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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um novo monumento em Varsóvia

Uma das coisas que sempre tive curiosidade em saber era exactamente onde tinha sido o Gueto de Varsóvia. Quer dizer, eu sabia mais ou menos em que zona era - até porque uma vez me disseram que as casas aí construídas estão ligeiramente mais altas do chão, por terem sido construídas sobre as ruínas do Gueto, e isso é visível. Mas queria saber com precisão. Comprámos há uns meses um livrito que tinha lá um mapa, mas nunca cheguei a fazer esse percurso para ver como é hoje.
Até que a cidade de Varsóvia teve uma boa ideia: colocou uma série de placas de bronze com um mapa do Gueto em zonas por onde passava o muro do dito. Uma forma de assinalar as suas fronteiras. Segundo dizem, podemos ver estas placas nas ruas Złota, Żelazna, Grzybowska, Solidarność e Żytnia, entre outras. Nós fomos em busca da placa na rua Świętojerska e, de facto, lá estava ela, toda janota à nossa espera para uma sessão de fotografias.



















Diz a inscrição:
«Por decisão das autoridades ocupantes alemãs, o gueto foi isolado do resto da cidade no dia 16 de Novembro de 1940. A área do gueto, rodeada por um muro, tinha inicialmente cerca de 307 hectares; posteriormente foi ampliada e a partir de Janeiro de 1942 dividiu-se no chamado pequeno e grande gueto. Foram enclausurados aqui cerca de 360 mil judeus de Varsóvia e cerca de 90 mil de outras localidades. Cerca de 100 mil pessoas morreram à fome. No verão de 1942, os alemães deportaram e assassinaram nas câmaras de gás de Treblinka cerca de 300 mil pessoas. No dia 19 de Abril de 1943 estalou uma insurreição; até meados de Maio insurgentes e civis morreram na luta e nas chamas do gueto sistematicamente incendiado; os outros foram assassinados pelos alemães em Novembro de 1943 nos campos de concentração de Majdanek, Poniatowa e Trawniki. Poucos sobreviveram.
À memoria daqueles que sofreram, lutaram, morreram. Cidade de Varsóvia, 2008
Pequeno fragmento do muro norte do gueto aqui preservado.»


E, para terminar, duas pequenas imagens das primeiras neves que cairam por aqui. Pena que não tirámos fotos no domingo. Isso sim, tinha sido giro. Caiu um nevão engraçado (que coincidiu com um momento em que tive de sair à rua...), era ver as criancinhas e pais todos aqui no parque infantil a descer as montanhinhas de trenó e a atirarem bolas de neve.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Powązki

Falando ainda a propósito do dia de Todos-os-Santos, não posso deixar de referir o cemitério de Powązki. É o cemitério mais antigo de Varsóvia e penso que um dos mais bonitos (não conheço os outros todos, mas imagino que sim). Nele encontram-se sepultados vários polacos famosos, sejam actores, escritores, juristas, artistas plásticos, músicos, etc. Muitas das campas e jazigos que lá há datam do século XIX. No dia de Todos-os-Santos ira Powązki é suicídio. As ruas à volta deste cemitério são fechadas, nas redondezas vemos placas de sinalização a indicar parkings provisórios criados especialmente para aquela ocasião e o trânsito para lá chegar também não anima. A solução é mesmo ir de eléctrico. Tentei ir lá no dia 2 de Novembro, já que dia 1 não foi possível, mas desistimos. Acabámos por ir uma semana depois, apesar de já não ser a mesma coisa. No próprio dia de Todos-os-Santos em Powązki concentram-se alguns polacos famosos a fazerem um peditório para a conservação e restauro dos túmulos de pessoas, conhecidas ou não, que por já não terem família, se estão a degradar. Pelo que percebi, se no dia 1 nos cemitérios normais já há grande confusão, então naquele deve ser um autêntico circo.
O cemitério de Powązki está rodeado por um cemitério judaico, um protestante e um muçulmano (dos tártaros, com túmulos também de séculos passados). Lá dentro, temos uma parte central com sepulturas antigas, uma zona chamada Aleja Zasłużonych, que se traduz mais ou menos por Avenida (ou Passeio) dos Meritórios, onde há uma espécie de corredor com vários cofres onde estão os restos mortais desses meritórios. Mais uma vez, como agora escurece tão cedo, não conseguimos fazer a visita ao cemitério tal como queríamos. Aqui ficam algumas fotos de Powązki (da parte civil, porque parece que também há um lado militar):

Uma inscrição à porta do cemitério: Quando se apaga a memória humana, passam a falar as pedras. Do Cardeal Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia.

