Ainda não tive coragem para tirar nenhuma foto à casa e postar aqui. No entanto, vou tentar fazer uma pequena descrição para poderem imaginar à vossa vontade.
A sala: Já tem sofás, um sistema de som brutal que o Stas comprou há uns anos e já trasladou aqui para casa. Já o estreámos aqui a ver um filme, é muito porreiro. Claro que agora enquanto estou em casa já vou podendo "musicá-la" à vontade. Bem, mas voltando aos sofás... Um deles não dá para ninguém se sentar, porque tem em cima uma gaveta de um armário da cozinha, montes de sacos vazios (sei lá eu porquê!...), auriculares e uma infinidade de coisinhas que vão acabando por ficar ali, como quem não quer a coisa. O outro sofá dá para sentar, porque a maioria da tralha que tem em cima está ou nos apoios para os braços, ou em cima do encosto das costas. Para além disto, nesta sala encontram-se também uma infinidade de fios e cabos: o modem da internet (ainda não comprámos o router para ter wireless), uma torradeira e uma chaleira eléctrica (estão no chão ao pé de uma tomada, porque na cozinha ainda não temos tomadas), uma extensão que liga uma destas tomadas à cozinha e ainda o ferro de engomar. Sim, porque a sala agora virou rouparia (graças à aparelhagem, porque se estivesse noutro sítio não dava para ouvir nada de jeito). Ou seja, está um verdadeiro caos.
A cozinha: Tem os armários todos no sítio, apesar de só três terem maçanetas. Neste momento tem o frigorífico fora do sítio, porque estivemos a trocar a abertura das portas e ainda não ficou totalmente bem. E, claro, enquanto não se arranja, vai ficando por ali. O balcão da cozinha está cheio de coisas também. Mesmo assim, é uma das poucas divisões da casa que está quase ideal. Gosto desta cozinha, apesar de ser minúscula. Ainda faltam alguns detalhes, mas está minimamente funcional.
O corredor: Falta pôr a porta do bengaleiro e limpá-lo. Falta também tirar uma série de tralha das obras que ficou escondida em alguns armários. Mas isso...
O quarto das visitas: Para esquecer! Já conseguimos esvaziar algumas malas e quase algumas caixas. Mesmo assim, ainda tem muita porcaria embalada a precisar de ser arrumada. Era lá que funcionava a rouparia, até a aparelhagem ter vindo para cá.
O nosso quarto: Deve ser a divisão mais arrumadinha. Ontem tentámos colocar umas cortinas que comprámos, porque os estores que temos deixam entrar imensa luz (e já aqui comentei várias vezes como o sol nasce cedo nesta parte do globo). Missão mais ou menos cumprida, porque ainda temos de dar uns retoques. Mas, aparte disso, está tudo bonitinho. A minha menina dos olhos é um tapetinho pequeno tipo Arraiolos que está entre a cama e o roupeiro. Super giro.
As casas de banho: Sim, plural, porque na Polónia costumam separar a retrete do resto. Vá-se lá saber porquê! Mas assim que for possível, a nossa ideia é juntar tudo. As casas de banho não foram praticamente alteradas, só pintámos o tecto (e limpámos tudo, claro está). Ainda não estão ideais - um dos lavatórios não funciona bem e um armário que aproveitámos da anterior proprietária ainda precisa de ser arrumado de metade para baixo.
Basicamente, fica-se com a sensação que desde que chegámos ainda não fizemos nada. Mas não é assim, isto aos poucos vai andando. Estamos a tentar encontrar o nosso ritmo de funcionamento normal. A nível de refeições conseguimos ter um ritmo muito português. Ah, e sopa também, graças a Deus!
Uma nota final para contar apenas um dos muitos milagres que aconteceram por altura do casamento. Um tio e primos do Stas que vieram de carro ofereceram-se para levar algumas malas e coisas nossas. Entregámos-lhes todas as coisas frágeis que tínhamos para trazer para cá. A certa altura da viagem de regresso, um carro à frente deles começa a rodopiar e despista-se e eles acabam por também chocar contra o separador central, numa tentativa de evitar o choque com esse carro. Perderam um dia de viagem a tentar arranjar o carro. Apesar de todas estas vicissitudes, as nossas bagagens chegaram todas impecáveis, sem nenhum risco nem nada. Incrível! Graças a Deus eles ficaram todos bem, não se magoaram nem nada. Só o carro ficou um bocadinho mal.
É este o nosso ponto da situação. Para a semana vou à imigração inscrever-me como residente e tenho também de ir às finanças. Burocracias necessárias, mais que não seja porque (aqui vai a novidade para os que não sabem ainda) vou começar a dar aulas de português em Outubro e preciso destes dados para me pagarem. Ah pois é! Com esta me vou porque, como acabaram de perceber, há muito que fazer por estes lados. Boa sorte para mim mesma!
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Microclima
A minha varanda tem uma espécie de microclima. Está frescote na rua, mas lá consigo estar de t-shirt. Ao mesmo tempo, a vinha virgem que tenho nas paredes da varanda está metade com cores outonais e metade bem verdinha. Tem piada, esta varanda.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Regresso
Com dois dias de atraso, cá venho eu voltar a dar vida a este blog. Algumas pessoas tinham perguntado se eu iria continuar a escrever aqui, mas é claro que vou! Há ainda muitas coisas para descobrir por estes lados.
Saí de Portugal com um lindo dia de calor, toda à fresquinha, e mal cheguei aqui apanhei logo com o frio. Tive de me vestir com pelo menos mais uma peça de roupa do que tinha. Mas, menos mal, o céu estava azul e o dia parecia bom. Tudo uma ilusão. A partir da tarde do dia seguinte, o céu encheu-se de nuvens e tem estado um tempo bem chato. Hoje choveu o dia todo e na rua está fresco. Andei a vasculhar as mil caixas que tenho espalhadas pelo quarto das visitas (ninguém pense visitar-nos agora!!!) à procura de meias (!) e de um casaco mais quentinho para andar na rua (à noite arrefece imenso).
Bem, mas talvez por ter tantas coisas para fazer em casa, não me sinto nada deprimida com este tempo. Aliás, mal tenho tempo para olhar para a janela. Há mil coisas para arrumar, pôr em ordem, limpar, etc. Pouco a pouco lá se vai conseguindo. Depois há aquelas coisas de bricolage essenciais que ainda estão para fazer, como por exemplo, colocar os puxadores nos armários da cozinha. Imaginem que na vossa cozinha não havia puxadores. É a coisa mais chata que há. Agora imaginem que tinham de organizar uma cozinha nestas condições. O que vale é que isto até tem piada e não me chateia nada. Há que ter bom humor!
De resto, tudo normal. Os quase 2 meses que passei em Portugal passaram num instante e agora já cá estou outra vez. O regresso no natal está garantido. Antes disso, ainda vamos ver. E quanto às visitas... Podem começar já a marcar as viagens!!! Dêem-nos só umas duas semanitas para não se assustarem com a casa...
Saí de Portugal com um lindo dia de calor, toda à fresquinha, e mal cheguei aqui apanhei logo com o frio. Tive de me vestir com pelo menos mais uma peça de roupa do que tinha. Mas, menos mal, o céu estava azul e o dia parecia bom. Tudo uma ilusão. A partir da tarde do dia seguinte, o céu encheu-se de nuvens e tem estado um tempo bem chato. Hoje choveu o dia todo e na rua está fresco. Andei a vasculhar as mil caixas que tenho espalhadas pelo quarto das visitas (ninguém pense visitar-nos agora!!!) à procura de meias (!) e de um casaco mais quentinho para andar na rua (à noite arrefece imenso).
Bem, mas talvez por ter tantas coisas para fazer em casa, não me sinto nada deprimida com este tempo. Aliás, mal tenho tempo para olhar para a janela. Há mil coisas para arrumar, pôr em ordem, limpar, etc. Pouco a pouco lá se vai conseguindo. Depois há aquelas coisas de bricolage essenciais que ainda estão para fazer, como por exemplo, colocar os puxadores nos armários da cozinha. Imaginem que na vossa cozinha não havia puxadores. É a coisa mais chata que há. Agora imaginem que tinham de organizar uma cozinha nestas condições. O que vale é que isto até tem piada e não me chateia nada. Há que ter bom humor!
De resto, tudo normal. Os quase 2 meses que passei em Portugal passaram num instante e agora já cá estou outra vez. O regresso no natal está garantido. Antes disso, ainda vamos ver. E quanto às visitas... Podem começar já a marcar as viagens!!! Dêem-nos só umas duas semanitas para não se assustarem com a casa...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Programinhas
Esta semana, para aliviar das confusões com a casa e afins, fiz dois programinhas que vale a pena partilhar. Num dos dias fomos ao cinema. Queriamos ver o Shrek na versão original, mas chegámos à conclusão que não há em parte nenhuma... Num rasgo de coragem, também para treinar os meus conhecimentos, decidi arriscar e ir ver a versão polaca do filme! Confesso que não foi tão mau quanto pensei e até consegui perceber muitas coisas. Claro que tive de ter "tradução simultânea" para algumas partes, mas em geral não foi assim tão mau.
Outro programa interessante foi ir ver uma exposição que está cá no museu nacional sobre o pintor Alfons Mucha. Devo dizer que adorei. O senhor até faz umas coisas engraçadas. As pinturas dele estão cheias de pormenores decorativos super interessantes. Ele tem um estilo muito giro e de certo modo também variado. Fiquei surpreendida, depois de ver uma série de pinturas dele todas no mesmo estilo (como esta imagem aqui ao lado) e de repente aparecerem outras que não tinham nada a ver, mas também interessantes. Andava há semanas para lá ir e já estava mesmo a ver que não ia conseguir. Afinal, apesar dos últimos dias aqui estarem péssimos, com uns vendavais indescritíveis e briole, lá me decidi pôr nas pernas e ir. A exposição estava cheia de gente, por acaso não imaginei que pudesse estar assim. E no fim, a lojinha de souvenirs também cheia; toda a gente queria comprar livros, postais, posters, etc, do Alfons Mucha. Se algum dia esta exposição estiver em Lisboa, recomendo vivamente.
Para finalizar, umas últimas fotos de Varsóvia:

