segunda-feira, 30 de abril de 2007

Está tudo verde Sporting

Este fim de semana tive a visita do meu pai. Foi mais ou menos uma visita relâmpago, mas ainda deu para apanhar umas temperaturas fantásticas de uns 25ºC, mas também uns ventos primaveris um pouco desagradáveis. Fomos visitar alguns sítios interessantes onde se via bem que a Primavera já chegou a Varsóvia. Está tudo muito verdinho e bonito, por toda a parte onde se anda encontram-se flores e mais flores, sejam em canteiros ou em bancas de vendedores de rua.
Lá fui eu na 6ª feira de carrito buscá-lo ao aeroporto. Claro que na véspera à noite tive de treinar o percurso para não me enganar. Correu tudo bem e o regresso também, sem problemas. Estava imenso calor nesse dia. No sábado almoçámos numa esplanada a desfrutar do bom tempo (que depois ao fim da tarde começou a virar). Depois estivemos no Las Kabacki, uma reserva natural na parte sul de Varsóvia. Passámos num sítio onde há uns dez anos houve um acidente de avião e onde há um pequeno memorial. É curioso ver que nessa zona as árvores são muito mais fininhas do que em todo o resto do bosque. Isto porque quando o avião caiu arrasou com aquela zona. Parece que quando o piloto viu que não tinha hipótese, desviou o avião para ali, para não cair no meio da cidade.
Continuando no capítulo das desgraças, visitámos também a Cytadela, uma grande fortaleza construida pelo czar da Rússia no século XIX, quando os russos dominavam a Polónia. Era uma espécie de prisão onde eram executados todos aqueles que se opunham ao regime. Actualmente grande parte da Cytadela pertence ao exército e está fechada ao público. Só se pode visitar uma parte, que tem um pequeno museu (que já estava fechado quando lá fomos). Curiosamente esta zona não foi muito destruída durante a IIª Guerra Mundial. É uma área bastante grande, algumas zonas já estão muito degradadas, outras foram destruidas por motivos vários.
O que tem piada nesta época do ano é que de facto toda a gente quer aproveitar o bom tempo. No fim de semana, é ver centenas de pessoas a passear de bicicleta, de patins ou mesmo a pé, nas ruas, nos parques, etc. No domingo, já depois da partida do meu pai, ainda aproveitei para ir apanhar algum solzinho numa parte do Las Kabacki que está arranjada para as pessoas poderem ir lá jogar ténis, ping-pong, xadrez, cartas, nadar na piscina (só no verão), as crianças brincar num parque infantil, fazer churrascos, piqueniques, fogueiras, etc, etc. É engraçada, esta zona. Ao princípio estranhei estarem tantas pessoas com fogueiras acesas, a assar salsichas e outras coisas que eu sei lá, e ninguém pegar fogo ao bosque. Mas depois reparei que há uns polícias permanentemente a fazer uma ronda e a prevenir estas coisas. É um sítio muito agradável, como a maioria dos parques aqui.
Esta semana na Polónia é o equivalente aos nossos feriados de Junho (isto mais para os lisboetas que para o resto do país). Dia 1, como em toda a Europa (acho), é feriado e dia 3 também. Ou seja, é uma semana em que dá para se tirar umas boas férias. Eu, como estou permanentemente de férias (isto é um bocado relativo, mas por agora pode ser chamado assim), não sinto tanta diferença. Ainda não sei se vou passear a algum lado especial. Depois conto se for.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Trimestre novo, turma nova

De volta a Varsóvia, retomam-se algumas rotinas. Hoje lá voltei às aulas de polaco na universidade, à mesma hora brutal do trimestre anterior. Pus o despertador para as 6h30 porque ainda tinha de ir comprar o passe (sim, aqui é possível comprar o passe antes das 8h da manhã) e de pagar o novo trimestre do curso de polaco. Só que às 5h45 já estava a acordar... É verdade que o Inverno aqui é uma seca porque os dias são minúsculos, mas deixem-me dizer que esta época do ano é uma seca pelo contrário!!! Desde que regressei que quase todos os dias acordo a horas tipo esta a achar que já são umas 9h ou algo por aí. O mal dos polacos é não terem cortinas de jeito nas janelas, nem estores. O sol agora nasce por volta das 5h20, então a luz começa a aparecer cedíssimo!
Lá me levantei um pouco mais tarde (se é que isso é possível) e parti em busca do passe. Não foi fácil comprá-lo, tive de andar de Herodes para Pilatos durante um bocado até que consegui. Quando cheguei ao Polonicum reencontrei o professor e o colega alemão. Mais tarde na aula apareceram também os coreanos meio-estranhos que nunca ninguém percebe muito bem. De resto, a turma era toda nova. Há dois brasileiros, uma filipina, um dinamarquês e uma ucraniana. Já me tinha esquecido como tem piada ouvir os diferentes sotaques a pronunciar o polaco. Quem mais me surpreendeu foi o dinamarquês (nunca tinha conhecido ninguém daquela zona, nem sei bem como soa a língua deles) e a ucraniana. Ele tinha alguma dificuldade com certos sons (bem... toda a gente tem dificuldade com os sons polacos!!), mas era muito engraçado sentir o sotaque dinamarquês. E a ucraniana... é totalmente como nós costumamos gozar com a língua russa! Indescritível. Uma forma um bocado fechada de falar, muito característica. Fico baralhada é quando o professor lhe explica alguma coisa e fala em russo... Aconteceu várias vezes não saber ao certo que língua é que eles estavam a falar, porque umas vezes era polaco, outras russo. Ficava sem saber se era normal eu não estar a perceber ou nem por isso. Quero ver se vou investigar melhor estas duas línguas, dinamarquês e russo, que parecem ter alguma piada. Mas parece que o russo é mais difícil que o polaco... nunca pensei que isso fosse possível!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

