segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um novo monumento em Varsóvia

Uma das coisas que sempre tive curiosidade em saber era exactamente onde tinha sido o Gueto de Varsóvia. Quer dizer, eu sabia mais ou menos em que zona era - até porque uma vez me disseram que as casas aí construídas estão ligeiramente mais altas do chão, por terem sido construídas sobre as ruínas do Gueto, e isso é visível. Mas queria saber com precisão. Comprámos há uns meses um livrito que tinha lá um mapa, mas nunca cheguei a fazer esse percurso para ver como é hoje.
Até que a cidade de Varsóvia teve uma boa ideia: colocou uma série de placas de bronze com um mapa do Gueto em zonas por onde passava o muro do dito. Uma forma de assinalar as suas fronteiras. Segundo dizem, podemos ver estas placas nas ruas Złota, Żelazna, Grzybowska, Solidarność e Żytnia, entre outras. Nós fomos em busca da placa na rua Świętojerska e, de facto, lá estava ela, toda janota à nossa espera para uma sessão de fotografias.



















Diz a inscrição:
«Por decisão das autoridades ocupantes alemãs, o gueto foi isolado do resto da cidade no dia 16 de Novembro de 1940. A área do gueto, rodeada por um muro, tinha inicialmente cerca de 307 hectares; posteriormente foi ampliada e a partir de Janeiro de 1942 dividiu-se no chamado pequeno e grande gueto. Foram enclausurados aqui cerca de 360 mil judeus de Varsóvia e cerca de 90 mil de outras localidades. Cerca de 100 mil pessoas morreram à fome. No verão de 1942, os alemães deportaram e assassinaram nas câmaras de gás de Treblinka cerca de 300 mil pessoas. No dia 19 de Abril de 1943 estalou uma insurreição; até meados de Maio insurgentes e civis morreram na luta e nas chamas do gueto sistematicamente incendiado; os outros foram assassinados pelos alemães em Novembro de 1943 nos campos de concentração de Majdanek, Poniatowa e Trawniki. Poucos sobreviveram.
À memoria daqueles que sofreram, lutaram, morreram. Cidade de Varsóvia, 2008
Pequeno fragmento do muro norte do gueto aqui preservado.»


E, para terminar, duas pequenas imagens das primeiras neves que cairam por aqui. Pena que não tirámos fotos no domingo. Isso sim, tinha sido giro. Caiu um nevão engraçado (que coincidiu com um momento em que tive de sair à rua...), era ver as criancinhas e pais todos aqui no parque infantil a descer as montanhinhas de trenó e a atirarem bolas de neve.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Recuando uns dias: o 11 de Novembro

Dia 11 de Novembro é feriado nacional na Polónia. Celebra-se a festa da independência. Independência esta reconquistada após a Iª Guerra Mundial - depois de mais de um século de Polónia dividida entre Rússia, Prússia e Áustria. O grande herói destes tempos é o marechal Piłsudzki (curiosidade: ao contrário do que muitos pensam, a rua Marszałkowska em Varsóvia não deve o seu nome a este marechal).
Na véspera deste feriado, fomos convidados para uma festa de anos algo patriótica. Em casa dos nossos amigos, em pleno coração da cidade, gerou-se um ambiente bem engraçado. A mesa da comida estava decorada com bandeirinhas polacas (pena que não tirei nenhuma foto). Mas o original desta festa foi que todos fomos convidados para irmos lá cantar cânticos patrióticos polacos! Tinhamos à nossa disposição cancioneiros com as letras das músicas e um amigo dos anfitriões dava o tom para ninguém se enganar. Foi um verdadeiro convívio patriótico! O mais curioso é que, no meio daquelas músicas todas, havia uma que eu conhecia, porque aprendi no curso na Universidade de Varsóvia!
Deixo aqui para quem quiser ouvir uma das várias músicas que cantaram na festa, chamada My Pierwsza Brygada (nós, a primeira brigada), que era onde estava o Piłsudzki (e o bisavô do Stas também, por sinal).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Powązki

Falando ainda a propósito do dia de Todos-os-Santos, não posso deixar de referir o cemitério de Powązki. É o cemitério mais antigo de Varsóvia e penso que um dos mais bonitos (não conheço os outros todos, mas imagino que sim). Nele encontram-se sepultados vários polacos famosos, sejam actores, escritores, juristas, artistas plásticos, músicos, etc. Muitas das campas e jazigos que lá há datam do século XIX. No dia de Todos-os-Santos ira Powązki é suicídio. As ruas à volta deste cemitério são fechadas, nas redondezas vemos placas de sinalização a indicar parkings provisórios criados especialmente para aquela ocasião e o trânsito para lá chegar também não anima. A solução é mesmo ir de eléctrico. Tentei ir lá no dia 2 de Novembro, já que dia 1 não foi possível, mas desistimos. Acabámos por ir uma semana depois, apesar de já não ser a mesma coisa. No próprio dia de Todos-os-Santos em Powązki concentram-se alguns polacos famosos a fazerem um peditório para a conservação e restauro dos túmulos de pessoas, conhecidas ou não, que por já não terem família, se estão a degradar. Pelo que percebi, se no dia 1 nos cemitérios normais já há grande confusão, então naquele deve ser um autêntico circo.
O cemitério de Powązki está rodeado por um cemitério judaico, um protestante e um muçulmano (dos tártaros, com túmulos também de séculos passados). Lá dentro, temos uma parte central com sepulturas antigas, uma zona chamada Aleja Zasłużonych, que se traduz mais ou menos por Avenida (ou Passeio) dos Meritórios, onde há uma espécie de corredor com vários cofres onde estão os restos mortais desses meritórios. Mais uma vez, como agora escurece tão cedo, não conseguimos fazer a visita ao cemitério tal como queríamos. Aqui ficam algumas fotos de Powązki (da parte civil, porque parece que também há um lado militar):