O monumento que actualmente se encontra naquela que foi entrada do gueto de Varsóvia. Tem placas com inscrições em polaco, inglês e hebraico (acho).

Muito perto da entrada do gueto, um monumento que simboliza uma linha de comboio com um vagão cheio de cruzes, alusivo à deportação dos judeus. Devo dizer que cada vez que vejo um comboio com vagões de carga aqui é das coisas mais arrepiantes. Claro que sei que aquilo não tem nada de mal, mas só a mais pequena lembrança do que aquilo significou para tanta gente... é mesmo assustador. Sobretudo noutro dia, tivemos uma aventura espetacular: regressávamos do ikea com o carro com três coisas bem volumosas e pesadas que o enchiam completamente e... tivemos um furo!! Um buraco imbecil na estrada secundária por onde atalhamos sempre lixou-nos o resto do dia. Ficámos sei lá quanto tempo parados. Descarregar o carro, tratar do pneu que não queria de maneira nenhuma sair, a trovoada a começar, etc, etc. Tudo isto para dizer que estavamos perto de uma linha de comboios. Passaram vários, mas a certa altura passou um de carga... Naquele momento imaginei como seria durante o tempo da ocupação nazi - tinha o cenário muito dramático: era de noite, o céu todo nublado, viam-se alguns relâmpagos e de repente começou a chover, num sítio onde quase não há nada... Dá que pensar!! Bem, mas continuando...


Descobri um sítio em Varsóvia, no centro (claro) onde estamos a 945km de Helsínquia, 647km de Copenhaga, 1065km de Oslo, 2771km de Reykjavik, 808km de Estocolmo, 1606km de Atenas, 826km de Belgrado, 545km de Budapeste (tenho de lá ir um dia), 948km de Bucareste, 1318km de Roma, 1073km de Sofia, 518km de Praga (também gostava de conhecer), 1213k de Tirana, 665km de Viena, 1122km de Moscovo, 518km de Berlin, 1126km de Berna, 1122km de Bruxelas, 1824km de Dublin, 2633km de LISBOA!!!!! (dizem eles, o viamichelin.com diz que são 3000...), 1444km de Londres, 1080km do Luxemburgo, 2287km de Madrid e 1365km de Paris.
Tirando o facto do monumento ser muito ranhoso, está com piada. Sobretudo o facto de Lisboa aparecer antes de Madrid!!! :)

Outro programa interessante foi ir ver uma exposição que está cá no museu nacional sobre o pintor Alfons Mucha. Devo dizer que adorei. O senhor até faz umas coisas engraçadas. As pinturas dele estão cheias de pormenores decorativos super interessantes. Ele tem um estilo muito giro e de certo modo também variado. Fiquei surpreendida, depois de ver uma série de pinturas dele todas no mesmo estilo (como esta imagem aqui ao lado) e de repente aparecerem outras que não tinham nada a ver, mas também interessantes. Andava há semanas para lá ir e já estava mesmo a ver que não ia conseguir. Afinal, apesar dos últimos dias aqui estarem péssimos, com uns vendavais indescritíveis e briole, lá me decidi pôr nas pernas e ir. A exposição estava cheia de gente, por acaso não imaginei que pudesse estar assim. E no fim, a lojinha de souvenirs também cheia; toda a gente queria comprar livros, postais, posters, etc, do Alfons Mucha. Se algum dia esta exposição estiver em Lisboa, recomendo vivamente.
Para finalizar, umas últimas fotos de Varsóvia:

O monumento que actualmente se encontra naquela que foi entrada do gueto de Varsóvia. Tem placas com inscrições em polaco, inglês e hebraico (acho).

Muito perto da entrada do gueto, um monumento que simboliza uma linha de comboio com um vagão cheio de cruzes, alusivo à deportação dos judeus. Devo dizer que cada vez que vejo um comboio com vagões de carga aqui é das coisas mais arrepiantes. Claro que sei que aquilo não tem nada de mal, mas só a mais pequena lembrança do que aquilo significou para tanta gente... é mesmo assustador. Sobretudo noutro dia, tivemos uma aventura espetacular: regressávamos do ikea com o carro com três coisas bem volumosas e pesadas que o enchiam completamente e... tivemos um furo!! Um buraco imbecil na estrada secundária por onde atalhamos sempre lixou-nos o resto do dia. Ficámos sei lá quanto tempo parados. Descarregar o carro, tratar do pneu que não queria de maneira nenhuma sair, a trovoada a começar, etc, etc. Tudo isto para dizer que estavamos perto de uma linha de comboios. Passaram vários, mas a certa altura passou um de carga... Naquele momento imaginei como seria durante o tempo da ocupação nazi - tinha o cenário muito dramático: era de noite, o céu todo nublado, viam-se alguns relâmpagos e de repente começou a chover, num sítio onde quase não há nada... Dá que pensar!! Bem, mas continuando...


Descobri um sítio em Varsóvia, no centro (claro) onde estamos a 945km de Helsínquia, 647km de Copenhaga, 1065km de Oslo, 2771km de Reykjavik, 808km de Estocolmo, 1606km de Atenas, 826km de Belgrado, 545km de Budapeste (tenho de lá ir um dia), 948km de Bucareste, 1318km de Roma, 1073km de Sofia, 518km de Praga (também gostava de conhecer), 1213k de Tirana, 665km de Viena, 1122km de Moscovo, 518km de Berlin, 1126km de Berna, 1122km de Bruxelas, 1824km de Dublin, 2633km de LISBOA!!!!! (dizem eles, o viamichelin.com diz que são 3000...), 1444km de Londres, 1080km do Luxemburgo, 2287km de Madrid e 1365km de Paris.
Tirando o facto do monumento ser muito ranhoso, está com piada. Sobretudo o facto de Lisboa aparecer antes de Madrid!!! :)
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Varsóvia no telemóvel
Já muito perto de fechar este blog para férias, decidi deixar aqui algumas fotos que nos últimos tempos tirei com o telemóvel por aqui e por ali.

