terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Precisa-se de alguém que fale polaco

Esta semana recebi uma chamada de atenção por parte da minha professora de polaco. Tudo isto porque a minha lingua oficial aqui é o inglês ou o português. Ou seja, porque não falo polaco com ninguém. Parece que tenho de começar a esforçar-me mais. Mas também, o polaco é daquelas línguas que temos de falar sem dizer a terminação da palavra, porque é sempre um mistério. Então, como eu ainda sei pouquinho, nunca acerto na declinação certa. No entanto, tenho de começar a ganhar coragem de falar o pouco que sei com as pessoas. Agora é que vão começar as barracadas!
Mas melhor do que falar polaco é... cantar em polaco! O professor da universidade decidiu trazer-nos folhas com duas canções tradicionais polacas, uma guitarra e pôs-se a cantar e tocar, para nós o acompanharmos. Foi muito giro, um talento escondido do professor! As músicas eram engraçadas, com umas letras ultra-sentimentais, de fazer chorar as pedras da calçada. Bem... a melodia é que já não era tanto assim, então tinha piada estar a cantar uma coisa tristíssima com uma música algo alegre - estes polacos são doidos!!! hehehe....
No fim destas músicas todas, ia eu toda contente a andar pelo centro da cidade, no meio da chuva, toda encasacada como sempre, quando sou abordada por uma equipa de repórteres da TVP (a televisão pública de cá). Imediatamente lhes disse que não era polaca. Só que disse isto em polaco e eles ficaram a olhar para mim com cara de parvos. Então disse logo a seguir, mas desta vez em inglês, que não falava polaco. Um deles finalmente reagiu e disse que eu lhes poderia responder em inglês e perguntou-me se eu achava que era possível viver sem telemóveis. Nesta altura fui eu que bloqueei e fiquei a pensar uns segundos, com aqueles três estarolas a olharem para mim como para uma aberração (bem, se eu me também olhasse para mim na figura em que estava, acho que também ficaria assustada!!). Por fim lá dei uma resposta breve, que não gerou qualquer espécie de reacção (começo a pensar se eles não seriam autómatos). Como eles não disseram mais nada e eu não tencionava ficar ali a vida toda parada a olhar para eles, dei corda aos sapatos e segui o meu caminho. Fiquei sem perceber grande coisa deles, mas como eu também não vejo televisão aqui, mesmo que me dissessem que era para o programa X, eu não iria identificar.
Quanto a jornais e revistas, nos últimos tempos tomei contacto com alguns. Descobri uma revista aqui que até tem piada, mas é realmente fútil. É uma espécie de guia de compras que apresenta sugestões de diferentes peças de roupa (cada número tem uma espécie de tema, uma peça de roupa em destaque), para diferentes momentos (para a neve, para ginástica, para a praia, para festas, etc.) e também produtos de beleza. Normalmente apresenta o preço, a loja onde se pode comprar e mais algumas informações. Claro que também tem alguns textos com explicações, sobretudo sobre os produtos de beleza, mas eu ainda não atinjo tudo. Ah, foi numa destas revistas que encontrei um artigo só sobre os problemas de electricidade estática no cabelo. É uma revista muito fútil, mas conseguiu ter alguma utilidade para mim.
Agora, nos próximos dias, estarei um pouco mais ausente aqui do blog devido à visita da minha mãe que me vem animar durante uma semana. Desconfio que depois destes dias vou ter mais fotos para colocar aqui.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Futilidades

Abriu recentemente um novo centro comercial no centro de Varsóvia. Para variar, como é a tendência acho que em qualquer parte do mundo, este tem uma arquitectura muito original e centenas das lojas mais fashion do sítio. A grande novidade (pelo menos para mim) é que abriu aqui o primeiro Hard Rock Café de Varsóvia.
Uma coisa que ainda não falei aqui é que nestes centros comerciais há várias lojas grandes que têm o mesmo conceito que o El Corte Inglès, ou seja, são grandes espaços abertos com vários stands de diferentes marcas conhecidas ou não. Cada uma tem um nome diferente, mas já sabemos que dentro delas podemos encontrar um pouco de tudo, dependendo do seu estilo (umas só têm roupa de homem ou mulher, outras têm também acessórios, sapatos, coisas para a casa, etc). Os preços das coisas em geral parecem-me mas baratos do que em Portugal. Bem, claro que as marcas caras são caras em qualquer parte do mundo, mas por exemplo a H&M, que em Portugal é barata, aqui é baratíssima. Acho que só a Zara é que é mesmo excepção.