Uma inscrição à porta do cemitério: Quando se apaga a memória humana, passam a falar as pedras. Do Cardeal Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia.

A planta do cemitério.

Uma lápide com a inscrição: Aos soldados franceses que cairam na Polónia entre 1919-1921.





A igreja do cemitério. Duas fotos tiradas com tipo dois segundos de intervalo (só depois de tirar a segunda é que reparei que as luzes se acenderam!!










Breve resumo da história do cemitério:
Foi erguido (salvo seja) em 1790 numa propriedade cedida por um tal de Szymanowski. A igreja e catacumba foram construidas em 1792 de acordo com o projecto do arquitecto real Dominik Merlini. Foi ampliado 19 vezes. A sua ampliação terminou em 1971. Tem área de 43 hectares. A igreja foi reconstruida duas vezes: em 1847-1850 e 1890-1891. Durante a IIª Grande Guerra, a igreja e a catabumba foram destruídas, bem como muitos dos túmulos com significado histórico. Durante a ocupação alemã, o cemitério foi uma espécie de local de manobras do AK (o exército nacional clandestino, tipo resistência). Pelo cemitério conseguiam fazer passar alimentos para dentro do Gueto de Varsóvia. A igreja e a catabumba foram novamente construidas entre 1945 e 1976. No cemitério estão sepultados insurgentes e heróis polacos desde os tempos das partilhas da Polónia até à IIª Guerra. Num mausoléu estão cinzas de vítimas dos campos de concentração.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Varsóvia em Dia de Todos-os-Santos

Com algum atraso, venho aqui escrever sobre o dia de Todos-os-Santos na Polónia.
Como em muitas outras partes do mundo cristão, no dia de Todos-os-Santos vai-se ao cemitério. Apesar de em Portugal também haver esta tradição, penso que ela se extende principalmente ao meio rural. Nós, pelo menos, em Portugal, nunca fomos a nenhum cemitério no dia 1 de Novembro (e muitas das pessoas que conheço também não vão). Pois na Polónia este é o dia em que se vai ao cemitério. E quem não pode ir no dia 1, vai nos dias seguintes, durante a oitava da festa. No ano passado passei o dia de Todos-os-Santos que nem podia e não pus o pé fora de casa. Este ano pus os dois e lá fomos todos em direcção ao cemitério. À volta dele, o caos. Estacionamento tipo quem vai ao futebol e imensos comerciantes com as suas bancadas (ou não) a venderem velas funerárias de vários tipos, cores e feitios (e preços), arranjos florais próprios para campas, alguns bolinhos e até mesmo brinquedos! Bem, pelo menos vi um que vendia brinquedos, mas acho que era o único. No cemitério as campas estavam ornadas com flores e velas acesas. Um espectáculo algo engraçado. Dizem os que neste dia vão ao campo que os cemitérios das aldeias são dignos de se ver, de tão bem ornados que ficam. Parece que à noite, quando se passa por eles, vê-se uma "nuvem" de luz das velas que lá deixaram acesas.
E falando de velas acesas, os polacos deixam-nas não só nos cemitérios, mas em todos os locais que indiquem mortos, como por exemplo em locais onde houve acidentes de carro e em monumentos. Deixo aqui alguns exemplos:

Este é o monumento em memória das vítimas dos soviéticos durante a IIª Guerra Mundial. Fica perto da porta do antigo Gueto de Varsóvia. O monumento consiste num carril gigante, em que cada trave tem escrito um local (penso que talvez seja o local para onde os polacos foram deportados, mas não sei ao certo). No cimo, um vagão aberto cheio de cruzes. Não dá para ver bem na foto, mas estavam lá umas pessoas a colocar velas.

Aqui está a parte central do monumento (à qual fizeram tunning e puseram estas luzes lindas por baixo).

Placa identificativa do monumento com a data do início da agressão soviética: 17 de Setembro de 1939.

O monumento da Insurreição de Varsóvia.

O célebre local onde o Papa João Paulo II celebrava as suas Missas em Varsóvia e que tem também uma placa no chão alusiva ao funeral Cardeal Wyszyński, que me leva a crer que a Missa do funeral deve ter sido também ali (note-se a presença do Stas e da Teresa na foto).

Por fim, o monumento ao soldado desconhecido.