Durante a visita da minha mãe conseguimos apanhar as quatro estações num dia. De manhã imenso calor, à tarde uma chuvada indescritível e à noite apanhámos granizo! Esta foto foi uma tentativa frustrada de captar o momento da "granizada".
Eu, que dizia que aqui quase nunca trovejava, apanhei a maior surpresa da minha vida ao ver que esta época do ano é a época das trovoadas! Calor imenso, seguido de chuvada torrencial, seguido de novamente calor e novamente chuva. A certa altura a pessoa começa a familiarizar-se com os relâmpagos. O melhor de tudo foi no domingo passado, quando decidimos ir ao Ikea comprar alguns móveis. Estava um dia bom. Quando finalmente tinhamos dois carrinhos atulhados de caixas e nos preparamos para sair estava a cair uma chovada brutal! Lá tivemos de ficar à espera que passasse para podermos carregar o carro. Ainda a propósito de chuva, esta semana apanhei a maior molha dos últimos tempos. Quem manda sair sem guarda chuva? O S. Pedro goza mesmo com o pessoal aqui...

Outra que se vê um bocado mal... Trata-se de um pequeno oratório no meio do campo. Aqui na Polónia há milhares de coisas destas. Mesmo no meio de Varsóvia encontram-se cruzes grandes ou oratórios com alguma imagem de Nossa Senhora, enfeitados com fitinhas (como era suposto ver-se na imagem, mas...), com flores, velas, etc. Sobretudo estes que estão no meio do campo estão muito bem arranjados e são super giros. Esta foto foi tirada do carro a caminho de Poznań.

Tirada do autocarro, na viagem de regresso a casa depois de uma aula de polaco. Um prédio bonito, de estilo antigo (claro que na prática a gente sabe que isto é uma reconstrução... mesmo assim, já tem uns bons anitos).

Os cartazes da marca Reserved de que falei num post. A famosa publicidade "With love from Lisbon". Os sacos da loja para esta época tinham todos esta imagem.

Estas duas fotos são pormenores da mesma casa. Fica relativamente perto da casa onde estou agora. É uma casa que não foi reconstruída e ainda guarda bastantes marcas da guerra, buracos de balas, etc. Em algumas zonas ainda é possível encontrar casas assim, mas na generalidade estão bem escondidas.


A rua mais "fofinha" de Varsóvia... Rua do Winnie the Pooh! Está espetacular esta placa (só é pena a parede toda suja).

Esta foto foi tirada em andamento (mais uma vez no autocarro) por isso as colunas parecem tortas. Mas não estão, isto está tudo muito direitinho. Este edifício é actualmente o Ministério da Educação. Tirei esta foto porque durante o tempo da guerra era aqui a sede da Gestapo em Varsóvia. A foto não causa assim grande impacto. Mas se algum dia vierem cá e estiverem parados diante deste portão sabendo o que isto foi, de certeza que se vão sentir arrepiados. É uma coisa mesmo assustadora.
Tenho andado a ler o meu livro de história da Polónia muito devagarinho, ainda sei pouca coisa. O que sei tenho-o ouvido da boca das pessoas, sobretudo pequenos testemunhos de pessoas mais velhas, seja do tempo da guerra, seja do tempo do comunismo. Coisas realmente impressionantes, que são apenas uma gotinha de água de um grande oceano. Nós de facto não temos noção de muitas coisas. Podemos dizer que fomos muito privilegiados. Apesar de haver queixas "ah, e tal, o Estado Novo, etc", nada se compara ao que os polacos tiveram de apanhar com o comunismo. De maneira nenhuma. Nem eu consigo imaginar o que seria viver com senhas de racionamento, com filas de horas para conseguir comprar alguma coisa, com lojas sem nada nas prateleiras, com manifestações obrigatórias no 1º de Maio (ai de quem não fosse!...), com um grande controle de todas as actividades, com represálias para quem tivesse bons cargos no trabalho e não pertencesse ao partido, etc, etc. Enfim, nem eu sei da missa a metade. Mas do pouco que vou ouvindo, sinceramente dou muitas graças a Deus por ter nascido e vivido em Portugal. Por outro lado, tudo isto deu aos polacos um espírito de entreajuda muito grande. Isso vê-se no dia-a-dia, nas situações mais comuns, como nos transportes, toda a gente oferece o lugar aos mais velhos, às grávidas, a alguém que esteja com uma criança; ou mesmo em casa de alguém, querem sempre oferecer-nos o melhor. São muito simples e muito acolhedores. Em geral as pessoas estão sempre dispostas a ajudar. Quem diz estas situações diz muitas outras. Mas de facto isto é algo que eu nunca vi muito nos portugueses (apesar dos portugueses serem muito hospitaleiros, os polacos conseguem sê-lo de uma forma mais natural, sem querer "mostrar" que são bons acolhedores e que fazem coisas boas para nós; é algo que lhes sai com muita naturalidade). Se calhar porque os polacos têm menos preconceitos e respeitos humanos (bem, pelo menos por enquanto). Mas que ninguém tenha dúvidas, sou 100% portuguesa e gosto muito dos portugueses!

Durante a visita da minha mãe conseguimos apanhar as quatro estações num dia. De manhã imenso calor, à tarde uma chuvada indescritível e à noite apanhámos granizo! Esta foto foi uma tentativa frustrada de captar o momento da "granizada".
Eu, que dizia que aqui quase nunca trovejava, apanhei a maior surpresa da minha vida ao ver que esta época do ano é a época das trovoadas! Calor imenso, seguido de chuvada torrencial, seguido de novamente calor e novamente chuva. A certa altura a pessoa começa a familiarizar-se com os relâmpagos. O melhor de tudo foi no domingo passado, quando decidimos ir ao Ikea comprar alguns móveis. Estava um dia bom. Quando finalmente tinhamos dois carrinhos atulhados de caixas e nos preparamos para sair estava a cair uma chovada brutal! Lá tivemos de ficar à espera que passasse para podermos carregar o carro. Ainda a propósito de chuva, esta semana apanhei a maior molha dos últimos tempos. Quem manda sair sem guarda chuva? O S. Pedro goza mesmo com o pessoal aqui...

Outra que se vê um bocado mal... Trata-se de um pequeno oratório no meio do campo. Aqui na Polónia há milhares de coisas destas. Mesmo no meio de Varsóvia encontram-se cruzes grandes ou oratórios com alguma imagem de Nossa Senhora, enfeitados com fitinhas (como era suposto ver-se na imagem, mas...), com flores, velas, etc. Sobretudo estes que estão no meio do campo estão muito bem arranjados e são super giros. Esta foto foi tirada do carro a caminho de Poznań.

Tirada do autocarro, na viagem de regresso a casa depois de uma aula de polaco. Um prédio bonito, de estilo antigo (claro que na prática a gente sabe que isto é uma reconstrução... mesmo assim, já tem uns bons anitos).

Os cartazes da marca Reserved de que falei num post. A famosa publicidade "With love from Lisbon". Os sacos da loja para esta época tinham todos esta imagem.

Estas duas fotos são pormenores da mesma casa. Fica relativamente perto da casa onde estou agora. É uma casa que não foi reconstruída e ainda guarda bastantes marcas da guerra, buracos de balas, etc. Em algumas zonas ainda é possível encontrar casas assim, mas na generalidade estão bem escondidas.


A rua mais "fofinha" de Varsóvia... Rua do Winnie the Pooh! Está espetacular esta placa (só é pena a parede toda suja).

