quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Kolędy

Certo dia, numa aula de polaco, falámos de cânticos de Natal. Surgiu-me a dúvida sobre como escrever a palavra polaca que a eles se refere, se kolenda ou kolęda. Achava eu que se escrevia com en. A minha professora corrigiu-me e explicou-me, que sendo uma palavra tipicamente polaca, escrevia-se com ę.
De facto, kolęda é algo mesmo típico dos polacos. Durante os dias do Natal, há sempre um momento em que todos páram para cantar músicas natalícias. Para além de em algumas casas haver um CD com estas músicas a tocar, há sempre a altura em que o desligam e cantam todos juntos. Quem tem instrumentos, toca-os e o resto acompanha. Há imensas kolędy, acho que nenhum polaco as deve conhecer a todas. Pediram-me a certa altura que cantasse uma portuguesa. Neste momento deu-me uma branca e não me conseguia lembrar de nada. Veio-me à cabeça aquela do "Olhei para o céu, estava estrelado, etc.", mas não me aventurei a cantá-la sozinha diante de todos. Até porque nem conheço a letra toda. Ainda por cima, as kolędy têm todas uma letra muito religiosa e esta de que me lembrei é um bocado inventada ("Eu hei-de dar ao Menino uma fitinha para o chapéu"?? Quem é que se foi lembrar de inventar isto??). De resto, só me ocorriam aquelas que a Maria cantou mil vezes no Natal do ano passado, mas essas são espanholas (o burrito sabanero, que frio hace en el portal, baba uisha, ...). Uma vergonha!
Ao fim de várias semanas sempre a ouvir estas músicas, elas acabam por entrar no ouvido. E depois, tem piada ouvir como diferentes pessoas as cantam de diferentes maneiras.
Tradicionalmente, nas vilas e aldeias havia um grupo de pessoas que íam pelas casas cantando músicas de Natal. Acho que isto ainda se faz em alguns lugares. Houve uma pessoa que nos contou que este Natal um grupo de miúdos andou pelo prédio dela a bater às portas e a cantar. Para ganhar umas massas, claro.
Para terminar, deixo aqui um vídeo de uma kolęda, chamada Gdy się Chrystus rodzi, que significa "Quando Cristo nasce".

Natal polaco

Apenas algumas notas em relação ao Natal na Polónia.

. Diz a tradição que a ceia da véspera de Natal se começa a partir do momento em que aparece no céu a primeira estrelas. Quando há crianças, normalmente elas ficam à janela à espreita, a ver quem vê primeiro a dita estrela. Na Polónia isto significa que se começa a comer lá para as 16h da tarde. Uma vez que a maioria das pessoas trabalha dia 24, nem todos começam tão cedo.

. Na mesa da Consoada costuma-se colocar no centro, por baixo da toalha, um bocado de palha. Tradicionalmente isto compra-se na igreja, mas hoje em dia vende-se também nos supermercados. Nós, por acaso, não tivemos esta tradição.

. Muito típico nesta época é o opłatek. O opłatek é uma hóstia rectangular que se partilha no Natal com a família e os amigos. Cada um recebe um bocado de opłatek, que irá distribuir por todos. Vamos ter com cada pessoa, ela parte um bocadinho da nossa hóstia, come-a e nós fazemos o mesmo. Enquanto isto, fazemos os nossos votos a essa pessoa; dizemos o que lhe desejamos e ela faz o mesmo connosco. Na Páscoa também há quem faça algo semelhante, mas partilhando ovo cozido (como os ovos são símbolo da Páscoa). O opłatek partilha-se não só na Véspera de Natal, mas em todos os encontros que fazemos nesta época (jantares de Natal, festinhas, etc). Para mim, esta tradição é um bocadinho difícil, pois desejar individualmente algo a alguém é uma coisa muito pessoal. Sobretudo quando não conhecemos bem a pessoa, isto torna-se complicado. Mas enfim, lá me desenrrasquei.

