quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Fernão Lopes
Acho que ainda não contei aqui que o Stas tem um primo que estuda história e nos últimos tempos se tem interessado pela história de Portugal. Não sei ao certo se terá alguma cadeira só sobre história de Portugal, mas penso que sim. Noutro dia encontrou num alfarrabista uma versão polaca das Crónicas do Fernão Lopes. E, para minha surpresa, leu aquilo tudo de fio a pavio e gostou! Lembro-me de estudar estas crónicas no liceu e achar uma seca... Se calhar por na altura ser adolescente e ter de estudá-las nas aulas de língua portuguesa e não de história. Achei mesmo surpreendente ele ter gostado do livro. É sempre giro quando algum estrangeiro se interessa pela nossa história.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Frustrações
. Andei eu semanas há espera que estreasse o novo Astérix para chegar ao cinema e ter a agradável surpresa de saber que cá só está disponível a versão dobrada em polaco... Regresso directo a casa, sem comprar bilhetes e na esperança de conseguir que alguém me arranje a versão original pirateada. Assim realmente não tenho outra solução.
. Pela primeira vez na vida começo a sentir o drama de tantas pessoas: Entro na minha roupa e ela ou não me serve, ou serve com dificuldade. Já repuxa em alguns sítios, noutros aperta mesmo... O que vale é que por enquanto ainda tenho algumas coisas que são minimamente extensíveis ou largas.
. Pela primeira vez na vida começo a sentir o drama de tantas pessoas: Entro na minha roupa e ela ou não me serve, ou serve com dificuldade. Já repuxa em alguns sítios, noutros aperta mesmo... O que vale é que por enquanto ainda tenho algumas coisas que são minimamente extensíveis ou largas.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Parabéns à família!!!
Hoje às 9h51 de Lisboa (isto agora, com a família espalhada pelo mundo, tem de se identificar bem o fuso horário!) nasceu o mais recente membro da família: a Teresa Elias!! Por este grande acontecimento estamos todos de parabéns, mas sobretudo os pais e o irmão, que ainda está para descobrir o que é ter uma maninha. Nós por cá esperamos ansiosamente receber as primeiras fotos da Teresa para a podermos conhecer.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Outra vez aulas
Esta semana voltei um pouco à normalidade que tinha deixado há uns tempos. Recomecei a ter aulas de polaco, o que já me vinha a fazer muita falta. Para terem uma ideia, a minha nova professora sentiu-se enganada por lhe terem dito que eu devia começar agora o nível B1 (que era o suposto)... Mas enfim, depois lá se convenceu que eu já sei umas coisitas. Tenho aulas três vezes por semana. Agora tem mesmo de ser, porque depois é capaz de ser mais complicado.
Também esta semana já me inscrevi na "Escola da Família", que é como chamam aqui às aulas pré-parto. Inscrevi-me mas só começo em Março. Parece um exagero, mas tem mesmo de ser assim, com tanta antecedência. O nosso rebento é que parece já estar entusiasmado com esta ideia, porque não tem parado de dar sinal de vida! Agora anda a mexer-se imenso. Hoje na aula de polaco foi um virote, acho que ele também já começa a aprender na barriga.
Também esta semana já me inscrevi na "Escola da Família", que é como chamam aqui às aulas pré-parto. Inscrevi-me mas só começo em Março. Parece um exagero, mas tem mesmo de ser assim, com tanta antecedência. O nosso rebento é que parece já estar entusiasmado com esta ideia, porque não tem parado de dar sinal de vida! Agora anda a mexer-se imenso. Hoje na aula de polaco foi um virote, acho que ele também já começa a aprender na barriga.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
O fim-de-semana em fotos
Um lago no jardim botânico de Bydgoszcz, praticamente todo congelado, mas... um pequeno espaço resiste ainda ao invasor! Os patos andam por lá molhar-se na pouca água que encontram (não sei como não tinham frio...).
Outra parte do jardim botânico. Também um riacho congelado. Apesar de tudo, a temperatura neste dia estava acima de zero, por isso não há neve em todos os sítos. Havia era algum gelo, o que fazia com que tivessemos de andar com muita prudência para não cairmos.
A tal pista de neve de que falei no post anterior. É curioso ver que à volta não há neve nenhuma (nesta altura já estavam uns 8ºC).
A bacia de Puck congelada. Muito engraçado, ver mar assim.
O palácio neo-gótico nos arredores de Puck, que se diz ter pertencido ao rei Jan Sobieski.

Alguém com sentido de humor mudou as placas nos dois sentidos que indicavam Puck... Quando entrámos na cidade por momentos achámos que as placas eram mesmo originais, só depois nos apercebemos que tinha sido uma piada.
Achei lindo ver várias placas que indicavam cidades suecas, como esta, que indica Estocolmo. Há ferry-boats que partem desta zona da Trójmiasto para a Suécia, mas demoram mais de 10h de viagem. A foto está escura, mas se clicarem nela, aparece maior e acho que se percebe melhor.
Em Sopot podemos encontrar esta casa muito original, que é um centro comercial. Por dentro não tem interesse nenhum, é só mesmo o ser estranha por fora.
Eu, no pôr-do-sol, em Sopot, no molhe que entra pelo mar por cima da praia.
A praia de Sopot. Estavam imensas pessoas a passear por lá - com a temperatura que estava, duvido que alguém em Portugal arriscasse ir passear à beira-mar. A água estava super calminha e viam-se gaivotas, patos e cisnes até. Lindíssimos.
O Grande Hotel de Sopot, sobre a praia. Muito giro (e nada de torres horrorosas no fundo a estragar a foto).
