quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ainda sobre marcas portuguesas

Ontem, enquanto folheava uma daquelas revistas para mamãs, que aconselham a comprar mil e uma inutilidades para os filhos, encontrei uma coisa engraçada:

Esta página mostra vários produtos alimentares aconselhados para crianças. Mas vejamos melhor o que aparece no canto superior esquerdo:

Aaaah, mas são os potezinhos de fruta da Compal!! Que surpresa! Há uns meses, uma pessoa disse-me que encontrou há venda no Tesco algo que eu identifiquei como sendo estes essenciais de fruta da Compal (diziam-me que era uma marca portuguesa). Só que de cada vez que eu lá ia, nunca encontrei nada. Ontem, naquela revista, finalmente encontrei! Apenas um pormenor... No texto por baixo diz que isto é da marca Ogrody Natury e dá o respectivo site. Fui lá ver se encontrava alguma coisa, mas nada. Vou ver se retomo a minha busca nos supermercados (na Biedronka não!...lol), a ver se encontro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Finalmente: a minha ida à Biedronka!

Ao fim de quase dois anos na Polónia, fui finalmente pela primeira vez fazer compras à Biedronka. A Mcf já me tinha massacrado para lá ir, mas a verdade é que na zona da cidade onde vivo não há nem uma! Apesar de uma vez me terem dito para lá ir ver se havia produtos portugueses que não há cá (tipo batata palha), nunca tive grande entusiasmo. Até porque as últimas publicidades que vi deles diziam algo tipo "90% de produtos polacos". Achei que era pouco provável que aqueles 10% fossem precisamente produtos portugueses, então não tinha vontade de lá ir.
Ontem, por fim, talvez por ainda estar na ressaca das férias em Portugal, achei que teria piada lá passar. Fui ao site deles, para ver se descobria qual era a loja mais perto de nós. Em Varsóvia há 27 Biedronkas, a maioria delas em zonas um bocado manhosas. Acabei de descobrir uma que ficava nas vizinhaças e lá fomos nós, quase à hora daquilo fechar.
Ficava num sítio um bocado escondido, mas depois de darmos algumas voltas, conseguimos chegar lá. À entrada, reparei logo nos cestos-carrinho iguais aos que há no Pingo Doce, só que em vermelho. Tentámos arranjar um que tivesse rodas, mas foi inútil: todos tinham as rodas partidas! Foi uma espécie de prenúncio do que seria toda a loja. Assim um bocado ao jeito do Lidl (como me disseram uma vez que a Biedronka era suposto ser parecida com o Lidl), nas prateleiras e chão podemos encontrar as coisas todas em caixas abertas. Tudo posto assim a granel para cada um chegar lá e se servir. As marcas para mim eram quase todas desconhecidas. Tirando uma ou outra (e a marca Biedronka, claro), nunca tinha visto nenhuma daquelas marcas. A única coisa que me impressionou positivamente foi a qualidade dos frescos. Às vezes tenho dificuldade em conseguir comprar num supermercado umas cenouras ou tomates de jeito. E ali, surpresa das surpresas, tudo tinha um aspecto "rural saudável". Fiquei fã. Mas acho que foi só mesmo disso. Vou ter de ser sincera: a loja era realmente manhosa e tinha um ar sujo... E as dúas únicas coisas que encontrei com marca portuguesa foi vinho do Porto marca Pingo Doce e pastéis de nata congelados marca Gelpeixe (Porto e pastéis de nata, ou seja, aquilo que um dia antes tínhamos trazido connosco de Portugal...). E para terminar bem, não se pode pagar com cartão. Por sorte tínhamos levado uns trocos que chegaram. Sim, porque os preços de facto são baixos (com marcas desconhecidas, não podia ser outra coisa) e pagámos menos do que o normal.
À saída, já no carro, mal tínhamos começado a andar oiço um estrondo do meu lado, como se uma pedra ou algo tivesse batido na porta. Parámos o carro mais à frente e vimos que alguém tinha atirado um tomate ou uma maçã contra nós. O que eu não sabia é que aquele bairro onde estava esta Biedronka também é algo manhoso (que estranho!).
Em suma, não penso voltar à Biedronka tão cedo. Ainda por cima também não dão sacos de plástico.

O horário solar polaco

Já antes disse aqui que na Polónia no Verão o sol nasce exageradamente cedo. No Inverno, pelo contrário, põe-se exageradamente cedo. Estes dois extremos fazem com que o sol "viaje" a uma grande velocidade por estes lados.
Quando a Teresa nasceu, em Junho, lembro-me de acordar de noite pelas 3h da manhã e já não precisar de acender nenhuma luz na cozinha, porque o dia já estava a começar. Há umas semanas atrás, às 5h fui à cozinha e senti a mesma sensação. Ou seja, os dias agora estão muito mais curtos. Em suma, estar na Polónia implica ter um bom relógio, porque pelo sol não vamos lá.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Um momento de história: A Batalha de Grunwald

