequena escura. Pareceu-me uma crosta de uma ferida pequena que estava a sair. Ele, alarmado, diz:
- Vê lá se não é uma carraça...
- Não! Claro que não! É uma crosta. Espera aí, já a tiro...
E tirei. De repente, olho para o que tenho entre os dedos e vejo que tem umas patinhas minúsculas e que se está a mexer.
- Aaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!
Apanhei um susto daqueles e larguei logo o que tinha nas mãos. Imediatamente olhámos para a barriga do S., onde ela estava, mas não parecia ter nada de estranho. De qualquer maneira, lá foi o coitado para as urgências do hospital ver se não tinha nada. E só depois me lembrei que tinha deixado cair a carraça... E onde está? Pois é... procurei por toda a parte e... nada! Pus a roupa toda para lavar, aspirei o chão, no dia seguinte o S. voltou a aspirar a sala toda, sofás, etc. Esperemos que ela tenha ido embora... Felizmente a picadela foi mínima, pois consegui arrancá-la logo no momento certo (e da maneira adequada, sem o saber) e não trouxe consequências. Agora o stress que tive naqueles dias, a pensar que ela andaria por aqui por casa, à caça de uma próxima vítima...!!!
Entretanto informei-me e há imensos produtos para as carraças, desde kits especiais para as tirar do corpo, até coisas para aplicar nas picadas, etc. Nós agora já temos uma coisa para as tirar do corpo.
Nunca mais vi nenhuma, apesar de ter a sensação que um dia no banho do M. houve uma que foi pelo cano abaixo.
Conclusão: Gosto muito da Vármia-Mazúria, mas... acho que agora tenho outra região de que gosto mais...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Já passaram 5!...

Cinco aninhos desde que a minha querida filha nasceu, num dia de grande calor, aqui em Varsóvia. Foi o início de muitas aventuras. Graças a ela conheci realidades da Polónia que desconhecia - e ainda hoje continuo a descobrir muitas coisas novas.
Ontem já celebrámos com a família, hoje será na escola e com a família nuclear e em breve será com os amigos mais próximos. A propósito disto, tive imensas dores de cabeça sobre como organizar a festa de anos dela com os amigos.
Uma das coisas que os comunistas fizeram na Polónia foi alterar drasticamente o sistema habitacional. Davam casas a toda a gente, mas que casas? Construíram blocos enormes, feíssimos, com dezenas de andares  (o da avó do S. tem 17 andares) e centenas de apartamentos. Só que, para caberem muitas pessoas, faziam os apartamentos minúsculos. As casas antigas que sobreviveram à IIª Guerra Mundial foram fragmentadas em vários pequenos apartamentos. Ou seja, um apartamento antigo que tinha quase 200m2 era repartido em quatro casas de 50m2, ou mais até. Uma das primeiras casas onde viveram os meus sogros era precisamente uma destas, em que havia quartos com cozinhas improvisadas, casas-de-banho partilhadas, etc. O pior disto tudo é que o mercado imobiliário não consegue alterar-se de um dia para o outro e hoje em dia na mesma constroem-se imensas casas com 20m2, 30m2, 40m2, 50m2.
Li há dias que os comunistas fizeram isto como política anti-família. Para quem vive em casas pequenas, o aparecimento de filhos torna-se obviamente num problema logístico. E a ideia era essa: desincentivar as famílias numerosas. Duas décadas depois da queda do comunismo, continua-se a sentir este problema. Conheço várias famílias que vivem em casas com 50m2, com dois ou três filhos, e é um horror. Querem mudar para algo maior, mas não é fácil, porque os preços são proporcionais. Nós temos "sorte" por ter 70m2 e termos um quarto só para nós (há muitos casais que optam por dormir na sala e deixar os quartos para os filhos). Mas sentimos já falta de mais um quarto para trabalhar e outro para cada filho ter o seu.
E o que tem isto a ver com os anos da T.? Tem que eu gostaria de fazer uma festa de anos grande cá em casa, mas... não há espaço!! E como eu sentem-se muitas famílias. A tendência é alugar espaços e fazer festas organizadas, mas são caríssimas e eu gostava tanto de fazer como na minha infância: em casa, com bolos feitos por nós, decorações também nossas e a tranquilidade do lar. Ainda pensei fazer um piquenique, mas a perspectiva de andar o tempo todo a correr atrás do M. não foi muito agradável. Por isso, vamos na mesma fazer em casa, mas com uma lista de convidados reduzida. Paciência, quando arranjarmos uma casa maior talvez consigamos convidar mais gente. Mas para já, isso não é o mais importante. Por agora vou-me dedicar a desfrutar o aniversário da T.!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mais um Natal polaco