Esta foto foi tirada em andamento (mais uma vez no autocarro) por isso as colunas parecem tortas. Mas não estão, isto está tudo muito direitinho. Este edifício é actualmente o Ministério da Educação. Tirei esta foto porque durante o tempo da guerra era aqui a sede da Gestapo em Varsóvia. A foto não causa assim grande impacto. Mas se algum dia vierem cá e estiverem parados diante deste portão sabendo o que isto foi, de certeza que se vão sentir arrepiados. É uma coisa mesmo assustadora.
Tenho andado a ler o meu livro de história da Polónia muito devagarinho, ainda sei pouca coisa. O que sei tenho-o ouvido da boca das pessoas, sobretudo pequenos testemunhos de pessoas mais velhas, seja do tempo da guerra, seja do tempo do comunismo. Coisas realmente impressionantes, que são apenas uma gotinha de água de um grande oceano. Nós de facto não temos noção de muitas coisas. Podemos dizer que fomos muito privilegiados. Apesar de haver queixas "ah, e tal, o Estado Novo, etc", nada se compara ao que os polacos tiveram de apanhar com o comunismo. De maneira nenhuma. Nem eu consigo imaginar o que seria viver com senhas de racionamento, com filas de horas para conseguir comprar alguma coisa, com lojas sem nada nas prateleiras, com manifestações obrigatórias no 1º de Maio (ai de quem não fosse!...), com um grande controle de todas as actividades, com represálias para quem tivesse bons cargos no trabalho e não pertencesse ao partido, etc, etc. Enfim, nem eu sei da missa a metade. Mas do pouco que vou ouvindo, sinceramente dou muitas graças a Deus por ter nascido e vivido em Portugal. Por outro lado, tudo isto deu aos polacos um espírito de entreajuda muito grande. Isso vê-se no dia-a-dia, nas situações mais comuns, como nos transportes, toda a gente oferece o lugar aos mais velhos, às grávidas, a alguém que esteja com uma criança; ou mesmo em casa de alguém, querem sempre oferecer-nos o melhor. São muito simples e muito acolhedores. Em geral as pessoas estão sempre dispostas a ajudar. Quem diz estas situações diz muitas outras. Mas de facto isto é algo que eu nunca vi muito nos portugueses (apesar dos portugueses serem muito hospitaleiros, os polacos conseguem sê-lo de uma forma mais natural, sem querer "mostrar" que são bons acolhedores e que fazem coisas boas para nós; é algo que lhes sai com muita naturalidade). Se calhar porque os polacos têm menos preconceitos e respeitos humanos (bem, pelo menos por enquanto). Mas que ninguém tenha dúvidas, sou 100% portuguesa e gosto muito dos portugueses!
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Sabem o que significa?
Já aqui falei de palavras polacas que são parecidas a palavras portuguesas.
Agora queria mostrar algumas palavras estrangeiras que foram alteradas de acordo com a fonética polaca.
Vamos ver quem adivinha o significado de cada uma (não são muito difíceis, mas é preciso conhcer alguma fonética polaca):
Biznesmen
Szekspir
Czajkowski
Abażur
Skaner
Makijaż
Koniak
Czat
Dżem
Biżuteria
Ajuda: o ż pronuncia-se como o nosso j; sz pronuncia-se ch; cz pronuncia-se tch; ni pronuncia-se nh. O resto é mesmo como se lê.
Agora queria mostrar algumas palavras estrangeiras que foram alteradas de acordo com a fonética polaca.
Vamos ver quem adivinha o significado de cada uma (não são muito difíceis, mas é preciso conhcer alguma fonética polaca):
Biznesmen
Szekspir
Czajkowski
Abażur
Skaner
Makijaż
Koniak
Czat
Dżem
Biżuteria
Ajuda: o ż pronuncia-se como o nosso j; sz pronuncia-se ch; cz pronuncia-se tch; ni pronuncia-se nh. O resto é mesmo como se lê.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Retratos de Poznań
Há umas semanas passei um sábado em Poznań. É uma cidade que fica a uns 300km de Varsóvia, na região da Wielkopolska, traduzida literalmente por Grande Polónia. A viagem para lá é a maior seca que existe, porque há só um bocado de auto-estrada, depois o resto são estradecas que não têm muito a ver com aquelas estradas nacionais que já aqui falei. Chegámos a andar sei lá quantos quilómetros em rectas estreitinhas sem nada de um lado e do outro. E a auto-estrada... Óptima, mas uma roubalheira. Pagámos 22zl de cada vez que lá andámos, o que corresponde mais ou menos a uns 5/6 euros.
Poznań não pode ser comparada a Varsóvia no sentido em que não foi tão destruída durante a guerra. Aliás, penso que nenhuma outra cidade foi tão destruida como Varsóvia. Então, em Poznań há muitas casas antigas e coisas com piada. Infelizmente, em Varsóvia a maioria das coisas antigas são reconstruções. Em Poznań não. Claro que há coisas restauradas, mas a maioria vê-se que é mesmo antiga.
Os habitantes de Poznań têm uma espécie de aversão aos de Varsóvia. São rivalidades futebolísticas, mas não só. Mas, claro, no fundo são todos muito amiguinhos ;).
Aqui vão algumas fotos da viagem:

As longas estradas secundárias por onde andámos a fugir ao trânsito.

Uma cidade onde chocam o estilo antigo com o mau gosto dos anos do comunismo.

A catedral de Poznań.

O altar da catedral é muito bonito. Aliás, toda ela por dentro é muito bonita. Infelizmente quase que correram connosco lá de dentro porque queriam fechar, então não deu para ver muito. Aqui estão sepultados os primeiros reis polacos.

Pormenor do altar mor. Gostei imenso deste tríptico ou escultura, ou lá o que é. São só mulheres.

Uma casa antiga algures lá no meio da cidade.

A Câmara Municipal. Um edifício espetacular situado no centro da praça central da cidade. Há uma hora qualquer todos os dias (talvez o meio-dia, já não me lembro) em que as pessoas se concentram aqui a olhar para o relógio da CM porque a essa hora abre-se uma portinha e sai um animal qualquer (tipo relógio de cucu, mas em tamanho grande e só uma vez por dia). Não foi à hora a que eu lá estive.

Vista da praça central da cidade. Neste dia havia uma festa dedicada às crianças, com representações de índios e cowboys. Aproveito para dizer que os polacos adoram festas e nesta altura do ano é vê-las por toda a parte. Sobretudo aquilo a que eles chamam "piknik". Há imensos piknik temáticos, que se fazem em grandes espaços abertos (parques, praças, etc), onde há música, comes e bebes, barraquinhas com artesanato e outras coisas do estilo, etc. Os temáticos que eu já vi foram: piknik da matemática, piknik mães e filhos, piknik cultural, piknik com espetáculo de aviões e mais outros quaisquer que não me lembro.