A planta do cemitério.

Uma lápide com a inscrição: Aos soldados franceses que cairam na Polónia entre 1919-1921.





A igreja do cemitério. Duas fotos tiradas com tipo dois segundos de intervalo (só depois de tirar a segunda é que reparei que as luzes se acenderam!!










Breve resumo da história do cemitério:
Foi erguido (salvo seja) em 1790 numa propriedade cedida por um tal de Szymanowski. A igreja e catacumba foram construidas em 1792 de acordo com o projecto do arquitecto real Dominik Merlini. Foi ampliado 19 vezes. A sua ampliação terminou em 1971. Tem área de 43 hectares. A igreja foi reconstruida duas vezes: em 1847-1850 e 1890-1891. Durante a IIª Grande Guerra, a igreja e a catabumba foram destruídas, bem como muitos dos túmulos com significado histórico. Durante a ocupação alemã, o cemitério foi uma espécie de local de manobras do AK (o exército nacional clandestino, tipo resistência). Pelo cemitério conseguiam fazer passar alimentos para dentro do Gueto de Varsóvia. A igreja e a catabumba foram novamente construidas entre 1945 e 1976. No cemitério estão sepultados insurgentes e heróis polacos desde os tempos das partilhas da Polónia até à IIª Guerra. Num mausoléu estão cinzas de vítimas dos campos de concentração.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Varsóvia em Dia de Todos-os-Santos

Com algum atraso, venho aqui escrever sobre o dia de Todos-os-Santos na Polónia.
Como em muitas outras partes do mundo cristão, no dia de Todos-os-Santos vai-se ao cemitério. Apesar de em Portugal também haver esta tradição, penso que ela se extende principalmente ao meio rural. Nós, pelo menos, em Portugal, nunca fomos a nenhum cemitério no dia 1 de Novembro (e muitas das pessoas que conheço também não vão). Pois na Polónia este é o dia em que se vai ao cemitério. E quem não pode ir no dia 1, vai nos dias seguintes, durante a oitava da festa. No ano passado passei o dia de Todos-os-Santos que nem podia e não pus o pé fora de casa. Este ano pus os dois e lá fomos todos em direcção ao cemitério. À volta dele, o caos. Estacionamento tipo quem vai ao futebol e imensos comerciantes com as suas bancadas (ou não) a venderem velas funerárias de vários tipos, cores e feitios (e preços), arranjos florais próprios para campas, alguns bolinhos e até mesmo brinquedos! Bem, pelo menos vi um que vendia brinquedos, mas acho que era o único. No cemitério as campas estavam ornadas com flores e velas acesas. Um espectáculo algo engraçado. Dizem os que neste dia vão ao campo que os cemitérios das aldeias são dignos de se ver, de tão bem ornados que ficam. Parece que à noite, quando se passa por eles, vê-se uma "nuvem" de luz das velas que lá deixaram acesas.
E falando de velas acesas, os polacos deixam-nas não só nos cemitérios, mas em todos os locais que indiquem mortos, como por exemplo em locais onde houve acidentes de carro e em monumentos. Deixo aqui alguns exemplos:

Este é o monumento em memória das vítimas dos soviéticos durante a IIª Guerra Mundial. Fica perto da porta do antigo Gueto de Varsóvia. O monumento consiste num carril gigante, em que cada trave tem escrito um local (penso que talvez seja o local para onde os polacos foram deportados, mas não sei ao certo). No cimo, um vagão aberto cheio de cruzes. Não dá para ver bem na foto, mas estavam lá umas pessoas a colocar velas.

Aqui está a parte central do monumento (à qual fizeram tunning e puseram estas luzes lindas por baixo).

Placa identificativa do monumento com a data do início da agressão soviética: 17 de Setembro de 1939.

O monumento da Insurreição de Varsóvia.

O célebre local onde o Papa João Paulo II celebrava as suas Missas em Varsóvia e que tem também uma placa no chão alusiva ao funeral Cardeal Wyszyński, que me leva a crer que a Missa do funeral deve ter sido também ali (note-se a presença do Stas e da Teresa na foto).