Questões de estética

Só ao fim de quase dois meses me comecei a aperceber que os polacos devem ter uma epiderme diferente da nossa. Ou então protegem-se mesmo bem. A água da torneira de cá, para além de não ser potável, é - segundo dizem - muito dura e seca imenso a pele. Ora, isto unido ao aquecimento em casa, mais o frio seco na rua dá um resultado muito bom... É pele seca, cabelo com imensa electricidade estática, eu sei lá! E eu ando tão atenta às coisas que só há poucos dias, desde que regressei de Portugal, comecei a reparar nisto. Bem que a cabeleireira de Lisboa me disse que eu andava com o cabelo muito seco. O resultado de tudo isto é um bocado desastroso: há vários dias que não me consigo pentear normalmente (ando sempre com o cabelo todo espetado por causa da electricidade... lindo de se ver!) e tenho sempre a pele sequíssima. Por isso, um conselho a quem pensar visitar a Polónia nos meses frios: tragam cremes gordos para o corpo e cara (dizem que os cremes com água quando há temperaturas muito abaixo de zero não são nada boa ideia) e condicionadores ou outras porcarias para o cabelo, se querem tê-lo minimamente aceitável.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Está tanto frio que o teclado do computador congelou

Ok, foi uma boa tentativa de desculpa... De facto, desde que cheguei ainda não consegui um bocadinho para escrever aqui. Ou falha a internet, ou falha a disposição, ou falha o tempo, eu sei lá. De qualquer maneira só queria repetir que cheguei bem, desta vez sem emigrantes no avião (isto de fazer escala na Suíça tem que se lhe diga...). Desta vez, quem veio também para Varsóvia foram dois repórteres da SIC. Fiquei com a sensação que viriam durante vários dias, mas não faço ideia o que vinham fazer. Por isso, se alguém vir na SIC nos próximos dias alguma coisa sobre a Polónia, que me diga, por favor.
Cheguei um bocado convencida que ainda estava em Portugal, "à fresquinha" (entre aspas, porque é um à fresquinha muito relativo...), e dei de caras com o Inverno em todo o seu esplendor. Uma coisa que acontece muito aqui é não haver grande amplitude térmica. Há dias em que a temperatura se mantém praticamente a mesma. Nos últimos dias tem estado assim. Ontem e hoje apanhei os maiores frios da minha vida (há que ter em conta que eu nunca fui à neve, nem estive em locais muito frios). Hoje a temperatura média rondou os -8ºC e à hora do jantar estavam -11ºC! Até o meu casacão novo e super quente começa a parecer banal. Aquela figura que viram há umas semanas numa foto, em que estou com a cara toda tapada e só se vêem os olhos - que na altura foi só mesmo para dar a impressão de muito frio, apesar de não estar assim tanto -, hoje tive mesmo de andar assim na rua para sobreviver. Ainda bem que estou longe, porque quem me visse na figura em que eu estava, haveria de se rir.
Porque está muito frio, esta semana saí muito pouco de casa. Regressei de Portugal a tomar antibiótico (tinha de ser, ficar doente logo quando estava em Lisboa!...) e várias pessoas aqui me aconselharam a não arriscar andar por aí à solta. Por isso, tirando as aulas de polaco (coitados dos professores, esqueci-me de metade das coisas que aprendi durante o tempo que passei em PT...), andei pouco pela rua. Hoje fomos a um concerto na Filarmónica de Varsóvia, um pianista a interpretar peças de Bach, Mozart, Mendelssohn e Chopin. O senhor era óptimo, tocou super bem, mas fazia umas expressões de chorar a rir. Ainda por cima ficámos muito perto do palco, foi imposível em alguns momentos não esboçar um sorriso. Perdoem-me a estupidez, mas foi mesmo assim. Houve até uma altura em que, após um comentário com uma das pessoas com quem fui, pensei q não ia conseguir conter o riso, mas lá voltei a olhar para a frente e concentrar-me.
Para concluir, hoje o briole desmedido foi acompanhado por neve (puxada a vento, mas pefiro não lembrar isso...). É bom voltar a andar em cima do que parece a cobertura de açúcar de um bolo qualquer. Se isto continuar assim, no fim de semana vou andar outra vez de trenó.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Pequeno balanço de um mês em Varsóvia