De um Euro para outro Euro

Cheguei a Varsóvia no rescaldo da vitória da candidatura da Polónia e da Ucrânia para a organização do Euro 2012. Depois do Euro 2004 só me faltava agora apanhar o Euro 2012 na Polónia! Para já, vão ser estádios novos, novas auto-estradas, aumento da linha do metro, entre outras tantas coisas que irão ser melhoradas. Isto significa que a Polónia agora está em grande! Para já, já comecei a receber pedidos de alojamento naquela que será também minha casa. Daqui a uns dias vou abrir a lista de espera para as desistências que poderão haver até lá. Quem se quiser inscrever, é só dizer!

domingo, 22 de abril de 2007

Estou de volta

Já percebi que deve haver uma lei de Murphy qualquer que diz que sempre que eu quero escrever aqui, surge um obstáculo qualquer. Agora vou aproveitar apenas uns minutinhos para dizer qualquer coisa...
Cheguei a Varsóvia!!! Ok, não foi hoje, mas sim há uns 4 dias... Tive sorte que os voos sairam todos à hora. Tinha apenas uma hora de intervalo entre os voos e consegui fazer tudo nas calmas. Em Zurique, ainda dentro do avião apareceu num ecrãzinho o número das portas de embarque de todos os voos de ligação e um mapa do aeroporto. Quando aterrámos comecei a olhar para o aeroporto e reparei que o meu terminal aparecia completamente isolado no meio das pistas. Achei aquilo muito estranho e pensei que se calhar não era aquele e havia um engano qualquer. Afinal era mesmo aquele e de facto não tem nenhum acesso à superfície; só se consegue chegar lá através de um comboiozito subterrâneo (não sei porquê não gosto de lhe chamar metro... acho que não tem cara disso!), comboio este que demora um minuto a fazer o trajecto, mas que tem como banda sonora sons típicos das montanhas suíças, desde os instrumentos tradicionais, aos diferentes animais, etc. A certa altura nas paredes do tunel aparecem várias imagens das montanhas, de forma a que o comboio quando passe na sua velocidade normal as imagens pareçam estar em movimento. Em suma: uma cromice desmedida!! No fim disto descobri que este supostamente era o terminal dos voos intercontinentais... Qualquer dia hei-de ter uma conversa séria com os suíços sobre a Polónia.
Cheguei a Varsóvia às 19h30 e... ainda era dia!!! Estava um pôr do sol com umas cores indescritíveis, absolutamente lindíssimas, uma mistura de vermelho e laranja espetacular. Só foi pena o cenário ser o aeroporto. Dentro do aeroporto pela primeira vez ninguém comentou o meu passaporte. Senti-me muito desconsiderada! Normalmente comentam que é muito giro, ou que é novo, ou outra coisa qualquer que inventam na hora. Mas desta vez nada. Já se devem ter habituado.
De resto, por aqui está tudo bem. A Primavera já chegou em força à Polónia, a cidade está toda bem verdinha e toda florida. Já tirei algumas fotos, mas isso mostro depois, num post adequado.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A Páscoa na Polónia