PS - Apesar de parecer que andámos a passear à noite por Varsóvia, devo esclarecer que na realidade eram entre 17h e 18h...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O serviço nacional de saúde polaco

Algumas pessoas já me devem ter ouvido falar do serviço nacional de saúde polaco, normalmente elogiando-o. É verdade que estou muito contente com a pediatra da Teresa, com a forma como somos atendidos no centro de saúde, como nunca tenho de esperar em filas, etc. Pois bem, finalmente comecei a conhecer melhor certas realidades e, agora sim, venho queixar-me! Da última vez que fomos às vacinas, fiquei de marcar nova consulta para Dezembro. Quando fui marcar, disseram-me que ainda não tinham os mapas de Dezembro e pediram para telefonar na semana seguinte. E aqui começam os meus problemas.
A avó do Stas, que é médica, diz que no centro de saúde somos bem atendidos e fazemos tudo... quando lá estamos. Quando não estamos... não vale a pena. Antes de fazer esta marcação, tenho de fazer outra para outro médico do centro de saúde (noutra filial). Telefonei na 6ª feira. Responderam-me secamente que à 6ª o balcão das marcações não funciona. Achei muito estranho as marcações terem folgas, mas enfim. Telefonei 2ª à tarde. «O balcão das marcações não funciona na 2ª à tarde». Apre. Perguntei se na 3ª funcionava, disseram-me que sim. Telefonei 3ª, mas ninguém me atende. Descobri um número alternativo e liguei para lá. Disseram-me que não era ali e reencaminharam-me a chamada. Repeti pela enésima vez o meu discurso: «Bom dia, queria marcar uma consulta com x». Do outro lado respondem-me que aquelas marcações não se fazem ali, que ligue para outra filial. Fiquei furiosa, porque já me podiam ter dito isso das outras vezes que liguei. Mas não, claro, porque o balcão das marcações estava fechado (sou capaz de jurar que foi a mesma voz sempre a atender-me). Pedi o número dessa filial e deram-mo. Liguei para lá e respondem-me: «O balcão das marcações só funciona à tarde»... Ia tendo um colapso! Por fim desisti e pedi que fosse o Stas a ligar para lá, antes que eu mandasse um berro a alguém. Por sorte, ele conseguiu ser atendido. Mas a resposta? «Ligue a partir de dia 12». Haja paciência!...

sábado, 1 de novembro de 2008

Bruxas? Não, obrigada.

Ontem à tarde aconteceu-me uma situação inesperada. Estávamos muito bem em casa, numa boa conversa com as nossas amigas, quando alguém tocou à porta. Abri, mas ninguém subiu logo. Pensei que fosse engano, ou algo do estilo. Passado um bocado, tocam outra vez, mas cá em cima. Abro a porta e dou um salto! À minha frente estavam duas crianças, uma vestida de bruxa, outra com uma máscara horrorosa na cara. Tinham sacos nas mãos e disseram-me: "Cukierek albo psikus" (doces ou partida, mais ou menos isto). Olhei para elas com cara de parva e como não tinha nada em casa, disse-lhes isso mesmo e elas lá seguiram o seu caminho. Claro que não me fizeram partida nenhuma.
Digam o que disserem, acho o halloween uma grande treta. Mais uma daquelas americanices de que os polacos tanto gostam. Mesmo assim, por cá não existe nenhuma grande tradição de halloween. Para mim, acho o carnaval mil vezes mais interessante que o halloween. Os miúdos (e graúdos) mascaram-se, mandam água uns aos outros, fazem partidas, divertem-se à brava. Agora, brincar com bruxarias, feitiçaria, espiritismos e outros que tais, sinceramente, não acho que valha a pena. Prefiro que os meus filhos brinquem com coisas alegres e divertidas, porque quem brinca com o fogo queima-se. Posso parecer exagerada, mas de facto what goes around, comes around. Prefiro influências positivas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um simples frasco de mel

No sábado passado fomos às compras a um bazar, como lhes chamam os polacos, um mercado que me lembrava a feira do Carregal (só faltavam lá os pintos e frangos). Tinha montes de fruta e verduras com ar óptimo e mais baratas (algumas) que nos supermercados. Achei interessante ver lá bancadas com diferentes tipos de cogumelos. Há muita gente que costuma ir para os bosques apanhá-los. Só que é preciso conhecê-los bem, para não trazer para casa cogumelos venenosos. Já ouvi várias histórias sobre pessoas que foram apanhar cogumelos, umas engraçadas, outras nem por isso.
A certa altura, parámos junto de um senhor para lhe comprar umas pêras que tinham óptimo aspecto. Quando estávamos quase a ser atendidos, lembrei-me de pedir também mel, pois o senhor também o vendia. Depois de ter estado horrivelmente constipada em Lisboa e de ter ficado fã do leitinho com mel (que afinal não era mel, mas isso é uma longa história), pensei que se calhar seria bom ter mel em casa, para o caso de ser preciso. Neste momento, o Stas vira-se para mim e pergunta: "Que tipo de mel queres?". Eis que me dá um bloqueio. Na minha ignorância (talvez por nunca ter gostado de mel) jamais soube que existiam diferentes tipos de mel. Olho para o chão e vejo imensos frascos de mel que, afinal, eram diferentes uns dos outros! E agora? Sei lá eu que tipo de mel quero! Para mim é tudo a mesma coisa! Salvou-me um senhor que estava atrás de nós à espera de ser atendido e lá explicou que, se calhar, para o que queríamos era melhor um mel mais líquido e recomendou mel lipowy.
Depois de regressarmos, ouvi uma grande história sobre o mel. Diz então que na Polónia há uma grande tradição de apicultura, já muuuuuito antiga. Os apicultores instalam-se perto de certo tipo de vegetação e assim as abelhas vão produzindo diferentes tipo de mel. Parece que é a abelha-mestra que indica às outras que tipo de pólen elas têm de recolher. Agora, como é que a abelha-mestra se entende com o apicultor, isso já não sei. O que sei é que existem vários tipos de mel, de acordo com os diferentes tipos de pólen. O mel lipowy, que nós comprámos, é mel de tília. Vi que também existe mel de acácia, de framboesa (imagina!) e de outras coisas cujos nomes não consigo entender.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Leis do trabalho polacas