. Já começo a perceber um bocadinho mais de polaco. Mas só um bocadinho... Acho que as aulas começam a ter algum efeito. Mas também começam a tornar-se mais difíceis (nunca pensei que isso fosse possível, mas...)

. Os horários das refeições começam a ser mais normais. Já sobrevivo melhor sem morrer à fome. Também aprendi a fazer algumas comidas polacas e descobri que os polacos usam centenas de especiarias diferentes, a maioria nunca ouvi falar. Às vezes a mistura de umas dezenas delas até resulta bem. Mas nem sempre...

. Os dias já estão um bocado maiores. Quando tenho de me levantar cedo já não está aquele ar de noite e ao fim do dia também se começa a notar. Que alegria!

. Já nevou, as ruas estiveram brancas, depois parou, derreteu tudo, ficou tudo outra vez normal e neste momento estão a cair alguns flocos outra vez. As temperaturas estiveram negativas, agora andam no positivo outra vez e há imensas pessoas com gripes e constipações. Eu, felizmente, estive lá perto mas consegui fugir (ou vou conseguir fugir para Portugal).

. A lua aqui vê-se maior do que em Portugal. Estes dias em que esteve lua cheia era impressionante vê-la tão grande e tão perto. Muito bonito, mesmo. Estrelas, como é óbvio, ainda não vi nenhumas. Mas só a lua vale a pena. Agora, dizer lua em polaco é que já é um problema.

. Já me oriento melhor nas ruas, começo a conhecer alguns caminhos e estradas e agora, por motivos de força maior, tenho-me aventurado mais com o carro sozinha. Em algumas zonas já me sinto mais à vontade. Claro que me enganei algumas vezes em caminhos, mas assim fui aprendendo e agora já sei por onde devo ir.

. Consegui sobreviver duas semanas sem internet, a "alimentar-me" dela em casa alheia, a ter de escrever sem acentos. Praticamente não usava o computador em casa, o que me permitiu estudar mais polaco e ler alguma coisa.

. Vi televisão polaca, ouvi rádio polaca, olhei para jornais polacos (não posso dizer que li) e tive o azar de ir duas vezes ao cinema sem perceber grande coisa. Descobri que nesta altura do ano a maioria dos anúncios na televisão são a medicamentos para constipações e gripes. Vi também um bocado de um campeonato de saltos na neve (acho que é assim que se chama, nem sei...) que venceu o atleta/skiista/saltador???/ polaco. Por acaso foi giro.

. Vi um filme cuja acção se passa em parte em Varsóvia. Teve imensa piada ver sítios conhecidos, também alguns palácios que apareciam como sendo casas particulares noutros locais da Europa. O filme perde a magia toda, isso é verdade, e é um bocado mau. Mas por estas imagens de Varsóvia até foi engraçado vê-lo.

. Ao fim de um mês recebi uma proposta não oficial para dar aulas de português a uma turma de polacos e tenho uma entrevista de emprego marcada, apesar de ainda não ter começado a procurar trabalho.

Pode-se dizer que o balanço deste primeiro mês é positivo. Claro que tenho um bilião de saudades de Portugal, mas começo a achar que afinal até consigo sobreviver aqui.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Apenas umas fotos

Ontem estive na Stare Miasto (a cidade velha) pela primeira vez com máquina fotográfica. Mesmo assim, não tirei muitas fotos.

Aqui a vista da praça do palácio real, com o telhado da catedral de Varsóvia a ver-se ao fundo.














O Palácio Real - esta é a versão totalmente reconstruida depois da II Guerra Mundial. Segundo me disseram, os alemães quiseram destruir bem esta parte da cidade para que não sobrasse nada.














