quinta-feira, 29 de março de 2007
As declinações são fáceis!
segunda-feira, 26 de março de 2007
sexta-feira, 23 de março de 2007
Doçaria polaca
Gostava de levar alguns comigos agora quando for a Portugal, mas eles só têm piada no próprio dia. Quando me vierem cá visitar, levo-vos a fazer uma visita aos bolos, que vale bem a pena.

Aqui fica um amontoado de pączki para verem como são. Deixem-me dizer que comidos sabem muito melhor do que vistos.
quinta-feira, 22 de março de 2007
Coisas várias
As aulas na Universidade estão quase a acabar, já só temos uma semana e meia. Aos poucos, várias pessoas foram deixando a turma; neste momento somos só 4. Éramos 6 os do costume, mas um teve de regressar ao seu país e outra não tinha disponibilidade para continuar, porque tem 2 filhos e tornou-se complicado. Antes que todos desaparecessem (eu própria comecei a ter dificuldade em ir devido à hora, mas... lá fiz um esforço e tenho ido), combinámos um jantar de turma em casa do colega alemão. Para ter alguma piada, cada um deveria levar algo típico do seu país. O professor disse logo que ia levar bigos, um prato típico polaco feito à base de couve e carnes. É muito bom - o dele estava fantástico - mas demora algum tempo a fazer. O meu professor começou a preparar isto dois dias antes, lá com os rituais todos. A mim pediram-me uma sobremesa. Pensei imediatamente em duas coisas: arroz doce e mousse de chocolate. Desisti do arroz doce porque me disseram que havia uma sopa (sopa, imagine-se!) polaca que era massa ou arroz com natas e canela por cima. Optei então pela dita mousse. Os outros colegas não conseguiram inventar nada típico. O brasileiro levou doces de amendoim (muito bons, por acaso) e a mexicana chegou a pensar em tortilha, mas achou pesado para o jantar (achou mto bem). O alemão disse que tipicamente alemão era ter a mesa posta com garfo e faca à esquerda e direita do prato. Acho que ainda não tinha referido isto aqui, mas na Polónia usa-se muito pouco a faca e a ordem dos talheres na mesa ainda não percebi muito bem. Tenho um bocado a sensação que é assim tipo "à vontade do freguês", mas hei-de investigar. O jantar foi muito agradável. A casa deles é giríssima, fica numa zona óptima da cidade e tem um terraço grande que não pude explorar por estar a chover. Eles são super simpáticos, bem como o resto da turma. A mexicana vai-se embora em Maio, mas os outros ficam por cá.
Esta semana também fiz uma visita à televisão polaca. O Szczepan, marido da Júlia, é editor de um programa que dá na TVP2 chamado "Warto Rozmawiać", que significa "vale a pena conversar". Todas as semanas eles precisam de pessoas para a plateia do programa e esta semana nós resolvemos ir. Apareceu também por lá o Osvaldo. O tema desta semana era o Palácio da Cultura de Varsóvia (já mostrei várias fotos dele), se se deveria destruir ou manter. No programa explicaram que, após a Insurreição de Varsóvia, os alemães - furiosos - destruiram ainda mais o que puderam da cidade. O quarteirão onde agora está o Palácio foi também muito afectado por esta destruição. Mais tarde, depois da guerra, começaram a reconstruir. No entanto, pouco tempo depois, o Staline decidiu arrasar completamente aquela zona para construir o Palácio, como sendo um presente da Rússia para a Polónia - claro que tudo isto pago com o dinheiro da Polónia. Os polacos desde sempre tiveram aversão àquele sítio, mas aos poucos foi-se enraizando na vida da cidade e hoje funcionam lá imensas coisas, desde cinemas a restaurantes, passando por gabinetes de universidades, etc. Pessoalmente eu acho que não há motivo para destruir o Palácio, mas há muitos polacos que pensam assim. O programa, então, era sobre isto. Os convidados eram a Presidente da Câmara de Varsóvia e quatro arquitectos. Foi uma discussão bem interessante, da qual eu não percebi nada, mas tinha de me fingir interessada para o caso das câmaras me apanharem (e apanharam-nos muitas vezes, sentámo-nos no pior sítio...).