Na semana passada estive num encontro no museu etnográfico feito para estudantes do Polonicum sobre a Páscoa na Polónia. A minha turma baldou-se toda, só fui eu. Os outros estrangeiros eram todos tipicamente erasmus, com o seu estilinho inconfundível. Três senhoras vestidas com trajes típicos de diferentes regiões polacas falaram sobre as tradições da Páscoa, traduzidas para inglês por uma senhora que falava aos berros ao microfone, com sotaque à "Allo Allo" (o sotaque inglês preferido dos polacos) e carregava cada palavra com imensa força. No fim, acabou por nos desejar um feliz Natal...
No fim, tínhamos uma mesa cheia de bolos típicos à nossa disposição e duas senhoras a ensinar técnicas de decorar ovos. Eu estive a decorar com papel colorido e uma cola artesanal. Claro que foi com grande ajuda da senhora, porque eu para trabalhos manuais sou um desastre. A outra técnica, que era com cera e tintas, eu já conhecia. Estive um dia em casa da Júlia com umas amigas dela a pintar ovos com cera. Ficam muito engraçados. Estes ovos podem ser cozidos e depois comem-se no Domingo de Páscoa, ou então furam-se e limpam-se por dentro. De qualquer maneira são muito frágeis.
Os ovos decorados são algo tipicamente desta época na Polónia. Por toda a parte podemos comprá-los - a maioria artificiais, acho. As técnicas mais comuns, pelo que me disseram, são a de pintar com cera ou então de cozer os ovos com cascas de cebola (para ficarem acastanhados) e depois com um objecto afiado ir lascando bocadinhos da casca e fazer um desenho. Esta nunca tentei, mas as outras duas têm imensa piada.
Outra tradição daqui são as palmas que se usam no Domingo de Ramos. Como aqui não há palmeiras (bem... havia uma artificial horrorosa numa rotunda, mas acho que já se desfez), eles criaram estas palmas, como lhes chamam. São feitas com flores secas e podem ter todos os tamanhos. Em algumas regiões fazem uma espécie de concursos de palmas, a ver quem faz a maior.
Há ainda uma outra tradição, que eu acho completamente absurda e felizmente não vou estar cá nessa altura. Na segunda-feira a seguir à Páscoa é normal as pessoas atirarem água umas às outras. Mas não são uns pequenos salpicos, são mesmo baldes de água! Brincadeirinhas parvas...
O que mais achei piada daquele encontro para erasmus (no fundo era isso) foi de a Páscoa ser sempre referida como uma festa de tradição. As pessoas vão à igreja por tradição, basicamente foi o que disseram. Ou seja, o significado da Páscoa, na prática, são uns ovinhos, umas palmas, uns doces. Claro que se alguém decidir ir mais além e analisar cada um destes simbolos, por mais tradicionais que sejam, vai perceber realmente de que se trata a Páscoa. Caso contrário, e segundo aquilo que me pareceu ouvir no museu, a Páscoa é apenas mais um motivo para as pessoas se reunirem e comerem bem. Ao que nós já chegámos!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Antes e depois...

Finalmente a Primavera já se faz sentir por estas bandas. Têm estado uns dias lindos, cheios de sol, já se ouvem passarinhos que durante o Inverno não se ouviam e nas árvores começam a aparecer as primeiras folhinhas e flores. Não obstante, às vezes ainda tenho de andar de cachecol. Os ventos frescos ainda não são agradáveis para a temperatura que está. E claro, continuam a ver-se polacos e polacas a andar de t-shirt, mini-saia e todo o tipo de roupa fresquinha. A duração dos dias também está muito diferente. Levanto-me às 7h e é completamente dia, às 19h é que começa a anoitecer, é uma maravilha!!! Os dias aqui podem ser muito pequenos no Inverno, mas depois compensam no Verão.
Descobri que tenho algumas fotos no computador que não cheguei a pôr aqui. Atrasadas, mas sempre a tempo, aqui vão elas. Têm um ar bastante invernoso que contrasta grandemente com os últimos dias.

Uma fachada penso que de uma igreja antiga, cheia de marcas de balas, vestígios da guerra.



















O antigo Banco da Polónia, destruído durante a guerra, penso que após a Insurreição de Varsóvia. Nunca foi grandemente reconstruido, talvez para preservar a memória dos acontecimentos.














Outro lado do Banco da Polónia.



















Um pequeno monumento alusivo à Insurreição diante do Banco.














Powiśle, uma zona antiga da cidade que mostra um pouco de como seria Varsóvia antes da guerra. Prédios antigos e bonitos, nada a ver com os monstros construídos pelos comunistas. É uma zona muito pacata e tranquila, mas imagino que bem cara...
































































As declinações são fáceis!

Se eu achava que a língua polaca era difícil por ter declinações, era por ainda não ter conhecido bem os verbos. Neste momento já nem acho as declinações assim tão más... À primeira vista parece muito simples, os polacos só têm três tempos verbais: passado, presente e futuro. Só isto. Acontece que para dizerem todas as outras coisas que nós dizemos usando os diferentes tempos verbais, eles usam formas diferentes do mesmo verbo. Por exemplo, o verbo ler diz-se czytać. No entanto, também posso dizer przeczytać, poczytać, etc. Estas particulazinhas minúsculas atrás de um verbo fazem toda a diferença. É a diferença de, por exemplo, eu dizer "vou" ou "estou a ir" ou "irei". No caso do verbo ler pode ser a diferença entre dizer "acabei de ler", "estive a ler" ou simplesmente "li". Garanto-vos, os verbos são a coisa mais complicada da língua polaca! No princípio fiquei toda contente por eles só terem 3 tempos, mas afinal foi uma espécie de presente envenenado.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Doçaria polaca