Este verão (que entretanto já acabou) só tivemos direito a um fim de semana de férias. Passámo-lo em Dąbrówno, uma vila na região da Mazúria, ladeada por dois grandes lagos. O sítio, devo dizer, é bastante giro. Nunca tinha passado férias (ainda que mini-férias) nos lagos, como cá se costuma fazer muito. E, de facto, gostei muito. Fizemos canoagem, andamos de barco a remos e só não nadámos porque estava uma aragem demasiado fresca.
Dąbrówno é uma vila histórica. Foi construída pelos cruzados no século XIV. Os cruzados, na sua luta contra os infiéis, vieram até esta zona da Europa e aqui se estabeleceram durante algum tempo. Apesar da Polónia ser um país cristão, tinha uma grande tolerância religiosa e entre os seus aliados contavam-se alguns povos vizinhos de leste de outras religiões. Por isto, eram alvo de repetidos ataques por parte dos cruzados, também chamados cavaleiros teutónicos.
Os cruzados deixaram a sua marca em várias regiões da Polónia, onde se podem ver os fantásticos castelos que construíam. O maior deles todos está em Malbork. Passei por lá em Janeiro deste ano, mas já tarde demais para visitar ou sequer fazer fotos do exterior. O castelo de Malbork é património da Unesco e é o maior no mundo construído com tijolos. No séc. XIV era neste castelo que se encontrava o grão-mestre dos cruzados.
A vila de Dąbrówno fica muito perto de Grunwald, outra vila polaca de grande interesse histórico. Foi aqui precisamente que se deu aquela que por muitos é chamada de maior e mais sangrenta batalha da Idade Média. De um lado, os cruzados. Do outro, os exércitos polaco e lituano (e mais alguns aliados), chefiados pelo rei polaco Władysław Jagiełło. Esta batalha, da qual sairam vencedores os polacos, acabou com a presença dos cruzados na região da Polónia e foi o início do declínio da ordem, que mais tarde se veio a extinguir. Ao que parece, os polacos massacraram mesmo! Apesar de não haver consenso quando ao número de tropas de cada um dos lados, sabe-se que os polacos e os seus aliados eram mais que os cruzados. Ou seja, enquanto nesta altura os portugueses andavam entretidos a querer conquistar meio mundo, os polacos andavam a expulsar os cruzados do seu território. Uma ordem religiosa de cavaleiros que deviam defender a fé, acabou por ser derrotada por um reino cristão (será por o rei ter mandado celebrar duas missas antes da batalha?).
Todos os anos, no aniversário da batalha (15 de Julho de 1410), realiza-se uma gigante encenação deste acontecimento no descampado de Grunwald. Ainda não tive oportunidade de assistir, mas espero algum dia conseguir lá ir. O terreiro onde se deu a batalha é enorme. Percebe-se que, de facto, era o sítio ideal. Actualmente, a zona continua aberta como antes. Apenas tem um museu subterrâneo e um ou outro monumento. Curioso o facto de estarem lá os restos de um monumento dedicado a esta batalha que estava em Cracóvia, mas que os nazis destruiram durante a guerra. Isto porque a maioria dos cruzados eram alemães.
A batalha de Grunwald ficou imortalizada por um famoso quadro do pintor polaco Jan Matejko, em exposição no Museu Nacional, em Varsóvia.

Entretanto, há uma semana vi um filme polaco dos anos 60 inspirado no livro de Henryk Sienkiewicz, chamado Os Cruzados. Mostra um pouco de como era a Polónia nesta época em que os cruzados dominavam uma parte do actual território polaco. É muito interessante. Apesar de ser uma obra de ficção, tem um background histórico. O filme mostra como os cruzados tinham começado a perder a essência religiosa da ordem e só queriam era fazer guerras. Termina com a batalha de Grunwald, é claro, e a vitória dos polacos sobre os "mauzões" cruzados.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Casamento à polaca