No fim do molhe temos esta vista: apenas mar. Eis o Báltico.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Fim de semana compactado
No dia seguinte acordámos relativamente cedo e pusemo-nos em marcha. Fomos em direcção a Wladyslawowo, que é a pontinha mais a norte, mas não chegámos a entrar lá. Vi o Báltico pela primeira vez na bacia de Puck. Curiosamente estava em parte congelado!!!! Foi super estranho ver mar congelado... mas como ali não é mesmo mar, é mais uma espécie de ria... É interessante que na costa norte da Polónia há vários lagos que foram formados por braços de terra que se uniram e fecharam a entrada do mar. Nesta zona, há um braço de terra grande (pode ver-se no mapa). Na ponta tem uma cidade chamada Hel onde ainda pensámos ir, mas depois desistimos, por falta de tempo. Perto de Puck vimos ainda um palácio antigo de um rei polaco. Depois disto seguimos para Gdynia, onde entrámos na avenida principal e aí sim, começámos a ver mar. Parámos depois em Sopot, onde almoçámos. Se em Gdynia só consegui ver alguns estaleiros e pouco mais, em Sopot vi uma autêntica cidade de praia que ainda não foi estragada. Com o seu Grande Hotel sobre a praia e casas antigas, com poucos andares, a zona está muito gira. Tem uma rua pedonal que dá para um molhe grande que entra pelo mar dentro e onde se pode passear. Mas, como já disse, fotos disto só amanhã (talvez). É mesmo gira, a cidade. E depois, Gdansk. Aquilo que no meu imaginário era Gdansk na realidade é Sopot. Gdansk não tem nada a ver. Não é uma cidade sobre a praia, porque tem imensos estaleiros (os famosos estaleiros do tempo do comunismo e do Lech Walesa), mas é a foz de um rio e tem vários canais desse rio. Para mim, Gdansk (falo do centro, obviamente) é aquilo que eu imaginava que deviam ser aquelas cidades da Flandres, no século XVI. A verdade, é que Gdansk foi uma cidade mais para o independente. Era um porto comercial por onde passavam as mais diferentes pessoas e isso reflecte-se na sua arquitectura, tão diferente do resto da Polónia. Digamos que era uma cidade multi-cultural. Em suma, é espetacular! Tive pena de passar lá tão pouco tempo. Sobretudo, tive pena de que quando lá cheguei, já era praticamente noite e não consegui tirar fotos de jeito... O lado positivo é que apanhámos um pôr-do-sol bonito em Sopot. Mas sobre Gdansk e o resto falarei mais amanhã.
No regresso a Varsóvia ainda passámos por Malbork, para ver pelo menos por fora o espetacular castelo que lá há, mas vi muito pouco. Sobre este castelo falarei também noutra altura. Por agora, vou ver o que consigo fazer com as fotos.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Outro ponto de vista
Depois de vários dias com temperaturas a rondar os -10ºC, dou por mim a pensar que não está frio quando estão apenas zero graus.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Soluções
Aqui vão as soluções do desafio anterior:
Niepokój - Ansiedade
Poniedziałek - Segunda-feira
Przedpokój - Corredor, ante-câmara
Samolot - Avião
Samochód - Carro
Rajstopy - Collants (esta era quase impossível, sei)
Piłka nożna - Futebol
Stonoga - Centopeia
E fica ainda a palavra apresentado pela mdem:
oczywiście
oczy - olhos
wisieć- pendurar
(wiście- 2ª pessoa, plural, imperativo)
Niepokój - Ansiedade
Poniedziałek - Segunda-feira
Przedpokój - Corredor, ante-câmara
Samolot - Avião
Samochód - Carro
Rajstopy - Collants (esta era quase impossível, sei)
Piłka nożna - Futebol
Stonoga - Centopeia
E fica ainda a palavra apresentado pela mdem:
oczywiście
oczy - olhos
wisieć- pendurar
(wiście- 2ª pessoa, plural, imperativo)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Já passou um ano!
Cá estamos de volta a Varsóvia, para mais uma temporada. Quando chegámos fomos muito bem recebidos, com -10ºC, para animar. Que bem que soube entrar em casa e sentir o calorzinho! No entanto, andamos a ver se compramos algum aparelho daqueles que dão humidade, porque o ar aqui é demasiado seco. Não nos faz bem a nós, cujos narizes e afins se queixam, nem às nossas plantinhas, coitaditas.
Quando chegámos, tivemos a alegria de ter no correio dois postais de Natal, que só chegaram depois de nós termos partido para Portugal. Mas foi bem assim, porque foi uma forma de animar o regresso. Obrigada, família, pelo alembramento!!
Já fez um ano que eu para aqui vim pela primeira vez e devo dizer que o tempo não tem nada a ver. Esta semana já apanhei mais temperaturas baixas que em todo o inverno do ano passado. Fiquei chocada quando entrei no carro e vi uma garrafa de água que lá tinha deixado completamente congelada! Nunca tal havia visto! Nem me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas realmente quando estão temperaturas bem negativas, é normal.
Ontem, por exemplo, aconteceu uma coisa chata. De madrugada e de manhã caiu uma chuva miudinha. Só que como a temperatura aqui em baixo estava bem baixa, a água congelou e formou gelo. Se eu andasse normalmente de patins, não havia problema. Mas com sapatos normais torna-se complicado andar na rua assim. E os carros? Tivemos de andar a partir gelo antes de poder ir a qualquer sítio. A neve sempre dá para limpar facilmente, mas o gelo... É uma seca! Depois disto vá lá que começou a nevar mesmo e o gelo deixou de incomodar.