. Na mesa da Consoada tradicionalmente têm de estar 12 comidas diferentes. E tudo pratos de peixe, pois só no dia de Natal se come carne. Ouvi dizer de quem contasse o saleiro e o pão para fazer as 12. No nosso caso, por acaso tivemos 12 travessas na mesa, mas puramente acidental. Às vezes a mesma comida estava em duas travessas diferentes, para facilitar. Entre os peixes, o mais tradicional é a carpa. Para além dele, come-se também arenque e outros.

. Os doces de Natal são mais à base de bolos secos. Há o keks, uma mistura entre o bolo-rei e o bolo-rainha, feito com passas e coisas do estilo; o makowiec, um bolo feito à base de sementes de papoila; pierniki, que são bolinhos de gengibre; e vi também sernik (cheesecake) e outros semelhantes. Depois de ver as comidas polacas típicas desta época, percebo porque é que cá conseguem festejar três dias de Natal e em Portugal não.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O meu reino por uma árvore de natal!

Este ano pensava que não ia ter árvore de natal em casa. Primeiro, porque não vamos estar em casa em nenhum dos dias de festa (que cá são 24, 25 e 26). Segundo, porque a Teresa ainda não liga a isso. Terceiro, porque achava que era caro. A certa altura, em discussão com a cara metade, resolvemos que iriamos comprar uma árvore de natal. Pensei logo numa coisa pequenina. De cada vez que ia ao supermercado, dava uma olhadela nos preços das árvores de plástico e achava caríssimas. Até que certo dia, o Stas foi ajudar os avós a comprar a árvore deles. Pelo que percebi, cá a maioria das pessoas tem árvores verdadeiras em casa. Lá foram eles a um desses vendedores que se encontra por toda a parte nesta época do ano comprar a dita. Qual o meu espanto quando soube que tinham comprado uma com 2,50m por um preço baratíssimo! Caiu-me o queixo ao chão; nunca pensei que fossem tão baratas as árvores verdadeiras! Sempre tinha aquela ideia que as verdadeiras eram bastante mais caras que as de plástico, mas pelos vistos enganei-me. Em suma, passámos da ideia (minha) de comprar um "arbustrozinho" de plástico para comprar uma árvore verdadeira com pelo menos 2m.
Tendo decidido o que queriamos, partimos certo dia em busca da dita. Ora, esta tarefa resultou bem mais complicada do que pensei. Fomos a uns oito sítios diferentes. O problema era sempre: ou era muito cara, ou era feia. Não sei porquê, nunca me ocorreu que pudesse encontrar árvores feias. Algumas não tinham quase ramos em cima, outras estavam muito depenadas, outras eram exageradamente farfalhudas em baixo e despidas em cima, etc, etc. Para além disto, há dois tipos de árvore à escolha: jodła e świerk. A primeira tem a vantagem de aguentar muito tempo e por isso é mais cara; a segunda dizem que deita um cheiro bom, mas deixa cair uma espécie de caruma, o que faz com que se tenha de limpar o chão frequentemente (esta é mais barata). Nessa tarde estavam 4ºC e tinha chovido a potes na véspera. A maioria dos locais onde estavam os vendedores das árvores estava atolhada de lama e mal se conseguia lá entrar. Congelámos completamente e sujámos os sapatos todos. Mas conseguimos arranjar uma de que gostámos e por um bom preço. Da próxima vez, acho que vamos procurar com mais antecedência.
Aqui está a nossa árvore de natal, à chegada a casa, antes de ser armada:

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O que os bebés comem na Polónia