Por fim, o monumento ao soldado desconhecido.

PS - Apesar de parecer que andámos a passear à noite por Varsóvia, devo esclarecer que na realidade eram entre 17h e 18h...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O campo na cidade

Varsóvia é uma cidade tão grande que é preciso muito tempo para a conhecer mesmo bem. Volta e meia, decidimos fazer passeios de carro por zonas que não conhecemos. Desta vez, fomos investigar Wilanów, mas para os lados do rio.
Wilanów é um bairro bom. Tem zonas com muitas moradias, onde vive gente rica. A nível de transportes públicos não é das melhores, mas quem vive em algumas daquelas casas são pessoas que à partida têm carro. É um bairro que ainda se está a expandir; o volume de construção lá é enorme. Há uma zona onde estão a acabar de construir uma série de prédios baixos com apartamentos, com um ar bem giro.
Wilanów chega até ao rio Vístula. Por esse lado eu ainda não tinha andado. Passámos por uma zona de moradias que eu desconhecia. Apenas reconheci o nome de uma das ruas, porque lá morava uma colega minha alemã do curso de polaco no Polonicum. Esta zona era gira, mas só tinha lá pelo meio um mini-mercado, uma paragem de autocarro e pouco mais. Em termos práticos, se queremos uma farmácia, uma pastelaria, etc, ali é difícil encontrar. Só mesmo pegando no carrinho e andando uns quilómetros. Depois deste bairro, entra-se noutro que nunca pensei encontrar em Varsóvia. É literalmente uma aldeia! Casas típicas do campo, com quintais e zonas de cultivo, mesmo as pessoas têm um ar campesino, vestem-se de forma mais rural. É muito engraçado. Sente-se o cheiro dos pomares. A certa altura começou a cheirar-me a figos. Fiquei toda contente, a achar que iria comer figos na Polónia. De repente vimos uma árvore cheiinha de figos, parámos o carro para eu ir tirar um, mas... Quando chegámos lá não eram figos!! A minha nabice surpreendeu-me, que com o desejo guloso de comer, nem reparei que a folha da árvore era diferente da da figueira. Lá tive de me resignar e continuar o passeio pelo campo citadino.
Devo dizer que nunca pensei encontrar uma aldeia daquelas dentro de uma cidade. De facto, Varsóvia é mesmo diferente de Lisboa. Lisboa é uma cidade muito delimitada, que já não tem espaço para crescer. Varsóvia ainda tem muitas zonas por explorar (vê-se com os novos bairros que vão surgindo, como estes prédios novos de Wilanów de que falei há pouco). Claro que não vai ter novos bairros, porque à volta também tem outras pequenas povoações. Mas dentro dos que já existem (tirando o centro, é claro), ainda há muitas coisas interessantes e muitos espaços verdes.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Pequenos retratos de Maio

O Palácio de Wilanów ao entardecer

Uma encenação de rua no dia 3 de Maio, feriado nacional polaco, dia da Constituição

Vista do Palácio de Łazienki, também no dia 3 de Maio (também havia lá encenações, concertos, etc)
Um pavão no parque Łazienki
A mais famosa estátua de Chopin