De resto, a Primavera também está a tentar chegar aqui, mas há umas nuvens traiçoeiras que ainda insistem em bloquear o sol, apesar de ele volta e meia conseguir furá-las. Nestes dias às 7h da manhã vi cair alguns flocos de neve, mas depressa se transformaram em chuva. Os dias agora estão cada vez maiores. Nota-se à tarde, mas também de manhãzinha. Noutro dia acordei de noite, eram cinco e tal da manhã, e já começava a ser dia. É a piada dos dias aqui, que no Inverno são mais pequenos, mas no Verão acho que são maiores.
Uma última nota sobre o cinema. Recentemente fui duas vezes ao cinema, mas desta vez tive mais sorte e vi os filmes na versão original, com legendas em polaco. O último que vi foi o Queen, que fala sobre a família real britânica na altura da morte da princesa Diana. Está muito interessante o filme, por acaso gostei. O outro que vi era um bocado mau. Mas pronto, já percebi que se pode ir ao cinema normalmente aqui. Agora, os bilhetes é que não são nada baratos... Atrevo-me a dizer que em alguns sítios até parecem mais caros do que em Porugal!...
segunda-feira, 19 de março de 2007
Sim, podia ter sido o Lauro Dérmio
Dialog = Diálogo
Dialekt = Dialecto
Dieta = Dieta
Delikatny = Delicado
Denerwuje = Enervar
Demencja = Demência
(Epa, hoje só encontrei palavras começadas com "D"???)
Kanalia = Canalha
Kontakt = Contacto
Idiota = Idiota
(Ah, bom, afinal também há outras...)
quinta-feira, 15 de março de 2007
Palavras polacas que bem podiam ser portuguesas
Irytować = Irritar
Szafran = Açafrão
Taras = Terraço
Czekolada = Chocolate
Gaz = Gás
Telefon = Telefone
Formularz = Formulário
Wino = Vinho
Park = Parque
Fabryka = Fábrica
Restauracja = Restaurante
Kontynent = Continente
Ambasada = Embaixada
Higiena = Higiene
Problem = Problema
Konfiguracja = Configuração
Konto = Conta
Kontrola = Controle
Posto isto, quem diz que o polaco é uma língua difícil?
sexta-feira, 9 de março de 2007
Álbum de Varsóvia II
Em 1944, durante 63 dias, o exército nacionalista polaco, a resistência e milhares de civis barricaram-se em Varsóvia numa tentativa de libertar a cidade do exército alemão. Ao mesmo tempo, os soldados russos avançavam cada vez mais. Quando começou a insurreição, já tinham alcançado a margem oriental do Vístula. Porém, não se mexeram até a insurreição ter terminado. Ao que parece - e atenção que esta interpretação pode ser algo chocante -, quiseram esperar que os alemães e os polacos se matasse uns aos outros para depois entrarem e conquistarem tudo. No fim de Setembro as condições começaram a piorar, porque já não havia alimentos, os alemães cortaram a água (o que permitia aos resistentes circularem pelos esgotos), não tinham comunicações, as munições acabavam, os ataques continuavam, muitas baixas, etc. Não sei se se lembram, mas há uns tempos coloquei aqui no blog uma foto de um pequeno monumento na parede da catedral de Varsóvia que era um bocado de uns taques que os alemães usavam contra os polacos durante a Insurreição. Pelo que me disseram, eram tipo tanques-bomba. Por fim, no dia 2 de Outubro, sem mais qualquer hipótese, os polacos tiveram de se renderam. As estatísticas dizem que morreram 18 mil soldados e 250 mil civis, sem falar nos feridos.