Tal como os adultos na Polónia têm as suas comidas tradicionais, os bebés também têm as suas próprias. Em geral, na Polónia, quando os bebés chegam à fase de comer outras coisas para além do leite, passam a comer de boiões. Quando fomos da última vez à pediatra, ela deu-nos uma brochura de uma marca de boiões com a indicação de como se devia alimentar o bebé. Pelo que percebi, aqui não há a sopinha caseira que se faz aí, à qual se vão acrescentando ingredientes. Quer dizer, haver há, mas está a tornar-se cada vez menos popular. De tal maneira que a pediatra nem sequer supôs que nós pudéssemos não querer alimentar a bebé só com boiões. Como não temos grande experiência nesta área, tive a felicidade de algumas pessoas de Portugal me ajudarem com indicações sobre como preparavam as comidas dos seus bebés. Os boiões de facto são muito práticos e têm uma variedade enorme de sabores. Mas - lá está - não há nada como uma bela sopinha caseira (para além de que é mais barato)! E a Teresa, para já, tem gostado.
Para além disto, há também papas, como em qualquer parte do mundo. Tirando o facto de não haver cerelac (o que me deixa muito triste), predominam as papas de arroz. Há também papas de milho, mas ouvi dizer que são uma porcaria. Às papas de arroz juntam-se sabores: há papa de framboesa, papa de banana, etc. Mas o que achei mais original foi ver papa de... bróculos, de abóbora e de outros legumes! São da Nestlé e chamam-se algo como "Jardim do Ursinho". Ainda não sei se vamos comprar, mas parece-me que não. De qualquer maneira comprámos um boião com puré de bróculos, imagino que seja mais saboroso.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mais ginástica!

Pela primeira vez depois da Teresa nascer, fui fazer ginástica. Achei que já era altura de voltar a exercitar o corpo. Até porque ser mãe existe uma certa resistência física que, de facto, me está a faltar. Noutro dia, por exemplo, dei uma corridinha a empurrar o carrinho do bebé na rua e quando parei achei que ia morrer. Ainda consigo aguentar bem com os 7kg da pequenota, mas tirando isso...
Decidi então inscrever-me num ginásio, numas aulas próprias para mães com bebés pequeninos. Para além de achar que era o indicado para mim (recuperação pós-parto, etc.), tinha a grande vantagem de não precisar de babysitter para a Teresa durante o tempo da aula.
Bem, eu já não fazia ginástica há muito tempo (sim, porque as aulas de preparação para o parto, ao contrário do que muitos pensaram, não eram de ginástica; simplesmente em algumas sessões tivemos 30min de exercícios). Então quando começámos a aula... acho que ainda nem tinham passado 10min e eu já não podia mais! Quer dizer, achava que não podia, porque depois ainda fiz mais uma série de exercícios, apesar de não tantas vezes como era suposto.
A aula começou com um aquecimento tipo step. Os bebés ficavam deitados numa mantinha no colchão e nós lá saltitávamos de um lado para o outro. Como é típico, nos primeiros minutos era a turma toda para a direita e eu para a esquerda, e vice-versa. Já quase no fim do aquecimento lá consegui acertar o passo com elas. A Teresa divertiu-se imenso com as minhas figuras; fartou-se de rir. Depois disto fizemos mais uns exercícios sozinhas e mais tarde é que pegámos nos bebés para ginasticarem connosco. É engraçado, este conceito de ginástica. Várias vezes, os bebés serviam de pesos para os exercícios. Só vos digo que não é tão fácil como parece! Passado um bocado, foi a vez dos bebés brincarem um pouco. Pusemo-los em cima das bolas de ginástica (que usámos para alguns exercícios), ora de barriga para baixo, ora de barriga para cima e rodávamos um pouco a bola em círculos. A Teresa adorou. Acho que para eles deve ser muito relaxante. Bem... pelo menos para alguns, porque ao meu lado estava uma bebé com sete meses que a mãe me disse que se farta de chorar de cada vez que a metem em cima da bola.
Ainda fizemos mais uns exercícios juntamente com os bebés, para nos matarmos mesmo até ao fim e depois lá terminámos. Quando já estávamos no carro para vir para casa é que a Teresa começou a chorar. Acho que queria mais aula para se continuar a rir das minhas figuras. Mas agora só para a semana.