. No dia de Todos-os-Santos todas as lojas são obrigadas a estar fechadas (para os trabalhadores descansarem) - excepto farmácias e tal.
. Como o Todos-os-Santos calha num sábado, algumas empresas dão um dia de folga durante a semana para compensar. Isto significa fim-de-semana prolongado na próxima semana. :)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ainda sobre marcas portuguesas

Ontem, enquanto folheava uma daquelas revistas para mamãs, que aconselham a comprar mil e uma inutilidades para os filhos, encontrei uma coisa engraçada:

Esta página mostra vários produtos alimentares aconselhados para crianças. Mas vejamos melhor o que aparece no canto superior esquerdo:

Aaaah, mas são os potezinhos de fruta da Compal!! Que surpresa! Há uns meses, uma pessoa disse-me que encontrou há venda no Tesco algo que eu identifiquei como sendo estes essenciais de fruta da Compal (diziam-me que era uma marca portuguesa). Só que de cada vez que eu lá ia, nunca encontrei nada. Ontem, naquela revista, finalmente encontrei! Apenas um pormenor... No texto por baixo diz que isto é da marca Ogrody Natury e dá o respectivo site. Fui lá ver se encontrava alguma coisa, mas nada. Vou ver se retomo a minha busca nos supermercados (na Biedronka não!...lol), a ver se encontro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Finalmente: a minha ida à Biedronka!

Ao fim de quase dois anos na Polónia, fui finalmente pela primeira vez fazer compras à Biedronka. A Mcf já me tinha massacrado para lá ir, mas a verdade é que na zona da cidade onde vivo não há nem uma! Apesar de uma vez me terem dito para lá ir ver se havia produtos portugueses que não há cá (tipo batata palha), nunca tive grande entusiasmo. Até porque as últimas publicidades que vi deles diziam algo tipo "90% de produtos polacos". Achei que era pouco provável que aqueles 10% fossem precisamente produtos portugueses, então não tinha vontade de lá ir.
Ontem, por fim, talvez por ainda estar na ressaca das férias em Portugal, achei que teria piada lá passar. Fui ao site deles, para ver se descobria qual era a loja mais perto de nós. Em Varsóvia há 27 Biedronkas, a maioria delas em zonas um bocado manhosas. Acabei de descobrir uma que ficava nas vizinhaças e lá fomos nós, quase à hora daquilo fechar.
Ficava num sítio um bocado escondido, mas depois de darmos algumas voltas, conseguimos chegar lá. À entrada, reparei logo nos cestos-carrinho iguais aos que há no Pingo Doce, só que em vermelho. Tentámos arranjar um que tivesse rodas, mas foi inútil: todos tinham as rodas partidas! Foi uma espécie de prenúncio do que seria toda a loja. Assim um bocado ao jeito do Lidl (como me disseram uma vez que a Biedronka era suposto ser parecida com o Lidl), nas prateleiras e chão podemos encontrar as coisas todas em caixas abertas. Tudo posto assim a granel para cada um chegar lá e se servir. As marcas para mim eram quase todas desconhecidas. Tirando uma ou outra (e a marca Biedronka, claro), nunca tinha visto nenhuma daquelas marcas. A única coisa que me impressionou positivamente foi a qualidade dos frescos. Às vezes tenho dificuldade em conseguir comprar num supermercado umas cenouras ou tomates de jeito. E ali, surpresa das surpresas, tudo tinha um aspecto "rural saudável". Fiquei fã. Mas acho que foi só mesmo disso. Vou ter de ser sincera: a loja era realmente manhosa e tinha um ar sujo... E as dúas únicas coisas que encontrei com marca portuguesa foi vinho do Porto marca Pingo Doce e pastéis de nata congelados marca Gelpeixe (Porto e pastéis de nata, ou seja, aquilo que um dia antes tínhamos trazido connosco de Portugal...). E para terminar bem, não se pode pagar com cartão. Por sorte tínhamos levado uns trocos que chegaram. Sim, porque os preços de facto são baixos (com marcas desconhecidas, não podia ser outra coisa) e pagámos menos do que o normal.
À saída, já no carro, mal tínhamos começado a andar oiço um estrondo do meu lado, como se uma pedra ou algo tivesse batido na porta. Parámos o carro mais à frente e vimos que alguém tinha atirado um tomate ou uma maçã contra nós. O que eu não sabia é que aquele bairro onde estava esta Biedronka também é algo manhoso (que estranho!).
Em suma, não penso voltar à Biedronka tão cedo. Ainda por cima também não dão sacos de plástico.