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Retratos da Insurreição

Finalmente lá consegui tratar de toda a papelada respeitante à minha estadia aqui. Foi a coisa mais simples que existe. Agora, daqui a uns dias, terei de voltar lá para ir buscar a autorização de residência. Quando saí de lá, porque até vinha bem disposta, decidi tirar algumas fotos ao monumento dedicado aos combatentes da insurreição de Varsóvia, que é mesmo ali ao lado. Estamos em plena cidade velha, onde grande parte da acção da insurreição decorreu. Estes monumentos mostram alguns dos combatentes, salientando o facto de serem civis. Nesta foto aqui em cima, por exemplo, vê-se uma criança, talvez já adolescente, com um capacete que mal lhe serve. Aqui na outra foto vêem-se os resistentes a fugir pelas canalizações da cidade. Foi assim que muitos deles se salvaram (outros não, acho que dependeu de onde sairam, mas não tenho a certeza). Aqui nesta foto vê-se também um padre. Penso que em nenhum destes são retratadas mulheres, mas muitas estiveram também nas fileiras de combate da insurreição.
Nesta zona fica um edifício que tem qualquer coisa a ver com o exército, não sei bem o que é. Quando passei por aqui e estava a fazer estas fotos, os militares polacos estavam a entrar para uns autocarros próprios. Deviam ir a algum funeral, ou algo do estilo, porque na bagageira levavam montes de coroas de flores. Achei curioso o facto de eles estarem todos aperaltados, mas de sobretudo verde, igual à farda deles, com um cinto grosso e acastanhado na cintura. Muito elegantes lá iam eles. Acho que nunca tinha visto militares de sobretudo. O mais engraçado é que cada um deles que ia entrando no autocarro levava na mão um cabide! Imagino que fosse para pendurar o sobretudo, já que eles estavam impecavelmente passados a ferro.
Estas duas placas nestas fotos são alusivas também à fuga dos resistentes da insurreição pelos esgotos da cidade. Em frente a este prédio, onde estão as placas, ficava um dos (ou simplesmente "o") buracos por onde eles escaparam. Não consegui tirar boas fotos, porque o prédio está em obras e está tapado. Eu lá meti a mão por entre os andaimes e consegui tirar estas duas fotos. A primeira placa diz algo tipo: "Por este canal, após uma heróica defesa da cidade velha, foram desde o centro até Zoliborz (no norte da cidade) 5300 combatentes do grupo do norte". Se isto estiver mal traduzido, depois corrigo. A segunda placa mostra o trajecto que eles fizeram. Infelizmente, pelos motivos que já referi, não consegui chegar-me mais perto para ler melhor o que lá diz. Mas quando vierem cá visitar-me podemos passar por lá e ver as coisas melhor.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Programinhas

Esta semana, para aliviar das confusões com a casa e afins, fiz dois programinhas que vale a pena partilhar. Num dos dias fomos ao cinema. Queriamos ver o Shrek na versão original, mas chegámos à conclusão que não há em parte nenhuma... Num rasgo de coragem, também para treinar os meus conhecimentos, decidi arriscar e ir ver a versão polaca do filme! Confesso que não foi tão mau quanto pensei e até consegui perceber muitas coisas. Claro que tive de ter "tradução simultânea" para algumas partes, mas em geral não foi assim tão mau.
Outro programa interessante foi ir ver uma exposição que está cá no museu nacional sobre o pintor Alfons Mucha. Devo dizer que adorei. O senhor até faz umas coisas engraçadas. As pinturas dele estão cheias de pormenores decorativos super interessantes. Ele tem um estilo muito giro e de certo modo também variado. Fiquei surpreendida, depois de ver uma série de pinturas dele todas no mesmo estilo (como esta imagem aqui ao lado) e de repente aparecerem outras que não tinham nada a ver, mas também interessantes. Andava há semanas para lá ir e já estava mesmo a ver que não ia conseguir. Afinal, apesar dos últimos dias aqui estarem péssimos, com uns vendavais indescritíveis e briole, lá me decidi pôr nas pernas e ir. A exposição estava cheia de gente, por acaso não imaginei que pudesse estar assim. E no fim, a lojinha de souvenirs também cheia; toda a gente queria comprar livros, postais, posters, etc, do Alfons Mucha. Se algum dia esta exposição estiver em Lisboa, recomendo vivamente.

Para finalizar, umas últimas fotos de Varsóvia:















O monumento que actualmente se encontra naquela que foi entrada do gueto de Varsóvia. Tem placas com inscrições em polaco, inglês e hebraico (acho).















Muito perto da entrada do gueto, um monumento que simboliza uma linha de comboio com um vagão cheio de cruzes, alusivo à deportação dos judeus. Devo dizer que cada vez que vejo um comboio com vagões de carga aqui é das coisas mais arrepiantes. Claro que sei que aquilo não tem nada de mal, mas só a mais pequena lembrança do que aquilo significou para tanta gente... é mesmo assustador. Sobretudo noutro dia, tivemos uma aventura espetacular: regressávamos do ikea com o carro com três coisas bem volumosas e pesadas que o enchiam completamente e... tivemos um furo!! Um buraco imbecil na estrada secundária por onde atalhamos sempre lixou-nos o resto do dia. Ficámos sei lá quanto tempo parados. Descarregar o carro, tratar do pneu que não queria de maneira nenhuma sair, a trovoada a começar, etc, etc. Tudo isto para dizer que estavamos perto de uma linha de comboios. Passaram vários, mas a certa altura passou um de carga... Naquele momento imaginei como seria durante o tempo da ocupação nazi - tinha o cenário muito dramático: era de noite, o céu todo nublado, viam-se alguns relâmpagos e de repente começou a chover, num sítio onde quase não há nada... Dá que pensar!! Bem, mas continuando...







