No sábado casou-se o Jarek, irmão do Stas. Foi o primeiro casamento a que fomos com a Teresa e também o meu primeiro casamento polaco. Sim, porque na Polónia os casamento são um pouco diferente dos de Portugal. Passo a explicar.
Antes ainda da cerimónia religiosa, algumas famílias têm a tradição de fazer uma bênção dos noivos. Reúnem-se na casa dos pais de um deles, com algumas pessoas da família, e lá fazem o seu pequeno ritual. Claro que nem todos fazem isto (até porque é um ritual um bocado inventado, já que a bênção mesmo recebem-na os noivos na igreja, não é em casa que se casam). Bem, mas passando à frente, na Polónia os noivos chegam juntos à igreja. Ah pois é! Vão à sacristia assinar os papéis (cá é assim, se desistimos no início da celebração, azar, já assinámos os papéis!!...) com os padrinhos, que são só dois - um do noivo e uma da noiva. Os noivos chegam juntos ao fundo da igreja, com os padrinhos alinhados atrás e esperam que o padre os vá saudar. O padre vai ter com eles, diz algumas coisas e regressa pelo centro da igreja. Os noivos seguem-no e atrás destes os padrinhos. Eu, que sou um bocado tendenciosa, devo dizer que acho mais giro e simbólico o noivo ficar à espera no altar e a noiva entrar com o pai, que a entrega ao noivo. Mas na Polónia não é assim.
Depois, os noivos lá se sentam no centro da igreja, em frente ao altar. Atrás deles, nuns banquinhos individuais, estão os padrinhos. Ou seja, durante toda a celebração, os padrinhos ficam ali em destaque como os noivos. Costinhas direitas e nenhum gesto! A diferença é que não têm genuflexório e os bancos não estão juntos, mas um pouco afastados. Durante o rito do matrimónio, faz-se a invocação do Espírito Santo antes dos noivos fazerem as suas promessas. Para os mais atentos, no nosso casamento também fizemos isso. No fim da Missa, como os noivos já assinaram os papéis todos, toca-se a marcha nupcial e lá vão eles igreja fora, com os coitados dos padrinhos atrás (devo dizer que eu não gostava nada de ser madrinha num casamento polaco... É um bocado seca...).
Lembrei-me agora que menti ao dizer que este era o meu primeiro casamento polaco. Não é verdade. Já assisti a outros. Foi o meu primeiro copo-de-água polaco, isso sim! Digo isto porque há uma tradição polaca que não vi fazerem neste casamento, mas já vi noutros. Ao sairem da igreja, os convidados atiram para o ar (não para cima dos noivos, senão ainda se magoavam) várias moedas. É tarefa dos noivos recolhê-las todas e isso dirá se vão ter uma vida próspera ou não (se não as recolherem todas... é mau sinal).
Típico polaco é levar-se flores para o casamento. No fim da Missa, os convidados fazem fila para ir cumprimentar os noivos e dar-lhes flores. Nós não ficámos na fila, porque estava um frio desgraçado e a Teresa tinha fome. Aproveitei neste momento para fazer uma passagem por casa e de seguida fomos para o copo-de-água.
Chegámos ao hotel antes dos noivos, que ficaram a tirar fotografias. Há uma tradição polaca em que os pais dos noivos os recebem à entrada da sala com pão e sal (não faço a mínima ideia do simbolismo disto). Depois lá fomos aos comes e bebes. Na Polónia, faz-se uma refeição principal, mas depois ao longo da noite vão aparecendo outras pequenas refeições. Dizem que isto se faz, porque os polacos gostam muito de vodka e, quando se abusa da bebida, é bom ir comendo bem para compensar. Neste caso, foi um casamento sem álcool. Só no início, depois da entrega do pão e do sal é que se serviu champanhe, mas foi só mesmo isso.
Agora, a coisa engraçada dos casamentos polacos é que têm um entertainer que vai fazendo a festa. Ele inventa jogos, danças, põe música, enfim, anima mesmo os convidados! É uma coisa que tem piada. Este, pelo menos, arranjou uns momentos giros. A mim faz-me confusão é que os polacos gostam muito de dançar, mas sobretudo a pares. Eu, que sou um pé de chumbo, evitei grandes danças para não dar barraca. Ao princípio não queria ir, mas depois lá me convenceram. Só que, para meu azar, iniciei-me logo numa brincadeira em que calhava dançarmos com outra pessoa qualquer. Felizmente o meu marido veio salvar-me e trocou de par comigo.
Um pouco antes de comermos pela terceira vez, serviram o bolo dos noivos. Tipiquíssimo, com não sei quantos andares.
No fim da festa já não estive presente, porque entretanto os meus pés começaram a queixar-se e a filhinha também já estava cansadita. Sim, porque a marota divertiu-se que se fartou!! Estava toda bem disposta!
Várias pessoas me foram perguntando o que achava do casamento. Eu respondia sempre que achei diferente. Não posso dizer que é mais giro, porque estou habituada a outro estilo. Mas teve piada. A mim é que ainda me custa participar naquelas brincadeiras e jogos. Não estou habituada a fazer certas figuras tão bem vestida e diante de tantas pessoas (sobretudo mais velhas). Bem, pelo menos não posso dizer que eles não se divertem.
Por este ano, já chega de casamentos à polaca. Agora é só mais uma semana e picos para o casamento à portuguesa do ano.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quem se lembra o Ursinho Teddy?

Ainda sobre ursinhos, descobri há uns meses que o Ursinho Teddy, que dava na televisão quando eu era pequenina, é um desenho animado polaco! Deixo aqui dois pequenos vídeos, do início e do fim. Se quiserem, depois posso escrever aqui a tradução do que ele canta.