Aqui uma foto de uma foto onde se pode ver bem o estado em que ficou esta parte da cidade depois da guerra. Nada de palácio. O objectivo do Hitler para Varsóvia não era anexar a cidade, mas sim pura e simplesmente destruí-la até não ficar mesmo pedra sobre pedra.














Esta não se percebe bem, mas é uma espécie de mini-monumento de memória da Insurreição de Varsóvia. Sobretudo esta parte da cidade está cheia deste tipo de coisas e placas a lembrar o que aconteceu em determinados locais. Esta peça pertencia, pelo que percebi, a um tanque que os alemães usaram muito durante a Insurreição para atacar os polacos. Acho que devia ser uma espécie de tanque-bomba.














O mais interessante destas histórias da guerra é que muito facilmente encontramos pessoas que passaram por isto, ou participaram na Insurreição, etc. Claro que também não é muito boa ideia fazer mil perguntas sobre isso, porque as pessoas não gostam de falar. Mas é incrível saber que ao nosso lado pode estar alguém que tem imensas coisas para contar sobre a guerra.

Agora o meu próximo objectivo de fotos - e para ver se realmente começo a aprender algo mais de história para depois vir aqui contar - é a entrada do gueto de Varsóvia. Vamos ver quando conseguirei lá ir.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Gdzie mieszkasz?

Nas minhas últimas aulas de polaco temos falado muito sobre as moradas. Fazemos vários exercícios de expressão oral em que temos de dizer a nossa morada completa. Normalmente dizemos a morada polaca – por isso é que o professor me chateia sempre a dizer que somos vizinhos.

O que eu hoje gostaria de dizer é que as moradas aqui são um bocadinho diferentes das nossas em Portugal. Aqui, o nome de uma rua num endereço não significa que essa casa seja necessariamente nessa rua. Acontece várias vezes que estejam vários blocos de prédios em que um deles dá para uma rua e todos ficam com o nome dessa rua na morada. Por vezes pode ser um bocado confuso (eu que o diga, uma vez estive uns 20 minutos às voltas à procura da casa de uns amigos num bairro em que todos os prédios tinham o nome da mesma rua, apesar de ficarem separados uns dos outros e sem qualquer ordem). Mas claro que isto não acontece em toda a parte, só em algumas zonas (por exemplo, onde eu estou a morar agora não é assim). Outra coisa complicada é o número do apartamento. Em Portugal normalmente o apartamento define-se primeiro pelo número do andar e depois pelo lado, letra ou número da porta nesse andar. Aqui não tem nada a ver. Se num bloco há 50 apartamentos, eles são numerados de 1 a 50. A confusão chega quando temos a morada toda, chegamos ao prédio, tocamos à porta, abrem-nos, entramos no elevador… e agora? Qual é o andar?? Até agora só tive duas experiências em relação a isto. Na primeira andei para cima e para baixo no elevador e nas escadas para descobrir o andar para onde tinha de ir. Na segunda tive imensa sorte… Ia para um apartamento número 13, entrei no elevador e carreguei ao calhas no 5º andar. Quando a porta do elevador se abriu, voilà, tinha a porta 13 mesmo ali!

Conclusão: encontrar uma morada aqui pode ser bem mais difícil do que parece.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Costumes natalícios

Tem graça ver a forma como os costumes mudam de país para país. Hoje queria falar sobre o Natal. Apesar de vos poder parecer uma época já longe, aqui ainda estamos em plena época natalícia. É algo que me faz confusão, mas agora já começo a perceber melhor.

Liturgicamente falando, a época do Natal vai desde a noite de dia 24 de Dezembro até à festa do baptismo de Jesus. Mas antes do Natal há o tempo do Advento, que é a preparação para a grande festa.

Em Portugal, apesar de eu nunca ter observado propriamente uma regra (imagino que haja, mas agora vou inventar um bocado), os enfeites de Natal nas casas (sim, não vou falar das lojas, porque essas começam o Natal em Outubro…) surgem no início de Dezembro. Há quem defina o dia 8 de Dezembro para a decoração da casa, mas em geral penso que seja por esta altura. No princípio de Janeiro, depois dos reis e tal, começam a desaparecer todas as coisas alusivas ao Natal. Bem, isto na maioria das casas, porque eu lembro-me de uma vez o nosso presépio e árvore de Natal terem aguentado até ao Carnaval…

Aqui na Polónia as coisas são totalmente diferentes. Os enfeites podem já estar todos preparados, mas só são postos à vista de todos na noite de dia 24 de Dezembro. Antes disso não se vêem árvores de Natal, fitinhas, etc. Depois só tiram tudo no dia 2 de Fevereiro, que pelo que me disseram acho que é a festa de Nossa Senhora das Candeias.

