Nos últimos tempos tem-se tornado difícil escrever no blog. Com o aproximar do nascimento da bebé vão-se acumulando coisas para fazer e às vezes nem sei o que fazer primeiro. Então o blog vai ficando para trás.
Claro que isto não quer dizer que em Varsóvia não se tem passado nada. O mês de Maio foi, de certo modo, bastante activo. Desde o início de Maio até agora recebemos várias visitas, que nos permitiram dar umas belas passeatas, fomos duas vezes à ópera, uma ao ballet e duas ao cinema (para aproveitar enquanto ainda podemos), deitámos fora a cabine de duche da casa de banho e montámos uma banheira (o Stas, claro, eu não), comprámos a cama de grades para a pequenota (e mais uma vez o Stas montou). comprámos uma mesinha com cadeiras para a varanda (adivinhem quem montou??), e lá no meio ainda ficámos sem carro uns dias (felizmente agora já está bem) e sem Stas (que entretanto deu um mau jeito às costas... era uma alegria, nenhum dos dois a poder pegar em pesos... ir ao supermercado tornou-se algo muito... curioso). Juntando a isto todas as tarefas domésticas normais e a lentidão de uma mulher grávida, acho que dá para ter uma ideia de como temos estado.
Agora estamos em fase de espera do Euro, dos meus pais que estão quase a chegar (chegam com o Euro, basicamente) e da pequenota.
Apenas para terem uma ideia, apesar de estar mau tempo em Portugal, aqui em Varsóvia têm estado uns dias lindos, cheios de calor, em que só se aguenta de t-shirt. Ainda há pouco estive a experimentar as cadeiras novas da varanda, mas não consegui ficar muito tempo lá porque o sol estava a queimar. O lado negativo disto? Os dias começarem às 4 da manhã... Os nossos quartos estão virados a nascente, logo apanham a maior luz do dia aí entre as 7 e as 10, mais ou menos. Depois a partir das 11 já voltam a ficar mais escuros (isto mesmo com estores e cortinados fechados). Noutro dia acordámos cedo e tomámos o pequeno-almoço às 7 da manhã e parecia que eram 11 horas, tal era a quantidade de luz que já havia a essa hora. Originalidades da Polónia.
Fotos não tenho feito muitas, mas vou ver se encontro algumas giras para pôr aqui. Ah, é que entretanto também comprámos uma máquina fotográfica. Pois claro, com uma criança a caminho não podiamos não ter máquina!! Espero que seja o fim de fotos manhosas feitas com o telemóvel para o blog.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Senhas de racionamento
Noutro dia, na aula de polaco, estivemos a ler um texto sobre a PRL - República Popular da Polónia, nome pelo qual a Polónia era conhecida durante o regime comunista (nome típico dos países comunistas). O texto falava sobre a vida do cidadão comum, a nível de consumos. Falava sobre as intermináveis filas em que as pessoas tinham de estar para conseguirem comprar alguma coisa. Apesar de todas as coisas que li e que são para mim de certa forma incompreensíveis (acho que para todas as pessoas que não viveram esta realidade, tudo isto soa a estranho), houve uma
que me fez pensar um bocado. Os polacos tinham de ficar em filas para comprar alguma coisa, mas se não tivessem senhas de racionamento, de nada lhes servia. Havia senhas para carne, açúcar, leite, manteiga, gasolina, etc. Por exemplo, cada família tinha direito a 3 kg de carne por mês. E aqui é que eu me fiquei. 3 kilos por mês é muito pouco. Nós cá em casa somos dois (quase três, mas este três ainda não conta) e consumimos à vontade mais de 3 kg de carne por mês. Comecei, então, a perceber certos hábitos alimentares dos polacos. O Stas já me tinha dito uma vez que nós comiamos muita carne, o que eu achei estranho, porque achei que comiamos o normal. Afinal, é tudo uma questão cultural, se é que assim se pode chamar. Os polacos em geral são capazes de fazer várias refeições sem carne, ou usando apenas carnes frias, por exemplo. No fundo, era tudo uma questão de sobrevivência; tinham de se desenrascar de qualquer maneira. A pouco e pouco vou juntando assim pequenas peças de um puzzle e vou percebendo mais algumas coisas dos polacos (sobretudo das gerações mais velhas).
que me fez pensar um bocado. Os polacos tinham de ficar em filas para comprar alguma coisa, mas se não tivessem senhas de racionamento, de nada lhes servia. Havia senhas para carne, açúcar, leite, manteiga, gasolina, etc. Por exemplo, cada família tinha direito a 3 kg de carne por mês. E aqui é que eu me fiquei. 3 kilos por mês é muito pouco. Nós cá em casa somos dois (quase três, mas este três ainda não conta) e consumimos à vontade mais de 3 kg de carne por mês. Comecei, então, a perceber certos hábitos alimentares dos polacos. O Stas já me tinha dito uma vez que nós comiamos muita carne, o que eu achei estranho, porque achei que comiamos o normal. Afinal, é tudo uma questão cultural, se é que assim se pode chamar. Os polacos em geral são capazes de fazer várias refeições sem carne, ou usando apenas carnes frias, por exemplo. No fundo, era tudo uma questão de sobrevivência; tinham de se desenrascar de qualquer maneira. A pouco e pouco vou juntando assim pequenas peças de um puzzle e vou percebendo mais algumas coisas dos polacos (sobretudo das gerações mais velhas).