Este ano, ao contrário do que inicialmente planeávamos, passamos o Natal na Polónia. Por muitos motivos vai ser um Natal diferente do tradicional (sobretudo para mim, pois todos os Natais na Polónia são ainda uma novidade). Primeiro, pela ausência do avô que partiu este ano, e depois, pelo nascimento do nosso filhinho. Assim se vai renovando o ciclo da vida na família. Por causa do falecimento do avô, a avó não se sente com forças para organizar o Natal como sempre tem vindo a fazer. Então este ano mudamos de cenário, mudamos de pessoas (se é que se pode dizer assim, pela ausência de alguns familiares que este ano não virão a Varsóvia) e vamos mudar também de menu. Isto porque desta vez quem vai cozinhar é a minha sogra. Ela até cozinha bem, mas confesso que vou sentir saudades do barszcz e do bigos feitos pela avó.
Diz a tradição polaca que na véspera de Natal a mesa deve ter 12 pratos diferentes (não me refiro à baixela, mas sim à comida). Nos Natais anteriores nunca houve a preocupação de ser literal nisto, mas por acaso acontecia termos mesmo 12 (às vezes um mesmo prato em duas travessas). Este ano, como a minha sogra não está habituada a preparar as comidas do Natal todas sozinhas, ofereci-me para fazer qualquer coisa em casa e levar, para ela não ficar com o peso de ter de fazer vários pratos diferentes. Normalmente na véspera, os polacos comem carpa e arenque (este último geralmente marinado). Como não sei cozinhar nenhum destes peixes - e muito menos à maneira polaca - decidi fazer outro peixe qualquer. Felizmente a minha sogra, apesar de ser muito tradicional em vários aspectos, gosta de inovar na cozinha e não se importa que eu faça um prato à la portuguesa. Como cá não se arranja bacalhau (só mesmo bacalhau fresco, mas o efeito não é o mesmo), optei pela solha. Vamos lá ver que tal fica. Vai ser um bocadinho de Portugal no nosso Natal polaco. Pensei ainda que poderia também fazer uma sobremesa, mas os sonhos são difíceis de fazer e rabanadas já fiz uma vez e dá muito trabalho (preferia evitar ter de fritar alguma coisa). Alguém tem outra sugestão?
Já agora, um bom Natal para todos!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ganhou 28 milhões de zlótis no totoloto polaco

Esta semana havia um grande prémio em jogo no totoloto, de 52 milhões de zlótis. Nós ainda jogámos uma quantia simbólica só por piada. Ontem, as notícias diziam que havia dois vencedores, um deles em Varsóvia. O mais curioso é que esse tinha entregado o boletim aqui perto. Hoje fiquei a saber que precisamente esse sortudo trabalhava no call-center da empresa do Stas!!! Entretanto já se despediu e, ao que parece, publicou no facebook fotos do boletim vencedor e anda a contar a toda a gente que ganhou. Pobre rapaz, cheira-me que o dinheiro vai desaparecer bem mais depressa do que ele pensa...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

10 anos da Wikipedia polaca

A Wikipedia polaca faz 10 anos. Por causa disto fiquei a saber uma coisa interessante: para além da versão normal em polaco, existem ainda duas wikipédias em dialectos da Polónia. Uma delas, a Ślunsko Wikipedyjo, escrita no dialecto falado na região da Silésia, a sudoeste da Polónia, e a outra, a Kaszëbskô Wikipedijô, escrita no dialecto falado na região da Cassúbia, a noroeste.
Aqui fica um print screen da página inicial de cada uma delas.



Nota: Imagino que para o comum dos mortais mostrar estas páginas, ou a página da Wikipedia polaca é exactamente a mesma coisa. Para quem conhece algo da língua polaca, isto até tem a sua graça, porque vêem-se diferenças notáveis. Assim à primeira vista, fico com a sensação que o dialecto da Silésia é mais semelhante ao polaco do que o da Cassúbia.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tradução dos nomes

Como é possível que Lourenço em polaco se diga Wawrzyniec e que o nome polaco Wojciech em português corresponde a Adalberto??

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O mistério das quadrículas

Com o regresso às aulas, o que mais se vê à venda nos grandes supermercados é material escolar. Há dias passei num hipermercado e lembrei-me de dar um salto à enorme secção em destaque com cadernos, canetas, estojos, etc. Queria comprar um caderno A5 de linhas, com argolas, ao estilo daqueles da Agata Ruiz de la Prada (mais grossos do que o normal). Não sei precisar a quantidade de cadernos que vi espalhados pelos expositores, mas eram mesmo muitos. Uns fininhos, outros com mais páginas, capa dura e lombada e outros com argolas, como eu queria. Devo ter pegado em praticamente todos os cadernos com argolas que por ali vi e... eram todos quadriculados!! Nem um liso, nem um de linhas! Comecei a achar aquilo muito estranho, então embrenhei-me mais na procura, indo até à secção habitual de materia escolar confirmar que não havia lá nada escondido. Mas não. Só quadrados, quadrados, quadrados. As linhas devem ter ficado esquecidas algures. Nesse dia fiquei a saber - por experiência própria e por ter perguntado a alguém depois - que os miúdos nas escolas usam sobretudo cadernos de quadrados. Porque será?? E eu continuo em busca do meu caderninho de linhas.