Então tem imensa piada, porque este ano estou a viver um Natal super prolongado. Onde quer que eu vá ainda vejo pinheirinhos (e o engraçado é que ainda não vi nenhum artificial, são todos verdadeiros, muito bonitos), luzes, bolas, tudo decorado à Natal. Ah, e este Domingo houve um concerto de cânticos natalícios, mas por acaso não fui.

O reverso da medalha é que já começa a chatear todo este “espírito natalício”. Sobretudo nas igrejas, sempre os cânticos de Natal (qualquer dia já os conheço todos de cor!!), as árvores cheias de luzes no altar (árvores, sim, porque são sempre duas ou mais) e os presépios megalómanos em algumas delas (cheguei a ver num igreja um presépio humano). Felizmente tudo isto acaba esta semana.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Ainda a saga da neve

Hoje voltou a nevar, mas já nada de especial. Há uns dias houve umas oscilações de temperatura, o que fez com que a neve de repente passasse a gelo. Eu bem queria ir fazer patinagem no gelo, mas não era com os meus sapatos normais e no meio da rua, mas quase que apetecia andar de patins. Nem sei quantas vezes escorreguei. Felizmente consegui manter-me sempre em pé. A palavra de ordem era nada de pressas! Andar devagarinho e com calma é meio caminho para não cair.

As minhas aulas de polaco lá têm continuado. Agora, desde que o professor da Universidade descobriu que moramos perto está sempre a chamar-me vizinha e a meter-se comigo. A última agora é que o estereótipo do português é alguém que chega sempre atrasado! Isto porque eu chego sempre uns 5 ou 10 minutos atrasada à aula. E o alemão todo contente por eles serem sempre pontuais. As aulas particulares também têm corrido bem, mas é mais chato porque tenho de estar sempre com 100% de atenção, não há cá comentários para o lado (até porque a pessoa do lado é a professora) nem espreitadelas para o telemóvel. O chato é que ela tem uma casa super gira, toda limpinha e arranjada, e eu chego sempre da neve com os sapatos todos sujos, pronta a destruir a harmonia do lar dela. Nestes dias percebi bem a tradição polaca das pessoas se descalçarem quando chegam a casa de alguém. É isso ou fazer um lamaçal em casa alheia.

De resto, tenho dado alguns passeios na neve. No domingo à tarde fui passear a um parque natural que fica no sul da cidade e é muito giro. Levámos um trenózinho e foi o momento do dia! É pena não haver grandes altos e baixos nesta cidade, senão aí é que tinha tido piada. Mas foi engraçado. Senti-me como o pai natal a ser puxado pelas suas renas (sem ofensa para os meus “puxadores”). Há uns dias alguém aqui me disse que a nossa infância em Portugal não tinha piada, porque não tínhamos neve, ou seja, não podíamos fazer estas mil brincadeiras que eles fazem. Eu disse que não, que nós em contrapartida podíamos passar o Verão quase todo na praia e aí havia brincadeiras igualmente giras. Mas de facto a neve tem piada (nos momentos lúdicos, claro; na vida normal pode ser um bocado aborrecido). As crianças divertem-se imenso (e eu também!).