Quando vierem a Varsóvia, é essencial visitar o museu da Insurreição, que explica tudo muito bem. No centro da cidade, na zona onde se barricaram, podem ver-se vários monumentos ou placas que indicam alguns dos principais acontecimentos. Chocante também é ver, em algumas igrejas, placas com os nomes dos civis que morreram, a maioria muito jovens
Ora, voltando ao cemitério dos russos, quando Varsóvia já estava totalmente destruida (sim, porque depois disto os alemães estavam furiosos e destruiram tudo o que ainda tinha ficado de pé) e os alemães cansados, os soldados russos entraram e num ápice expulsaram os ditos nazis. Apareceram, assim, como os bons da fita que libertaram a cidade. Numa altura altamente estratégica, em que a resistência polaca tinha sido destruída e eles sabiam que podiam tomar o poder sem oposição local. Mas deixando-me de "politiquices", voltemos ao cemitério.
O mais curioso é que em nenhum lugar se pode ver uma cruz. O único símbolo que aparece é a estrela comunista.
Aqui uma vista geral da entrada. Aquele obelisco ao fundo estava com algumas coroas de flores e velas. Pelos vistos ainda há quem venere estas coisas...

Do lado esquerdo e do lado direito da foto de cima podem ver-se estas campas rasas com placas com o nome dos soldados. Nesta zona parece-me que estão os que eram mais do que simples soldados, que teriam patentes mais elevadas. Vê-se mal, mas na parte de cima de cada placa está uma estrela.

Dos dois lados do obelisco estavam duas estátuas enormes a representar os soldados. Esta apresenta um soldado a segurar um soldado ferido, mas os dois com expressões de ódio.

Um pequeno pormenor das caras deles. Não dá para ver bem, porque todas estas fotos foram tiradas com o telemóvel... À falta de máquina, vai mesmo assim.

A estátua do outro lado também tem um soldado a amparar outro, mas o segundo parece morto. A expressão deles não tem nada a ver com a da outra estátua.

As campas dos soldados normais.

Um pormenor de uma campa, a única que vimos com fotografia. Ao que parece, este soldado tinha 19 anos. Mais uma vez, vê-se a estrela comunista.

Há uns anos, quando cá estive, lembro-me de ver em Kampinos (um grande parque natural perto de Varsóvia) um cemitério de soldados polacos, daqueles à americana, que têm um relvado enorme com várias cruzes brancas. Nele estão vários soldados de um exército formado na altura da Insurreição, mas que foi derrotado pelos alemães.
Vou ver se estudo mais um bocadinho e outro dia venho aqui contar mais.
quinta-feira, 8 de março de 2007
Álbum de Varsóvia I
Aqui os companheiros de uma rapariga que tocava guitarra numa estação de metro. A esta foto pode chamar-se convivência pacífica.
Um baixo relevo num prédio na zona central da cidade, dos tempos do comunismo. Ó prós trabalhadores todos a protestar, como eles gostam! ;)
Vista de uma das mil praças de Varsóvia.
Um sítio a não perder: a casa de chocolate (já que há casas de chá, também podem haver casas de chocolate) da Wedel, a melhor marca de chocolates polaca. É o paraíso para quem gosta de chocolate quente e de doces à base de chocolate. Só tem um defeito: na secção dos crepes não tem nenhum com chocolate. A decoração interior é lindíssima, com um estilo antigo. Lembra-me algumas coisas do Grémio Literário.
Vista nocturna da praça da Nowe Miasto. Foi pena ter a máquina já sem pilhas e não conseguir tirar com flash. Hei-de tentar voltar lá e fazer melhores fotografias.
Um bocado desfocado, o edifício da ópera de Varsóvia. Bonita e imponente.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Feliz dia do leitor do blog!