Duas notas finais para concluir: Como o Stas veio doente de Portugal (a nossa humidade dá cabo dos estrangeiros...), veio cá a casa o médico de família deles vê-lo. Qual não foi a minha surpresa quando olho para o dito senhor (que mal entrou deitou a baixo com uma cabeçada a única decoração de Natal que eu tinha acabado de pendurar) e ele é igual ao Putin! A sério, é impressionante! Mais tarde comentei com outras pessoas que também o conhecem e todos corroboraram a parecença. Médico-Putin, não há nada a fazer. Não sei o nome dele, mas para mim vai ser sempre conhecido desta forma.
A nota final para dizer que este fim de semana recebemos em casa a "visita pascal" versão Natal. É muito parecido com o que fazem no Carregal na Páscoa: vem um padre, benze a casa, reza uma oração, toma um cházinho e faz um pouco de conversa, e depois continua a percorrer as casas todas da vizinhança. Super engraçado. Eles avisam quando vêm e nós só temos de arrumar minimamente a casa para o senhor não desmaiar de susto. Ah, e no fim damos "uns trocos" para a igreja (no caso da nossa paróquia, é literalmente para a igreja, que vai começar a ser construída agora - para já só há uma capela provisória).
E pronto, cá estamos, neste momento a cidade está toda branquinha por causa da neve de ontem, o que dá mais luz e é muito agradável à vista. Aqui por casa estamos todos bem, a barriga já começou a crescer (tem imensa piada!!) e o/a pequenote/a já não incomoda tanto como antes. É só mesmo o sono, mas isso... Só sei que ele/ela gostou muito da viagem a Portugal! E agora espera visitas.
Quando chegámos, tivemos a alegria de ter no correio dois postais de Natal, que só chegaram depois de nós termos partido para Portugal. Mas foi bem assim, porque foi uma forma de animar o regresso. Obrigada, família, pelo alembramento!!
Já fez um ano que eu para aqui vim pela primeira vez e devo dizer que o tempo não tem nada a ver. Esta semana já apanhei mais temperaturas baixas que em todo o inverno do ano passado. Fiquei chocada quando entrei no carro e vi uma garrafa de água que lá tinha deixado completamente congelada! Nunca tal havia visto! Nem me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas realmente quando estão temperaturas bem negativas, é normal.
Ontem, por exemplo, aconteceu uma coisa chata. De madrugada e de manhã caiu uma chuva miudinha. Só que como a temperatura aqui em baixo estava bem baixa, a água congelou e formou gelo. Se eu andasse normalmente de patins, não havia problema. Mas com sapatos normais torna-se complicado andar na rua assim. E os carros? Tivemos de andar a partir gelo antes de poder ir a qualquer sítio. A neve sempre dá para limpar facilmente, mas o gelo... É uma seca! Depois disto vá lá que começou a nevar mesmo e o gelo deixou de incomodar.
Duas notas finais para concluir: Como o Stas veio doente de Portugal (a nossa humidade dá cabo dos estrangeiros...), veio cá a casa o médico de família deles vê-lo. Qual não foi a minha surpresa quando olho para o dito senhor (que mal entrou deitou a baixo com uma cabeçada a única decoração de Natal que eu tinha acabado de pendurar) e ele é igual ao Putin! A sério, é impressionante! Mais tarde comentei com outras pessoas que também o conhecem e todos corroboraram a parecença. Médico-Putin, não há nada a fazer. Não sei o nome dele, mas para mim vai ser sempre conhecido desta forma.
A nota final para dizer que este fim de semana recebemos em casa a "visita pascal" versão Natal. É muito parecido com o que fazem no Carregal na Páscoa: vem um padre, benze a casa, reza uma oração, toma um cházinho e faz um pouco de conversa, e depois continua a percorrer as casas todas da vizinhança. Super engraçado. Eles avisam quando vêm e nós só temos de arrumar minimamente a casa para o senhor não desmaiar de susto. Ah, e no fim damos "uns trocos" para a igreja (no caso da nossa paróquia, é literalmente para a igreja, que vai começar a ser construída agora - para já só há uma capela provisória).
E pronto, cá estamos, neste momento a cidade está toda branquinha por causa da neve de ontem, o que dá mais luz e é muito agradável à vista. Aqui por casa estamos todos bem, a barriga já começou a crescer (tem imensa piada!!) e o/a pequenote/a já não incomoda tanto como antes. É só mesmo o sono, mas isso... Só sei que ele/ela gostou muito da viagem a Portugal! E agora espera visitas.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Água
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Que palavra será? - Um novo desafio!
Depois do desafio das "palavras estrangeiras escritas à polaca", aqui venho lançar um novo desafio. Desta vez, consiste em adivinhar o significado de palavras originariamente polacas. Na língua polaca há uma série de palavras que são compostas por outras palavras, isto é, duas palavras que ditas separadamente têm os seus significados, quando se juntam e formam uma só, têm outro significado. O desafio é descobrir o que significa cada palavra, através das partes que a compõem, como neste exemplo:
Bezdomny
Bez - sem; Dom - casa
logo: Bezdomny = Sem-abrigo
É só pensar um bocadinho, vão ver que não é difícil e até pode ter piada. Atenção que algumas palavras aparecem escritas de forma um bocadinho diferente, não se assustem. Todas são substantivos.
Boa sorte!
Niepokój
Nie - não; Pokój - paz
Poniedziałek
Po - depois, à frente; Niedziela - Domingo
Przedpokój
Przed - antes; Pokój - quarto (sim, esta palavra significa "paz" e "quarto"...)
Samolot
Sam - sozinho, por si só; Lot - vôo
Samochód
Sam - sozinho, por si só; Chodzić - andar
Rajstopy
Raj - paraíso; stopy - pés
Piłkanożna
Piłka - bola; nożna deriva de noga - perna
Stonoga
Sto - cem; noga - perna
Bezdomny
Bez - sem; Dom - casa
logo: Bezdomny = Sem-abrigo
É só pensar um bocadinho, vão ver que não é difícil e até pode ter piada. Atenção que algumas palavras aparecem escritas de forma um bocadinho diferente, não se assustem. Todas são substantivos.