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Ir à bola na Polónia
Há séculos que estou para escrever aqui sobre a minha ida ao futebol. Foi já há umas boas semanas (para não dizer meses). Decidimos um sábado ir ao estádio ver o Legia de Varsóvia jogar contra o ŁKS de Łódź, num dos primeiros (se não o primeiro) jogos da liga de Verão (eles cá fazem uma interrupção durante o Inverno). Estava um dia manhoso, de chuva, mas resolvemos ir na mesma. Fomos ao fim da manhã até ao estádio para comprar bilhetes para o jogo, que seria à noite. Deparámo-nos com uma situação curiosa: para comprar um bilhete era necessário ter um cartão de adepto. Este cartão não é o mesmo que um cartão de sócio, porque não pagamos quotas, só pagamos o cartão na hora e não é muito caro. Lá fomos nós fazer uns cartões para nós. E aqui começaram as filas... Fila para fazer o cartão, à chuva. Felizmente quando já estava quase na nossa vez, um dos stewards teve a gentileza de me convidar para a tenda onde tínhamos de preencher o formulário para eu não me molhar mais. Mal entro na tenda, começa a cair uma carga de água daquelas (e o Stas lá fora, à espera de vez para entrar...). Por fim fizemos os cartões, que ficaram todos janotas com a nossa foto. Depois... fila para levantar os cartões... À chuva, claro. Felizmente nesta altura já chovia pouco e até nem tivemos de esperar muito. No fim disto, fomos finalmente comprar os bilhetes, mas para a bancada coberta, que tanta chuva já chateava. Aqui tivemos sorte, porque a senhora da bilheteira estava com problemas no computador e mal nos vendeu os bilhetes, fechou a bilheteira - que estava com uma bela fila... Ui, digamos que os que estavam atrás de nós na fila não ficaram lá muito contentes...
Finalmente de volta ao carro, com os bilhetes na mão, planeámos logo vir a casa agasalharmo-nos mais um pouco, porque aquela chuva tinha-nos enregelado. Quando estávamos a caminho, começámos a analizar os bilhetes e... o jogo afinal era dali a uma hora!!! Nós convencidíssimos que era à noite!... Mal tivemos tempo de ir a casa, parar num McDrive e chegar novamente ao estádio.
O estádio!... Bem, começo por ver um exagero de polícia. Polícias com máscaras de protecção para a cara, tipo polícia de choque, com cães... Mas não era nem um nem dois, eram imensos!! Quando estávamos a chegar ao estádio eu ia muito bem comportadinha, porque eles realmente intimidavam. Não me lembro de ver nada assim em Portugal (mas também nunca fui a jogos de alto risco... apesar de aqui quase todos os jogos serem de alto risco...). Entrámos no estádio e, claro, não tem nada a ver com os nossos de Portugal. Mas aqui o Euro só vai ser em 2012. Bancada coberta, tudo fixe. Do outro lado, bancada descoberta. Do lado direito, a bancada dos visitantes, que mais parece uma jaula. Está bastante isolada das outras bancadas e com montes de grades para controlar os adeptos. E, claro, montes de polícia. Fazia um bocado de impressão vê-los assim tão separados.
Aqui não há claques propriamente ditas. Todos os adeptos gritam igualmente pelo seu clube. Os do ŁKS fartaram-se de apoiar a sua equipa. Os do Legia caladinhos, porque estão em conflito com o clube, qualquer desacordo com o patrocinador principal. Das poucas vezes que gritaram foi para insultar esse patrocinador. Nesta altura soube que aqueles cartões de adepto que fizemos foram uma forma do clube controlar quem vai ou não ao estádio e soube que há adeptos que foram banidos e não podem entrar. À entrada do estádio já nos tinham dado um panfleto a explicar todos os motivos pelos quais os adeptos estão descontentes com os patrocinadores, mas eu não liguei muito àquilo.
O jogo teve piada, o Legia acabou por ganhar, apesar de ter começado o jogo com o pé esquerdo. Não apanhámos chuva, porque os lugares eram bons e correu tudo bem. Nada de hooligans nem coisas do estilo. Mas, claro, muita chungaria. O futebol aqui nem sempre é bem visto. Há uma série de mitos em relação ao futebol que fazem precisamente com que quem acabe por ir aos jogos sejam os chungosos do costume. Se calhar porque cá há outros desportos que também atraem as pessoas, como os saltos na neve, etc. Mas acho que a pouco e pouco a tendência vai mudando.
Finalmente de volta ao carro, com os bilhetes na mão, planeámos logo vir a casa agasalharmo-nos mais um pouco, porque aquela chuva tinha-nos enregelado. Quando estávamos a caminho, começámos a analizar os bilhetes e... o jogo afinal era dali a uma hora!!! Nós convencidíssimos que era à noite!... Mal tivemos tempo de ir a casa, parar num McDrive e chegar novamente ao estádio.

O estádio!... Bem, começo por ver um exagero de polícia. Polícias com máscaras de protecção para a cara, tipo polícia de choque, com cães... Mas não era nem um nem dois, eram imensos!! Quando estávamos a chegar ao estádio eu ia muito bem comportadinha, porque eles realmente intimidavam. Não me lembro de ver nada assim em Portugal (mas também nunca fui a jogos de alto risco... apesar de aqui quase todos os jogos serem de alto risco...). Entrámos no estádio e, claro, não tem nada a ver com os nossos de Portugal. Mas aqui o Euro só vai ser em 2012. Bancada coberta, tudo fixe. Do outro lado, bancada descoberta. Do lado direito, a bancada dos visitantes, que mais parece uma jaula. Está bastante isolada das outras bancadas e com montes de grades para controlar os adeptos. E, claro, montes de polícia. Fazia um bocado de impressão vê-los assim tão separados.
Aqui não há claques propriamente ditas. Todos os adeptos gritam igualmente pelo seu clube. Os do ŁKS fartaram-se de apoiar a sua equipa. Os do Legia caladinhos, porque estão em conflito com o clube, qualquer desacordo com o patrocinador principal. Das poucas vezes que gritaram foi para insultar esse patrocinador. Nesta altura soube que aqueles cartões de adepto que fizemos foram uma forma do clube controlar quem vai ou não ao estádio e soube que há adeptos que foram banidos e não podem entrar. À entrada do estádio já nos tinham dado um panfleto a explicar todos os motivos pelos quais os adeptos estão descontentes com os patrocinadores, mas eu não liguei muito àquilo.
O jogo teve piada, o Legia acabou por ganhar, apesar de ter começado o jogo com o pé esquerdo. Não apanhámos chuva, porque os lugares eram bons e correu tudo bem. Nada de hooligans nem coisas do estilo. Mas, claro, muita chungaria. O futebol aqui nem sempre é bem visto. Há uma série de mitos em relação ao futebol que fazem precisamente com que quem acabe por ir aos jogos sejam os chungosos do costume. Se calhar porque cá há outros desportos que também atraem as pessoas, como os saltos na neve, etc. Mas acho que a pouco e pouco a tendência vai mudando.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Funeral polaco
Aí há um mês atrás estive num funeral aqui em Varsóvia. Tinha morrido a avó de uns primos do Stas. Curioso é que os funerais cá são um pouco diferentes. Ainda para mais este, que teve uma característica especial.