Acho que este dia não existe, mas bem que podia existir. Aliás, na Polónia até é muito provável que possa vir a existir. Pelos vistos, os polacos gostam de receber presentes, então todos os motivos são bons. Para além do aniversário normal, celebram também aqui o onomástico. E para além disto, existem também outras efemérides espalhadas pelo ano, como bom pretexto para presentear alguém. Esta semana, por exemplo, festejou-se aqui o “Dia da Sogra”. É verdade, não estou a gozar. Que existe o Dia do Pai, Dia da Mãe e Dia da Criança já eu sabia. Dia dos Avós acho que também, apesar de aqui ser um dia para a avó e um dia para o avô. Dia dos sogros é que achei demais! Perguntei logo se também havia Dia da Nora, Dia da Cunhada, etc., etc., mas a resposta foi negativa. Ao que parece, no Dia da Criança, toda a gente aproveita para dar presentes uns aos outros. Bem, quem diz presentes, diz lembranças, porque acho que as pessoas não costumam gastar muito dinheiro com estas comemorações. Mas até têm piada. Agora vou estar atenta a ver se descubro o próximo Dia de Qualquer Coisa, para ver a quem terei de felicitar.
E já que intentei o dia do leitor do blog, feliz dia para quem o estiver a ler agora! :)
Primavera de Varsóvia
Hoje esteve um dia lindo, cheio de sol. Pela primeira vez andei na rua com menos roupa (atenção, menos roupa não significa roupa fresca… a camisola de lã continua lá), sem cachecol nem nada na cabeça. Não havia uma nuvem no céu, só soprava uma brisa fresca muito primaveril, que não chateava ninguém. A minha mãe diz que isto agora, com a União Europeia, até o clima vai ser uniformizado. É capaz de ter razão, porque hoje esteve um dia totalmente atípico para esta época do ano aqui.
Como hoje tive aula de polaco mais tarde, aproveitei para me arranjar com todas as calmas de manhã. Saí para ir almoçar com o Stas a um restaurante de crepes muito bom e a seguir fui passear para um jardim que ainda não conhecia. Ali fiquei, de cara voltada para o sol, a ver se conseguia disfarçar o meu ar ultra-invernoso-que-não-engana-ninguém (devo dizer que ainda não foi o suficiente, mas já não foi nada mau). Deve ter sido um dos momentos mais agradáveis que passei aqui na Polónia (apesar de ter aproveitado aquela hora para fazer à pressa os trabalhos de casa de polaco). Este jardim não tinha nada de especial, mas quando o sol brilha como hoje, só é preciso um banco confortável e um bocado de relva para ficar bonito. Enquanto estive lá, passaram por mim várias mães e avós a empurrarem carrinhos de bebé, pais e filhos a andar de bicicleta ou simplesmente a passear. Durante o dia aqui é frequente ver-se mães com carrinhos de bebés, estudantes à conversa, pessoas a passearem cães, etc. Mas hoje foi um exagero. Como estava um dia lindo, toda a gente aproveitou para vir para a rua desfrutar do sol.
Como vêem, a Primavera também está a chegar à Polónia!
segunda-feira, 5 de março de 2007
Já lá vai mais outro mês
Recentemente temos andado numa pequena odisseia em busca de casa. Ele é jornais, sites de agências e até numa feira de casas já estivemos, tipo "expo casa". Uma seca desgraçada. Nessa feira de casa contactámos com várias agências. Numa delas, falámos com um senhor de uns seus cinquenta anos, todo bem vestido e algo discreto. Ele ficou com os nossos contactos e disse que teria algumas propostas para nós. No fim deu-nos o seu cartão. Lá dizia o nome dele: Zbigniew Szatanowski. Ignorando o primeiro nome, que é dos mais estranhos que eu conheço, o apelido do senhor é algo tipo Satanás. Quando mais tarde olhámos para o cartão ficámos bem assustados! Para ser um filme, daqueles em que alguém vende a alma ao diabo (ele ficou com os nossos contactos!!), só faltava nós de repente, quando acabamos de falar com ele, voltarmo-nos para trás e ele ter desaparecido. É sinistro alguém chamar-se assim. Felizmente nenhuma das ofertas dele foram suficienteamente tentadoras.