Boa sorte!
Niepokój
Nie - não; Pokój - paz
Poniedziałek
Po - depois, à frente; Niedziela - Domingo
Przedpokój
Przed - antes; Pokój - quarto (sim, esta palavra significa "paz" e "quarto"...)
Samolot
Sam - sozinho, por si só; Lot - vôo
Samochód
Sam - sozinho, por si só; Chodzić - andar
Rajstopy
Raj - paraíso; stopy - pés
Piłkanożna
Piłka - bola; nożna deriva de noga - perna
Stonoga
Sto - cem; noga - perna
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Descoberta
Tive de vir para a Polónia para descobrir que existem comprimidos de Centrum cor-de-rosa...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Tudo ao contrário
Recentemente dei-me conta de duas coisas que aqui estão ao contrário de Portugal e ainda não me tinha apercebido. Só reparei porque ouvi comentários de outras pessoas que por cá passaram nos últimos meses.
A primeira delas são as campainhas nos prédios. Em Portugal, geralmente elas estão de baixo para cima. O r/c, depois o 1º, etc e o último andar aparece por cima de todos os outros. Pois na Polónia é precisamente o contrário! Os andares mais baixos são os primeiros a aparecer em cima. O último andar corresponde à campainha mais baixa. Estranho, não é? É ver os botões das campainhas todos invertidos. E as caixas do correio igual.
A segunda coisa são as portas exteriores dos edifícios. Todas elas abrem ao contrário de Portugal. Em Portugal em regra as portas abrem para dentro. Aqui, as portas abrem todas para fora. Isto por causa do frio e do vento, que às vezes empurra as portas e as abre sem nós querermos. Já não é uma nem duas que eu aqui esbarro contra uma porta porque a tento abrir ao contrário do que é suposto. Tem a sua lógica, mas eu às vezes ainda me esqueço
A primeira delas são as campainhas nos prédios. Em Portugal, geralmente elas estão de baixo para cima. O r/c, depois o 1º, etc e o último andar aparece por cima de todos os outros. Pois na Polónia é precisamente o contrário! Os andares mais baixos são os primeiros a aparecer em cima. O último andar corresponde à campainha mais baixa. Estranho, não é? É ver os botões das campainhas todos invertidos. E as caixas do correio igual.
A segunda coisa são as portas exteriores dos edifícios. Todas elas abrem ao contrário de Portugal. Em Portugal em regra as portas abrem para dentro. Aqui, as portas abrem todas para fora. Isto por causa do frio e do vento, que às vezes empurra as portas e as abre sem nós querermos. Já não é uma nem duas que eu aqui esbarro contra uma porta porque a tento abrir ao contrário do que é suposto. Tem a sua lógica, mas eu às vezes ainda me esqueço
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Sabem o que significa? - Parte II
Lembram-se do desafio deste post? Volta e meia tenho encontrado mais palavras polacas que à primeira vista parecem estranhas, mas depois quando são lidas em voz alta soam a palavras inglesas ou francesas. Infelizmente, muitas delas vejo e depois esqueço-me.
Aqui deixo novas palavras, as poucas que me lembro agora, para ver quem adivinha o seu significado através da forma como se pronunciam. As regras são as mesmas do outro post:
Ajuda: o ż pronuncia-se como o nosso j; sz pronuncia-se ch; cz pronuncia-se tch; ni pronuncia-se nh. O resto é mesmo como se lê.
Menedżer
Seif
Sos
Strajk
Klaun
Mecz
Aqui deixo novas palavras, as poucas que me lembro agora, para ver quem adivinha o seu significado através da forma como se pronunciam. As regras são as mesmas do outro post:
Ajuda: o ż pronuncia-se como o nosso j; sz pronuncia-se ch; cz pronuncia-se tch; ni pronuncia-se nh. O resto é mesmo como se lê.
Menedżer
Seif
Sos
Strajk
Klaun
Mecz
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Pequenas notas
. A primeira para dizer que hoje está a nevar!!! Já há umas semanas tinha nevado, mas de noite e na manhã seguinte desapareceu tudo. Desde aí, neve nem vê-la. Hoje voltou e já começou a dar um ar de sua graça. Mesmo assim, não vai durar muito tempo, porque dizem que ainda não é a época da neve.
. Estivemos em Madrid há duas semanas, mais ou menos. Viagem que até à última esteve para não se realizar (a viagem a Lisboa entretanto ficou pelo caminho). Foi muito giro, apesar de não termos feito quase nada (mea culpa!...). Foram os primeiros dias em que me senti melhorzita. Há uns dias soube que nessa altura eram os dias de maior risco para a gravidez. Felizmente passaram sem problemas e cá estamos. Uma nota para dizer que o Zé Diogo, apesar de agora ter entrado para a escola, pareceu-me estar a falar muito melhor português do que antes. Curioso. Mas muito bom. Sobre a Maria não tenho nada a dizer, porque iam todos achar que eu sou uma tia ultra-babada, então vou conter-me. Digo apenas que está amorosíssima.