Pelos vistos, aqui não existem velórios, nem capelas mortuárias nas paróquias. Quando alguém morre, tem de esperar que haja vaga na igreja do cemitério para se celebrar lá missa de corpo presente seguida de funeral. Onde esperam, não sei, talvez nas funerárias. No caso desta avó, esperou-se uma semana e tal para o funeral.
Mas o mais interessante é que esta senhora era otrodoxa. O marido era católico e os filhos foram educados nesta religião. No fim da vida, ela contactou bastante com um padre católico e tinha muito boas relações com o catolicismo. Não obstante, pediu para ser sepultada no cemitério ortodoxo, onde já estavam os seus pais e irmãos (e não no cemitério onde o marido foi sepultado). Então, celebrou-se missa católica numa igreja de cemitério e em seguida foi-se para o cemitério ortodoxo, para uma celebração especial deles.
Foi a primeira vez que entrei numa igreja ortodoxa (não contando com aquela capela que há em
Fátima). É simplesmente espetacular. Muito bem ornamentada, com montes de velinhas, mas daquelas muito fininhas. Ao centro tem o altar que está tapado por umas portas de madeira. Pelo que ouvi dizer, as mulheres não podem entrar ali e aquelas portas só se abrem em ocasiões especiais. Ou seja, ninguém vê o altar.
A celebração foi também espetacular. Os padres ortodoxos vestem-se normalmente com umas batinas pretas compridas, mas sem botões à mostra. Para a celebração não se vestem muito diferente dos padres católicos, mas acho que as vestes eram mais bonitas. A celebração consistiu no padre a rezar algumas orações, alternadas com cânticos (havia um coro especial). De salientar que tanto o p
adre como o coro tinham uns vozeirões indescritíveis. Muito bom. O que eles iam dizendo alternava entre o polaco e uma espécie de russo antigo, que é a linguagem litúrgica deles, acho eu. O padre segurava uma velinha nas mãos, em alguns momentos foi incensar o altar (que foi aberto!), alguns dos principais ícones da igreja e o caixão. Havia momentos em que ele dizia qualquer coisa e que era suposto benzermo-nos, o que me deixou bastante atrapalhada, porque não sabia se me benzia à católica ou à ortodoxa. Não tirei fotos durante a celebração porque, afinal de contas, tratava-se de um funeral. Achei que seria de mau gosto. Mas aproveitei para tirar
algumas depois do cortejo fúnebre sair. No caminho até à sepultura, aquele coro brutal continuava a cantar e o padre a dizer as suas coisas.
Devo dizer que, em geral, apesar de se tratar de um funeral, foi muitíssimo interessante. Nunca tinha assistido a nada assim. Na Polónia existem ainda bastantes ortodoxos, apesar de ser um país maioritariamente católico. É uma característica da história da Polónia a sua tolerância religiosa desde sempre, o que fez com que, por exemplo, muitos judeus tivessem vindo parar cá durante as perseguições
na Europa. Então, por estes lados é comum ver uma igreja ortodoxa, por exemplo. Para mim foi a primeira vez, mas para a maioria das pessoas que lá estavam certamente não terá sido. Esperemos por uma próxima oportunidade.
Pelos vistos, aqui não existem velórios, nem capelas mortuárias nas paróquias. Quando alguém morre, tem de esperar que haja vaga na igreja do cemitério para se celebrar lá missa de corpo presente seguida de funeral. Onde esperam, não sei, talvez nas funerárias. No caso desta avó, esperou-se uma semana e tal para o funeral.
Mas o mais interessante é que esta senhora era otrodoxa. O marido era católico e os filhos foram educados nesta religião. No fim da vida, ela contactou bastante com um padre católico e tinha muito boas relações com o catolicismo. Não obstante, pediu para ser sepultada no cemitério ortodoxo, onde já estavam os seus pais e irmãos (e não no cemitério onde o marido foi sepultado). Então, celebrou-se missa católica numa igreja de cemitério e em seguida foi-se para o cemitério ortodoxo, para uma celebração especial deles.Foi a primeira vez que entrei numa igreja ortodoxa (não contando com aquela capela que há em
Fátima). É simplesmente espetacular. Muito bem ornamentada, com montes de velinhas, mas daquelas muito fininhas. Ao centro tem o altar que está tapado por umas portas de madeira. Pelo que ouvi dizer, as mulheres não podem entrar ali e aquelas portas só se abrem em ocasiões especiais. Ou seja, ninguém vê o altar.A celebração foi também espetacular. Os padres ortodoxos vestem-se normalmente com umas batinas pretas compridas, mas sem botões à mostra. Para a celebração não se vestem muito diferente dos padres católicos, mas acho que as vestes eram mais bonitas. A celebração consistiu no padre a rezar algumas orações, alternadas com cânticos (havia um coro especial). De salientar que tanto o p
adre como o coro tinham uns vozeirões indescritíveis. Muito bom. O que eles iam dizendo alternava entre o polaco e uma espécie de russo antigo, que é a linguagem litúrgica deles, acho eu. O padre segurava uma velinha nas mãos, em alguns momentos foi incensar o altar (que foi aberto!), alguns dos principais ícones da igreja e o caixão. Havia momentos em que ele dizia qualquer coisa e que era suposto benzermo-nos, o que me deixou bastante atrapalhada, porque não sabia se me benzia à católica ou à ortodoxa. Não tirei fotos durante a celebração porque, afinal de contas, tratava-se de um funeral. Achei que seria de mau gosto. Mas aproveitei para tirar
algumas depois do cortejo fúnebre sair. No caminho até à sepultura, aquele coro brutal continuava a cantar e o padre a dizer as suas coisas.Devo dizer que, em geral, apesar de se tratar de um funeral, foi muitíssimo interessante. Nunca tinha assistido a nada assim. Na Polónia existem ainda bastantes ortodoxos, apesar de ser um país maioritariamente católico. É uma característica da história da Polónia a sua tolerância religiosa desde sempre, o que fez com que, por exemplo, muitos judeus tivessem vindo parar cá durante as perseguições
na Europa. Então, por estes lados é comum ver uma igreja ortodoxa, por exemplo. Para mim foi a primeira vez, mas para a maioria das pessoas que lá estavam certamente não terá sido. Esperemos por uma próxima oportunidade.(Peço desculpa pela má qualidade das imagens, mas foram tiradas à pressa, como devem calcular, e com o telemóvel...)