Nas últimas semanas descobri uma nova paixão aqui na Polónia: as cukiernias. Antes nunca liguei muito aos doces polacos, achava-os exagerados e sentia a falta do belo do queque, do bolo de arroz, do pastel de nata... Mas afinal há doce mesmo bons aqui. Todos são muito bons, mas há um que faz as minhas delicias. Chama-se pączek (lê-se "pontchek"). Por dentro a massa é um bocado do estilo da bola de Berlim, assim fofinha. No meio tem um bocadinho de recheio de doce de qualquer coisa. Disseram-me que a receita tradicional é com doce de rosas. A Blikle, que é a melhor e mais cara pastelaria polaca, tem com este doce. Mas para além de lá serem caríssimos, eu continuo a preferir o doce de morango (enquanto ainda não experimentei outros). Por cima, o pączek está coberto com açúcar glacé e às vezes tem pedacinhos de casca de laranja cristalizada. Esta última parte é que era bastante dispensável. Felizmente descobri uma cukiernia onde se compram uns pączki muito bons e não muito caros, quase sem nada de casca de laranja cristalizada e acabadinhos de fazer, bem frescos.
Gostava de levar alguns comigos agora quando for a Portugal, mas eles só têm piada no próprio dia. Quando me vierem cá visitar, levo-vos a fazer uma visita aos bolos, que vale bem a pena.



Aqui fica um amontoado de pączki para verem como são. Deixem-me dizer que comidos sabem muito melhor do que vistos.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Coisas várias

Bem, parece que já não venho aqui há uma eternidade!... Os últimos dias têm sido complicados, sem tempo para quase nada.
As aulas na Universidade estão quase a acabar, já só temos uma semana e meia. Aos poucos, várias pessoas foram deixando a turma; neste momento somos só 4. Éramos 6 os do costume, mas um teve de regressar ao seu país e outra não tinha disponibilidade para continuar, porque tem 2 filhos e tornou-se complicado. Antes que todos desaparecessem (eu própria comecei a ter dificuldade em ir devido à hora, mas... lá fiz um esforço e tenho ido), combinámos um jantar de turma em casa do colega alemão. Para ter alguma piada, cada um deveria levar algo típico do seu país. O professor disse logo que ia levar bigos, um prato típico polaco feito à base de couve e carnes. É muito bom - o dele estava fantástico - mas demora algum tempo a fazer. O meu professor começou a preparar isto dois dias antes, lá com os rituais todos. A mim pediram-me uma sobremesa. Pensei imediatamente em duas coisas: arroz doce e mousse de chocolate. Desisti do arroz doce porque me disseram que havia uma sopa (sopa, imagine-se!) polaca que era massa ou arroz com natas e canela por cima. Optei então pela dita mousse. Os outros colegas não conseguiram inventar nada típico. O brasileiro levou doces de amendoim (muito bons, por acaso) e a mexicana chegou a pensar em tortilha, mas achou pesado para o jantar (achou mto bem). O alemão disse que tipicamente alemão era ter a mesa posta com garfo e faca à esquerda e direita do prato. Acho que ainda não tinha referido isto aqui, mas na Polónia usa-se muito pouco a faca e a ordem dos talheres na mesa ainda não percebi muito bem. Tenho um bocado a sensação que é assim tipo "à vontade do freguês", mas hei-de investigar. O jantar foi muito agradável. A casa deles é giríssima, fica numa zona óptima da cidade e tem um terraço grande que não pude explorar por estar a chover. Eles são super simpáticos, bem como o resto da turma. A mexicana vai-se embora em Maio, mas os outros ficam por cá.
Esta semana também fiz uma visita à televisão polaca. O Szczepan, marido da Júlia, é editor de um programa que dá na TVP2 chamado "Warto Rozmawiać", que significa "vale a pena conversar". Todas as semanas eles precisam de pessoas para a plateia do programa e esta semana nós resolvemos ir. Apareceu também por lá o Osvaldo. O tema desta semana era o Palácio da Cultura de Varsóvia (já mostrei várias fotos dele), se se deveria destruir ou manter. No programa explicaram que, após a Insurreição de Varsóvia, os alemães - furiosos - destruiram ainda mais o que puderam da cidade. O quarteirão onde agora está o Palácio foi também muito afectado por esta destruição. Mais tarde, depois da guerra, começaram a reconstruir. No entanto, pouco tempo depois, o Staline decidiu arrasar completamente aquela zona para construir o Palácio, como sendo um presente da Rússia para a Polónia - claro que tudo isto pago com o dinheiro da Polónia. Os polacos desde sempre tiveram aversão àquele sítio, mas aos poucos foi-se enraizando na vida da cidade e hoje funcionam lá imensas coisas, desde cinemas a restaurantes, passando por gabinetes de universidades, etc. Pessoalmente eu acho que não há motivo para destruir o Palácio, mas há muitos polacos que pensam assim. O programa, então, era sobre isto. Os convidados eram a Presidente da Câmara de Varsóvia e quatro arquitectos. Foi uma discussão bem interessante, da qual eu não percebi nada, mas tinha de me fingir interessada para o caso das câmaras me apanharem (e apanharam-nos muitas vezes, sentámo-nos no pior sítio...).
De resto, a Primavera também está a tentar chegar aqui, mas há umas nuvens traiçoeiras que ainda insistem em bloquear o sol, apesar de ele volta e meia conseguir furá-las. Nestes dias às 7h da manhã vi cair alguns flocos de neve, mas depressa se transformaram em chuva. Os dias agora estão cada vez maiores. Nota-se à tarde, mas também de manhãzinha. Noutro dia acordei de noite, eram cinco e tal da manhã, e já começava a ser dia. É a piada dos dias aqui, que no Inverno são mais pequenos, mas no Verão acho que são maiores.
Uma última nota sobre o cinema. Recentemente fui duas vezes ao cinema, mas desta vez tive mais sorte e vi os filmes na versão original, com legendas em polaco. O último que vi foi o Queen, que fala sobre a família real britânica na altura da morte da princesa Diana. Está muito interessante o filme, por acaso gostei. O outro que vi era um bocado mau. Mas pronto, já percebi que se pode ir ao cinema normalmente aqui. Agora, os bilhetes é que não são nada baratos... Atrevo-me a dizer que em alguns sítios até parecem mais caros do que em Porugal!...