Miś

Miś, em polaco, significa ursinho. Costuma ser usado como alcunha de alguém, ou como forma carinhosa de trato (geralmente entre casais ou pais e filhos). Miś é também o nome de um filme polaco muito conhecido, do início dos aos 80. A minha professora de polaco já me tinha recomendado ver este filme, para ter uma imagem dos anos do comunismo na Polónia. Eu, entretanto, tinha visto a sequela, chamada Ryś, mas que estreou no cinema no ano passado, ou seja, é um filme recente - nada de comunismos.
Há uns dias, finalmente, vi o famoso Miś. Devo dizer que é bastante engraçado, apesar de termos posto mil vezes em "pause" para eu poder perceber devidamente todas as piadinhas. Conta a história de um homem, presidente de um clube desportivo, que se divorciou e descobre que a ex-mulher planeia ir a Londres levantar todo o dinheiro de uma conta comum que eles lá tinham. Só que ela rasgou-lhe o passaporte para ele não pode sair do país. E para conseguir um passaporte novo, naqueles tempos, teria de esperar um ano. Então, ele vai procurar um sósia para conseguir tirar-lhe o passaporte e ir a Londres levantar o dinheiro todo antes da ex-mulher.
No meio destas confusões todas, vamos tendo uma imagem do que era a Polónia comunista. Ao princípio, eu achei estranho como era possível os comunistas terem deixado fazer um filme que gozasse com eles próprios. Explicaram-me que esta era uma espécie de "crítica controlada", quer dizer, se eles deixassem sair este filme com estas piadinhas, sabiam com o que contavam. E para eles era melhor isto assim, do que um filme com críticas mais fortes a circular na clandestinidade.
Neste filme podemos ver como eram as filas nas lojas, para se conseguir comprar algo; como os funcionários das lojas tratavam mal os clientes; como pessoas do campo traziam os seus bens para vender clandestinamente na cidade; como circulavam poucos carros e os transportes públicos estavam sempre a avariar (no filme há um dia em que os elétricos avariam todos e, para compensar, os comunistas criam o "dia do passageiro a pé"); como numa casa minúscula tinham de viver várias pessoas; como nas cantinas e refeitórios serviam mal as pessoas; como a polícia não tinha interesse nenhum em ajudar; enfim, uma infinidade de coisas. Em geral, é muito interessante, este filme. No fim, termina com uma cena em que no fundo estão umas pessoas vestidas à camponeses típicos polacos e a cantar uma música de natal, só que a letra foi devidamente alterada para não ter conteúdo religioso.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O campo na cidade

Varsóvia é uma cidade tão grande que é preciso muito tempo para a conhecer mesmo bem. Volta e meia, decidimos fazer passeios de carro por zonas que não conhecemos. Desta vez, fomos investigar Wilanów, mas para os lados do rio.
Wilanów é um bairro bom. Tem zonas com muitas moradias, onde vive gente rica. A nível de transportes públicos não é das melhores, mas quem vive em algumas daquelas casas são pessoas que à partida têm carro. É um bairro que ainda se está a expandir; o volume de construção lá é enorme. Há uma zona onde estão a acabar de construir uma série de prédios baixos com apartamentos, com um ar bem giro.
Wilanów chega até ao rio Vístula. Por esse lado eu ainda não tinha andado. Passámos por uma zona de moradias que eu desconhecia. Apenas reconheci o nome de uma das ruas, porque lá morava uma colega minha alemã do curso de polaco no Polonicum. Esta zona era gira, mas só tinha lá pelo meio um mini-mercado, uma paragem de autocarro e pouco mais. Em termos práticos, se queremos uma farmácia, uma pastelaria, etc, ali é difícil encontrar. Só mesmo pegando no carrinho e andando uns quilómetros. Depois deste bairro, entra-se noutro que nunca pensei encontrar em Varsóvia. É literalmente uma aldeia! Casas típicas do campo, com quintais e zonas de cultivo, mesmo as pessoas têm um ar campesino, vestem-se de forma mais rural. É muito engraçado. Sente-se o cheiro dos pomares. A certa altura começou a cheirar-me a figos. Fiquei toda contente, a achar que iria comer figos na Polónia. De repente vimos uma árvore cheiinha de figos, parámos o carro para eu ir tirar um, mas... Quando chegámos lá não eram figos!! A minha nabice surpreendeu-me, que com o desejo guloso de comer, nem reparei que a folha da árvore era diferente da da figueira. Lá tive de me resignar e continuar o passeio pelo campo citadino.
Devo dizer que nunca pensei encontrar uma aldeia daquelas dentro de uma cidade. De facto, Varsóvia é mesmo diferente de Lisboa. Lisboa é uma cidade muito delimitada, que já não tem espaço para crescer. Varsóvia ainda tem muitas zonas por explorar (vê-se com os novos bairros que vão surgindo, como estes prédios novos de Wilanów de que falei há pouco). Claro que não vai ter novos bairros, porque à volta também tem outras pequenas povoações. Mas dentro dos que já existem (tirando o centro, é claro), ainda há muitas coisas interessantes e muitos espaços verdes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sobre o nome Teresa