. Ainda não falei aqui do nosso jantar no restaurante português. Já foi há dois meses (!), mas ainda vale a pena falar. Eu já lá tinha ido, mas durante o dia, com uma amiga, e comemos só umas entradas. Desta vez foi jantar a sério. Ficámos no andar de cima (o restaurante não é muito grande, mas tem uma espécie de mezzanine em cima com mais espaço). Estavam lá duas mesas com grupos de portugueses, uns a festejar um aniversário e outros a conviver e a assistir ao último jogo de Portugal no mundial de rugby (ao tempo que isto foi!...). Sim, porque o restaurante tem um lcd grande com SportTv!!! Muito bom. Em dias de jogos aquilo deve estar bem povoado. Bem, mas no que toca a comida... O Stas pediu uma sopa de marisco. Eu à espera de ver um creme de marisco típico, qual quê! Veio um caldo com mariscos e outras coisas a boiar lá dentro. Ou seja, nada a ver com a verdadeira sopa de marisco. Na minha opinião, aquilo é uma versão polaca, porque os polacos fazem muitas sopas assim: um caldo com coisas a boiar. Em seguida, pedimos carne de porco à alentejana e um bitoque. Novamente desilusão. Apesar de aparentarem ser o que são, estavam temperados à maneira polaca! Conclusão: é um restaurante português mas com cozinheiros polacos que quiseram dar o seu toque pessoal à comida. Uma pena, na minha opinião. O espaço está engraçado, o ambiente também, porque se ouve muito português, mas a comida... Temos de lá voltar e provar outras coisas diferentes.
. Estivemos em Madrid há duas semanas, mais ou menos. Viagem que até à última esteve para não se realizar (a viagem a Lisboa entretanto ficou pelo caminho). Foi muito giro, apesar de não termos feito quase nada (mea culpa!...). Foram os primeiros dias em que me senti melhorzita. Há uns dias soube que nessa altura eram os dias de maior risco para a gravidez. Felizmente passaram sem problemas e cá estamos. Uma nota para dizer que o Zé Diogo, apesar de agora ter entrado para a escola, pareceu-me estar a falar muito melhor português do que antes. Curioso. Mas muito bom. Sobre a Maria não tenho nada a dizer, porque iam todos achar que eu sou uma tia ultra-babada, então vou conter-me. Digo apenas que está amorosíssima.
. Ainda não falei aqui do nosso jantar no restaurante português. Já foi há dois meses (!), mas ainda vale a pena falar. Eu já lá tinha ido, mas durante o dia, com uma amiga, e comemos só umas entradas. Desta vez foi jantar a sério. Ficámos no andar de cima (o restaurante não é muito grande, mas tem uma espécie de mezzanine em cima com mais espaço). Estavam lá duas mesas com grupos de portugueses, uns a festejar um aniversário e outros a conviver e a assistir ao último jogo de Portugal no mundial de rugby (ao tempo que isto foi!...). Sim, porque o restaurante tem um lcd grande com SportTv!!! Muito bom. Em dias de jogos aquilo deve estar bem povoado. Bem, mas no que toca a comida... O Stas pediu uma sopa de marisco. Eu à espera de ver um creme de marisco típico, qual quê! Veio um caldo com mariscos e outras coisas a boiar lá dentro. Ou seja, nada a ver com a verdadeira sopa de marisco. Na minha opinião, aquilo é uma versão polaca, porque os polacos fazem muitas sopas assim: um caldo com coisas a boiar. Em seguida, pedimos carne de porco à alentejana e um bitoque. Novamente desilusão. Apesar de aparentarem ser o que são, estavam temperados à maneira polaca! Conclusão: é um restaurante português mas com cozinheiros polacos que quiseram dar o seu toque pessoal à comida. Uma pena, na minha opinião. O espaço está engraçado, o ambiente também, porque se ouve muito português, mas a comida... Temos de lá voltar e provar outras coisas diferentes.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Esclarecimento
Peço desculpa a todos os leitores do blog por tão prolongada ausência. Como a maioria de vós já sabe, tenho andado muito ocupada com algumas indisposições físicas provocadas por alguém que tem imensa vontade de se mostrar ao mundo. Ainda nem 2cm deve ter e já dá um ar de sua graça a perturbar o funcionamento normal da família.
Por isso, assim que for possível, voltarei em força e certamente com muitas novidades. É preciso é ter paciência!
Por isso, assim que for possível, voltarei em força e certamente com muitas novidades. É preciso é ter paciência!
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Um fim de semana de passeio
Há uns dois ou três fins-de-semana decidimos deixar a confusão da casa e ir passear por aí. Sabíamos mais ou menos para onde íamos, mas decidimos inventar nos caminhos e acabámos por visitar também outros sítios que não contávamos.
Inicialmente fomos pelo parque nacional Kampinos, um parque enorme a noroeste de Varsóvia, com cerca de 38 hectares. É muito bonito, tem imensos caminhos por onde se pode andar a pé, de bicicleta, outros de carro, onde se podem fazer piqueniques, etc. Eu gosto muito deste parque, até porque há uns anos, quando estive em Wiersze (uma aldeia no meio deste parque) fartámo-nos de passear por lá.
Desta vez passámos por um cemitério de guerra onde também já tinha estado antes. Ali, naquelas matas, os alemães nazis mataram montes de polacos em segredo. Claro que as pessoas que moravam para aqueles lados íam-se apercebendo de algumas coisas, mas não diziam nada, com medo de serem também mortas. Mais tarde foi graças a elas que se descobriram as sepulturas. Porque os alemães (e penso que os russos em Katyń e outros locais também fizeram o mesmo) depois de enterrarem as pessoas, plantavam árvores por cima, para ninguém as descobrir. Quando se abriram as valas, alguns corpos foram identificados outros não. No actual cemitério aparecem algumas referências. Por exemplo, encontram-se lá políticos, jornalistas, escuteiros (os escuteiros tiveram um papel relevante na guerra, porque lutaram muito. Acho que não têm muito a ver com o conceito de escuteiro que nós temos hoje em dia), atletas, cientistas, etc. Judeus também, o cemitério assinala cada pessoa, mesmo que anónima, com uma cruz, mas alguns aparecem com a estrela de David.