segunda-feira, 19 de março de 2007

Sim, podia ter sido o Lauro Dérmio

(cont.)

Dialog = Diálogo
Dialekt = Dialecto
Dieta = Dieta
Delikatny = Delicado
Denerwuje = Enervar
Demencja = Demência

(Epa, hoje só encontrei palavras começadas com "D"???)

Kanalia = Canalha
Kontakt = Contacto
Idiota = Idiota

(Ah, bom, afinal também há outras...)

quinta-feira, 15 de março de 2007

Palavras polacas que bem podiam ser portuguesas

Skomplikowany = Complicado
Irytować = Irritar
Szafran = Açafrão
Taras = Terraço
Czekolada = Chocolate
Gaz = Gás
Telefon = Telefone
Formularz = Formulário
Wino = Vinho
Park = Parque
Fabryka = Fábrica
Restauracja = Restaurante
Kontynent = Continente
Ambasada = Embaixada
Higiena = Higiene
Problem = Problema
Konfiguracja = Configuração
Konto = Conta
Kontrola = Controle

Posto isto, quem diz que o polaco é uma língua difícil?

sexta-feira, 9 de março de 2007

Álbum de Varsóvia II

Noutro dia, quando pensávamos ir apanhar um pouco de ar puro, demos de caras com este parque. Pensava eu que ia esticar as pernas num jardim normal, mas afinal aquilo era um monumento do pós-IIª Guerra Mundial, construido pelos russos. O que à primeira vista parecia um belo parque era nem mais nem menos que um cemitério de soldados russos que morreram em Varsóvia a lutar contra os alemães.
Em 1944, durante 63 dias, o exército nacionalista polaco, a resistência e milhares de civis barricaram-se em Varsóvia numa tentativa de libertar a cidade do exército alemão. Ao mesmo tempo, os soldados russos avançavam cada vez mais. Quando começou a insurreição, já tinham alcançado a margem oriental do Vístula. Porém, não se mexeram até a insurreição ter terminado. Ao que parece - e atenção que esta interpretação pode ser algo chocante -, quiseram esperar que os alemães e os polacos se matasse uns aos outros para depois entrarem e conquistarem tudo. No fim de Setembro as condições começaram a piorar, porque já não havia alimentos, os alemães cortaram a água (o que permitia aos resistentes circularem pelos esgotos), não tinham comunicações, as munições acabavam, os ataques continuavam, muitas baixas, etc. Não sei se se lembram, mas há uns tempos coloquei aqui no blog uma foto de um pequeno monumento na parede da catedral de Varsóvia que era um bocado de uns taques que os alemães usavam contra os polacos durante a Insurreição. Pelo que me disseram, eram tipo tanques-bomba. Por fim, no dia 2 de Outubro, sem mais qualquer hipótese, os polacos tiveram de se renderam. As estatísticas dizem que morreram 18 mil soldados e 250 mil civis, sem falar nos feridos.
Quando vierem a Varsóvia, é essencial visitar o museu da Insurreição, que explica tudo muito bem. No centro da cidade, na zona onde se barricaram, podem ver-se vários monumentos ou placas que indicam alguns dos principais acontecimentos. Chocante também é ver, em algumas igrejas, placas com os nomes dos civis que morreram, a maioria muito jovens
Ora, voltando ao cemitério dos russos, quando Varsóvia já estava totalmente destruida (sim, porque depois disto os alemães estavam furiosos e destruiram tudo o que ainda tinha ficado de pé) e os alemães cansados, os soldados russos entraram e num ápice expulsaram os ditos nazis. Apareceram, assim, como os bons da fita que libertaram a cidade. Numa altura altamente estratégica, em que a resistência polaca tinha sido destruída e eles sabiam que podiam tomar o poder sem oposição local. Mas deixando-me de "politiquices", voltemos ao cemitério.
O mais curioso é que em nenhum lugar se pode ver uma cruz. O único símbolo que aparece é a estrela comunista.