Teresa é um dos poucos nomes que se escrevem da mesma maneira em português e em polaco. Quando estava na sala de partos, perguntaram-me que nome tinha pensado para a bebé e nós dissemos Teresa. "Ah, que engraçado!", disseram todos contentes, porque a enfermeira anestesista também se chamava Teresa. Uns tempos depois, já não me lembro porquê, comecei a perceber que este nome afinal já não é muito comum na Polónia. O exagero aconteceu numa loja, quando uma funcionária se virou para nós, depois de ter metido conversa, e comentou: "Teresa é o nome da minha avó!"... Bem, uns dias depois, noutra loja (não, eu não passo a vida em lojas, mas é que é lá que as pessoas metem conversa!...) a empregada quando soube que ela se chamava Teresa, disse: "Finalmente um nome polaco!". Começou-se ali um diálogo sobre os nomes que agora os pais dão às crianças, que são um bocado estranhos. Há nomes como Maja (lê-se como a abelha), Pola, Nina, Nela, Sonia e outros que tais que fogem um pouco à tradição polaca. Noutro dia, também, a ortopedista disse-nos que era a primeira bebé Teresa que ela recebia no consultório (será que ela tem poucos pacientes?).
Portanto, se em Portugal o nome Teresa agora está na moda, na Polónia pelos vistos é nome de avó! Quer dizer que temos uma avózinha pequena em casa.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma lição de botânica

Se em Portugal há certas frutas que não são cultivadas por cá, também existe o inverso. No que toca a frutos do bosque então, nem se fala. Destas espécies o que eu gosto mesmo é de amoras; é das coisas mais giras o tradicional passeio ao Pinheiro Grande enquanto se apanham (ou simplesmente depenicam) amoras pelo caminho.
Na Polónia ainda não vi amoras. Em contrapartida, existem vários frutos do bosque que eu desconhecia totalmente. Para mim, olhando para eles, são todos iguais - muda apenas a côr. Na realidade, não é bem assim. Uns são mais doces, outros mais ácidos, etc. Passo a apresentar alguns destes frutos que fiquei a conhecer aqui:


Czarna porzeczk
a. Diz a Wikipédia que em português se chama cassis. Parece-me que serão as bagas mais comuns, uma vez que se vende imenso em sumo, iogurtes, chás, etc.





Czerwona porzeczka
. Em português não faço a mínima ideia do que seja. É tipo a anterior, mas vermelha e mais ácida.





Jagoda. Em polaco, para além do nome de um fruto é também um nome próprio de mulher. Em português penso que corresponde a mirtilo. Parece igual ao cassis, mas não é.



Żurawina. Outra que desconheço o nome em português. Também este parece igual às outras baguinhas vermelhas, mas não é. A compota disto usa-se cá por vezes como acompanhamento para bifes. Acho que não é doce.





Agrest. Mais uma vez, parece igual, mas não é. Ao que parece, isto serão groselhas.




Tudo isto para dizer que noutro dia ofereceram-nos um cesto cheio de czerwona porzeczka. Pensámos logo em fazer sumo das ditas baguinhas e certa noite resolvemos meter mãos à obra. Começámos todos contentes, mas depois percebemos que foi um presente semi-envenenado. Nem sei ao certo quanto tempo demorámos a tirar as baguinhas todas uma a uma dos cachos para as podermos usar... O cesto aparentava não ser muito grande, mas as bagas também não são. Digamos que apanhar amoras para fazer compota é bem mais simples. Ao fim de sei lá quanto tempo (desde que a pequenota nasceu, o tempo tornou-se algo muito relativo para mim) conseguimos terminar esta espinhosa missão e fizemos um jarro de sumo, só com a polpa das baguinhas. Parte delas ainda aproveitámos para fazer doce. Tivemos foi de usar bastante açúcar numa coisa e noutra, que a czerwona porzeczka é realmente muito ácida e tem um sabor bem forte.
Concluindo, na Polónia há mil e uma baguinhas pretas e vermelhas, que a mim me parecem todas iguais, mas não o são. Se alguém quiser vir cá agora nesta época do ano, pode vir fazer uma degustação para comprovar este facto. Em nossa casa pelo menos há czerwona porzeczka. Por enquanto.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Jakie śliczne maleństwo!

Agora onde quer que vamos o comentário que ouvimos é sempre o mesmo: "Mas que pequenina!" As pessoas parece que já se esqueceram como é um bebé com poucas semanas de vida. Em vários locais públicos e até no Consolado Português lá salta a bela da observação: "Jakie śliczne maleństwo!" (- Que pequenote tão querido!). Agora, o que eu gostei mesmo foi noutro dia numa loja, uma das empregadas - depois de comentar, como sempre, como ela era pequenina - virou-se para mim e disse que eu estava muito bem, em termos de silhueta, para quem tinha acabado de dar à luz. Neste momento, o meu ego subiu até ao cimo do prédio. Claro que isto vindo de uma pessoa que não me conhece de lado nenhum não tem qualquer espécie de valor. Mas o ego gostou. Ainda por cima porque eu ainda tenho um bocado de barriga, mas naquele dia estava com uma roupa que apertava nessa zona e disfarçava bastante bem. Coisas de mulheres!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Pequenos retratos de Maio

O Palácio de Wilanów ao entardecer

Uma encenação de rua no dia 3 de Maio, feriado nacional polaco, dia da Constituição

Vista do Palácio de Łazienki, também no dia 3 de Maio (também havia lá encenações, concertos, etc)
Um pavão no parque Łazienki
A mais famosa estátua de Chopin