Na última semana passei por diferentes extremos da cidade. É incrível como Varsóvia é gigante!... Acho que é um bocado como se Lisboa incluisse também tudo até ao Estoril, Vila Franca, eu sei lá! Não sei precisar quantos quilómetros são, mas noutro dia tivemos de ir a algum sítio no norte da cidade e andámos 17km (que era mais do que eu fazia para ir para a Apelação). Mas, por exemplo, um amigo do Stas vive e trabalha em Varsóvia e para chegar ao trabalho tem de andar 35km... É uma brutalidade! O meu mapa de bolso, que vai comigo para todo o lado, é muito discriminatório, porque só tem a parte mais central de Varsóvia. O lado oriental do rio, chamado Praga, praticamente não aparece. Este lado não conheço mesmo nada. Só um ou outro sítio, mas muito mal.
Quanto a fotos, acabei por tirar poucas por estes dias. Volta e meia aparece alguma situação engraçada ou passo por qualquer sítio interessante, mas há sempre qualquer coisa: ou não há máquina, ou está sem pilhas, ou a foto fica tremida, etc. Por isso, hei-de ver se ficou alguma boa para pôr aqui. Depois darei mais notícias.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Precisa-se de alguém que fale polaco
Mas melhor do que falar polaco é... cantar em polaco! O professor da universidade decidiu trazer-nos folhas com duas canções tradicionais polacas, uma guitarra e pôs-se a cantar e tocar, para nós o acompanharmos. Foi muito giro, um talento escondido do professor! As músicas eram engraçadas, com umas letras ultra-sentimentais, de fazer chorar as pedras da calçada. Bem... a melodia é que já não era tanto assim, então tinha piada estar a cantar uma coisa tristíssima com uma música algo alegre - estes polacos são doidos!!! hehehe....
No fim destas músicas todas, ia eu toda contente a andar pelo centro da cidade, no meio da chuva, toda encasacada como sempre, quando sou abordada por uma equipa de repórteres da TVP (a televisão pública de cá). Imediatamente lhes disse que não era polaca. Só que disse isto em polaco e eles ficaram a olhar para mim com cara de parvos. Então disse logo a seguir, mas desta vez em inglês, que não falava polaco. Um deles finalmente reagiu e disse que eu lhes poderia responder em inglês e perguntou-me se eu achava que era possível viver sem telemóveis. Nesta altura fui eu que bloqueei e fiquei a pensar uns segundos, com aqueles três estarolas a olharem para mim como para uma aberração (bem, se eu me também olhasse para mim na figura em que estava, acho que também ficaria assustada!!). Por fim lá dei uma resposta breve, que não gerou qualquer espécie de reacção (começo a pensar se eles não seriam autómatos). Como eles não disseram mais nada e eu não tencionava ficar ali a vida toda parada a olhar para eles, dei corda aos sapatos e segui o meu caminho. Fiquei sem perceber grande coisa deles, mas como eu também não vejo televisão aqui, mesmo que me dissessem que era para o programa X, eu não iria identificar.
Quanto a jornais e revistas, nos últimos tempos tomei contacto com alguns. Descobri uma revista aqui que até tem piada, mas é realmente fútil. É uma espécie de guia de compras que apresenta sugestões de diferentes peças de roupa (cada número tem uma espécie de tema, uma peça de roupa em destaque), para diferentes momentos (para a neve, para ginástica, para a praia, para festas, etc.) e também produtos de beleza. Normalmente apresenta o preço, a loja onde se pode comprar e mais algumas informações. Claro que também tem alguns textos com explicações, sobretudo sobre os produtos de beleza, mas eu ainda não atinjo tudo. Ah, foi numa destas revistas que encontrei um artigo só sobre os problemas de electricidade estática no cabelo. É uma revista muito fútil, mas conseguiu ter alguma utilidade para mim.