Esta
imagem é de uma placa que se encontra na entrada do cemitério e diz: «É fácil falar da Polónia. Mais difícil trabalhar para ela. Ainda mais difícil por ela morrer. E dificílimo por ela sofrer.» Acho que nesta floresta de Kampinos se escondiam os membros do exército nacional clandestino.
Depois de passarmos por Kampinos, fomos andando pela margem do Vístula e atravessámo-lo mais à frente. Fomos a uma aldeia que tem uma igreja românica que dizem ser muito bonita, mas havia um casamento e praticamente não a vimos. Mas vimos a paisagem, que é muito bonita. Apesar da maioria das árvores ainda estarem verdes, já se começam a ver algumas com as cores típicas de outono, super bonitas.
Nesta altura do passeio, já estávamos a morrer de fome. Começámos a procurar uma tasca qualquer ou um café à beira da estrada para comer alguma coisita. Só que há um pequeno pormenor... Isto não é Portugal, a moda dos cafés não chegou aqui. Então andámos quilómetros sem encontrar nada.
Por fim, nessa aldeia onde há a igreja românica, que supostamente é um local turístico, perguntámos onde se podia comer. Achámos que passando por ali tanta gente, devia haver um cafézito. Qual quê! Disseram-nos que só havia uma tasca manhosa. Chegámos lá, aquilo era tipo taberna. Homens a beber cerveja e a ver numa televisão pequena um filme com um atraso brutal entre a imagem e o som. No balcão, uma mulher com ar de taberneira a dizer que não havia praticamente nada para comer. Por fim lá conseguimos arranjar alguma coisa, mas... Já não esperávamos grande coisa. Foi melhor que nada. E depois disto lá continuámos o nosso passeio.
Nesta altura já íamos em direcção a Varsóvia, quando decidimos fazer um pequeno desvio e ir ver as defesas de Modlin.
Estas defesas foram construídas penso que no século XIX, incialmente não pelos polacos, pois nessa altura a Polónia estava dividida. Mais tarde, quando a nação se voltou a reconstituir, os polacos melhoraram estas instalações, construiram bunkers e outras defesas. É muito engraçado. Entretanto, a maioria dos edifícios desta fortaleza foram desactivados, só alguns continuam a pertencer ao exército. Penso que talvez tenham sido os comunistas (eles adoravam fazer isto) que adaptaram vários desses edifícios para habitação. Então esta pequena vila é muito engraçada, porque mistura a parte que antigamente foi militar com casas normais. Então parece quase aquelas vilas que ficam dentro das muralhas de um castelo, só que esta é dentro da fortaleza. Ainda tentámos subir ao topo de uma torre que dava para ver tudo muito bem, mas chegámos à hora de fechar. Teve de ficar para outra altura. Durante a IIª Guerra Mundial, diz que esta foi uma das últimas fortalezas a capitular. Aqui vão algumas fotos com descrição:

A vista de um dos antigos edifícios da fortaleza, agora abandonado.

Um pormenor do edifício anterior: o letreiro branco assinala a entrada para um dos vários bunkers que se encontram a toda a volta.

Aqui encontram-se várias construções como esta, escondidas em pequenos montes. Esta não sei ao certo o que seria, mas algumas eram armazéns e esconderijos.

Um dos antigos prédios militares que agora está dividido em vários apartamentos onde vivem famílias. Os comunistas fizeram isto com imensos prédios antigos, sobretudo casas senhoriais e coisas do estilo. Criaram apartamentos minúsculos, muitas vezes com casas de banho comuns para todo o andar. As parvoíces dos comunas!... Estas casas não sei como eram por dentro, mas não tinham ar de ser tão más.

Aqui o local onde os militares se reuniam. Hoje pareceu-nos que é um local onde se organizam festas. Neste dia havia lá um casamento qualquer.
Estas defesas de Modlin são um sítio engraçado que vale a pena visitar com mais tempo.
Inicialmente fomos pelo parque nacional Kampinos, um parque enorme a noroeste de Varsóvia, com cerca de 38 hectares. É muito bonito, tem imensos caminhos por onde se pode andar a pé, de bicicleta, outros de carro, onde se podem fazer piqueniques, etc. Eu gosto muito deste parque, até porque há uns anos, quando estive em Wiersze (uma aldeia no meio deste parque) fartámo-nos de passear por lá.
Desta vez passámos por um cemitério de guerra onde também já tinha estado antes. Ali, naquelas matas, os alemães nazis mataram montes de polacos em segredo. Claro que as pessoas que moravam para aqueles lados íam-se apercebendo de algumas coisas, mas não diziam nada, com medo de serem também mortas. Mais tarde foi graças a elas que se descobriram as sepulturas. Porque os alemães (e penso que os russos em Katyń e outros locais também fizeram o mesmo) depois de enterrarem as pessoas, plantavam árvores por cima, para ninguém as descobrir. Quando se abriram as valas, alguns corpos foram identificados outros não. No actual cemitério aparecem algumas referências. Por exemplo, encontram-se lá políticos, jornalistas, escuteiros (os escuteiros tiveram um papel relevante na guerra, porque lutaram muito. Acho que não têm muito a ver com o conceito de escuteiro que nós temos hoje em dia), atletas, cientistas, etc. Judeus também, o cemitério assinala cada pessoa, mesmo que anónima, com uma cruz, mas alguns aparecem com a estrela de David.
Estaimagem é de uma placa que se encontra na entrada do cemitério e diz: «É fácil falar da Polónia. Mais difícil trabalhar para ela. Ainda mais difícil por ela morrer. E dificílimo por ela sofrer.» Acho que nesta floresta de Kampinos se escondiam os membros do exército nacional clandestino.