Estas fotos foram tiradas ao calhas da internet; não faço a mínima ideia quem sejam estas pessoas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Concorrência entre operadoras móveis

Há uns tempos que a operadora móvel polaca Play (uma operadora que surgiu há coisa de um ano e tal) iniciou uma campanha publicitária de ataque directo à concorrência. Devo dizer que pessoalmente nunca gostei dos anúncios da Play, são todos horríveis. Estes agora estéticamente não têm nada de especial. O que chama a atenção é o que aparece escrito. Diz a Play que ligar de um telemóvel Play para outras redes é mais barato do que as chamadas dentro dessa outra rede. Ou seja - e citando os cartazes deles - ligar de Play para um telemóvel Era é mais barato do que ligar de um Era para um Era. E o mesmo com as redes Orange e Plus. Não sei se isto é verdade, porque não verifiquei, mas irrita-me este tipo de publicidade, que investe em dizer mal dos concorrentes.
E qual é a resposta dos concorrentes? Vejamos um caso concreto.
Estou a pensar comprar um novo cartão de telemóvel da operadora Heyah - uma rede que pertence à Era. Eles têm agora uma promoção que posso ligar por um preço muito bom para todas as redes (fixa incluída) da Polónia e da União Europeia!! Ou seja, passo a telefonar para Portugal ao mesmo preço que para cá. Só que esta promoção tem uma particularidade muito especial... Paga-se apenas 44 grosze (cerca de 11 cêntimos) para todas as redes (como já disse), excepto para a Play... para a qual se pagam 79 grosze por minuto (cerca de 21 cêntimos). Esta é a resposta que a concorrência está a dar à Play. A Orange parece que também está a ir por este caminho. Assim a Play vai levando dos seus concorrentes, enquanto perde tempo a criticá-los.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ciechanów

Na altura do feriado do 11 de Novembro, decidimos aproveitar a ponte para ir passear. Fomos até Ciechanów, uma cidade que fica a uns 100km a norte de Varsóvia. É uma cidade nada de especial, predominam os blocos de betão comunistas. Mas o que atrai muitos visitates àquelas bandas é o castelo dos Príncipes da Mazóvia. Este castelo foi construído no séc. XIV num pântano, para ser de difícil acesso. Tivémos pena que no dia em que lá fomos não se podia visitar o interior. Lemos duas lendas relativas ao castelo. A primeira, fala de um pagem do príncipe que se apaixonou pela princesa. Para o castigar, o príncipe mandou prendê-lo numa das torres do castelo durante um ano. Para o ajudar, a princesa levou-lhe ferramentas escondidas em comida e o pagem escavou um túnel para poder fugir. Ao que parece, o buraco na torre é visível ainda hoje. No entanto, nós não demos por ele. A segunda lenda fala de um castelão que tinha muitos ciúmes da sua esposa. Certa vez, ofereceu-lhe um anel muito caro. Porém, este anel desapareceu. O castelão decidiu assim dar-lhe outro. Quando o anel da castelã desapareceu pela terceira vez, o seu marido convenceu-se que ela teria um amante secreto e mandou matá-la. Algum tempo depois, uma criada do castelo descobriu num ninho de uma pega-rabuda (um pássaro que há muito por estes lados e que é conhecido por roubar coisas) os três anéis. Descobriu-se então a inocência da castelã, mas tarde demais.

Um prédio engraçado em Ciechanów:O museu do romantismo em Opinogóra (fica lá perto):

E, como já vem sendo normal nestes dias, o nosso passeio lá teve de terminar cedo, porque começou a escurecer. Que pena...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Barracada...

...do jornal alemão Die Welt. Parece que o dito publicou na segunda-feira um artigo na sua edição online, no qual se referia ao "antigo campo de concentração polaco de Majdanek". Imediatamente saltou a tampa aos polacos, pois os campos de concentração que havia na Polónia eram todos alemães e não polacos. Dizem que os alemães queriam que eles fossem chamados de "campos de concentração nazis", mas os polacos insistem que são alemães e ponto final. A polémica foi imediata e o Die Welt alterou logo o texto da notícia e publicou uma nota no fim a pedir desculpa e a explicar a gaffe. O Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco até começou a falar de processá-los, etc. Acho que na prática não vai acontecer nada, mas de qualquer maneira os polacos quiseram mostrar bem que nestas coisas é melhor não haver confusões. É a tal coisa, apesar de ter um nome derivado da vizinha vila de Oświęcim, Auschwitz para os polacos será sempre Auschwitz, pois é uma "invenção" alemã e não polaca.
De facto, há certas coisas na vida dos polacos que mais vale não tocar. Algumas feridas cicatrizam muito lentamente.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um novo monumento em Varsóvia