Ao fim de três semanas acho que já estou ambientada. Claro que sinto imensa falta de muitas coisas e muitas pessoas! Mas acho que sobrevivo. E para além do mais, daqui a duas semanas vou dar um salto até Portugal! :)

sábado, 27 de janeiro de 2007

Passeios na neve

Continuamos com neve pela cidade. No primeiro dia em que nevou, as ruas estavam um caos. Depois, o esquema de limpeza comecou a funcionar melhor e as estradas e passeios ficaram muito melhor para se andar. Ha alturas em que andar na neve e' como andar na areia. Isto nao tem muita piada as 8h da manha quando se vai para a aula de polaco ja um pouco em cima da hora. Custa imenso. E' como ja disse, eu ando a fazer ginastica de pernas e vou chegar a Portugal com uma resistencia fisica fantastica.
Recentemente voltei a andar com a maquina fotografica e fiz mais algumas fotos que passo a mostrar e comentar, mas aviso que vou por varias...:

Vista da rua por onde passo todos os dias para ir para o metro. Aqui esta toda limpa porque neste dia nao nevou.



















Outra vez os corvos e alguns pombos (essa praga...) a procura de comida no meio da neve.














A Catedral de Varsovia-Praga, que ha varios anos eu ando a ver se visito, mas sempre que passo por la esta fechada.



















Uma igreja ortodoxa (esta foto e a anterior foram tiradas do carro).



















Uma especie de pavilhao onde agora esta a decorrer um campeonato de patinagem no gelo, uma modalidade na qual espero iniciar-me brevemente para ver se ainda vou a tempo de concorrer.














A pedido de varias familias, finalmente outra foto minha. Acho que da para ter uma ideia de como estou a reagir ao frio.














Agora que nevou tem imensa piada ver as criancinhas todas a brincar nos parques, de trenos, a atirar bolas de neve, etc. Aqui um momento meu de palhacada.














Como ja disse, e' preciso ter cuidado para nao cair. Aqui ve-se um bocado de um lago que congelou, mas no qual nao andei, porque todo o cuidado e' pouco.














A vista deste parque coberto de neve. Ao fundo ve-se o lago de que falei na foto anterior. Hoje esteve um lindo dia de sol, deu para passear e fazer estas fotos.

Quem ve caras...

Ha algum tempo que tenho pensado em escrever aqui sobre a fisionomia dos polacos. Penso que todos estamos habituados a associar a cada nacionalidade um estereotipo de pessoa (desculpem nao usar acentos, mas estou num computador que nao os tem - em casa continuo com problemas com a internet). Os livros do Asterix sao um bom exemplo disto: o portugues baixinho e de bigode, o espanhol com ar de toureiro e convencido, o ingles pedante, o nordico loiro, etc.
Durante os primeiros dias que passei aqui tive alguma dificuldade, porque todas as pessoas que via na rua me pareciam iguais. Os mesmos tracos, as mesmas cores, as mesmas caracteristicas proprias. Agora, ao fim de tres semanas ja comeco a ver diferencas. Ja vou na rua e vejo que, afinal, as pessoas sao diferentes umas das outras. Tem piada ver que a maioria dos polacos nao sao loiros, pelo contrario, ha muitos de cabelo castanho. Loiros sao os escandinavos. Olhos claros sim, quase que diria que a maioria tem olhos azuis. Sao altos, mas nao gigantoes, e nao se veem aqueles gordoes tipo americanos que so comem McDonalds.
Tambem tem piada a forma como eles sao resistentes ao frio. E' incrivel andar na rua com temperaturas negativas e ver mulheres de saia com meias aparentemente fininhas, como se nada fosse - e eu cheia de roupa que mais pareco uma cebola! Para ver alguns "conselhos" sobre como vestir-se para o frio, ver os comentarios ao post anterior.
Agora mudando substancialmente de tema, uma curiosidade que descobri recentemente. Em Portugal, os produtos que compramos costumam ter o rotulo escrito em portugues e as vezes em espanhol, ingles, frances, grego, sei la. Aqui os produtos aparecem escritos em polaco, checo, hungaro e as vezes em romeno. Hoje estive a observar melhor o que dizem e romeno e, de facto, da para ver que e' uma lingua romanica como a nossa. Percebem-se imensas coisas, por serem palavras muito parecidas as nossas. E' uma vantagem para quando se vai as compras perceber melhor o que dizem as embalagens.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Acrescento ao post anterior

Esqueci-me de dizer que a vantagem da neve é fazer os dias parecerem maiores. À noite fica tudo mais claro do que num dia normal, porque a neve reflecte toda a luz. Acaba por ser reconfortante.

Ah, a neve!...