Agora, nos próximos dias, estarei um pouco mais ausente aqui do blog devido à visita da minha mãe que me vem animar durante uma semana. Desconfio que depois destes dias vou ter mais fotos para colocar aqui.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Futilidades
Uma coisa que ainda não falei aqui é que nestes centros comerciais há várias lojas grandes que têm o mesmo conceito que o El Corte Inglès, ou seja, são grandes espaços abertos com vários stands de diferentes marcas conhecidas ou não. Cada uma tem um nome diferente, mas já sabemos que dentro delas podemos encontrar um pouco de tudo, dependendo do seu estilo (umas só têm roupa de homem ou mulher, outras têm também acessórios, sapatos, coisas para a casa, etc). Os preços das coisas em geral parecem-me mas baratos do que em Portugal. Bem, claro que as marcas caras são caras em qualquer parte do mundo, mas por exemplo a H&M, que em Portugal é barata, aqui é baratíssima. Acho que só a Zara é que é mesmo excepção.
Questões de estética
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Está tanto frio que o teclado do computador congelou
Cheguei um bocado convencida que ainda estava em Portugal, "à fresquinha" (entre aspas, porque é um à fresquinha muito relativo...), e dei de caras com o Inverno em todo o seu esplendor. Uma coisa que acontece muito aqui é não haver grande amplitude térmica. Há dias em que a temperatura se mantém praticamente a mesma. Nos últimos dias tem estado assim. Ontem e hoje apanhei os maiores frios da minha vida (há que ter em conta que eu nunca fui à neve, nem estive em locais muito frios). Hoje a temperatura média rondou os -8ºC e à hora do jantar estavam -11ºC! Até o meu casacão novo e super quente começa a parecer banal. Aquela figura que viram há umas semanas numa foto, em que estou com a cara toda tapada e só se vêem os olhos - que na altura foi só mesmo para dar a impressão de muito frio, apesar de não estar assim tanto -, hoje tive mesmo de andar assim na rua para sobreviver. Ainda bem que estou longe, porque quem me visse na figura em que eu estava, haveria de se rir.
Porque está muito frio, esta semana saí muito pouco de casa. Regressei de Portugal a tomar antibiótico (tinha de ser, ficar doente logo quando estava em Lisboa!...) e várias pessoas aqui me aconselharam a não arriscar andar por aí à solta. Por isso, tirando as aulas de polaco (coitados dos professores, esqueci-me de metade das coisas que aprendi durante o tempo que passei em PT...), andei pouco pela rua. Hoje fomos a um concerto na Filarmónica de Varsóvia, um pianista a interpretar peças de Bach, Mozart, Mendelssohn e Chopin. O senhor era óptimo, tocou super bem, mas fazia umas expressões de chorar a rir. Ainda por cima ficámos muito perto do palco, foi imposível em alguns momentos não esboçar um sorriso. Perdoem-me a estupidez, mas foi mesmo assim. Houve até uma altura em que, após um comentário com uma das pessoas com quem fui, pensei q não ia conseguir conter o riso, mas lá voltei a olhar para a frente e concentrar-me.
Para concluir, hoje o briole desmedido foi acompanhado por neve (puxada a vento, mas pefiro não lembrar isso...). É bom voltar a andar em cima do que parece a cobertura de açúcar de um bolo qualquer. Se isto continuar assim, no fim de semana vou andar outra vez de trenó.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Pequeno balanço de um mês em Varsóvia
. Os horários das refeições começam a ser mais normais. Já sobrevivo melhor sem morrer à fome. Também aprendi a fazer algumas comidas polacas e descobri que os polacos usam centenas de especiarias diferentes, a maioria nunca ouvi falar. Às vezes a mistura de umas dezenas delas até resulta bem. Mas nem sempre...
. Os dias já estão um bocado maiores. Quando tenho de me levantar cedo já não está aquele ar de noite e ao fim do dia também se começa a notar. Que alegria!
. Já nevou, as ruas estiveram brancas, depois parou, derreteu tudo, ficou tudo outra vez normal e neste momento estão a cair alguns flocos outra vez. As temperaturas estiveram negativas, agora andam no positivo outra vez e há imensas pessoas com gripes e constipações. Eu, felizmente, estive lá perto mas consegui fugir (ou vou conseguir fugir para Portugal).
. A lua aqui vê-se maior do que em Portugal. Estes dias em que esteve lua cheia era impressionante vê-la tão grande e tão perto. Muito bonito, mesmo. Estrelas, como é óbvio, ainda não vi nenhumas. Mas só a lua vale a pena. Agora, dizer lua em polaco é que já é um problema.