O horário solar polaco

Já antes disse aqui que na Polónia no Verão o sol nasce exageradamente cedo. No Inverno, pelo contrário, põe-se exageradamente cedo. Estes dois extremos fazem com que o sol "viaje" a uma grande velocidade por estes lados.
Quando a Teresa nasceu, em Junho, lembro-me de acordar de noite pelas 3h da manhã e já não precisar de acender nenhuma luz na cozinha, porque o dia já estava a começar. Há umas semanas atrás, às 5h fui à cozinha e senti a mesma sensação. Ou seja, os dias agora estão muito mais curtos. Em suma, estar na Polónia implica ter um bom relógio, porque pelo sol não vamos lá.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Um momento de história: A Batalha de Grunwald

Este verão (que entretanto já acabou) só tivemos direito a um fim de semana de férias. Passámo-lo em Dąbrówno, uma vila na região da Mazúria, ladeada por dois grandes lagos. O sítio, devo dizer, é bastante giro. Nunca tinha passado férias (ainda que mini-férias) nos lagos, como cá se costuma fazer muito. E, de facto, gostei muito. Fizemos canoagem, andamos de barco a remos e só não nadámos porque estava uma aragem demasiado fresca.
Dąbrówno é uma vila histórica. Foi construída pelos cruzados no século XIV. Os cruzados, na sua luta contra os infiéis, vieram até esta zona da Europa e aqui se estabeleceram durante algum tempo. Apesar da Polónia ser um país cristão, tinha uma grande tolerância religiosa e entre os seus aliados contavam-se alguns povos vizinhos de leste de outras religiões. Por isto, eram alvo de repetidos ataques por parte dos cruzados, também chamados cavaleiros teutónicos.
Os cruzados deixaram a sua marca em várias regiões da Polónia, onde se podem ver os fantásticos castelos que construíam. O maior deles todos está em Malbork. Passei por lá em Janeiro deste ano, mas já tarde demais para visitar ou sequer fazer fotos do exterior. O castelo de Malbork é património da Unesco e é o maior no mundo construído com tijolos. No séc. XIV era neste castelo que se encontrava o grão-mestre dos cruzados.
A vila de Dąbrówno fica muito perto de Grunwald, outra vila polaca de grande interesse histórico. Foi aqui precisamente que se deu aquela que por muitos é chamada de maior e mais sangrenta batalha da Idade Média. De um lado, os cruzados. Do outro, os exércitos polaco e lituano (e mais alguns aliados), chefiados pelo rei polaco Władysław Jagiełło. Esta batalha, da qual sairam vencedores os polacos, acabou com a presença dos cruzados na região da Polónia e foi o início do declínio da ordem, que mais tarde se veio a extinguir. Ao que parece, os polacos massacraram mesmo! Apesar de não haver consenso quando ao número de tropas de cada um dos lados, sabe-se que os polacos e os seus aliados eram mais que os cruzados. Ou seja, enquanto nesta altura os portugueses andavam entretidos a querer conquistar meio mundo, os polacos andavam a expulsar os cruzados do seu território. Uma ordem religiosa de cavaleiros que deviam defender a fé, acabou por ser derrotada por um reino cristão (será por o rei ter mandado celebrar duas missas antes da batalha?).
Todos os anos, no aniversário da batalha (15 de Julho de 1410), realiza-se uma gigante encenação deste acontecimento no descampado de Grunwald. Ainda não tive oportunidade de assistir, mas espero algum dia conseguir lá ir. O terreiro onde se deu a batalha é enorme. Percebe-se que, de facto, era o sítio ideal. Actualmente, a zona continua aberta como antes. Apenas tem um museu subterrâneo e um ou outro monumento. Curioso o facto de estarem lá os restos de um monumento dedicado a esta batalha que estava em Cracóvia, mas que os nazis destruiram durante a guerra. Isto porque a maioria dos cruzados eram alemães.
A batalha de Grunwald ficou imortalizada por um famoso quadro do pintor polaco Jan Matejko, em exposição no Museu Nacional, em Varsóvia.

Entretanto, há uma semana vi um filme polaco dos anos 60 inspirado no livro de Henryk Sienkiewicz, chamado Os Cruzados. Mostra um pouco de como era a Polónia nesta época em que os cruzados dominavam uma parte do actual território polaco. É muito interessante. Apesar de ser uma obra de ficção, tem um background histórico. O filme mostra como os cruzados tinham começado a perder a essência religiosa da ordem e só queriam era fazer guerras. Termina com a batalha de Grunwald, é claro, e a vitória dos polacos sobre os "mauzões" cruzados.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Casamento à polaca