quarta-feira, 19 de março de 2008
Uma nova escola
Começámos esta semana as aulas de preparação para o
parto. Aqui na Polónia chama-se a isto Szkoła Rodzenia, que significa algo como "escola do nascimento". Neste curso em que nos inscrevemos temos aulas uma vez por semana, durante três horas. Quando vi que ia durar tanto tempo não queria acreditar, mas depois... Até se percebe porquê. A primeira aula foi engraçada. Começou com uma longa apresentação, pois éramos uns 13 casais. Depois, fizemos um pequeno trabalho em grupos que preparou para a parte teórica. Esta foi muito interessante, porque a orientadora esteve a explicar imensas coisas sobre a gravidez e o bebé. Fizeram-se algumas perguntas (sobretudo os pais, o que foi curioso) que ajudaram a perceber ainda mais. No fim, pôs-nos a todos a fazer ginástica, incluindo os pais! Ao som de Gipsy Kings, ainda por cima. Foi hilariante! Primeiro exercícios normais, depois exercícios para relaxar (as costas, sobretudo) e no fim uns poucos de respiração, muito simples. Foi pena que, por falta de tempo (afinal as três horas passam a voar) não conseguimos fazer mesmo bem todos os exercícios. Bem, e para ser sincera, esta parte de ginástica foi a que gostei menos. Acabei os exercícios com mais dores nas costas do que antes, o que não me agradou. E depois, há exercícios super básicos, uns até conhecia das aulas de pilates, mas que com um barrigão aqui à frente se tornam quase impossíveis!... Claro que a orientadora faz tudo super bem e a correr (ora bem, ela não está grávida!), mas para mim alguns foram uma verdadeira tortura. Às vezes lá tentava mais, mas de facto era fisicamente impossível fazer algumas coisas, porque a perna não subia mais, ou porque a barriga bloqueava, ou porque não me conseguia dobrar, etc. Enfim, espero que da próxima vez consiga fazer tudo com mais tempo e calma.
Em geral, a nossa opinião foi positiva. A orientadora é uma pessoa experiente, é parteira há uns 14 anos e explica muito bem todas as coisas. Só nos exercícios é que exagerou um bocado na rapidez. Mas de resto, está aprovada!
parto. Aqui na Polónia chama-se a isto Szkoła Rodzenia, que significa algo como "escola do nascimento". Neste curso em que nos inscrevemos temos aulas uma vez por semana, durante três horas. Quando vi que ia durar tanto tempo não queria acreditar, mas depois... Até se percebe porquê. A primeira aula foi engraçada. Começou com uma longa apresentação, pois éramos uns 13 casais. Depois, fizemos um pequeno trabalho em grupos que preparou para a parte teórica. Esta foi muito interessante, porque a orientadora esteve a explicar imensas coisas sobre a gravidez e o bebé. Fizeram-se algumas perguntas (sobretudo os pais, o que foi curioso) que ajudaram a perceber ainda mais. No fim, pôs-nos a todos a fazer ginástica, incluindo os pais! Ao som de Gipsy Kings, ainda por cima. Foi hilariante! Primeiro exercícios normais, depois exercícios para relaxar (as costas, sobretudo) e no fim uns poucos de respiração, muito simples. Foi pena que, por falta de tempo (afinal as três horas passam a voar) não conseguimos fazer mesmo bem todos os exercícios. Bem, e para ser sincera, esta parte de ginástica foi a que gostei menos. Acabei os exercícios com mais dores nas costas do que antes, o que não me agradou. E depois, há exercícios super básicos, uns até conhecia das aulas de pilates, mas que com um barrigão aqui à frente se tornam quase impossíveis!... Claro que a orientadora faz tudo super bem e a correr (ora bem, ela não está grávida!), mas para mim alguns foram uma verdadeira tortura. Às vezes lá tentava mais, mas de facto era fisicamente impossível fazer algumas coisas, porque a perna não subia mais, ou porque a barriga bloqueava, ou porque não me conseguia dobrar, etc. Enfim, espero que da próxima vez consiga fazer tudo com mais tempo e calma.Em geral, a nossa opinião foi positiva. A orientadora é uma pessoa experiente, é parteira há uns 14 anos e explica muito bem todas as coisas. Só nos exercícios é que exagerou um bocado na rapidez. Mas de resto, está aprovada!
quarta-feira, 12 de março de 2008
Ele também sabe falar polaco!
Vejam este anúncio, de um banco polaco. Tem legendas em polaco, mas o inglês percebe-se perfeitamente. O fim está genial.