Descobri um sítio em Varsóvia, no centro (claro) onde estamos a 945km de Helsínquia, 647km de Copenhaga, 1065km de Oslo, 2771km de Reykjavik, 808km de Estocolmo, 1606km de Atenas, 826km de Belgrado, 545km de Budapeste (tenho de lá ir um dia), 948km de Bucareste, 1318km de Roma, 1073km de Sofia, 518km de Praga (também gostava de conhecer), 1213k de Tirana, 665km de Viena, 1122km de Moscovo, 518km de Berlin, 1126km de Berna, 1122km de Bruxelas, 1824km de Dublin, 2633km de LISBOA!!!!! (dizem eles, o viamichelin.com diz que são 3000...), 1444km de Londres, 1080km do Luxemburgo, 2287km de Madrid e 1365km de Paris.
Tirando o facto do monumento ser muito ranhoso, está com piada. Sobretudo o facto de Lisboa aparecer antes de Madrid!!! :)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Varsóvia no telemóvel

Já muito perto de fechar este blog para férias, decidi deixar aqui algumas fotos que nos últimos tempos tirei com o telemóvel por aqui e por ali.
















Durante a visita da minha mãe conseguimos apanhar as quatro estações num dia. De manhã imenso calor, à tarde uma chuvada indescritível e à noite apanhámos granizo! Esta foto foi uma tentativa frustrada de captar o momento da "granizada".
Eu, que dizia que aqui quase nunca trovejava, apanhei a maior surpresa da minha vida ao ver que esta época do ano é a época das trovoadas! Calor imenso, seguido de chuvada torrencial, seguido de novamente calor e novamente chuva. A certa altura a pessoa começa a familiarizar-se com os relâmpagos. O melhor de tudo foi no domingo passado, quando decidimos ir ao Ikea comprar alguns móveis. Estava um dia bom. Quando finalmente tinhamos dois carrinhos atulhados de caixas e nos preparamos para sair estava a cair uma chovada brutal! Lá tivemos de ficar à espera que passasse para podermos carregar o carro. Ainda a propósito de chuva, esta semana apanhei a maior molha dos últimos tempos. Quem manda sair sem guarda chuva? O S. Pedro goza mesmo com o pessoal aqui...















Outra que se vê um bocado mal... Trata-se de um pequeno oratório no meio do campo. Aqui na Polónia há milhares de coisas destas. Mesmo no meio de Varsóvia encontram-se cruzes grandes ou oratórios com alguma imagem de Nossa Senhora, enfeitados com fitinhas (como era suposto ver-se na imagem, mas...), com flores, velas, etc. Sobretudo estes que estão no meio do campo estão muito bem arranjados e são super giros. Esta foto foi tirada do carro a caminho de Poznań.















Tirada do autocarro, na viagem de regresso a casa depois de uma aula de polaco. Um prédio bonito, de estilo antigo (claro que na prática a gente sabe que isto é uma reconstrução... mesmo assim, já tem uns bons anitos).















Os cartazes da marca Reserved de que falei num post. A famosa publicidade "With love from Lisbon". Os sacos da loja para esta época tinham todos esta imagem.















Estas duas fotos são pormenores da mesma casa. Fica relativamente perto da casa onde estou agora. É uma casa que não foi reconstruída e ainda guarda bastantes marcas da guerra, buracos de balas, etc. Em algumas zonas ainda é possível encontrar casas assim, mas na generalidade estão bem escondidas.




































A rua mais "fofinha" de Varsóvia... Rua do Winnie the Pooh! Está espetacular esta placa (só é pena a parede toda suja).















Esta foto foi tirada em andamento (mais uma vez no autocarro) por isso as colunas parecem tortas. Mas não estão, isto está tudo muito direitinho. Este edifício é actualmente o Ministério da Educação. Tirei esta foto porque durante o tempo da guerra era aqui a sede da Gestapo em Varsóvia. A foto não causa assim grande impacto. Mas se algum dia vierem cá e estiverem parados diante deste portão sabendo o que isto foi, de certeza que se vão sentir arrepiados. É uma coisa mesmo assustadora.