Há dois dias que neva sem parar. Tem imensa piada. Ontem, quando saí pela primeira vez para a rua coberta de neve foi muito emocionante. Aproveitei para dar mais uns passeios e saborear este momento totalmente novo para mim, já que nunca tinha estado em nenhum local cheio de neve como aqui. As primeiras sensações tiveram piada. Ia eu pela rua com um sorrisinho imbecil nos lábios, toda contente. As ruas parecem estar cobertas por claras em castelo ou chantilly. Bem, já não é bem assim quando pensamos atravessar a estrada. Aí é a maior nojeira que se pode imaginar. Abro agora aqui um mini parêntesis para falar de algo que acho que ainda não falei aqui: a poluição dos carros na cidade.
Uma das coisas que me surpreendeu quando cheguei foi ver um carro totalmente coberto de sujidade, a tal ponto que nem se conseguia ver a matrícula. Inicialmente achei estranho e pensei que seria um caso pontual. Qual quê! Depois disso fartei-me de ver carros assim, super porcos, mas um exagero de sujidade que acho que nunca vi em Portugal. Depreendo daqui que haja muita poluição nas estradas. Ora, cai um bocado de neve e o lamaçal na estrada e na borda dos passeios é imenso. Cada vez que tenho de atravessar a rua até hesito um bocado porque não sei onde meter os pés.
Ainda sobre os carros, no meu entusiasmo com a neve teve piada ter de limpar o carro coberto de neve. A segunda vez que tive de fazer isso também teve piada. Só que depois, ao fim de algumas vezes, começa a ser chato. E pensar em quem tem de ir trabalhar de manhã cedo e de carro... Tem de contar com o tempo de limpá-lo, mais o tempo que demora no trânsito porque supostamente devem andar todos com o triplo da prudência. Hoje senti-me muito feliz por ter de ir para a universidade de metro e fugir das confusões do trânsito.
Ah, também estou muito contente por ter comprado mal cheguei cá uns ténis Geox a que achei piada (e cujo preço também tinha muita piada), mas afinal parecem ser bons para andar na neve. Acabou por ser uma compra bem mais útil do que eu pensava. Claro que apesar de serem bons já escorreguei não sei quantas vezes no gelo, mas felizmente ainda não caí.
Entretanto, mais umas fotos simples:
Aqui finalmente uma vista parcial das lojinhas de bairro que falei.














Um corvo, ave que se vê muito por aqui, num ramo de uma árvore, ainda com pouca neve.














A linha do eléctrico coberta de neve. Vê-se nos carros lá atrás que isto ainda foi ao princípio. Daqui a pouco tiro outras fotos mais actuais para verem como já está tudo agora.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Panorâmica da cidade

No Domingo subimos ao 30º andar do Palácio da Cultura, que está arranjado para as pessoas verem a vista da cidade. Uma vez que a região onde está Varsóvia é considerada a maior planície da Europa, subir a um 30º andar é ver mesmo tudo. Aqui não há colinas, miradouros nem nada disso. Quando chegámos ao Palácio, dirigimo-nos a um elevador especial para subir até lá. A senhora ascensorista (prima, é assim que se diz??) levou-nos ao topo do edifício nums 30 segundos, numa viagem relâmpago em que tivemos de desentupir os ouvidos algumas vezes. Nunca tinha andado a abrir num elevador, teve piada. Quando chegámos lá acima, isto foi o que vimos (se clicarem em cima das fotos conseguem vê-las maiores):

Vista em direcção ao leste. Ao fundo vêm-se várias das pontes sobre o Vístula e o lado de Varsóvia chamado Praga. Em baixo, uma zona comercial, onde se pode encontrar lojas como a Zara e a H&M.














Vista para o lado ocidental da cidade. Como dá mais ou menos para ver, neste dia esteve imenso sol.














Vista para noroeste. Do lado direito, antes do rio, vêm-se alguns telhados baixos. Essa zona é a Stare Miasto, a cidade velha, que é o centro histórico da cidade.














Lá em cima descobrimos um ringue de patinagem no gelo. Quando lá fomos mais tarde para investigar preços e tal, descobrimos que aquela zona é super ventosa e eu acho que morria congelada se ficasse lá mais do que meio minuto.