Depois de passarmos por Kampinos, fomos andando pela margem do Vístula e atravessámo-lo mais à frente. Fomos a uma aldeia que tem uma igreja românica que dizem ser muito bonita, mas havia um casamento e praticamente não a vimos. Mas vimos a paisagem, que é muito bonita. Apesar da maioria das árvores ainda estarem verdes, já se começam a ver algumas com as cores típicas de outono, super bonitas.
Nesta altura do passeio, já estávamos a morrer de fome. Começámos a procurar uma tasca qualquer ou um café à beira da estrada para comer alguma coisita. Só que há um pequeno pormenor... Isto não é Portugal, a moda dos cafés não chegou aqui. Então andámos quilómetros sem encontrar nada.
Por fim, nessa aldeia onde há a igreja românica, que supostamente é um local turístico, perguntámos onde se podia comer. Achámos que passando por ali tanta gente, devia haver um cafézito. Qual quê! Disseram-nos que só havia uma tasca manhosa. Chegámos lá, aquilo era tipo taberna. Homens a beber cerveja e a ver numa televisão pequena um filme com um atraso brutal entre a imagem e o som. No balcão, uma mulher com ar de taberneira a dizer que não havia praticamente nada para comer. Por fim lá conseguimos arranjar alguma coisa, mas... Já não esperávamos grande coisa. Foi melhor que nada. E depois disto lá continuámos o nosso passeio.Nesta altura já íamos em direcção a Varsóvia, quando decidimos fazer um pequeno desvio e ir ver as defesas de Modlin.
Estas defesas foram construídas penso que no século XIX, incialmente não pelos polacos, pois nessa altura a Polónia estava dividida. Mais tarde, quando a nação se voltou a reconstituir, os polacos melhoraram estas instalações, construiram bunkers e outras defesas. É muito engraçado. Entretanto, a maioria dos edifícios desta fortaleza foram desactivados, só alguns continuam a pertencer ao exército. Penso que talvez tenham sido os comunistas (eles adoravam fazer isto) que adaptaram vários desses edifícios para habitação. Então esta pequena vila é muito engraçada, porque mistura a parte que antigamente foi militar com casas normais. Então parece quase aquelas vilas que ficam dentro das muralhas de um castelo, só que esta é dentro da fortaleza. Ainda tentámos subir ao topo de uma torre que dava para ver tudo muito bem, mas chegámos à hora de fechar. Teve de ficar para outra altura. Durante a IIª Guerra Mundial, diz que esta foi uma das últimas fortalezas a capitular. Aqui vão algumas fotos com descrição:
A vista de um dos antigos edifícios da fortaleza, agora abandonado.

Um pormenor do edifício anterior: o letreiro branco assinala a entrada para um dos vários bunkers que se encontram a toda a volta.

Aqui encontram-se várias construções como esta, escondidas em pequenos montes. Esta não sei ao certo o que seria, mas algumas eram armazéns e esconderijos.

Um dos antigos prédios militares que agora está dividido em vários apartamentos onde vivem famílias. Os comunistas fizeram isto com imensos prédios antigos, sobretudo casas senhoriais e coisas do estilo. Criaram apartamentos minúsculos, muitas vezes com casas de banho comuns para todo o andar. As parvoíces dos comunas!... Estas casas não sei como eram por dentro, mas não tinham ar de ser tão más.

Aqui o local onde os militares se reuniam. Hoje pareceu-nos que é um local onde se organizam festas. Neste dia havia lá um casamento qualquer.
Estas defesas de Modlin são um sítio engraçado que vale a pena visitar com mais tempo.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Katyń

No dia 17 de Setembro estreou na Polónia, com grande cobertura da comunicação social, o mais recente filme do realizador Andrzej Wajda. Chama-se Katyń. Neste sábado fui vê-lo e devo dizer que é dos melhores que eu já vi.A história de Katyń não é muito feliz. Katyń é o nome de uma floresta russa, perto de Smolensk, que fica a uns 400km de Moscovo. Neste local deu-se uma das maiores atrocidades da IIª Guerra Mundial perpetrada pelo exército russo.
No dia 17 de Setembro de 1939 (daí a data da estreia ser este dia), os russos atacaram a Polónia, ataque este combinado com o exército nazi. O exército polaco lutou, mas ao ver-se encurralado começou a perder. Durante muito tempo, os polacos esperavam a ajuda de França e do Reino Unido, que nunca chegou, tendo a Polónia ficado à mercê dos que a atacavam. Milhares de militares polacos foram feitos prisioneiros de guerra, uns confiados à guarda dos alemães, e outros à dos russos. Os que foram levados pelos alemães acabaram por ser libertados. Os que foram levados pelos russos tiveram uma sorte um pouco diferente. Estiveram vários meses num campo de prisioneiros de guerra onde esperavam ansiosamente a libertação. A partir de certa altura, todos os dias os militares russos levavam cerca de 200 polacos para a suposta liberdade. Estes polacos não eram apenas militares, havia também engenheiros, professores, escritores, artistas e toda a espécia de intelectuais. Os primeiros a sairem foram os militares de altas patentes. Todos eles foram levados para a floresta de Katyń onde foram assassinados com um tiro na parte de trás da cabeça e enterrados em valas comuns. Eram cerca de 20.000.