Tenho andado a ler o meu livro de história da Polónia muito devagarinho, ainda sei pouca coisa. O que sei tenho-o ouvido da boca das pessoas, sobretudo pequenos testemunhos de pessoas mais velhas, seja do tempo da guerra, seja do tempo do comunismo. Coisas realmente impressionantes, que são apenas uma gotinha de água de um grande oceano. Nós de facto não temos noção de muitas coisas. Podemos dizer que fomos muito privilegiados. Apesar de haver queixas "ah, e tal, o Estado Novo, etc", nada se compara ao que os polacos tiveram de apanhar com o comunismo. De maneira nenhuma. Nem eu consigo imaginar o que seria viver com senhas de racionamento, com filas de horas para conseguir comprar alguma coisa, com lojas sem nada nas prateleiras, com manifestações obrigatórias no 1º de Maio (ai de quem não fosse!...), com um grande controle de todas as actividades, com represálias para quem tivesse bons cargos no trabalho e não pertencesse ao partido, etc, etc. Enfim, nem eu sei da missa a metade. Mas do pouco que vou ouvindo, sinceramente dou muitas graças a Deus por ter nascido e vivido em Portugal. Por outro lado, tudo isto deu aos polacos um espírito de entreajuda muito grande. Isso vê-se no dia-a-dia, nas situações mais comuns, como nos transportes, toda a gente oferece o lugar aos mais velhos, às grávidas, a alguém que esteja com uma criança; ou mesmo em casa de alguém, querem sempre oferecer-nos o melhor. São muito simples e muito acolhedores. Em geral as pessoas estão sempre dispostas a ajudar. Quem diz estas situações diz muitas outras. Mas de facto isto é algo que eu nunca vi muito nos portugueses (apesar dos portugueses serem muito hospitaleiros, os polacos conseguem sê-lo de uma forma mais natural, sem querer "mostrar" que são bons acolhedores e que fazem coisas boas para nós; é algo que lhes sai com muita naturalidade). Se calhar porque os polacos têm menos preconceitos e respeitos humanos (bem, pelo menos por enquanto). Mas que ninguém tenha dúvidas, sou 100% portuguesa e gosto muito dos portugueses!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Wilanów