No sábado casou-se o Jarek, irmão do Stas. Foi o primeiro casamento a que fomos com a Teresa e também o meu primeiro casamento polaco. Sim, porque na Polónia os casamento são um pouco diferente dos de Portugal. Passo a explicar.
Antes ainda da cerimónia religiosa, algumas famílias têm a tradição de fazer uma bênção dos noivos. Reúnem-se na casa dos pais de um deles, com algumas pessoas da família, e lá fazem o seu pequeno ritual. Claro que nem todos fazem isto (até porque é um ritual um bocado inventado, já que a bênção mesmo recebem-na os noivos na igreja, não é em casa que se casam). Bem, mas passando à frente, na Polónia os noivos chegam juntos à igreja. Ah pois é! Vão à sacristia assinar os papéis (cá é assim, se desistimos no início da celebração, azar, já assinámos os papéis!!...) com os padrinhos, que são só dois - um do noivo e uma da noiva. Os noivos chegam juntos ao fundo da igreja, com os padrinhos alinhados atrás e esperam que o padre os vá saudar. O padre vai ter com eles, diz algumas coisas e regressa pelo centro da igreja. Os noivos seguem-no e atrás destes os padrinhos. Eu, que sou um bocado tendenciosa, devo dizer que acho mais giro e simbólico o noivo ficar à espera no altar e a noiva entrar com o pai, que a entrega ao noivo. Mas na Polónia não é assim.
Depois, os noivos lá se sentam no centro da igreja, em frente ao altar. Atrás deles, nuns banquinhos individuais, estão os padrinhos. Ou seja, durante toda a celebração, os padrinhos ficam ali em destaque como os noivos. Costinhas direitas e nenhum gesto! A diferença é que não têm genuflexório e os bancos não estão juntos, mas um pouco afastados. Durante o rito do matrimónio, faz-se a invocação do Espírito Santo antes dos noivos fazerem as suas promessas. Para os mais atentos, no nosso casamento também fizemos isso. No fim da Missa, como os noivos já assinaram os papéis todos, toca-se a marcha nupcial e lá vão eles igreja fora, com os coitados dos padrinhos atrás (devo dizer que eu não gostava nada de ser madrinha num casamento polaco... É um bocado seca...).
Lembrei-me agora que menti ao dizer que este era o meu primeiro casamento polaco. Não é verdade. Já assisti a outros. Foi o meu primeiro copo-de-água polaco, isso sim! Digo isto porque há uma tradição polaca que não vi fazerem neste casamento, mas já vi noutros. Ao sairem da igreja, os convidados atiram para o ar (não para cima dos noivos, senão ainda se magoavam) várias moedas. É tarefa dos noivos recolhê-las todas e isso dirá se vão ter uma vida próspera ou não (se não as recolherem todas... é mau sinal).
Típico polaco é levar-se flores para o casamento. No fim da Missa, os convidados fazem fila para ir cumprimentar os noivos e dar-lhes flores. Nós não ficámos na fila, porque estava um frio desgraçado e a Teresa tinha fome. Aproveitei neste momento para fazer uma passagem por casa e de seguida fomos para o copo-de-água.
Chegámos ao hotel antes dos noivos, que ficaram a tirar fotografias. Há uma tradição polaca em que os pais dos noivos os recebem à entrada da sala com pão e sal (não faço a mínima ideia do simbolismo disto). Depois lá fomos aos comes e bebes. Na Polónia, faz-se uma refeição principal, mas depois ao longo da noite vão aparecendo outras pequenas refeições. Dizem que isto se faz, porque os polacos gostam muito de vodka e, quando se abusa da bebida, é bom ir comendo bem para compensar. Neste caso, foi um casamento sem álcool. Só no início, depois da entrega do pão e do sal é que se serviu champanhe, mas foi só mesmo isso.
Agora, a coisa engraçada dos casamentos polacos é que têm um entertainer que vai fazendo a festa. Ele inventa jogos, danças, põe música, enfim, anima mesmo os convidados! É uma coisa que tem piada. Este, pelo menos, arranjou uns momentos giros. A mim faz-me confusão é que os polacos gostam muito de dançar, mas sobretudo a pares. Eu, que sou um pé de chumbo, evitei grandes danças para não dar barraca. Ao princípio não queria ir, mas depois lá me convenceram. Só que, para meu azar, iniciei-me logo numa brincadeira em que calhava dançarmos com outra pessoa qualquer. Felizmente o meu marido veio salvar-me e trocou de par comigo.
Um pouco antes de comermos pela terceira vez, serviram o bolo dos noivos. Tipiquíssimo, com não sei quantos andares.
No fim da festa já não estive presente, porque entretanto os meus pés começaram a queixar-se e a filhinha também já estava cansadita. Sim, porque a marota divertiu-se que se fartou!! Estava toda bem disposta!
Várias pessoas me foram perguntando o que achava do casamento. Eu respondia sempre que achei diferente. Não posso dizer que é mais giro, porque estou habituada a outro estilo. Mas teve piada. A mim é que ainda me custa participar naquelas brincadeiras e jogos. Não estou habituada a fazer certas figuras tão bem vestida e diante de tantas pessoas (sobretudo mais velhas). Bem, pelo menos não posso dizer que eles não se divertem.
Por este ano, já chega de casamentos à polaca. Agora é só mais uma semana e picos para o casamento à portuguesa do ano.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quem se lembra o Ursinho Teddy?

Ainda sobre ursinhos, descobri há uns meses que o Ursinho Teddy, que dava na televisão quando eu era pequenina, é um desenho animado polaco! Deixo aqui dois pequenos vídeos, do início e do fim. Se quiserem, depois posso escrever aqui a tradução do que ele canta.