Um ano depois, os alemães - que entretanto já tinham quebrado o seu pacto com a Rússia - chegaram até esta região e descobriram as valas comuns com dezenas de milhares de cadáveres de soldados polacos. Num acto de propaganda anti-soviética, levaram até ao local uma equipa de peritos que incluia médicos dos países aliados e da Suíça para analisarem os corpos. Concluiu-se o óbvio: que o exército russo tinha assassinado 20mil prisioneiros de guerra. Só nesta altura os polacos puderam saber o que tinha acontecido aos seus familiares que andavam desaparecidos há quase dois anos. Foi o maior massacre de polacos de toda a guerra.
Entretanto, os russos voltaram a ganhar terreno e os alemães acabaram por perder a guerra. Nesta altura, quando os soviéticos voltaram a Katyń, levaram lá uma nova equipa de peritos (os seus peritos...) que disse que os corpos tinham sido mortos em 1941, ou seja, durante a ocupação nazi daquela região. Logo, a culpa foi dos alemães. No entanto, os polacos bem sabiam de quem era a culpa. Entretanto instalou-se o regime comunista na Polónia e quem quer que dissesse que Katyń tinha sido obra dos russos,
era imediatamente levado pela polícia. Durante 50 anos não se pôde falar deste tema.Gorbachev entretanto admitiu que este massacre tinha sido feito pelo exército soviético e vários documentos que lhe dizem respeito foram entregues ao governo polaco. No entanto, a Rússia recusa qualquer culpa, pois quer proteger alguns dos intervenientes neste crime que ainda estão vivos. O presidente Putin não tem grande interesse em falar no assunto. Ainda agora o presidente da Polónia esteve no memorial de Katyń a lembrar o sucedido e nenhuma delegação da Rússia esteve sequer presente. Pelos vistos, Katyń é ainda uma pedra no sapato.
Agora que já situei no contexto, posso falar do filme. O pai do realizador Andrzej Wajda foi um dos que morreu em Katyń, daí o seu interesse em fazer este filme. Para tal, inspirou-se não só na vida da sua família, mas também num livro chamado Post Mortem, escrito por um homem que conseguiu fugir e não morreu na floresta. Em geral, os militares não fugiram do campo onde estavam porque achavam que iam ser libertados, visto terem o estatuto de prisioneiros de guerra. Enganaram-se. O filme está extremamente bem feito, mostra um lado da guerra que eu desconhecida e sobretudo mostra como as famílias polacas viviam a ausência dos seus entes queridos e os esperavam, mesmo quando não havia qualquer tipo de esperança. Não é o típico filme de guerra, que se concentra só no massacre, mas mostra diferentes perspectivas. Mostra também como no comunismo se castigavam os que diziam que Katyń tinha sido em 1940, logo, da autoria dos soviéticos.
É um filme falado em três línguas (não é à la Hollywood, em que todos falam inglês): em polaco, em alemão e russo (com legendas, claro). Felizmente percebi a maioria do filme e o que não percebia, perguntei. Não é um filme super assustador, como aqueles que mostram Auschwitz ou outras coisas do estilo. Na minha opinião é um filme muito bom. Para os polacos, é mostrar uma realidade que até há poucos anos não se podia falar. Termino apenas dizendo que vi o filme numa sala enorme, tipo S. Jorge, muito boa. Estava cheia. Quando o filme acabou foi arrepiante. Não se ouvia uma palavra na sala. Nem pipocas, nem porcarias do estilo, nem comentários. Acho que as pessoas ainda estavam em choque.
Sei que este filme não vai passar na Rússia de certeza, por ser muito incómodo, mas se ele pudesse passar em outros países da Europa, até em Portugal, acho que valia muito a pena.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
As nossas vinhas
Conforme o prometido, aqui deixo duas fotos da vinha da minha varanda. Pelo que vi, acho que isto é vinha mesmo a sério. Como as paredes da varanda também foram pintadas, ela teve de ser toda tirada e voltada a colocar. Claro que não ficou tão bem como estava antes, mas imagino que no próximo Verão esteja mais bonita - Isto é, se eu a regar, claro, porque tenho uma certa tendência para matar as plantas da varanda. Se se observar com cuidado a segunda foto, em que as duas vinhas se cruzam, percebe-se que a segunda tem algumas folhas castanhas e isto não é qualidade especial, é seco mesmo!!O resto da varanda mostro noutra altura, porque ainda está um bocado desarrumado e as plantas com um ar tipo mato. Neste momento está lá a bater um solinho muito agradável. À tarde é que dá mais, ficam a cozinha e a sala super iluminadas, é muito giro. Ontem é que esteve m
ais frescote e pela primeira vez custou-me um bocado estar de t-shirt na varanda (é o que eu digo, um microclima muito especial, que eu posso estar de camisola e casaco na rua, mas ali aguento de t-shirt). Já se sentia frio. Mas hoje está um dia lindo, graças a Deus. Em casa já temos o aquecimento central ligado. Como já disse num post muito anterior, o aquecimento central aqui em geral é um serviço municipal, então não somos nós que decidimos quando o ligamos ou não. Cabe a cada condomínio gerir isto. No nosso caso, esta semana apareceu uma circular na porta do prédio a dizer que iam ligar o aquecimento a partir de dia tal. Ainda não está muito quente, acho que está no mínimo. Mas é muito agradável. Sei, quem me dera que aqui estivessem os 30ºC de Madrid, mas infelizmente à noite podemos ter temperaturas tipo 7ºC... Por isso, é super agradável ter este ambiente quentinho em casa e andar à vontade. Mas pronto, durante o dia não se anda mal. Há dias e dias e hoje está um bom dia.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Ora esta...
Há quem se dê ao luxo de passar um dia num avião só para estar quatro horas na Polónia.
Mas isto não se faz, fazer visitas sem avisar, sobretudo quando temos a casa toda de pantanas!... ;)
Mas isto não se faz, fazer visitas sem avisar, sobretudo quando temos a casa toda de pantanas!... ;)
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