Uma das coisas que sempre tive curiosidade em saber era exactamente onde tinha sido o Gueto de Varsóvia. Quer dizer, eu sabia mais ou menos em que zona era - até porque uma vez me disseram que as casas aí construídas estão ligeiramente mais altas do chão, por terem sido construídas sobre as ruínas do Gueto, e isso é visível. Mas queria saber com precisão. Comprámos há uns meses um livrito que tinha lá um mapa, mas nunca cheguei a fazer esse percurso para ver como é hoje.
Até que a cidade de Varsóvia teve uma boa ideia: colocou uma série de placas de bronze com um mapa do Gueto em zonas por onde passava o muro do dito. Uma forma de assinalar as suas fronteiras. Segundo dizem, podemos ver estas placas nas ruas Złota, Żelazna, Grzybowska, Solidarność e Żytnia, entre outras. Nós fomos em busca da placa na rua Świętojerska e, de facto, lá estava ela, toda janota à nossa espera para uma sessão de fotografias.



















Diz a inscrição:
«Por decisão das autoridades ocupantes alemãs, o gueto foi isolado do resto da cidade no dia 16 de Novembro de 1940. A área do gueto, rodeada por um muro, tinha inicialmente cerca de 307 hectares; posteriormente foi ampliada e a partir de Janeiro de 1942 dividiu-se no chamado pequeno e grande gueto. Foram enclausurados aqui cerca de 360 mil judeus de Varsóvia e cerca de 90 mil de outras localidades. Cerca de 100 mil pessoas morreram à fome. No verão de 1942, os alemães deportaram e assassinaram nas câmaras de gás de Treblinka cerca de 300 mil pessoas. No dia 19 de Abril de 1943 estalou uma insurreição; até meados de Maio insurgentes e civis morreram na luta e nas chamas do gueto sistematicamente incendiado; os outros foram assassinados pelos alemães em Novembro de 1943 nos campos de concentração de Majdanek, Poniatowa e Trawniki. Poucos sobreviveram.
À memoria daqueles que sofreram, lutaram, morreram. Cidade de Varsóvia, 2008
Pequeno fragmento do muro norte do gueto aqui preservado.»


E, para terminar, duas pequenas imagens das primeiras neves que cairam por aqui. Pena que não tirámos fotos no domingo. Isso sim, tinha sido giro. Caiu um nevão engraçado (que coincidiu com um momento em que tive de sair à rua...), era ver as criancinhas e pais todos aqui no parque infantil a descer as montanhinhas de trenó e a atirarem bolas de neve.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Recuando uns dias: o 11 de Novembro

Dia 11 de Novembro é feriado nacional na Polónia. Celebra-se a festa da independência. Independência esta reconquistada após a Iª Guerra Mundial - depois de mais de um século de Polónia dividida entre Rússia, Prússia e Áustria. O grande herói destes tempos é o marechal Piłsudzki (curiosidade: ao contrário do que muitos pensam, a rua Marszałkowska em Varsóvia não deve o seu nome a este marechal).
Na véspera deste feriado, fomos convidados para uma festa de anos algo patriótica. Em casa dos nossos amigos, em pleno coração da cidade, gerou-se um ambiente bem engraçado. A mesa da comida estava decorada com bandeirinhas polacas (pena que não tirei nenhuma foto). Mas o original desta festa foi que todos fomos convidados para irmos lá cantar cânticos patrióticos polacos! Tinhamos à nossa disposição cancioneiros com as letras das músicas e um amigo dos anfitriões dava o tom para ninguém se enganar. Foi um verdadeiro convívio patriótico! O mais curioso é que, no meio daquelas músicas todas, havia uma que eu conhecia, porque aprendi no curso na Universidade de Varsóvia!
Deixo aqui para quem quiser ouvir uma das várias músicas que cantaram na festa, chamada My Pierwsza Brygada (nós, a primeira brigada), que era onde estava o Piłsudzki (e o bisavô do Stas também, por sinal).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Powązki