Outra vez breves apontamentos

- Na 6ª feira à noite nevou!!! Foi absolutamente incrível! Primeiro começaram a cair uns flocos muito pequeninos. Estávamos a andar de carro e de repente começaram a dizer-me que estava a nevar. A mim parecia-me chuva, não queria acreditar. Mas depois, passados uns minutos, começou a cair um nevão com flocos do tamanho de corn flakes! Para mim, que nunca tinha visto nevar na vida, foi um momento incrível. Tive logo de sair para a rua, nem senti frio nem nada, só queria sentir aqueles flocos. Adorei!! Diz que amanhã e depois também deve nevar. A ver vamos.

- Já comecei com aulas particulares de polaco, para além das aulas na universidade. Gostei da professora, é super exigente, muito séria e metódica. Parece-me que vai ser uma grande ajuda.

- Fui noutro dia ao cinema pela segunda vez desde aqui estou. Desta vez foi mesmo para ter a certeza que não devo ir ao cinema cá. Isto porque o filme estava dobrado!!... Apesar da maioria dos filmes aqui ser em versão original, vá-se lá saber porquê este não era e não estava avisado no bilhete. Resultado: apanhei uma seca das antigas.

- Na sequência do apontamento anterior, já percebi que os polacos são muito ciosos da sua língua. Na televisão, por exemplo, a maioria dos filmes também são todos dobrados. Por exemplo, o canal AXN que aqui também se apanha é todinho dobrado em polaco (uma tristeza, eu já a pensar ver o CSI ou ER, mas afinal diz que não). Ao andar nas ruas e ver os cartazes publicitários também percebi que eles investem muito na ficção nacional. Nos cinemas há vários filmes polacos que pelos cartazes dão a sensação de ser tipo aqueles filmezito de Hollywood - nada de filmes "alternativos" ou intelectuais como os portugueses. Bem, eu digo isto mas também não vi nenhum. Ainda sobre as dobragens, apesar de detestar, devo dizer que a sensação que dá é que são muito bem feitas. Mas isso irei descobrir melhor no futuro.

- No Domingo passámos por uma feira tipo de Cascais mas só dedicada a artigo para a neve. Tinha calças, blusões, polares, roupa interior térmica, meias, botas para a neve, botas para fazer ski, skis, pranchas de snowboard, óculos de sol, gorros, malas para os skis e snowboards, bastões, eu sei lá mais o quê! Mas o engraçado disto era o aspecto de feira e a quantidade enorme de cada coisa que havia. Preços é que não vi, mas penso que devem ser os preços típicos de feira.

- Seguem-se mais fotografias já a seguir.

Foi um ar que se lhe deu

Durante os últimos dias tenho estado sem internet em casa, o que tem sido um bocadinho pró chato. Ainda não sei como vão ser os próximos dias, mas vou tentar ir actualizando o blog em casa alheia.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Mais fotos

Aqui uma vista do palácio de Wilanów, que infelizmente já estava fechado, então só deu para ver mesmo por fora. Por um lado ainda bem, porque os bilhetes eram caros e alguém está em contenção de despesas...














Ó pra mim aqui! Toda encasacada porque estava a chover (hoje choveu praticamente todo o dia). Ah, e não se deixem iludir pela luminosidade das fotos! Eram quase 16h e já estava a escurecer. A luz destas fotos é para mim um mistério.


















Aqui outra vez o palácio da cultura by night. Foto tirada de dentro do carro, daí verem-se gotas de chuva no pára-brisas.














A Politechnika de Varsóvia (o equivalente deles ao IST). Ainda não percebi bem a história do edifício, mas assim que souber venho aqui contar. Pelo que ouvi, foi mandado construir por um czar russo durante a ocupação da Polónia (no século XIX, acho).














Vista curiosa do interior da Politechnika. Este recinto mais parece de um palacete do que de uma universidade. Então, pelos vistos costumam realizar-se ali alguns eventos. Hoje alguma coisa iria acontecer, porque havia passadeira vermelha, palco, mesas e o catering todo a ser preparado, testes de luz, testes de som, etc. Mais um vez, quando souber o que foi, digo. Mas por agora, ficam apenas estas fotos.