Miś

Miś, em polaco, significa ursinho. Costuma ser usado como alcunha de alguém, ou como forma carinhosa de trato (geralmente entre casais ou pais e filhos). Miś é também o nome de um filme polaco muito conhecido, do início dos aos 80. A minha professora de polaco já me tinha recomendado ver este filme, para ter uma imagem dos anos do comunismo na Polónia. Eu, entretanto, tinha visto a sequela, chamada Ryś, mas que estreou no cinema no ano passado, ou seja, é um filme recente - nada de comunismos.
Há uns dias, finalmente, vi o famoso Miś. Devo dizer que é bastante engraçado, apesar de termos posto mil vezes em "pause" para eu poder perceber devidamente todas as piadinhas. Conta a história de um homem, presidente de um clube desportivo, que se divorciou e descobre que a ex-mulher planeia ir a Londres levantar todo o dinheiro de uma conta comum que eles lá tinham. Só que ela rasgou-lhe o passaporte para ele não pode sair do país. E para conseguir um passaporte novo, naqueles tempos, teria de esperar um ano. Então, ele vai procurar um sósia para conseguir tirar-lhe o passaporte e ir a Londres levantar o dinheiro todo antes da ex-mulher.
No meio destas confusões todas, vamos tendo uma imagem do que era a Polónia comunista. Ao princípio, eu achei estranho como era possível os comunistas terem deixado fazer um filme que gozasse com eles próprios. Explicaram-me que esta era uma espécie de "crítica controlada", quer dizer, se eles deixassem sair este filme com estas piadinhas, sabiam com o que contavam. E para eles era melhor isto assim, do que um filme com críticas mais fortes a circular na clandestinidade.
Neste filme podemos ver como eram as filas nas lojas, para se conseguir comprar algo; como os funcionários das lojas tratavam mal os clientes; como pessoas do campo traziam os seus bens para vender clandestinamente na cidade; como circulavam poucos carros e os transportes públicos estavam sempre a avariar (no filme há um dia em que os elétricos avariam todos e, para compensar, os comunistas criam o "dia do passageiro a pé"); como numa casa minúscula tinham de viver várias pessoas; como nas cantinas e refeitórios serviam mal as pessoas; como a polícia não tinha interesse nenhum em ajudar; enfim, uma infinidade de coisas. Em geral, é muito interessante, este filme. No fim, termina com uma cena em que no fundo estão umas pessoas vestidas à camponeses típicos polacos e a cantar uma música de natal, só que a letra foi devidamente alterada para não ter conteúdo religioso.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O campo na cidade

Varsóvia é uma cidade tão grande que é preciso muito tempo para a conhecer mesmo bem. Volta e meia, decidimos fazer passeios de carro por zonas que não conhecemos. Desta vez, fomos investigar Wilanów, mas para os lados do rio.
Wilanów é um bairro bom. Tem zonas com muitas moradias, onde vive gente rica. A nível de transportes públicos não é das melhores, mas quem vive em algumas daquelas casas são pessoas que à partida têm carro. É um bairro que ainda se está a expandir; o volume de construção lá é enorme. Há uma zona onde estão a acabar de construir uma série de prédios baixos com apartamentos, com um ar bem giro.
Wilanów chega até ao rio Vístula. Por esse lado eu ainda não tinha andado. Passámos por uma zona de moradias que eu desconhecia. Apenas reconheci o nome de uma das ruas, porque lá morava uma colega minha alemã do curso de polaco no Polonicum. Esta zona era gira, mas só tinha lá pelo meio um mini-mercado, uma paragem de autocarro e pouco mais. Em termos práticos, se queremos uma farmácia, uma pastelaria, etc, ali é difícil encontrar. Só mesmo pegando no carrinho e andando uns quilómetros. Depois deste bairro, entra-se noutro que nunca pensei encontrar em Varsóvia. É literalmente uma aldeia! Casas típicas do campo, com quintais e zonas de cultivo, mesmo as pessoas têm um ar campesino, vestem-se de forma mais rural. É muito engraçado. Sente-se o cheiro dos pomares. A certa altura começou a cheirar-me a figos. Fiquei toda contente, a achar que iria comer figos na Polónia. De repente vimos uma árvore cheiinha de figos, parámos o carro para eu ir tirar um, mas... Quando chegámos lá não eram figos!! A minha nabice surpreendeu-me, que com o desejo guloso de comer, nem reparei que a folha da árvore era diferente da da figueira. Lá tive de me resignar e continuar o passeio pelo campo citadino.
Devo dizer que nunca pensei encontrar uma aldeia daquelas dentro de uma cidade. De facto, Varsóvia é mesmo diferente de Lisboa. Lisboa é uma cidade muito delimitada, que já não tem espaço para crescer. Varsóvia ainda tem muitas zonas por explorar (vê-se com os novos bairros que vão surgindo, como estes prédios novos de Wilanów de que falei há pouco). Claro que não vai ter novos bairros, porque à volta também tem outras pequenas povoações. Mas dentro dos que já existem (tirando o centro, é claro), ainda há muitas coisas interessantes e muitos espaços verdes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sobre o nome Teresa