Aqui uma vista geral da entrada. Aquele obelisco ao fundo estava com algumas coroas de flores e velas. Pelos vistos ainda há quem venere estas coisas...














Do lado esquerdo e do lado direito da foto de cima podem ver-se estas campas rasas com placas com o nome dos soldados. Nesta zona parece-me que estão os que eram mais do que simples soldados, que teriam patentes mais elevadas. Vê-se mal, mas na parte de cima de cada placa está uma estrela.














Dos dois lados do obelisco estavam duas estátuas enormes a representar os soldados. Esta apresenta um soldado a segurar um soldado ferido, mas os dois com expressões de ódio.














Um pequeno pormenor das caras deles. Não dá para ver bem, porque todas estas fotos foram tiradas com o telemóvel... À falta de máquina, vai mesmo assim.














A estátua do outro lado também tem um soldado a amparar outro, mas o segundo parece morto. A expressão deles não tem nada a ver com a da outra estátua.














As campas dos soldados normais.














Um pormenor de uma campa, a única que vimos com fotografia. Ao que parece, este soldado tinha 19 anos. Mais uma vez, vê-se a estrela comunista.



















Há uns anos, quando cá estive, lembro-me de ver em Kampinos (um grande parque natural perto de Varsóvia) um cemitério de soldados polacos, daqueles à americana, que têm um relvado enorme com várias cruzes brancas. Nele estão vários soldados de um exército formado na altura da Insurreição, mas que foi derrotado pelos alemães.
Vou ver se estudo mais um bocadinho e outro dia venho aqui contar mais.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Álbum de Varsóvia I

Vou começar a chamar "Álbum de Varsóvia" aos posts com fotografias que vou pondo aqui. Estas foram tiradas durante a estadia da minha mãe por estas bandas. Infelizmente não tirámos grande coisa, mas já dá para ficar com uma ideia.

Aqui os companheiros de uma rapariga que tocava guitarra numa estação de metro. A esta foto pode chamar-se convivência pacífica.














Um baixo relevo num prédio na zona central da cidade, dos tempos do comunismo. Ó prós trabalhadores todos a protestar, como eles gostam! ;)



















Vista de uma das mil praças de Varsóvia.



















Um sítio a não perder: a casa de chocolate (já que há casas de chá, também podem haver casas de chocolate) da Wedel, a melhor marca de chocolates polaca. É o paraíso para quem gosta de chocolate quente e de doces à base de chocolate. Só tem um defeito: na secção dos crepes não tem nenhum com chocolate. A decoração interior é lindíssima, com um estilo antigo. Lembra-me algumas coisas do Grémio Literário.














Vista nocturna da praça da Nowe Miasto. Foi pena ter a máquina já sem pilhas e não conseguir tirar com flash. Hei-de tentar voltar lá e fazer melhores fotografias.














Um bocado desfocado, o edifício da ópera de Varsóvia. Bonita e imponente.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Feliz dia do leitor do blog!

Acho que este dia não existe, mas bem que podia existir. Aliás, na Polónia até é muito provável que possa vir a existir. Pelos vistos, os polacos gostam de receber presentes, então todos os motivos são bons. Para além do aniversário normal, celebram também aqui o onomástico. E para além disto, existem também outras efemérides espalhadas pelo ano, como bom pretexto para presentear alguém. Esta semana, por exemplo, festejou-se aqui o “Dia da Sogra”. É verdade, não estou a gozar. Que existe o Dia do Pai, Dia da Mãe e Dia da Criança já eu sabia. Dia dos Avós acho que também, apesar de aqui ser um dia para a avó e um dia para o avô. Dia dos sogros é que achei demais! Perguntei logo se também havia Dia da Nora, Dia da Cunhada, etc., etc., mas a resposta foi negativa. Ao que parece, no Dia da Criança, toda a gente aproveita para dar presentes uns aos outros. Bem, quem diz presentes, diz lembranças, porque acho que as pessoas não costumam gastar muito dinheiro com estas comemorações. Mas até têm piada. Agora vou estar atenta a ver se descubro o próximo Dia de Qualquer Coisa, para ver a quem terei de felicitar.