segunda-feira, 10 de março de 2008
O dia da mulher durante o comunismo
Contaram-me este fim-de-semana uma particularidade interessante do dia da mulher na Polónia durante os tempos do comunismo. Diz que nesse tempo as mulheres não conseguiam comprar collants normalmente, porque não havia ou não tinham autorização para os comprar. Então, no dia da mulher, todas as mulheres tinham direito de receber um par de collants grátis. E, claro, tinham de assinar um registo em como tinham recebido os ditos para não haver aldrabices. Era assim que os comunistas presenteavam as mulheres polacas.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Retratos da Insurreição
Finalmente lá consegui tratar de toda a papelada respeitante à minha estadia aqui. Foi a coisa mais simples que existe. Agora, daqui a uns dias, terei de voltar lá para ir buscar a autorização de residência. Quando saí de lá, porque até vinha bem disposta, decidi tirar algumas fotos ao monumento dedicado aos combatentes da insurreição de Varsóvia, que é mesmo ali ao lado. Estamos em plena cidade velha, onde grande parte da acção da insurreição decorreu. Estes monumentos mostram alguns dos combatentes, salientando o facto de serem civis. Nesta foto aqui em cima, por exemplo, vê-se uma criança, talvez já adolescente, com um capacet
e que mal lhe serve. Aqui na outra foto vêem-se os resistentes a fugir pelas canalizações da cidade. Foi assim que muitos deles se salvaram (outros não, acho que dependeu de onde sairam, mas não tenho a certeza). Aqui nesta foto vê-se também um padre. Penso que em nenhum destes são retratadas mulheres, mas muitas estiveram também nas fileiras de combate da insurreição.Nesta zona fica um edifício que tem qualquer coisa a ver com o exército, não sei bem o que é. Quando passei por aqui e estava a fazer estas fotos, os militares polacos estavam a entrar para uns autocarros próprios. Deviam ir a algum funeral, ou algo do estilo
, porque na bagageira levavam montes de coroas de flores. Achei curioso o facto de eles estarem todos aperaltados, mas de sobretudo verde, igual à farda deles, com um cinto grosso e acastanhado na cintura. Muito elegantes lá iam eles. Acho que nunca tinha visto militares de sobretudo. O mais engraçado é que cada um deles que ia entrando no autocarro levava na mão um cabide! Imagino que fosse para pendurar o sobretudo, já que eles estavam impecavelmente passados a ferro.Estas duas placas nestas fotos são alusivas também à fuga dos resistentes da insurreição pelos esgotos da cidade. Em frente a este prédio, onde estão as placas, ficava
um dos (ou simplesmente "o") buracos por onde eles escaparam. Não consegui tirar boas fotos, porque o prédio está em obras e está tapado. Eu lá meti a mão por entre os andaimes e consegui tirar estas duas fotos. A primeira placa diz algo tipo: "Por este canal, após uma heróica defesa da cidade velha, foram desde o centro até Zoliborz (no norte da cidade) 5300 combatentes do grupo do norte". Se isto estiver mal traduzido, depois corrigo. A segunda placa mostra o trajecto que eles fizeram. Infelizmente, pelos motivos que já referi, não consegui chegar-me mais perto para ler melhor o que lá diz. Mas quando vierem cá visitar-me podemos passar por lá e ver as coisas melhor.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Os burocratas
Há vários meses que estive no SEF cá do sítio para pedir o meu cartão de residente na Polónia. Para efeitos legais, preciso de o ter. Na altura, deram-me quatro formulários gigantes, daqueles em que nos perguntam mil coisas parvas (os quatro campos iniciais são: últimos apelidos, apelidos anteriores, apelidos iniciais, nome próprio - nunca pensei que pudesse haver tantas categorias de apelidos! Mas afinal só a primeira é q interessava, ou seja, continuo sem saber o que significam as outras) e uma lista com os papéis que eu tinha de apresentar juntamente com esse documento. O drama começou por eu não ter nem o BI, nem o passaporte actualizados depois do casamento. Tive de esperar até ao Natal, até vir a Portugal para renovar os documentos. O BI sim, deu, mas o passaporte não, porque ainda não tinha o BI actualizado. Regressei a Varsóvia apenas com o passaporte na mão e o BI veio cá ter um mês depois. Nessa altura, lá me decidi eu a ir novamente aos serviços de estrangeiros. Felizmente descobri na internet que podia marcar hora e assim não tinha de esperar na fila. Cheguei lá, ainda estive a preencher o que faltava nos formulários, porque havia perguntas parvas (como já disse). Perguntei se podia apresentar tudo com o meu BI, visto o passaporte não estar actualizado. Ah, e tal, não, tem de ser mesmo o passaporte. Achei isto estranho, pois pertencendo eu a um país da UE nem sequer preciso de ter passaporte para estar cá. Mas enfim, eles mandam. Marcaram-me uma audiência para o fim de Março, onde deveria explicar os meus motivos para querer ter um cartão de residência (como se ser casada com um polaco não bastasse...) e trazer o passaporte actualizado. Depois no início de Abril dir-me-iam o "veredicto". Ah, e ainda teria de pagar 340zl.Bem, voltei para casa com a ideia de na semana seguinte ir ao consulado português renovar o passaporte. Entretanto o drama das fotografias tipo passe, porque aqui têm mil e uma normas para a foto (semi-perfil, com uma orelha a ver-se, sem brincos, óculos nem nada, etc, etc) e em Portugal obrigaram-me a ter fotos normais, de frente. Lá me comecei a mentalizar que ia ter de tirar novamente fotografias e ainda por cima gastar 270zl pela renovação do passaporte (acho que ainda me iam cobrar mais, por o passaporte não estar caducado e ser só actualização de dados). No dia em que ia à embaixada sou acordada não pelos vizinhos de cima, mas por um telefonema da inspectora dos serviços de estrangeiros que tratou do meu processo. A coitada da senhora só nesse dia descobriu que eu sou cidadã da UE (vá-se lá saber onde ela tinha a cabeça quando me atendeu...). Ou seja, a nabice em pessoa!... Então, parece que eu tinha de me deslocar a outro gabinete, no piso inferior, tirar a senha A e era logo atendida (porque nunca havia fila). Com todo o respeito, sem insultar a senhora (que realmente merecia), lá lhe agradeci a indicação e alterei o meu plano de ir ao consulado por ir novamente visitar o serviço de estrangeiros. Cheguei, lugar à porta, fui ao 1º andar, um corredor normal e com ar saudável (o do 2º andar onde tive de ir era horrível, cheirava mal, tinha mil pessoas amontoadas, enfim, um antro). Sou chamada mal tiro a senha (não havia mesmo fila), entro por uma ante-sala toda bonitinha e com a bandeira da UE, chego a um gabinete todo arranjadinho e sou logo bem recebida. De facto, em termos de local, uma diferença abismal do piso superior. E o que é que me disseram os senhores da UE? Basta preencher um formulário (1/3 do anterior que me deram), trazer um ou outro papel, nada de fotos e em duas semanas dão-me o cartão. E pagamento? 1zl! Até fiquei com vontade de beijar as pessoas daquele gabinete! Afinal é tudo tão simples e não sei porquê uns burocratas queriam complicar-me a vida. Ou seja, nada de audiências, nada de pagamentos imbecis e nada de renovar o passaporte! Realmente, é bom fazer parte da UE.