Reconhecem esta foto? Há uns meses publiquei uma muito parecida aqui neste blog. A diferença é que a anterior foi tirada num dia de chuva e esta num dia de muito sol. Foi um dos primeiros dias quentes aqui. Felizmente desde este dia o calor tem-se mantido. Neste dia fomos passear nos jardins do palácio de Wilanów (diz que este nome pode ter vindo do latim Villa Nova, mas... quem sabe!). São uns jardins muito bonitos e agradáveis. Só é chato que se tem de pagar para entrar. É um sítio tipicamente turístico, mas giro. Neste dia estava cheio de gente a passear, como aliás em todos estes dias em que está calor. É ver gente aos magotes em tudo quanto é jardim, parque, espaço verde, etc. E as bicicletas, nem contá-las! É impossível! Bem, o mais ridículo foi ver - não em Wilanów, atenção! - pessoas de fato de banho ou outros trajes menores a apanhar sol... Sem comentários! Ah, e para além disto comecei a perceber que os polacos são mesmo fãs de solários. Já há muito tempo que tinha reparado que não há instituto de beleza que não tenha solarium. Um exagero, mesmo. Bem, mas nunca dei grande importância a isto. Agora, quando começo a ver no metro, na rua, etc, pessoas (sobretudo mulheres) polaquíssimas e morenaças, não enganam ninguém!! Aquilo é uma overdose de solarium! Indescritível!
Mudando de tema, este fim de semana estivemos numas termas a sul de Varsóvia. Um sítio muito interessante. É a terra dos ricalhaços, com grandes casarões e tal. Nesse dia em que lá fomos havia uma espécie de festa, sabe-se lá de quê. No meio de um parque estava uma pequena orquestra a tocar música e à frente deles um estrado grande de madeira onde as pessoas podiam dançar. Já comentei aqui a relação dos polacos com a dança? Pois aqui, quem não sabe dançar, não é nada (ok, se calhar exagerei um bocadinho, mas é mais ou menos isto). Homem que é homem deve saber dançar bem! Então ali era ver os parzinhos todos, sobretudo gente já idosa, a dançar na maior descontração, por entre o verde verdíssimo que se vê nesta altura do ano em toda a parte. Até era agradável estar a passear por ali e ir ouvindo a banda a tocar. As termas ficavam ali perto. Nós fomos a um sítio ao ar livre onde eram lançados uns vapores de água salgada (ou lá o que era) que fazem muito bem sobretudo ao aparelho respiratório (a outras coisas também, mas sinceramente já não me lembro...). Lá havia uns banquinhos para quem quisesse ficar ali a ler, a conversar, a dormir, sei lá. Havia várias famílias com criancinhas, pessoas mais velhas, algumas pessoas com deficiência, tudo para respirar aquele ar tão puro. O sítio tem piada, porque está envolto por uns grandes muros de madeira cheios de ramos secos de árvore que fazem qualquer coisa àquele ar, tipo, devem concentrá-lo mais ou algo do estilo. Como já disse, não percebo nada destas coisas, por isso não sei explicar. Mas é muito giro, vale a pena visitar. Só não tenho é fotos de lá (alguém há-de ter, mas não eu. Vou ver se peço). As fotos que aparecem neste post são todas de Wilanów.
Entretanto, um pormenor engraçado. Ultimamente tem-me acontecido ir na rua e de repente ver alguém que me parece conhecido - alguém português, entenda-se. Só ao fim de uns segudos os meus neurónios se decidem lembrar que estou em Varsóvia e a probabilidade de ver essas pessoas no meio da rua nos sítios por onde passo (que não são propriamente muito turísticos) é de 0,001%. Nesta altura caio na real e percebo que claro que não é essa pessoa. Com isto chego à conclusão que já me estou a habituar tanto a estar aqui que até já acho que vejo gente conhecida na rua (ou isto, ou estou a ficar doente).
Por último, deixo aqui esta foto de um leão tirada também em Wilanów (esqueci-me de dizer que nenhuma das fotos foi tirada por mim, são todas da autoria do Jarek). Uma saudação ao grande Sporting, que afinal lá se safou bem melhor do que eu pensava. Confesso que no princípio da época pensei que este ano o Sporting não ia chegar a lado nenhum. Afinal, esteve bem perto de conseguir o título. Não conseguiu, mas conseguiu o 2º lugar que também é muito bom, conseguiu boas classificações e conseguiu entrada directa na Champions. Viva nós!!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Retratos de Varsóvia e arredores