Muito me contas e nada me dizes

Nos últimos tempos tem-se tornado difícil escrever no blog. Com o aproximar do nascimento da bebé vão-se acumulando coisas para fazer e às vezes nem sei o que fazer primeiro. Então o blog vai ficando para trás.
Claro que isto não quer dizer que em Varsóvia não se tem passado nada. O mês de Maio foi, de certo modo, bastante activo. Desde o início de Maio até agora recebemos várias visitas, que nos permitiram dar umas belas passeatas, fomos duas vezes à ópera, uma ao ballet e duas ao cinema (para aproveitar enquanto ainda podemos), deitámos fora a cabine de duche da casa de banho e montámos uma banheira (o Stas, claro, eu não), comprámos a cama de grades para a pequenota (e mais uma vez o Stas montou). comprámos uma mesinha com cadeiras para a varanda (adivinhem quem montou??), e lá no meio ainda ficámos sem carro uns dias (felizmente agora já está bem) e sem Stas (que entretanto deu um mau jeito às costas... era uma alegria, nenhum dos dois a poder pegar em pesos... ir ao supermercado tornou-se algo muito... curioso). Juntando a isto todas as tarefas domésticas normais e a lentidão de uma mulher grávida, acho que dá para ter uma ideia de como temos estado.
Agora estamos em fase de espera do Euro, dos meus pais que estão quase a chegar (chegam com o Euro, basicamente) e da pequenota.
Apenas para terem uma ideia, apesar de estar mau tempo em Portugal, aqui em Varsóvia têm estado uns dias lindos, cheios de calor, em que só se aguenta de t-shirt. Ainda há pouco estive a experimentar as cadeiras novas da varanda, mas não consegui ficar muito tempo lá porque o sol estava a queimar. O lado negativo disto? Os dias começarem às 4 da manhã... Os nossos quartos estão virados a nascente, logo apanham a maior luz do dia aí entre as 7 e as 10, mais ou menos. Depois a partir das 11 já voltam a ficar mais escuros (isto mesmo com estores e cortinados fechados). Noutro dia acordámos cedo e tomámos o pequeno-almoço às 7 da manhã e parecia que eram 11 horas, tal era a quantidade de luz que já havia a essa hora. Originalidades da Polónia.
Fotos não tenho feito muitas, mas vou ver se encontro algumas giras para pôr aqui. Ah, é que entretanto também comprámos uma máquina fotográfica. Pois claro, com uma criança a caminho não podiamos não ter máquina!! Espero que seja o fim de fotos manhosas feitas com o telemóvel para o blog.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Senhas de racionamento

Noutro dia, na aula de polaco, estivemos a ler um texto sobre a PRL - República Popular da Polónia, nome pelo qual a Polónia era conhecida durante o regime comunista (nome típico dos países comunistas). O texto falava sobre a vida do cidadão comum, a nível de consumos. Falava sobre as intermináveis filas em que as pessoas tinham de estar para conseguirem comprar alguma coisa. Apesar de todas as coisas que li e que são para mim de certa forma incompreensíveis (acho que para todas as pessoas que não viveram esta realidade, tudo isto soa a estranho), houve uma que me fez pensar um bocado. Os polacos tinham de ficar em filas para comprar alguma coisa, mas se não tivessem senhas de racionamento, de nada lhes servia. Havia senhas para carne, açúcar, leite, manteiga, gasolina, etc. Por exemplo, cada família tinha direito a 3 kg de carne por mês. E aqui é que eu me fiquei. 3 kilos por mês é muito pouco. Nós cá em casa somos dois (quase três, mas este três ainda não conta) e consumimos à vontade mais de 3 kg de carne por mês. Comecei, então, a perceber certos hábitos alimentares dos polacos. O Stas já me tinha dito uma vez que nós comiamos muita carne, o que eu achei estranho, porque achei que comiamos o normal. Afinal, é tudo uma questão cultural, se é que assim se pode chamar. Os polacos em geral são capazes de fazer várias refeições sem carne, ou usando apenas carnes frias, por exemplo. No fundo, era tudo uma questão de sobrevivência; tinham de se desenrascar de qualquer maneira. A pouco e pouco vou juntando assim pequenas peças de um puzzle e vou percebendo mais algumas coisas dos polacos (sobretudo das gerações mais velhas).