. Já me oriento melhor nas ruas, começo a conhecer alguns caminhos e estradas e agora, por motivos de força maior, tenho-me aventurado mais com o carro sozinha. Em algumas zonas já me sinto mais à vontade. Claro que me enganei algumas vezes em caminhos, mas assim fui aprendendo e agora já sei por onde devo ir.
. Consegui sobreviver duas semanas sem internet, a "alimentar-me" dela em casa alheia, a ter de escrever sem acentos. Praticamente não usava o computador em casa, o que me permitiu estudar mais polaco e ler alguma coisa.
. Vi televisão polaca, ouvi rádio polaca, olhei para jornais polacos (não posso dizer que li) e tive o azar de ir duas vezes ao cinema sem perceber grande coisa. Descobri que nesta altura do ano a maioria dos anúncios na televisão são a medicamentos para constipações e gripes. Vi também um bocado de um campeonato de saltos na neve (acho que é assim que se chama, nem sei...) que venceu o atleta/skiista/saltador???/ polaco. Por acaso foi giro.
. Vi um filme cuja acção se passa em parte em Varsóvia. Teve imensa piada ver sítios conhecidos, também alguns palácios que apareciam como sendo casas particulares noutros locais da Europa. O filme perde a magia toda, isso é verdade, e é um bocado mau. Mas por estas imagens de Varsóvia até foi engraçado vê-lo.
. Ao fim de um mês recebi uma proposta não oficial para dar aulas de português a uma turma de polacos e tenho uma entrevista de emprego marcada, apesar de ainda não ter começado a procurar trabalho.
Pode-se dizer que o balanço deste primeiro mês é positivo. Claro que tenho um bilião de saudades de Portugal, mas começo a achar que afinal até consigo sobreviver aqui.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
sábado, 3 de fevereiro de 2007
Apenas umas fotos
Aqui a vista da praça do palácio real, com o telhado da catedral de Varsóvia a ver-se ao fundo.
O Palácio Real - esta é a versão totalmente reconstruida depois da II Guerra Mundial. Segundo me disseram, os alemães quiseram destruir bem esta parte da cidade para que não sobrasse nada.
Aqui uma foto de uma foto onde se pode ver bem o estado em que ficou esta parte da cidade depois da guerra. Nada de palácio. O objectivo do Hitler para Varsóvia não era anexar a cidade, mas sim pura e simplesmente destruí-la até não ficar mesmo pedra sobre pedra.
Esta não se percebe bem, mas é uma espécie de mini-monumento de memória da Insurreição de Varsóvia. Sobretudo esta parte da cidade está cheia deste tipo de coisas e placas a lembrar o que aconteceu em determinados locais. Esta peça pertencia, pelo que percebi, a um tanque que os alemães usaram muito durante a Insurreição para atacar os polacos. Acho que devia ser uma espécie de tanque-bomba.
O mais interessante destas histórias da guerra é que muito facilmente encontramos pessoas que passaram por isto, ou participaram na Insurreição, etc. Claro que também não é muito boa ideia fazer mil perguntas sobre isso, porque as pessoas não gostam de falar. Mas é incrível saber que ao nosso lado pode estar alguém que tem imensas coisas para contar sobre a guerra.
Agora o meu próximo objectivo de fotos - e para ver se realmente começo a aprender algo mais de história para depois vir aqui contar - é a entrada do gueto de Varsóvia. Vamos ver quando conseguirei lá ir.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Gdzie mieszkasz?
Nas minhas últimas aulas de polaco temos falado muito sobre as moradas. Fazemos vários exercícios de expressão oral em que temos de dizer a nossa morada completa. Normalmente dizemos a morada polaca – por isso é que o professor me chateia sempre a dizer que somos vizinhos.
O que eu hoje gostaria de dizer é que as moradas aqui são um bocadinho diferentes das nossas
Conclusão: encontrar uma morada aqui pode ser bem mais difícil do que parece.