Os polacos também gostam de bola. Neste dia havia jogos das selecções. Já não me lembro contra quem jogou a Polónia nem Portugal (seria com a Bélgica?). Cada vez que havia um golo, era ouvir a praça toda aos berros. Cada esplanada tinha a sua televisão e estavam todos colados a ver o jogo. A Polónia ganhou o jogo e Portugal também.
Poznań não pode ser comparada a Varsóvia no sentido em que não foi tão destruída durante a guerra. Aliás, penso que nenhuma outra cidade foi tão destruida como Varsóvia. Então, em Poznań há muitas casas antigas e coisas com piada. Infelizmente, em Varsóvia a maioria das coisas antigas são reconstruções. Em Poznań não. Claro que há coisas restauradas, mas a maioria vê-se que é mesmo antiga.
Os habitantes de Poznań têm uma espécie de aversão aos de Varsóvia. São rivalidades futebolísticas, mas não só. Mas, claro, no fundo são todos muito amiguinhos ;).
Aqui vão algumas fotos da viagem:
As longas estradas secundárias por onde andámos a fugir ao trânsito.
Uma cidade onde chocam o estilo antigo com o mau gosto dos anos do comunismo.
A catedral de Poznań.
O altar da catedral é muito bonito. Aliás, toda ela por dentro é muito bonita. Infelizmente quase que correram connosco lá de dentro porque queriam fechar, então não deu para ver muito. Aqui estão sepultados os primeiros reis polacos.
Pormenor do altar mor. Gostei imenso deste tríptico ou escultura, ou lá o que é. São só mulheres.
Uma casa antiga algures lá no meio da cidade.
A Câmara Municipal. Um edifício espetacular situado no centro da praça central da cidade. Há uma hora qualquer todos os dias (talvez o meio-dia, já não me lembro) em que as pessoas se concentram aqui a olhar para o relógio da CM porque a essa hora abre-se uma portinha e sai um animal qualquer (tipo relógio de cucu, mas em tamanho grande e só uma vez por dia). Não foi à hora a que eu lá estive.
Vista da praça central da cidade. Neste dia havia uma festa dedicada às crianças, com representações de índios e cowboys. Aproveito para dizer que os polacos adoram festas e nesta altura do ano é vê-las por toda a parte. Sobretudo aquilo a que eles chamam "piknik". Há imensos piknik temáticos, que se fazem em grandes espaços abertos (parques, praças, etc), onde há música, comes e bebes, barraquinhas com artesanato e outras coisas do estilo, etc. Os temáticos que eu já vi foram: piknik da matemática, piknik mães e filhos, piknik cultural, piknik com espetáculo de aviões e mais outros quaisquer que não me lembro.
Os polacos também gostam de bola. Neste dia havia jogos das selecções. Já não me lembro contra quem jogou a Polónia nem Portugal (seria com a Bélgica?). Cada vez que havia um golo, era ouvir a praça toda aos berros. Cada esplanada tinha a sua televisão e estavam todos colados a ver o jogo. A Polónia ganhou o jogo e Portugal também.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Coisas...
...que há em Portugal e bem poderiam existir na Polónia:
- Cerelac (claro);
- Clusters de amêndoa;
- Variedade de sumos de frutas;
- Rede de telemóvel no metro;
- Praias a menos de 300km;
- Multibancos sem taxas e com muitas opções;
- Água potável nas torneiras;
- Auto-estradas;
- Restaurantes onde se possa comer depois das 22h;
- A família e os amigos.
Coisas que há na Polónia e bem poderiam existir em Portugal:
- Chocolates Prince Polo;
- Pączki;
- Aquecimento central;
- Bancos abertos até às 19h;
- Transportes públicos a funcionar relativamente bem;
- Muitos padres, a maioria jovens;
- Estradas nacionais bem arranjadas;
- Parques e mais parques, e mais parques;
- A nova família e os novos amigos.
(lista a ser continuada nos próximos tempos...)
- Cerelac (claro);
- Clusters de amêndoa;
- Variedade de sumos de frutas;
- Rede de telemóvel no metro;
- Praias a menos de 300km;
- Multibancos sem taxas e com muitas opções;
- Água potável nas torneiras;
- Auto-estradas;
- Restaurantes onde se possa comer depois das 22h;
- A família e os amigos.
Coisas que há na Polónia e bem poderiam existir em Portugal:
- Chocolates Prince Polo;
- Pączki;
- Aquecimento central;
- Bancos abertos até às 19h;
- Transportes públicos a funcionar relativamente bem;
- Muitos padres, a maioria jovens;
- Estradas nacionais bem arranjadas;
- Parques e mais parques, e mais parques;
- A nova família e os novos amigos.
(lista a ser continuada nos próximos tempos...)
segunda-feira, 11 de junho de 2007
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Breves notas publicitárias
Depois de um breve fim-de-semana em Roma (do qual falarei assim que tiver comigo as fotos), seguem-se duas breves notas sobre marcas na Polónia.
- Os chocolates da marca Ferrero - Mon Chéri, Ferrero Rocher, etc - vendem-se durante todo o ano. Aqui não há aqueles anúncios mais velhos que a sé de Braga a dizer que agora já não se encontram à venda estes chocolates, porque o calor poderia alterá-los. Aqui, o calor fica a alterá-los durante o tempo quente (que já começou, apesar de hoje ter refrescado um pouco, graças a Deus).
- Mal c
heguei, reparei logo que a marca Organics aqui chama-se Sunsilk (à semelhança de outros países da Europa). Mas para além disso noutro dia fiquei surpr
eendida ao ver um cartaz enorme à entrada de um hipermercado com um cachorrinho à la Scottex a publicitar uma marca de papel higiénico! O logo da marca não é igual à Scottex, mas o animalzinho sim. Porque será que duas empresas da mesma área resolvem recorrer a cachorrinhos para publicitar os seus produtos? Até porque nunca vi nenhum cão a usar papel higiénico, nem lenços, nem nada (bem que os donos poderiam aprender a limpar as porcarias deles do meio da rua, mas... isso é outra história que desenvolverei quando falar de Roma... infelizmente).
- Os chocolates da marca Ferrero - Mon Chéri, Ferrero Rocher, etc - vendem-se durante todo o ano. Aqui não há aqueles anúncios mais velhos que a sé de Braga a dizer que agora já não se encontram à venda estes chocolates, porque o calor poderia alterá-los. Aqui, o calor fica a alterá-los durante o tempo quente (que já começou, apesar de hoje ter refrescado um pouco, graças a Deus).
- Mal c
heguei, reparei logo que a marca Organics aqui chama-se Sunsilk (à semelhança de outros países da Europa). Mas para além disso noutro dia fiquei surpr
eendida ao ver um cartaz enorme à entrada de um hipermercado com um cachorrinho à la Scottex a publicitar uma marca de papel higiénico! O logo da marca não é igual à Scottex, mas o animalzinho sim. Porque será que duas empresas da mesma área resolvem recorrer a cachorrinhos para publicitar os seus produtos? Até porque nunca vi nenhum cão a usar papel higiénico, nem lenços, nem nada (bem que os donos poderiam aprender a limpar as porcarias deles do meio da rua, mas... isso é outra história que desenvolverei quando falar de Roma... infelizmente).
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Wilanów
Mudando de tema, este fim de semana estivemos numas termas a sul de Varsóvia. Um sítio muito intere
Entretanto, um pormenor engraçado. Ultimamente tem-me acontecido ir na rua e de repente ver alguém que me parece conhecido - alguém português, entenda-se. Só ao fim de uns segudos os meus neurónios se decidem lembrar que estou em Varsóvia e a probabilidade de ver essas pessoas no meio da rua nos sítios por onde pass
Por último, deixo aqui esta foto de um leão tirada também em Wilanów (esqueci-me de dizer que nenhuma das fotos foi tirada por mim, são todas da autoria do Jarek). Uma saudação ao grande Sporting, que afinal lá se safou bem melhor do que eu pensava. Confesso que no princípio da época pensei que este ano o Sporting não ia chegar a lado nenhum. Afinal, esteve bem perto de conseguir o título. Não conseguiu, mas conseguiu o 2º lugar que também é muito bom, conseguiu boas classificações e conseguiu entrada directa na Champions. Viva nós!!
terça-feira, 15 de maio de 2007
Retratos de Varsóvia e arredores
Na semana dos feriados tinha pensado ir até Cracóvia, mas acabei por mudar de ideias. Guardo essa viagem para depois. No dia 3 de Maio, como penso que já disse, é feriado por dois motivos