Teresa é um dos poucos nomes que se escrevem da mesma maneira em português e em polaco. Quando estava na sala de partos, perguntaram-me que nome tinha pensado para a bebé e nós dissemos Teresa. "Ah, que engraçado!", disseram todos contentes, porque a enfermeira anestesista também se chamava Teresa. Uns tempos depois, já não me lembro porquê, comecei a perceber que este nome afinal já não é muito comum na Polónia. O exagero aconteceu numa loja, quando uma funcionária se virou para nós, depois de ter metido conversa, e comentou: "Teresa é o nome da minha avó!"... Bem, uns dias depois, noutra loja (não, eu não passo a vida em lojas, mas é que é lá que as pessoas metem conversa!...) a empregada quando soube que ela se chamava Teresa, disse: "Finalmente um nome polaco!". Começou-se ali um diálogo sobre os nomes que agora os pais dão às crianças, que são um bocado estranhos. Há nomes como Maja (lê-se como a abelha), Pola, Nina, Nela, Sonia e outros que tais que fogem um pouco à tradição polaca. Noutro dia, também, a ortopedista disse-nos que era a primeira bebé Teresa que ela recebia no consultório (será que ela tem poucos pacientes?).
Portanto, se em Portugal o nome Teresa agora está na moda, na Polónia pelos vistos é nome de avó! Quer dizer que temos uma avózinha pequena em casa.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma lição de botânica

Se em Portugal há certas frutas que não são cultivadas por cá, também existe o inverso. No que toca a frutos do bosque então, nem se fala. Destas espécies o que eu gosto mesmo é de amoras; é das coisas mais giras o tradicional passeio ao Pinheiro Grande enquanto se apanham (ou simplesmente depenicam) amoras pelo caminho.
Na Polónia ainda não vi amoras. Em contrapartida, existem vários frutos do bosque que eu desconhecia totalmente. Para mim, olhando para eles, são todos iguais - muda apenas a côr. Na realidade, não é bem assim. Uns são mais doces, outros mais ácidos, etc. Passo a apresentar alguns destes frutos que fiquei a conhecer aqui:


Czarna porzeczk
a. Diz a Wikipédia que em português se chama cassis. Parece-me que serão as bagas mais comuns, uma vez que se vende imenso em sumo, iogurtes, chás, etc.





Czerwona porzeczka
. Em português não faço a mínima ideia do que seja. É tipo a anterior, mas vermelha e mais ácida.





Jagoda. Em polaco, para além do nome de um fruto é também um nome próprio de mulher. Em português penso que corresponde a mirtilo. Parece igual ao cassis, mas não é.



Żurawina. Outra que desconheço o nome em português. Também este parece igual às outras baguinhas vermelhas, mas não é. A compota disto usa-se cá por vezes como acompanhamento para bifes. Acho que não é doce.





Agrest. Mais uma vez, parece igual, mas não é. Ao que parece, isto serão groselhas.




Tudo isto para dizer que noutro dia ofereceram-nos um cesto cheio de czerwona porzeczka. Pensámos logo em fazer sumo das ditas baguinhas e certa noite resolvemos meter mãos à obra. Começámos todos contentes, mas depois percebemos que foi um presente semi-envenenado. Nem sei ao certo quanto tempo demorámos a tirar as baguinhas todas uma a uma dos cachos para as podermos usar... O cesto aparentava não ser muito grande, mas as bagas também não são. Digamos que apanhar amoras para fazer compota é bem mais simples. Ao fim de sei lá quanto tempo (desde que a pequenota nasceu, o tempo tornou-se algo muito relativo para mim) conseguimos terminar esta espinhosa missão e fizemos um jarro de sumo, só com a polpa das baguinhas. Parte delas ainda aproveitámos para fazer doce. Tivemos foi de usar bastante açúcar numa coisa e noutra, que a czerwona porzeczka é realmente muito ácida e tem um sabor bem forte.
Concluindo, na Polónia há mil e uma baguinhas pretas e vermelhas, que a mim me parecem todas iguais, mas não o são. Se alguém quiser vir cá agora nesta época do ano, pode vir fazer uma degustação para comprovar este facto. Em nossa casa pelo menos há czerwona porzeczka. Por enquanto.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Jakie śliczne maleństwo!

Agora onde quer que vamos o comentário que ouvimos é sempre o mesmo: "Mas que pequenina!" As pessoas parece que já se esqueceram como é um bebé com poucas semanas de vida. Em vários locais públicos e até no Consolado Português lá salta a bela da observação: "Jakie śliczne maleństwo!" (- Que pequenote tão querido!). Agora, o que eu gostei mesmo foi noutro dia numa loja, uma das empregadas - depois de comentar, como sempre, como ela era pequenina - virou-se para mim e disse que eu estava muito bem, em termos de silhueta, para quem tinha acabado de dar à luz. Neste momento, o meu ego subiu até ao cimo do prédio. Claro que isto vindo de uma pessoa que não me conhece de lado nenhum não tem qualquer espécie de valor. Mas o ego gostou. Ainda por cima porque eu ainda tenho um bocado de barriga, mas naquele dia estava com uma roupa que apertava nessa zona e disfarçava bastante bem. Coisas de mulheres!