Vá lá, são só duas semanas...
Desde a semana passada que por cá se está em período de férias de inverno. As escolas estão fechadas durante duas semanas e as universidades interromperam durante uma. Esta é a segunda semana de férias da criançada. Para mal dos meus pecados, os meus vizinhos de cima (que em geral são calminhos) têm filhos pequenos, imagino eu que sejam miúdos da escola primária ou do 2º ciclo. Infelizmente para eles estar de férias significa estar em casa. Para mim isto significa fazer barulho. Na semana passada acordei um dia com eles (sim, os miúdos dormem no quarto por cima do nosso!...) a jogar um jogo de computador ou algo do estilo e aos berros. Noutro dia, quando eu ia pôr um cd a tocar cá em casa, eles decidiram pôr música tecno no máximo. Felizmente um minuto depois lá baixaram a música e eu pude ligar algo mais suave aqui em baixo. Hoje, estava eu muito bem ainda no país dos sonhos quando acordo com música hip-hop mesmo por cima de mim e novamente aos berros!... Ou seja, a segunda semana está a começar bem.
A vantagem de tudo isto é que na 6ª feira tive de atravessar a cidade toda sozinha de carro em suposta hora de ponta e não apanhei trânsito nenhum. Ao menos isto.
Entretanto, parece que começou a época da neve aqui em Varsóvia. Hoje acordei e estava tudo branco e com ar de quem não está a pensar derreter brevemente.
A vantagem de tudo isto é que na 6ª feira tive de atravessar a cidade toda sozinha de carro em suposta hora de ponta e não apanhei trânsito nenhum. Ao menos isto.
Entretanto, parece que começou a época da neve aqui em Varsóvia. Hoje acordei e estava tudo branco e com ar de quem não está a pensar derreter brevemente.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Patinagem artística... ou não!
No fim-de-semana passado aproveitei a visita da Vanessa a estes lados da Europa para ir pela primeira vez patinar no gelo! Estão a ver esta imagem aqui ao lado? Pois não tem nada a ver! Há muitos anos que não andava de patins - e no gelo nunca tinha andado. Para grande horror da família, lá fomos nós aventurar-nos.Estavam montes de pessoas no ringue. A questão é que eram todos super cromos, já muito habituados a patinar. Eu, super naba, mal me conseguia afastar do corrimão. Com mais 6,5kg em cima e um ligeiro ponto de desequilíbrio para os lados da barriga, lá me fui aguentando e não caí uma única vez (apesar de me ter desequilibrado algumas vezes)!!
Em suma, foi muito engraçado, é um exercício físico interessante. Apesar do stress todo da família ao saber desta pequena escapadela para patinar, valeu a pena porque exercitei-me alguma coisa. Agora, aqueles patins são realmente um bocado desconfortáveis... Nos dias seguintes ainda sentia algumas zonas sensíveis nos tornozelos.
Depois disto, só me falta experimentar o ski.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Fernão Lopes
Acho que ainda não contei aqui que o Stas tem um primo que estuda história e nos últimos tempos se tem interessado pela história de Portugal. Não sei ao certo se terá alguma cadeira só sobre história de Portugal, mas penso que sim. Noutro dia encontrou num alfarrabista uma versão polaca das Crónicas do Fernão Lopes. E, para minha surpresa, leu aquilo tudo de fio a pavio e gostou! Lembro-me de estudar estas crónicas no liceu e achar uma seca... Se calhar por na altura ser adolescente e ter de estudá-las nas aulas de língua portuguesa e não de história. Achei mesmo surpreendente ele ter gostado do livro. É sempre giro quando algum estrangeiro se interessa pela nossa história.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Frustrações
. Andei eu semanas há espera que estreasse o novo Astérix para chegar ao cinema e ter a agradável surpresa de saber que cá só está disponível a versão dobrada em polaco... Regresso directo a casa, sem comprar bilhetes e na esperança de conseguir que alguém me arranje a versão original pirateada. Assim realmente não tenho outra solução.
. Pela primeira vez na vida começo a sentir o drama de tantas pessoas: Entro na minha roupa e ela ou não me serve, ou serve com dificuldade. Já repuxa em alguns sítios, noutros aperta mesmo... O que vale é que por enquanto ainda tenho algumas coisas que são minimamente extensíveis ou largas.
. Pela primeira vez na vida começo a sentir o drama de tantas pessoas: Entro na minha roupa e ela ou não me serve, ou serve com dificuldade. Já repuxa em alguns sítios, noutros aperta mesmo... O que vale é que por enquanto ainda tenho algumas coisas que são minimamente extensíveis ou largas.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Parabéns à família!!!
Hoje às 9h51 de Lisboa (isto agora, com a família espalhada pelo mundo, tem de se identificar bem o fuso horário!) nasceu o mais recente membro da família: a Teresa Elias!! Por este grande acontecimento estamos todos de parabéns, mas sobretudo os pais e o irmão, que ainda está para descobrir o que é ter uma maninha. Nós por cá esperamos ansiosamente receber as primeiras fotos da Teresa para a podermos conhecer.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Outra vez aulas
Esta semana voltei um pouco à normalidade que tinha deixado há uns tempos. Recomecei a ter aulas de polaco, o que já me vinha a fazer muita falta. Para terem uma ideia, a minha nova professora sentiu-se enganada por lhe terem dito que eu devia começar agora o nível B1 (que era o suposto)... Mas enfim, depois lá se convenceu que eu já sei umas coisitas. Tenho aulas três vezes por semana. Agora tem mesmo de ser, porque depois é capaz de ser mais complicado.
Também esta semana já me inscrevi na "Escola da Família", que é como chamam aqui às aulas pré-parto. Inscrevi-me mas só começo em Março. Parece um exagero, mas tem mesmo de ser assim, com tanta antecedência. O nosso rebento é que parece já estar entusiasmado com esta ideia, porque não tem parado de dar sinal de vida! Agora anda a mexer-se imenso. Hoje na aula de polaco foi um virote, acho que ele também já começa a aprender na barriga.