E já que intentei o dia do leitor do blog, feliz dia para quem o estiver a ler agora! :)

Primavera de Varsóvia

Hoje esteve um dia lindo, cheio de sol. Pela primeira vez andei na rua com menos roupa (atenção, menos roupa não significa roupa fresca… a camisola de lã continua lá), sem cachecol nem nada na cabeça. Não havia uma nuvem no céu, só soprava uma brisa fresca muito primaveril, que não chateava ninguém. A minha mãe diz que isto agora, com a União Europeia, até o clima vai ser uniformizado. É capaz de ter razão, porque hoje esteve um dia totalmente atípico para esta época do ano aqui.

Como hoje tive aula de polaco mais tarde, aproveitei para me arranjar com todas as calmas de manhã. Saí para ir almoçar com o Stas a um restaurante de crepes muito bom e a seguir fui passear para um jardim que ainda não conhecia. Ali fiquei, de cara voltada para o sol, a ver se conseguia disfarçar o meu ar ultra-invernoso-que-não-engana-ninguém (devo dizer que ainda não foi o suficiente, mas já não foi nada mau). Deve ter sido um dos momentos mais agradáveis que passei aqui na Polónia (apesar de ter aproveitado aquela hora para fazer à pressa os trabalhos de casa de polaco). Este jardim não tinha nada de especial, mas quando o sol brilha como hoje, só é preciso um banco confortável e um bocado de relva para ficar bonito. Enquanto estive lá, passaram por mim várias mães e avós a empurrarem carrinhos de bebé, pais e filhos a andar de bicicleta ou simplesmente a passear. Durante o dia aqui é frequente ver-se mães com carrinhos de bebés, estudantes à conversa, pessoas a passearem cães, etc. Mas hoje foi um exagero. Como estava um dia lindo, toda a gente aproveitou para vir para a rua desfrutar do sol.

Como vêem, a Primavera também está a chegar à Polónia!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Já lá vai mais outro mês

Com uma interrupção pelo meio, mas já lá vai. Para ser sincera, agora não há um grande balanço a fazer, porque já entrei numa certa normalidade que traz muito pouco de novo.
Recentemente temos andado numa pequena odisseia em busca de casa. Ele é jornais, sites de agências e até numa feira de casas já estivemos, tipo "expo casa". Uma seca desgraçada. Nessa feira de casa contactámos com várias agências. Numa delas, falámos com um senhor de uns seus cinquenta anos, todo bem vestido e algo discreto. Ele ficou com os nossos contactos e disse que teria algumas propostas para nós. No fim deu-nos o seu cartão. Lá dizia o nome dele: Zbigniew Szatanowski. Ignorando o primeiro nome, que é dos mais estranhos que eu conheço, o apelido do senhor é algo tipo Satanás. Quando mais tarde olhámos para o cartão ficámos bem assustados! Para ser um filme, daqueles em que alguém vende a alma ao diabo (ele ficou com os nossos contactos!!), só faltava nós de repente, quando acabamos de falar com ele, voltarmo-nos para trás e ele ter desaparecido. É sinistro alguém chamar-se assim. Felizmente nenhuma das ofertas dele foram suficienteamente tentadoras.
Na última semana passei por diferentes extremos da cidade. É incrível como Varsóvia é gigante!... Acho que é um bocado como se Lisboa incluisse também tudo até ao Estoril, Vila Franca, eu sei lá! Não sei precisar quantos quilómetros são, mas noutro dia tivemos de ir a algum sítio no norte da cidade e andámos 17km (que era mais do que eu fazia para ir para a Apelação). Mas, por exemplo, um amigo do Stas vive e trabalha em Varsóvia e para chegar ao trabalho tem de andar 35km... É uma brutalidade! O meu mapa de bolso, que vai comigo para todo o lado, é muito discriminatório, porque só tem a parte mais central de Varsóvia. O lado oriental do rio, chamado Praga, praticamente não aparece. Este lado não conheço mesmo nada. Só um ou outro sítio, mas muito mal.
Quanto a fotos, acabei por tirar poucas por estes dias. Volta e meia aparece alguma situação engraçada ou passo por qualquer sítio interessante, mas há sempre qualquer coisa: ou não há máquina, ou está sem pilhas, ou a foto fica tremida, etc. Por isso, hei-de ver se ficou alguma boa para pôr aqui. Depois darei mais notícias.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Precisa-se de alguém que fale polaco