ver bandeirinhas por tudo quando é sítio. Mas atenção, nada de bandeirinhas penduradas nas janelas de casa ou do carro, como muito gostam os bons portugueses. Aqui são bandeiras mesmo a sério. Praticamente todas as casas, estabelecimentos, estações de metro, etc têm o seu sítio especial para colocar bandeiras. Não havia sítio que não tivesse bandeira à mostra! Muito patriótas, estes polacos. Acabei por ir passar esse dia a Częstochowa, cidade polaca situada a uns 200km de Varsóvia e que desempenha um papel muito importante na história aqui da zona. Gostava de contar aqui a história, mas não sei ao certo. Sei episódios soltos, mas nada suficientemente bem estudado para poder contar. Durante a viagem pude ir apreciando as estradas polacas. Aqui há muito poucas auto-estradas, como é normal nós fomos numa estrada nacional. Agodiferentes: é a festa da constituição (para quem não sabe, a constituição polaca foi a primeira a ser redigida em toda a Europa) e ao mesmo tempo a festa de Nossa Senhora Rainha da Polónia. Neste dia e nos dias antecedentes e seguintes éra, para quem começou a pensar na antiga estrada nacional de ligava Lisboa ao Porto antes de haver a A1, ou até na que vai para o Algarve e onde esturricávamos durante a viagem, desenganem-se. Estas estradas nacionais de que falo não têm nada a ver. Claro que também há de tudo, mas esta em que fui, que liga Varsóvia a Wrocław (antiga Breslau), tem duas faixas para cada lado, piso óptimo, praticamente sempre recta, sem altos e baixos (lá está, é o que dá estar na maior planície da Europa). O único senão é que, como não é auto-estrada, não está fechada, então v
olta e meia aparecem uns cruzamentos. E pensam vocês: bem, grandas malucos! Isso é perigosíssimo! E respondo eu: é, pois! Mas se a pessoa for sem atenção. Antes de qualquer cruzamento aparecem sinais a avisar para reduzir a velocidade máxima para 70km/h. Parece ridículo, mas não é e resulta melhor do que eu pensava. Ao princípio achei uma seca de viagem se tivesse de ser sempre assim, mas até nem é. E volta e meia lá estão alguns polícias escondidos a apanhar os mais distraídos. Em alguns cruzamentos até há semáforos. Tem piada. Se formos minimamente dentro destas regras conseguimos fazer bem a viagem. Nós fizemos um tempo óptimo. No regresso vimos em sentido contrário um acidente brutal, precisamente num desses cruzamentos. Há sempre uns chicos-espertos que acham que não vale a pena travar um bocadinho durante uns 2 minutos e depois tramam-se. Enfim...
Foi uma viagem mais ou menos relâmpago, porque tínhamos de estar em Varsóvia à hora do jantar. No dia seguinte fomos a uma pequena vila a sul de Varsóvia onde h
Neste dia encontrámos também uma mini praia fluvial. Estava imenso calor, mas a água do rio não parecia assim muito limpa e a areia também deixava um bocadinho a desejar. Durante qualquer uma das viagens estiveram dias lindos e deu para apreciar bem a paisagem. É giríssimo ir no carro e, naqueles sítios onde não há vilas, olhar para todos os lados e ver tudo super plano, nada de montesinhos nem nada que se pareça. É engraçadíssimo.
Ontem aqui já esteve finalmente um dia de
Para já não tenho mais fotos interessantes, este fim de semana foi passado grande parte em lojas de móveis, o que significa uma seca desgraçada. No Domingo estive nos jardins do palácio de Wilanów (já pus aqui uma vês fotos deste palácio). Há fotos, mas eu ainda não as tenho.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
A minha primeira trovoada em Varsóvia!
Só é pena ser em Maio... Aliás, este mês está a ter alguns dias parecidos com o Setembro de que me lembro em Portugal. Sobretudo os dias de Setembro no Carregal. Esta semana já apanhei pequenas molhas. O pior é quando se anda em alguns passeios... Por causa das temperaturas frias no Inverno e das águas que congelam, as estradas aqui não têm um bom sistema de escoamento das águas. Naqueles dias em que a temperatura oscila perto dos 0ºC acontece que quando chove a água vai para as sarjetas, depois a temperatura desce à noite e congela, depois de dia derrete outra vez, e assim sucessivamente várias vezes. Ora, eu não sou engenheira (podia ser, se tivesse ido algun dia à UNI...hehehe) mas ao que parece estas brincadeiras dão cabo das canalizações. Então é ver os rios que se vão formando em alguns sítios. Esta semana ia apanhando um duche numa rua que ia sendo obra! Felizmente escapei a tempo e corri para outro lado.
Mas falando a sério, têm estado alguns dias em que fico super nostálgica porque parecem o Outono ou Inverno em Portugal. Gosto imenso. Claro que também gostava que estivesse calor, mas também não está um frio geladérrimo. (Agora uma pausa para respirar fundo... está mesmo uma trovoada brutal!!!)
Quando aos meus passeios, oh, não foram assim tão grandes. Estou prestes a colocar aqui algumas fotos, mas ainda não vai ser agora. Tive sorte porque nesses dias estava um tempo óptimo. Este fim de semana é que pelos vistos não augura nada de bom. Vou tentar deixar aqui fotos nos próximos dias. Mi aguardem!
Mas falando a sério, têm estado alguns dias em que fico super nostálgica porque parecem o Outono ou Inverno em Portugal. Gosto imenso. Claro que também gostava que estivesse calor, mas também não está um frio geladérrimo. (Agora uma pausa para respirar fundo... está mesmo uma trovoada brutal!!!)
Quando aos meus passeios, oh, não foram assim tão grandes. Estou prestes a colocar aqui algumas fotos, mas ainda não vai ser agora. Tive sorte porque nesses dias estava um tempo óptimo. Este fim de semana é que pelos vistos não augura nada de bom. Vou tentar deixar aqui fotos nos próximos dias. Mi aguardem!
domingo, 6 de maio de 2007
With love from Lisbon
Tenho-me esquecido de contar que quando cheguei agora a Varsóvia deparei-me com algo bastante curioso. Certo dia, ia eu no carro quando olhei para o lado e leio a seguinte frase: "With love from Lisbon". Qual não foi o meu espanto, ao ver-me assim recebida! Só quando vi o segundo cartaz percebi do que se tratava. A nova campanha da marca polaca Reserved, para a nova colecção, foi feita em Lisboa. Se clicarem aqui poderão ver alguns dos spots televisivos deles, filmados em Portugal. Aliás, mesmo que não vejam os anúncios, quando entram no site são logo acolhidos pela frase "With love from Lisbon". O que tem piada é a quantidade de outdoors e outros cartazes gigantões que eles têm espalhados pela cidade. É Lisboa a mandar amor para toda a gente! Gostei.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Está tudo verde Sporting
Este fim de semana tive a visita do meu pai. Foi mais ou menos uma visita relâmpago, mas ainda deu para apanhar umas temperaturas fantásticas de uns 25ºC, mas também uns ventos primaveris um pouco desagradáveis. Fomos
visitar alguns sítios interessantes onde se via bem que a Primavera já chegou a Varsóvia. Está tudo muito verdinho e bonito, por toda a parte onde se anda encontram-se flores e mais flores, sejam em canteiros ou em bancas de vendedores de rua.
Lá fui eu na 6ª feira de carrito buscá-lo ao aeroporto. Claro que na véspera à noite tive de treinar o percurso para não me enganar. Correu tudo bem e o regresso também, sem problemas. Estava imenso calor nesse dia. No sábado almoçámos numa esplanada a desfrutar do bom tempo (que depois ao fim da tarde começou a virar). Depois estivemos no Las Kabacki, uma reserva natural na parte sul de Varsóvia. Passámos num sítio onde há uns dez anos houve um acidente de avião e onde há um pequeno memorial. É curioso ver que nessa zona as árvores são muito mais fininhas do que em todo o resto do bosque. Isto porque quando o avião caiu arrasou com aquela zona. Parece que quando o piloto viu que não tinha hipótese, desviou o avião
para ali, para não cair no meio da cidade.