Também esta semana já me inscrevi na "Escola da Família", que é como chamam aqui às aulas pré-parto. Inscrevi-me mas só começo em Março. Parece um exagero, mas tem mesmo de ser assim, com tanta antecedência. O nosso rebento é que parece já estar entusiasmado com esta ideia, porque não tem parado de dar sinal de vida! Agora anda a mexer-se imenso. Hoje na aula de polaco foi um virote, acho que ele também já começa a aprender na barriga.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
O fim-de-semana em fotos
Um lago no jardim botânico de Bydgoszcz, praticamente todo congelado, mas... um pequeno espaço resiste ainda ao invasor! Os patos andam por lá molhar-se na pouca água que encontram (não sei como não tinham frio...).
Outra parte do jardim botânico. Também um riacho congelado. Apesar de tudo, a temperatura neste dia estava acima de zero, por isso não há neve em todos os sítos. Havia era algum gelo, o que fazia com que tivessemos de andar com muita prudência para não cairmos.
A tal pista de neve de que falei no post anterior. É curioso ver que à volta não há neve nenhuma (nesta altura já estavam uns 8ºC).
A bacia de Puck congelada. Muito engraçado, ver mar assim.
O palácio neo-gótico nos arredores de Puck, que se diz ter pertencido ao rei Jan Sobieski.

Alguém com sentido de humor mudou as placas nos dois sentidos que indicavam Puck... Quando entrámos na cidade por momentos achámos que as placas eram mesmo originais, só depois nos apercebemos que tinha sido uma piada.
Achei lindo ver várias placas que indicavam cidades suecas, como esta, que indica Estocolmo. Há ferry-boats que partem desta zona da Trójmiasto para a Suécia, mas demoram mais de 10h de viagem. A foto está escura, mas se clicarem nela, aparece maior e acho que se percebe melhor.
Em Sopot podemos encontrar esta casa muito original, que é um centro comercial. Por dentro não tem interesse nenhum, é só mesmo o ser estranha por fora.
Eu, no pôr-do-sol, em Sopot, no molhe que entra pelo mar por cima da praia.
A praia de Sopot. Estavam imensas pessoas a passear por lá - com a temperatura que estava, duvido que alguém em Portugal arriscasse ir passear à beira-mar. A água estava super calminha e viam-se gaivotas, patos e cisnes até. Lindíssimos.
O Grande Hotel de Sopot, sobre a praia. Muito giro (e nada de torres horrorosas no fundo a estragar a foto).
No fim do molhe temos esta vista: apenas mar. Eis o Báltico.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Fim de semana compactado
No dia seguinte acordámos relativamente cedo e pusemo-nos em marcha. Fomos em direcção a Wladyslawowo, que é a pontinha mais a norte, mas não chegámos a entrar lá. Vi o Báltico pela primeira vez na bacia de Puck. Curiosamente estava em parte congelado!!!! Foi super estranho ver mar congelado... mas como ali não é mesmo mar, é mais uma espécie de ria... É interessante que na costa norte da Polónia há vários lagos que foram formados por braços de terra que se uniram e fecharam a entrada do mar. Nesta zona, há um braço de terra grande (pode ver-se no mapa). Na ponta tem uma cidade chamada Hel onde ainda pensámos ir, mas depois desistimos, por falta de tempo. Perto de Puck vimos ainda um palácio antigo de um rei polaco. Depois disto seguimos para Gdynia, onde entrámos na avenida principal e aí sim, começámos a ver mar. Parámos depois em Sopot, onde almoçámos. Se em Gdynia só consegui ver alguns estaleiros e pouco mais, em Sopot vi uma autêntica cidade de praia que ainda não foi estragada. Com o seu Grande Hotel sobre a praia e casas antigas, com poucos andares, a zona está muito gira. Tem uma rua pedonal que dá para um molhe grande que entra pelo mar dentro e onde se pode passear. Mas, como já disse, fotos disto só amanhã (talvez). É mesmo gira, a cidade. E depois, Gdansk. Aquilo que no meu imaginário era Gdansk na realidade é Sopot. Gdansk não tem nada a ver. Não é uma cidade sobre a praia, porque tem imensos estaleiros (os famosos estaleiros do tempo do comunismo e do Lech Walesa), mas é a foz de um rio e tem vários canais desse rio. Para mim, Gdansk (falo do centro, obviamente) é aquilo que eu imaginava que deviam ser aquelas cidades da Flandres, no século XVI. A verdade, é que Gdansk foi uma cidade mais para o independente. Era um porto comercial por onde passavam as mais diferentes pessoas e isso reflecte-se na sua arquitectura, tão diferente do resto da Polónia. Digamos que era uma cidade multi-cultural. Em suma, é espetacular! Tive pena de passar lá tão pouco tempo. Sobretudo, tive pena de que quando lá cheguei, já era praticamente noite e não consegui tirar fotos de jeito... O lado positivo é que apanhámos um pôr-do-sol bonito em Sopot. Mas sobre Gdansk e o resto falarei mais amanhã.
No regresso a Varsóvia ainda passámos por Malbork, para ver pelo menos por fora o espetacular castelo que lá há, mas vi muito pouco. Sobre este castelo falarei também noutra altura. Por agora, vou ver o que consigo fazer com as fotos.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Outro ponto de vista
Depois de vários dias com temperaturas a rondar os -10ºC, dou por mim a pensar que não está frio quando estão apenas zero graus.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Soluções
Aqui vão as soluções do desafio anterior:
Niepokój - Ansiedade
Poniedziałek - Segunda-feira
Przedpokój - Corredor, ante-câmara
Samolot - Avião
Samochód - Carro
Rajstopy - Collants (esta era quase impossível, sei)
Piłka nożna - Futebol
Stonoga - Centopeia
E fica ainda a palavra apresentado pela mdem:
oczywiście
oczy - olhos
wisieć- pendurar
(wiście- 2ª pessoa, plural, imperativo)
Niepokój - Ansiedade
Poniedziałek - Segunda-feira
Przedpokój - Corredor, ante-câmara
Samolot - Avião
Samochód - Carro
Rajstopy - Collants (esta era quase impossível, sei)
Piłka nożna - Futebol
Stonoga - Centopeia
E fica ainda a palavra apresentado pela mdem:
oczywiście
oczy - olhos
wisieć- pendurar
(wiście- 2ª pessoa, plural, imperativo)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Já passou um ano!