Esta semana recebi uma chamada de atenção por parte da minha professora de polaco. Tudo isto porque a minha lingua oficial aqui é o inglês ou o português. Ou seja, porque não falo polaco com ninguém. Parece que tenho de começar a esforçar-me mais. Mas também, o polaco é daquelas línguas que temos de falar sem dizer a terminação da palavra, porque é sempre um mistério. Então, como eu ainda sei pouquinho, nunca acerto na declinação certa. No entanto, tenho de começar a ganhar coragem de falar o pouco que sei com as pessoas. Agora é que vão começar as barracadas!
Mas melhor do que falar polaco é... cantar em polaco! O professor da universidade decidiu trazer-nos folhas com duas canções tradicionais polacas, uma guitarra e pôs-se a cantar e tocar, para nós o acompanharmos. Foi muito giro, um talento escondido do professor! As músicas eram engraçadas, com umas letras ultra-sentimentais, de fazer chorar as pedras da calçada. Bem... a melodia é que já não era tanto assim, então tinha piada estar a cantar uma coisa tristíssima com uma música algo alegre - estes polacos são doidos!!! hehehe....
No fim destas músicas todas, ia eu toda contente a andar pelo centro da cidade, no meio da chuva, toda encasacada como sempre, quando sou abordada por uma equipa de repórteres da TVP (a televisão pública de cá). Imediatamente lhes disse que não era polaca. Só que disse isto em polaco e eles ficaram a olhar para mim com cara de parvos. Então disse logo a seguir, mas desta vez em inglês, que não falava polaco. Um deles finalmente reagiu e disse que eu lhes poderia responder em inglês e perguntou-me se eu achava que era possível viver sem telemóveis. Nesta altura fui eu que bloqueei e fiquei a pensar uns segundos, com aqueles três estarolas a olharem para mim como para uma aberração (bem, se eu me também olhasse para mim na figura em que estava, acho que também ficaria assustada!!). Por fim lá dei uma resposta breve, que não gerou qualquer espécie de reacção (começo a pensar se eles não seriam autómatos). Como eles não disseram mais nada e eu não tencionava ficar ali a vida toda parada a olhar para eles, dei corda aos sapatos e segui o meu caminho. Fiquei sem perceber grande coisa deles, mas como eu também não vejo televisão aqui, mesmo que me dissessem que era para o programa X, eu não iria identificar.
Quanto a jornais e revistas, nos últimos tempos tomei contacto com alguns. Descobri uma revista aqui que até tem piada, mas é realmente fútil. É uma espécie de guia de compras que apresenta sugestões de diferentes peças de roupa (cada número tem uma espécie de tema, uma peça de roupa em destaque), para diferentes momentos (para a neve, para ginástica, para a praia, para festas, etc.) e também produtos de beleza. Normalmente apresenta o preço, a loja onde se pode comprar e mais algumas informações. Claro que também tem alguns textos com explicações, sobretudo sobre os produtos de beleza, mas eu ainda não atinjo tudo. Ah, foi numa destas revistas que encontrei um artigo só sobre os problemas de electricidade estática no cabelo. É uma revista muito fútil, mas conseguiu ter alguma utilidade para mim.
Agora, nos próximos dias, estarei um pouco mais ausente aqui do blog devido à visita da minha mãe que me vem animar durante uma semana. Desconfio que depois destes dias vou ter mais fotos para colocar aqui.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Futilidades

Abriu recentemente um novo centro comercial no centro de Varsóvia. Para variar, como é a tendência acho que em qualquer parte do mundo, este tem uma arquitectura muito original e centenas das lojas mais fashion do sítio. A grande novidade (pelo menos para mim) é que abriu aqui o primeiro Hard Rock Café de Varsóvia.
Uma coisa que ainda não falei aqui é que nestes centros comerciais há várias lojas grandes que têm o mesmo conceito que o El Corte Inglès, ou seja, são grandes espaços abertos com vários stands de diferentes marcas conhecidas ou não. Cada uma tem um nome diferente, mas já sabemos que dentro delas podemos encontrar um pouco de tudo, dependendo do seu estilo (umas só têm roupa de homem ou mulher, outras têm também acessórios, sapatos, coisas para a casa, etc). Os preços das coisas em geral parecem-me mas baratos do que em Portugal. Bem, claro que as marcas caras são caras em qualquer parte do mundo, mas por exemplo a H&M, que em Portugal é barata, aqui é baratíssima. Acho que só a Zara é que é mesmo excepção.

Questões de estética

Só ao fim de quase dois meses me comecei a aperceber que os polacos devem ter uma epiderme diferente da nossa. Ou então protegem-se mesmo bem. A água da torneira de cá, para além de não ser potável, é - segundo dizem - muito dura e seca imenso a pele. Ora, isto unido ao aquecimento em casa, mais o frio seco na rua dá um resultado muito bom... É pele seca, cabelo com imensa electricidade estática, eu sei lá! E eu ando tão atenta às coisas que só há poucos dias, desde que regressei de Portugal, comecei a reparar nisto. Bem que a cabeleireira de Lisboa me disse que eu andava com o cabelo muito seco. O resultado de tudo isto é um bocado desastroso: há vários dias que não me consigo pentear normalmente (ando sempre com o cabelo todo espetado por causa da electricidade... lindo de se ver!) e tenho sempre a pele sequíssima. Por isso, um conselho a quem pensar visitar a Polónia nos meses frios: tragam cremes gordos para o corpo e cara (dizem que os cremes com água quando há temperaturas muito abaixo de zero não são nada boa ideia) e condicionadores ou outras porcarias para o cabelo, se querem tê-lo minimamente aceitável.