Continuando no capítulo das desgraças, visitámos também a Cytadela, uma grande fortaleza construida pelo czar da Rússia no século XIX, quando os russos dominavam a Polónia. Era uma espécie de prisão onde eram executados todos aqueles que se opunham ao regime. Actualmente grande parte da Cytadela pertence ao exército e está fechada ao público. Só se pode visitar uma parte, que tem um pequeno museu (que já estava fechado quando lá fomos). Curiosamente esta zona não foi muito destruída durante a IIª Guerra Mundial. É uma área bastante grande, algumas zonas já estão muito degradadas, outras foram destruidas por motivos vários.
O que tem piada nesta época do ano é que de facto toda a gente quer aproveitar o bom tempo. No fim de semana, é ver centenas de pessoas a passear de bicicleta, de patins ou mesmo a pé, nas ruas, nos parques, etc. No domingo, já depois
da partida do meu pai, ainda aproveitei para ir apanhar algum solzinho numa parte do Las Kabacki que está arranjada para as pessoas poderem ir lá jogar ténis, ping-pong, xadrez, cartas, nadar na piscina (só no verão), as crianças brincar num parque infantil, fazer churrascos, piqueniques, fogueiras, etc, etc. É engraçada, esta zona. Ao princípio estranhei estarem tantas pessoas com fogueiras acesas, a assar salsichas e outras coisas que eu sei lá, e ninguém pegar fogo ao bosque. Mas depois reparei que há uns polícias permanentemente a fazer uma ronda e a prevenir estas coisas. É um sítio muito agradável, como a maioria dos parques aqui.
Esta semana na Polónia é o equivalente aos nossos feriados de Junho (isto mais para os lisboetas que para o resto do país). Dia 1, como em toda a Europa (acho), é feriado e dia 3 também. Ou seja, é uma semana em que dá para se tirar umas boas férias. Eu, como estou permanentemente de férias (isto é um bocado relativo, mas por agora pode ser chamado assim), não sinto tanta diferença. Ainda não sei se vou passear a algum lado especial. Depois conto se for.
Esta semana na Polónia é o equivalente aos nossos feriados de Junho (isto mais para os lisboetas que para o resto do país). Dia 1, como em toda a Europa (acho), é feriado e dia 3 também. Ou seja, é uma semana em que dá para se tirar umas boas férias. Eu, como estou permanentemente de férias (isto é um bocado relativo, mas por agora pode ser chamado assim), não sinto tanta diferença. Ainda não sei se vou passear a algum lado especial. Depois conto se for.
terça-feira, 24 de abril de 2007
Trimestre novo, turma nova
De volta a Varsóvia, retomam-se algumas rotinas. Hoje lá voltei às aulas de polaco na universidade, à mesma hora brutal do trimestre anterior. Pus o despertador para as 6h30 porque ainda tinha de ir comprar o passe (sim, aqui é possível comprar o passe antes das 8h da manhã) e de pagar o novo trimestre do curso de polaco. Só que às 5h45 já estava a acordar... É verdade que o Inverno aqui é uma seca porque os dias são minúsculos, mas deixem-me dizer que esta época do ano é uma seca pelo contrário!!! Desde que regressei que quase todos os dias acordo a horas tipo esta a achar que já são umas 9h ou algo por aí. O mal dos polacos é não terem cortinas de jeito nas janelas, nem estores. O sol agora nasce por volta das 5h20, então a luz começa a aparecer cedíssimo!
Lá me levantei um pouco mais tarde (se é que isso é possível) e parti em busca do passe. Não foi fácil comprá-lo, tive de andar de Herodes para Pilatos durante um bocado até que consegui. Quando cheguei ao Polonicum reencontrei o professor e o colega alemão. Mais tarde na aula apareceram também os coreanos meio-estranhos que nunca ninguém percebe muito bem. De resto, a turma era toda nova. Há dois brasileiros, uma filipina, um dinamarquês e uma ucraniana. Já me tinha esquecido como tem piada ouvir os diferentes sotaques a pronunciar o polaco. Quem mais me surpreendeu foi o dinamarquês (nunca tinha conhecido ninguém daquela zona, nem sei bem como soa a língua deles) e a ucraniana. Ele tinha alguma dificuldade com certos sons (bem... toda a gente tem dificuldade com os sons polacos!!), mas era muito engraçado sentir o sotaque dinamarquês. E a ucraniana... é totalmente como nós costumamos gozar com a língua russa! Indescritível. Uma forma um bocado fechada de falar, muito característica. Fico baralhada é quando o professor lhe explica alguma coisa e fala em russo... Aconteceu várias vezes não saber ao certo que língua é que eles estavam a falar, porque umas vezes era polaco, outras russo. Ficava sem saber se era normal eu não estar a perceber ou nem por isso. Quero ver se vou investigar melhor estas duas línguas, dinamarquês e russo, que parecem ter alguma piada. Mas parece que o russo é mais difícil que o polaco... nunca pensei que isso fosse possível!
Lá me levantei um pouco mais tarde (se é que isso é possível) e parti em busca do passe. Não foi fácil comprá-lo, tive de andar de Herodes para Pilatos durante um bocado até que consegui. Quando cheguei ao Polonicum reencontrei o professor e o colega alemão. Mais tarde na aula apareceram também os coreanos meio-estranhos que nunca ninguém percebe muito bem. De resto, a turma era toda nova. Há dois brasileiros, uma filipina, um dinamarquês e uma ucraniana. Já me tinha esquecido como tem piada ouvir os diferentes sotaques a pronunciar o polaco. Quem mais me surpreendeu foi o dinamarquês (nunca tinha conhecido ninguém daquela zona, nem sei bem como soa a língua deles) e a ucraniana. Ele tinha alguma dificuldade com certos sons (bem... toda a gente tem dificuldade com os sons polacos!!), mas era muito engraçado sentir o sotaque dinamarquês. E a ucraniana... é totalmente como nós costumamos gozar com a língua russa! Indescritível. Uma forma um bocado fechada de falar, muito característica. Fico baralhada é quando o professor lhe explica alguma coisa e fala em russo... Aconteceu várias vezes não saber ao certo que língua é que eles estavam a falar, porque umas vezes era polaco, outras russo. Ficava sem saber se era normal eu não estar a perceber ou nem por isso. Quero ver se vou investigar melhor estas duas línguas, dinamarquês e russo, que parecem ter alguma piada. Mas parece que o russo é mais difícil que o polaco... nunca pensei que isso fosse possível!
segunda-feira, 23 de abril de 2007
De um Euro para outro Euro
Cheguei a Varsóvia no rescaldo da vitória da candidatura da Polónia e da Ucrânia para a organização do Euro 2012. Depois do Euro 2004 só me faltava agora apanhar o Euro 2012 na Polónia! Para já, vão ser estádios novos, novas auto-estradas, aumento da linha do metro, entre outras tantas coisas que irão ser melhoradas. Isto significa que a Polónia agora está em grande! Para já, já comecei a receber pedidos de alojamento naquela que será também minha casa. Daqui a uns dias vou abrir a lista de espera para as desistências que poderão haver até lá. Quem se quiser inscrever, é só dizer!domingo, 22 de abril de 2007
Estou de volta
Já percebi que deve haver uma lei de Murphy qualquer que diz que sempre que eu quero escrever aqui, surge um obstáculo qualquer. Agora vou aproveitar apenas uns minutinhos para dizer qualquer coisa...
Cheguei a Varsóvia!!! Ok, não foi hoje, mas sim há uns 4 dias... Tive sorte que os voos sairam todos à hora. Tinha apenas uma hora de intervalo entre os voos e consegui fazer tudo nas calmas. Em Zurique, ainda dentro do avião apareceu num ecrãzinho o número das portas de embarque de todos os voos de ligação e um mapa do aeroporto. Quando aterrámos comecei a olhar para o aeroporto e reparei que o meu terminal aparecia completamente isolado no meio das pistas. Achei aquilo muito estranho e pensei que se calhar não era aquele e havia um engano qualquer. Afinal era mesmo aquele e de facto não tem nenhum acesso à superfície; só se consegue chegar lá através de um comboiozito subterrâneo (não sei porquê não gosto de lhe chamar metro... acho que não tem cara disso!), comboio este que demora um minuto a fazer o trajecto, mas que tem como banda sonora sons típicos das montanhas suíças, desde os instrumentos tradicionais, aos diferentes animais, etc. A certa altura nas paredes do tunel aparecem várias imagens das montanhas, de forma a que o comboio quando passe na sua velocidade normal as imagens pareçam estar em movimento. Em suma: uma cromice desmedida!! No fim disto descobri que este supostamente era o terminal dos voos intercontinentais... Qualquer dia hei-de ter uma conversa séria com os suíços sobre a Polónia.