Cá estamos de volta a Varsóvia, para mais uma temporada. Quando chegámos fomos muito bem recebidos, com -10ºC, para animar. Que bem que soube entrar em casa e sentir o calorzinho! No entanto, andamos a ver se compramos algum aparelho daqueles que dão humidade, porque o ar aqui é demasiado seco. Não nos faz bem a nós, cujos narizes e afins se queixam, nem às nossas plantinhas, coitaditas.
Quando chegámos, tivemos a alegria de ter no correio dois postais de Natal, que só chegaram depois de nós termos partido para Portugal. Mas foi bem assim, porque foi uma forma de animar o regresso. Obrigada, família, pelo alembramento!!
Já fez um ano que eu para aqui vim pela primeira vez e devo dizer que o tempo não tem nada a ver. Esta semana já apanhei mais temperaturas baixas que em todo o inverno do ano passado. Fiquei chocada quando entrei no carro e vi uma garrafa de água que lá tinha deixado completamente congelada! Nunca tal havia visto! Nem me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas realmente quando estão temperaturas bem negativas, é normal.
Ontem, por exemplo, aconteceu uma coisa chata. De madrugada e de manhã caiu uma chuva miudinha. Só que como a temperatura aqui em baixo estava bem baixa, a água congelou e formou gelo. Se eu andasse normalmente de patins, não havia problema. Mas com sapatos normais torna-se complicado andar na rua assim. E os carros? Tivemos de andar a partir gelo antes de poder ir a qualquer sítio. A neve sempre dá para limpar facilmente, mas o gelo... É uma seca! Depois disto vá lá que começou a nevar mesmo e o gelo deixou de incomodar.
Duas notas finais para concluir: Como o Stas veio doente de Portugal (a nossa humidade dá cabo dos estrangeiros...), veio cá a casa o médico de família deles vê-lo. Qual não foi a minha surpresa quando olho para o dito senhor (que mal entrou deitou a baixo com uma cabeçada a única decoração de Natal que eu tinha acabado de pendurar) e ele é igual ao Putin! A sério, é impressionante! Mais tarde comentei com outras pessoas que também o conhecem e todos corroboraram a parecença. Médico-Putin, não há nada a fazer. Não sei o nome dele, mas para mim vai ser sempre conhecido desta forma.
A nota final para dizer que este fim de semana recebemos em casa a "visita pascal" versão Natal. É muito parecido com o que fazem no Carregal na Páscoa: vem um padre, benze a casa, reza uma oração, toma um cházinho e faz um pouco de conversa, e depois continua a percorrer as casas todas da vizinhança. Super engraçado. Eles avisam quando vêm e nós só temos de arrumar minimamente a casa para o senhor não desmaiar de susto. Ah, e no fim damos "uns trocos" para a igreja (no caso da nossa paróquia, é literalmente para a igreja, que vai começar a ser construída agora - para já só há uma capela provisória).
E pronto, cá estamos, neste momento a cidade está toda branquinha por causa da neve de ontem, o que dá mais luz e é muito agradável à vista. Aqui por casa estamos todos bem, a barriga já começou a crescer (tem imensa piada!!) e o/a pequenote/a já não incomoda tanto como antes. É só mesmo o sono, mas isso... Só sei que ele/ela gostou muito da viagem a Portugal! E agora espera visitas.
Quando chegámos, tivemos a alegria de ter no correio dois postais de Natal, que só chegaram depois de nós termos partido para Portugal. Mas foi bem assim, porque foi uma forma de animar o regresso. Obrigada, família, pelo alembramento!!
Já fez um ano que eu para aqui vim pela primeira vez e devo dizer que o tempo não tem nada a ver. Esta semana já apanhei mais temperaturas baixas que em todo o inverno do ano passado. Fiquei chocada quando entrei no carro e vi uma garrafa de água que lá tinha deixado completamente congelada! Nunca tal havia visto! Nem me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas realmente quando estão temperaturas bem negativas, é normal.
Ontem, por exemplo, aconteceu uma coisa chata. De madrugada e de manhã caiu uma chuva miudinha. Só que como a temperatura aqui em baixo estava bem baixa, a água congelou e formou gelo. Se eu andasse normalmente de patins, não havia problema. Mas com sapatos normais torna-se complicado andar na rua assim. E os carros? Tivemos de andar a partir gelo antes de poder ir a qualquer sítio. A neve sempre dá para limpar facilmente, mas o gelo... É uma seca! Depois disto vá lá que começou a nevar mesmo e o gelo deixou de incomodar.
Duas notas finais para concluir: Como o Stas veio doente de Portugal (a nossa humidade dá cabo dos estrangeiros...), veio cá a casa o médico de família deles vê-lo. Qual não foi a minha surpresa quando olho para o dito senhor (que mal entrou deitou a baixo com uma cabeçada a única decoração de Natal que eu tinha acabado de pendurar) e ele é igual ao Putin! A sério, é impressionante! Mais tarde comentei com outras pessoas que também o conhecem e todos corroboraram a parecença. Médico-Putin, não há nada a fazer. Não sei o nome dele, mas para mim vai ser sempre conhecido desta forma.
A nota final para dizer que este fim de semana recebemos em casa a "visita pascal" versão Natal. É muito parecido com o que fazem no Carregal na Páscoa: vem um padre, benze a casa, reza uma oração, toma um cházinho e faz um pouco de conversa, e depois continua a percorrer as casas todas da vizinhança. Super engraçado. Eles avisam quando vêm e nós só temos de arrumar minimamente a casa para o senhor não desmaiar de susto. Ah, e no fim damos "uns trocos" para a igreja (no caso da nossa paróquia, é literalmente para a igreja, que vai começar a ser construída agora - para já só há uma capela provisória).
E pronto, cá estamos, neste momento a cidade está toda branquinha por causa da neve de ontem, o que dá mais luz e é muito agradável à vista. Aqui por casa estamos todos bem, a barriga já começou a crescer (tem imensa piada!!) e o/a pequenote/a já não incomoda tanto como antes. É só mesmo o sono, mas isso... Só sei que ele/ela gostou muito da viagem a Portugal! E agora espera visitas.
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