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ir à bola na Polónia

Há séculos que estou para escrever aqui sobre a minha ida ao futebol. Foi já há umas boas semanas (para não dizer meses). Decidimos um sábado ir ao estádio ver o Legia de Varsóvia jogar contra o ŁKS de Łódź, num dos primeiros (se não o primeiro) jogos da liga de Verão (eles cá fazem uma interrupção durante o Inverno). Estava um dia manhoso, de chuva, mas resolvemos ir na mesma. Fomos ao fim da manhã até ao estádio para comprar bilhetes para o jogo, que seria à noite. Deparámo-nos com uma situação curiosa: para comprar um bilhete era necessário ter um cartão de adepto. Este cartão não é o mesmo que um cartão de sócio, porque não pagamos quotas, só pagamos o cartão na hora e não é muito caro. Lá fomos nós fazer uns cartões para nós. E aqui começaram as filas... Fila para fazer o cartão, à chuva. Felizmente quando já estava quase na nossa vez, um dos stewards teve a gentileza de me convidar para a tenda onde tínhamos de preencher o formulário para eu não me molhar mais. Mal entro na tenda, começa a cair uma carga de água daquelas (e o Stas lá fora, à espera de vez para entrar...). Por fim fizemos os cartões, que ficaram todos janotas com a nossa foto. Depois... fila para levantar os cartões... À chuva, claro. Felizmente nesta altura já chovia pouco e até nem tivemos de esperar muito. No fim disto, fomos finalmente comprar os bilhetes, mas para a bancada coberta, que tanta chuva já chateava. Aqui tivemos sorte, porque a senhora da bilheteira estava com problemas no computador e mal nos vendeu os bilhetes, fechou a bilheteira - que estava com uma bela fila... Ui, digamos que os que estavam atrás de nós na fila não ficaram lá muito contentes...
Finalmente de volta ao carro, com os bilhetes na mão, planeámos logo vir a casa agasalharmo-nos mais um pouco, porque aquela chuva tinha-nos enregelado. Quando estávamos a caminho, começámos a analizar os bilhetes e... o jogo afinal era dali a uma hora!!! Nós convencidíssimos que era à noite!... Mal tivemos tempo de ir a casa, parar num McDrive e chegar novamente ao estádio.
O estádio!... Bem, começo por ver um exagero de polícia. Polícias com máscaras de protecção para a cara, tipo polícia de choque, com cães... Mas não era nem um nem dois, eram imensos!! Quando estávamos a chegar ao estádio eu ia muito bem comportadinha, porque eles realmente intimidavam. Não me lembro de ver nada assim em Portugal (mas também nunca fui a jogos de alto risco... apesar de aqui quase todos os jogos serem de alto risco...). Entrámos no estádio e, claro, não tem nada a ver com os nossos de Portugal. Mas aqui o Euro só vai ser em 2012. Bancada coberta, tudo fixe. Do outro lado, bancada descoberta. Do lado direito, a bancada dos visitantes, que mais parece uma jaula. Está bastante isolada das outras bancadas e com montes de grades para controlar os adeptos. E, claro, montes de polícia. Fazia um bocado de impressão vê-los assim tão separados.
Aqui não há claques propriamente ditas. Todos os adeptos gritam igualmente pelo seu clube. Os do ŁKS fartaram-se de apoiar a sua equipa. Os do Legia caladinhos, porque estão em conflito com o clube, qualquer desacordo com o patrocinador principal. Das poucas vezes que gritaram foi para insultar esse patrocinador. Nesta altura soube que aqueles cartões de adepto que fizemos foram uma forma do clube controlar quem vai ou não ao estádio e soube que há adeptos que foram banidos e não podem entrar. À entrada do estádio já nos tinham dado um panfleto a explicar todos os motivos pelos quais os adeptos estão descontentes com os patrocinadores, mas eu não liguei muito àquilo.
O jogo teve piada, o Legia acabou por ganhar, apesar de ter começado o jogo com o pé esquerdo. Não apanhámos chuva, porque os lugares eram bons e correu tudo bem. Nada de hooligans nem coisas do estilo. Mas, claro, muita chungaria. O futebol aqui nem sempre é bem visto. Há uma série de mitos em relação ao futebol que fazem precisamente com que quem acabe por ir aos jogos sejam os chungosos do costume. Se calhar porque cá há outros desportos que também atraem as pessoas, como os saltos na neve, etc. Mas acho que a pouco e pouco a tendência vai mudando.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Funeral polaco