Cheguei a Varsóvia às 19h30 e... ainda era dia!!! Estava um pôr do sol com umas cores indescritíveis, absolutamente lindíssimas, uma mistura de vermelho e laranja espetacular. Só foi pena o cenário ser o aeroporto. Dentro do aeroporto pela primeira vez ninguém comentou o meu passaporte. Senti-me muito desconsiderada! Normalmente comentam que é muito giro, ou que é novo, ou outra coisa qualquer que inventam na hora. Mas desta vez nada. Já se devem ter habituado.
De resto, por aqui está tudo bem. A Primavera já chegou em força à Polónia, a cidade está toda bem verdinha e toda florida. Já tirei algumas fotos, mas isso mostro depois, num post adequado.
Cheguei a Varsóvia!!! Ok, não foi hoje, mas sim há uns 4 dias... Tive sorte que os voos sairam todos à hora. Tinha apenas uma hora de intervalo entre os voos e consegui fazer tudo nas calmas. Em Zurique, ainda dentro do avião apareceu num ecrãzinho o número das portas de embarque de todos os voos de ligação e um mapa do aeroporto. Quando aterrámos comecei a olhar para o aeroporto e reparei que o meu terminal aparecia completamente isolado no meio das pistas. Achei aquilo muito estranho e pensei que se calhar não era aquele e havia um engano qualquer. Afinal era mesmo aquele e de facto não tem nenhum acesso à superfície; só se consegue chegar lá através de um comboiozito subterrâneo (não sei porquê não gosto de lhe chamar metro... acho que não tem cara disso!), comboio este que demora um minuto a fazer o trajecto, mas que tem como banda sonora sons típicos das montanhas suíças, desde os instrumentos tradicionais, aos diferentes animais, etc. A certa altura nas paredes do tunel aparecem várias imagens das montanhas, de forma a que o comboio quando passe na sua velocidade normal as imagens pareçam estar em movimento. Em suma: uma cromice desmedida!! No fim disto descobri que este supostamente era o terminal dos voos intercontinentais... Qualquer dia hei-de ter uma conversa séria com os suíços sobre a Polónia.
Cheguei a Varsóvia às 19h30 e... ainda era dia!!! Estava um pôr do sol com umas cores indescritíveis, absolutamente lindíssimas, uma mistura de vermelho e laranja espetacular. Só foi pena o cenário ser o aeroporto. Dentro do aeroporto pela primeira vez ninguém comentou o meu passaporte. Senti-me muito desconsiderada! Normalmente comentam que é muito giro, ou que é novo, ou outra coisa qualquer que inventam na hora. Mas desta vez nada. Já se devem ter habituado.
De resto, por aqui está tudo bem. A Primavera já chegou em força à Polónia, a cidade está toda bem verdinha e toda florida. Já tirei algumas fotos, mas isso mostro depois, num post adequado.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
A Páscoa na Polónia
Na semana passada estive num encontro no museu etnográfico feito para estudantes do Polonicum sobre a Páscoa na Polónia. A minha turma baldou-se toda, só fui eu. Os outros estrangeiros eram todos tipicamente erasmus, com o seu estilinho inconfundível. Três senhoras vestidas com trajes típicos de diferentes regiões polacas falaram sobre as tradições da Páscoa, traduzidas para inglês por uma senhora que falava aos berros ao microfone, com sotaque à "Allo Allo" (o sotaque inglês preferido dos polacos) e carregava cada palavra com imensa força. No fim, acabou por nos desejar um feliz Natal...
No fim, tínhamos uma mesa c
heia de bolos típicos à nossa disposição e duas senhoras a ensinar técnicas de decorar ovos. Eu estive a decorar com papel colorido e uma cola artesanal. Claro que foi com grande ajuda da senhora, porque eu para trabalhos manuais sou um desastre. A outra técnica, que era com cera e tintas, eu já conhecia. Estive um dia em casa da Júlia com umas amigas dela a pintar ovos com cera. Ficam muito engraçados. Estes ovos podem ser cozidos e depois comem-se no Domingo de Páscoa, ou então furam-se e limpam-se por dentro. De qualquer maneira são muito frágeis.
Os ovos decorados são algo tipicamente desta época na Polónia. Por toda a parte podemos comprá-los - a maioria artificiais, acho. As técnicas mais comuns, pelo que me disseram, são a de pintar com cera ou então de cozer os ovos com cascas de cebola (para ficarem acastanhados) e depois com um objecto afiado ir lascando bocadinhos da casca e fazer um desenho. Esta nunca tentei, mas as outras duas têm imensa piada.
Outra tradição daqui são as palmas que se usam no Domingo de Ramos. Como aqui não há palmeiras (bem... havia uma artificial horrorosa numa rotunda, mas acho que já se desfez), eles criaram estas palmas, como lhes chamam. São feitas com flores secas e podem ter todos os tamanhos. Em algumas regiões fazem uma espécie de concursos de palmas, a ver quem faz a maior.
Há ainda uma outra tradição, que eu acho completamente absurda e felizmente não vou estar cá nessa altura. Na segunda-feira a seguir à Páscoa é normal as pessoas atirarem água umas às outras. Mas não são uns pequenos salpicos, são mesmo baldes de água! Brincadeirinhas parvas...
O que mais achei piada daquele encontro para erasmus (no fundo era isso) foi de a Páscoa ser sempre referida como uma festa de tradição. As pessoas vão à igreja por tradição, basicamente foi o que disseram. Ou seja, o significado da Páscoa, na prática, são uns ovinhos, umas palmas, uns doces. Claro que se alguém decidir ir mais além e analisar cada um destes simbolos, por mais tradicionais que sejam, vai perceber realmente de que se trata a Páscoa. Caso contrário, e segundo aquilo que me pareceu ouvir no museu, a Páscoa é apenas mais um motivo para as pessoas se reunirem e comerem bem. Ao que nós já chegámos!
No fim, tínhamos uma mesa c
heia de bolos típicos à nossa disposição e duas senhoras a ensinar técnicas de decorar ovos. Eu estive a decorar com papel colorido e uma cola artesanal. Claro que foi com grande ajuda da senhora, porque eu para trabalhos manuais sou um desastre. A outra técnica, que era com cera e tintas, eu já conhecia. Estive um dia em casa da Júlia com umas amigas dela a pintar ovos com cera. Ficam muito engraçados. Estes ovos podem ser cozidos e depois comem-se no Domingo de Páscoa, ou então furam-se e limpam-se por dentro. De qualquer maneira são muito frágeis.
Os ovos decorados são algo tipicamente desta época na Polónia. Por toda a parte podemos comprá-los - a maioria artificiais, acho. As técnicas mais comuns, pelo que me disseram, são a de pintar com cera ou então de cozer os ovos com cascas de cebola (para ficarem acastanhados) e depois com um objecto afiado ir lascando bocadinhos da casca e fazer um desenho. Esta nunca tentei, mas as outras duas têm imensa piada.
Outra tradição daqui são as palmas que se usam no Domingo de Ramos. Como aqui não há palmeiras (bem... havia uma artificial horrorosa numa rotunda, mas acho que já se desfez), eles criaram estas palmas, como lhes chamam. São feitas com flores secas e podem ter todos os tamanhos. Em algumas regiões fazem uma espécie de concursos de palmas, a ver quem faz a maior.
Há ainda uma outra tradição, que eu acho completamente absurda e felizmente não vou estar cá nessa altura. Na segunda-feira a seguir à Páscoa é normal as pessoas atirarem água umas às outras. Mas não são uns pequenos salpicos, são mesmo baldes de água! Brincadeirinhas parvas...
O que mais achei piada daquele encontro para erasmus (no fundo era isso) foi de a Páscoa ser sempre referida como uma festa de tradição. As pessoas vão à igreja por tradição, basicamente foi o que disseram. Ou seja, o significado da Páscoa, na prática, são uns ovinhos, umas palmas, uns doces. Claro que se alguém decidir ir mais além e analisar cada um destes simbolos, por mais tradicionais que sejam, vai perceber realmente de que se trata a Páscoa. Caso contrário, e segundo aquilo que me pareceu ouvir no museu, a Páscoa é apenas mais um motivo para as pessoas se reunirem e comerem bem. Ao que nós já chegámos!
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