Finalmente após várias promessas consigo arranjar um buraquinho de tempo para deixar aqui algumas fotos, já com o computador refeito e a internet a funcionar. Esta primeira é de uma rua em Żoliborz, um bairro a norte de Varsóvia. Lê-se "jólibóch"; diz a tradição que uma rainha francesa, esposa de um rei polaco, gostava muito daquela zona da cidade e apelidou-a de "jolie bord", literalmente margem bonita, pois esta zona fica também perto do rio. O tempo adulterou estas palavras e tornou-as Żoliborz. Ainda hoje há muita gente que diz que esta é a zona mais bonita da cidade. Eu realmente não sei dizer, conheço muito pouco dela. Esta foto tirei porque achei piada às casinhas baixas e às árvores (ainda com poucas folhas aqui). Quem conhece minimamente Varsóvia certamente não se lembrará de ter visto algo assim, pois a maioria do que se conhece é tudo blocos de betão.
Na semana dos feriados tinha pensado ir até Cracóvia, mas acabei por mudar de ideias. Guardo essa viagem para depois. No dia 3 de Maio, como penso que já disse, é feriado por dois motivos ver bandeirinhas por tudo quando é sítio. Mas atenção, nada de bandeirinhas penduradas nas janelas de casa ou do carro, como muito gostam os bons portugueses. Aqui são bandeiras mesmo a sério. Praticamente todas as casas, estabelecimentos, estações de metro, etc têm o seu sítio especial para colocar bandeiras. Não havia sítio que não tivesse bandeira à mostra! Muito patriótas, estes polacos. Acabei por ir passar esse dia a Częstochowa, cidade polaca situada a uns 200km de Varsóvia e que desempenha um papel muito importante na história aqui da zona. Gostava de contar aqui a história, mas não sei ao certo. Sei episódios soltos, mas nada suficientemente bem estudado para poder contar. Durante a viagem pude ir apreciando as estradas polacas. Aqui há muito poucas auto-estradas, como é normal nós fomos numa estrada nacional. Agodiferentes: é a festa da constituição (para quem não sabe, a constituição polaca foi a primeira a ser redigida em toda a Europa) e ao mesmo tempo a festa de Nossa Senhora Rainha da Polónia. Neste dia e nos dias antecedentes e seguintes éra, para quem começou a pensar na antiga estrada nacional de ligava Lisboa ao Porto antes de haver a A1, ou até na que vai para o Algarve e onde esturricávamos durante a viagem, desenganem-se. Estas estradas nacionais de que falo não têm nada a ver. Claro que também há de tudo, mas esta em que fui, que liga Varsóvia a Wrocław (antiga Breslau), tem duas faixas para cada lado, piso óptimo, praticamente sempre recta, sem altos e baixos (lá está, é o que dá estar na maior planície da Europa). O único senão é que, como não é auto-estrada, não está fechada, então volta e meia aparecem uns cruzamentos. E pensam vocês: bem, grandas malucos! Isso é perigosíssimo! E respondo eu: é, pois! Mas se a pessoa for sem atenção. Antes de qualquer cruzamento aparecem sinais a avisar para reduzir a velocidade máxima para 70km/h. Parece ridículo, mas não é e resulta melhor do que eu pensava. Ao princípio achei uma seca de viagem se tivesse de ser sempre assim, mas até nem é. E volta e meia lá estão alguns polícias escondidos a apanhar os mais distraídos. Em alguns cruzamentos até há semáforos. Tem piada. Se formos minimamente dentro destas regras conseguimos fazer bem a viagem. Nós fizemos um tempo óptimo. No regresso vimos em sentido contrário um acidente brutal, precisamente num desses cruzamentos. Há sempre uns chicos-espertos que acham que não vale a pena travar um bocadinho durante uns 2 minutos e depois tramam-se. Enfim...
Continuando, em Częstochowa almoçámos, passeámos um bocadinho e depois fomos à Missa no Santuário da Virgem Negra. Resmas de pessoas, como seria de esperar, apesar da maior enchente ter sido de manhã. No fim ainda deu para comermos um gelado num café chamado Claromontana, tal como todos os outros sei lá quantos estabelecimentos das redondezas, sejam cafés, livrarias, lojas de souvenirs, etc, etc. Isto porquê, porque aquela zona chama-se Jasna Góra, o que significa monte claro. Claromontana, estão a perceber? Eu só não percebi o porquê do substantivo e do adjectivo não concordadem em género, mas isso...
Foi uma viagem mais ou menos relâmpago, porque tínhamos de estar em Varsóvia à hora do jantar. No dia seguinte fomos a uma pequena vila a sul de Varsóvia onde há um castelo antigo, em parte reconstruído. Aquela zona foi palco de várias batalhas, incluindo durante a IIª Guerra Mundial. Antigamente, o rio Vístula chegava até ali perto, o que fazia do castelo uma fortaleza muito bem situada. Agora, o rio passa a uns 2km dali. Pelo que percebi, naquele castelo viviam os príncipes que governavam toda a região da Mazóvia, onde se situa Varsóvia. Este castelo tem três torres, duas das quais se podem visitar. A vista é espetacular, porque só se vê campo a toda a volta e algumas povoações.
Neste dia encontrámos também uma mini praia fluvial. Estava imenso calor, mas a água do rio não parecia assim muito limpa e a areia também deixava um bocadinho a desejar. Durante qualquer uma das viagens estiveram dias lindos e deu para apreciar bem a paisagem. É giríssimo ir no carro e, naqueles sítios onde não há vilas, olhar para todos os lados e ver tudo super plano, nada de montesinhos nem nada que se pareça. É engraçadíssimo.
Ontem aqui já esteve finalmente um dia de Verão, com imenso calor. Já no Domingo também tinha estado muito bom tempo. Hoje, porque toda a gente se vestiu à fresquinha, o tempo começou a virar e ficou mais fresco. É uma espécie de Lei de Murphy daqui, que quando tudo indica que vai estar bom tempo, afinal não está. Espero poder vir a contrariar esta regra muito em breve.
Para já não tenho mais fotos interessantes, este fim de semana foi passado grande parte em lojas de móveis, o que significa uma seca desgraçada. No Domingo estive nos jardins do palácio de Wilanów (já pus aqui uma vês fotos deste palácio). Há fotos, mas eu ainda não as tenho.