Aí há um mês atrás estive num funeral aqui em Varsóvia. Tinha morrido a avó de uns primos do Stas. Curioso é que os funerais cá são um pouco diferentes. Ainda para mais este, que teve uma característica especial.
Pelos vistos, aqui não existem velórios, nem capelas mortuárias nas paróquias. Quando alguém morre, tem de esperar que haja vaga na igreja do cemitério para se celebrar lá missa de corpo presente seguida de funeral. Onde esperam, não sei, talvez nas funerárias. No caso desta avó, esperou-se uma semana e tal para o funeral.
Mas o mais interessante é que esta senhora era otrodoxa. O marido era católico e os filhos foram educados nesta religião. No fim da vida, ela contactou bastante com um padre católico e tinha muito boas relações com o catolicismo. Não obstante, pediu para ser sepultada no cemitério ortodoxo, onde já estavam os seus pais e irmãos (e não no cemitério onde o marido foi sepultado). Então, celebrou-se missa católica numa igreja de cemitério e em seguida foi-se para o cemitério ortodoxo, para uma celebração especial deles.
Foi a primeira vez que entrei numa igreja ortodoxa (não contando com aquela capela que há em Fátima). É simplesmente espetacular. Muito bem ornamentada, com montes de velinhas, mas daquelas muito fininhas. Ao centro tem o altar que está tapado por umas portas de madeira. Pelo que ouvi dizer, as mulheres não podem entrar ali e aquelas portas só se abrem em ocasiões especiais. Ou seja, ninguém vê o altar.
A celebração foi também espetacular. Os padres ortodoxos vestem-se normalmente com umas batinas pretas compridas, mas sem botões à mostra. Para a celebração não se vestem muito diferente dos padres católicos, mas acho que as vestes eram mais bonitas. A celebração consistiu no padre a rezar algumas orações, alternadas com cânticos (havia um coro especial). De salientar que tanto o padre como o coro tinham uns vozeirões indescritíveis. Muito bom. O que eles iam dizendo alternava entre o polaco e uma espécie de russo antigo, que é a linguagem litúrgica deles, acho eu. O padre segurava uma velinha nas mãos, em alguns momentos foi incensar o altar (que foi aberto!), alguns dos principais ícones da igreja e o caixão. Havia momentos em que ele dizia qualquer coisa e que era suposto benzermo-nos, o que me deixou bastante atrapalhada, porque não sabia se me benzia à católica ou à ortodoxa. Não tirei fotos durante a celebração porque, afinal de contas, tratava-se de um funeral. Achei que seria de mau gosto. Mas aproveitei para tirar algumas depois do cortejo fúnebre sair. No caminho até à sepultura, aquele coro brutal continuava a cantar e o padre a dizer as suas coisas.
Devo dizer que, em geral, apesar de se tratar de um funeral, foi muitíssimo interessante. Nunca tinha assistido a nada assim. Na Polónia existem ainda bastantes ortodoxos, apesar de ser um país maioritariamente católico. É uma característica da história da Polónia a sua tolerância religiosa desde sempre, o que fez com que, por exemplo, muitos judeus tivessem vindo parar cá durante as perseguições na Europa. Então, por estes lados é comum ver uma igreja ortodoxa, por exemplo. Para mim foi a primeira vez, mas para a maioria das pessoas que lá estavam certamente não terá sido. Esperemos por uma próxima oportunidade.

(Peço desculpa pela má qualidade das imagens, mas foram tiradas à pressa, como devem calcular, e com o telemóvel...)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Uma nova escola

Começámos esta semana as aulas de preparação para o parto. Aqui na Polónia chama-se a isto Szkoła Rodzenia, que significa algo como "escola do nascimento". Neste curso em que nos inscrevemos temos aulas uma vez por semana, durante três horas. Quando vi que ia durar tanto tempo não queria acreditar, mas depois... Até se percebe porquê. A primeira aula foi engraçada. Começou com uma longa apresentação, pois éramos uns 13 casais. Depois, fizemos um pequeno trabalho em grupos que preparou para a parte teórica. Esta foi muito interessante, porque a orientadora esteve a explicar imensas coisas sobre a gravidez e o bebé. Fizeram-se algumas perguntas (sobretudo os pais, o que foi curioso) que ajudaram a perceber ainda mais. No fim, pôs-nos a todos a fazer ginástica, incluindo os pais! Ao som de Gipsy Kings, ainda por cima. Foi hilariante! Primeiro exercícios normais, depois exercícios para relaxar (as costas, sobretudo) e no fim uns poucos de respiração, muito simples. Foi pena que, por falta de tempo (afinal as três horas passam a voar) não conseguimos fazer mesmo bem todos os exercícios. Bem, e para ser sincera, esta parte de ginástica foi a que gostei menos. Acabei os exercícios com mais dores nas costas do que antes, o que não me agradou. E depois, há exercícios super básicos, uns até conhecia das aulas de pilates, mas que com um barrigão aqui à frente se tornam quase impossíveis!... Claro que a orientadora faz tudo super bem e a correr (ora bem, ela não está grávida!), mas para mim alguns foram uma verdadeira tortura. Às vezes lá tentava mais, mas de facto era fisicamente impossível fazer algumas coisas, porque a perna não subia mais, ou porque a barriga bloqueava, ou porque não me conseguia dobrar, etc. Enfim, espero que da próxima vez consiga fazer tudo com mais tempo e calma.
Em geral, a nossa opinião foi positiva. A orientadora é uma pessoa experiente, é parteira há uns 14 anos e explica muito bem todas as coisas. Só nos exercícios é que exagerou um bocado na rapidez. Mas de resto, está aprovada!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ele também sabe falar polaco!

Vejam este anúncio, de um banco polaco. Tem legendas em polaco, mas o inglês percebe-se perfeitamente. O fim está genial.

segunda-feira, 10 de março de 2008

O dia da mulher durante o comunismo

Contaram-me este fim-de-semana uma particularidade interessante do dia da mulher na Polónia durante os tempos do comunismo. Diz que nesse tempo as mulheres não conseguiam comprar collants normalmente, porque não havia ou não tinham autorização para os comprar. Então, no dia da mulher, todas as mulheres tinham direito de receber um par de collants grátis. E, claro, tinham de assinar um registo em como tinham recebido os ditos para não haver aldrabices. Era assim que os comunistas presenteavam as mulheres polacas.