Falando ainda a propósito do dia de Todos-os-Santos, não posso deixar de referir o cemitério de Powązki. É o cemitério mais antigo de Varsóvia e penso que um dos mais bonitos (não conheço os outros todos, mas imagino que sim). Nele encontram-se sepultados vários polacos famosos, sejam actores, escritores, juristas, artistas plásticos, músicos, etc. Muitas das campas e jazigos que lá há datam do século XIX. No dia de Todos-os-Santos ira Powązki é suicídio. As ruas à volta deste cemitério são fechadas, nas redondezas vemos placas de sinalização a indicar parkings provisórios criados especialmente para aquela ocasião e o trânsito para lá chegar também não anima. A solução é mesmo ir de eléctrico. Tentei ir lá no dia 2 de Novembro, já que dia 1 não foi possível, mas desistimos. Acabámos por ir uma semana depois, apesar de já não ser a mesma coisa. No próprio dia de Todos-os-Santos em Powązki concentram-se alguns polacos famosos a fazerem um peditório para a conservação e restauro dos túmulos de pessoas, conhecidas ou não, que por já não terem família, se estão a degradar. Pelo que percebi, se no dia 1 nos cemitérios normais já há grande confusão, então naquele deve ser um autêntico circo.
O cemitério de Powązki está rodeado por um cemitério judaico, um protestante e um muçulmano (dos tártaros, com túmulos também de séculos passados). Lá dentro, temos uma parte central com sepulturas antigas, uma zona chamada Aleja Zasłużonych, que se traduz mais ou menos por Avenida (ou Passeio) dos Meritórios, onde há uma espécie de corredor com vários cofres onde estão os restos mortais desses meritórios. Mais uma vez, como agora escurece tão cedo, não conseguimos fazer a visita ao cemitério tal como queríamos. Aqui ficam algumas fotos de Powązki (da parte civil, porque parece que também há um lado militar):

Uma inscrição à porta do cemitério: Quando se apaga a memória humana, passam a falar as pedras. Do Cardeal Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia.

A planta do cemitério.

Uma lápide com a inscrição: Aos soldados franceses que cairam na Polónia entre 1919-1921.





A igreja do cemitério. Duas fotos tiradas com tipo dois segundos de intervalo (só depois de tirar a segunda é que reparei que as luzes se acenderam!!










Breve resumo da história do cemitério:
Foi erguido (salvo seja) em 1790 numa propriedade cedida por um tal de Szymanowski. A igreja e catacumba foram construidas em 1792 de acordo com o projecto do arquitecto real Dominik Merlini. Foi ampliado 19 vezes. A sua ampliação terminou em 1971. Tem área de 43 hectares. A igreja foi reconstruida duas vezes: em 1847-1850 e 1890-1891. Durante a IIª Grande Guerra, a igreja e a catabumba foram destruídas, bem como muitos dos túmulos com significado histórico. Durante a ocupação alemã, o cemitério foi uma espécie de local de manobras do AK (o exército nacional clandestino, tipo resistência). Pelo cemitério conseguiam fazer passar alimentos para dentro do Gueto de Varsóvia. A igreja e a catabumba foram novamente construidas entre 1945 e 1976. No cemitério estão sepultados insurgentes e heróis polacos desde os tempos das partilhas da Polónia até à IIª Guerra. Num mausoléu estão cinzas de vítimas dos campos de concentração.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Varsóvia em Dia de Todos-os-Santos

Com algum atraso, venho aqui escrever sobre o dia de Todos-os-Santos na Polónia.
Como em muitas outras partes do mundo cristão, no dia de Todos-os-Santos vai-se ao cemitério. Apesar de em Portugal também haver esta tradição, penso que ela se extende principalmente ao meio rural. Nós, pelo menos, em Portugal, nunca fomos a nenhum cemitério no dia 1 de Novembro (e muitas das pessoas que conheço também não vão). Pois na Polónia este é o dia em que se vai ao cemitério. E quem não pode ir no dia 1, vai nos dias seguintes, durante a oitava da festa. No ano passado passei o dia de Todos-os-Santos que nem podia e não pus o pé fora de casa. Este ano pus os dois e lá fomos todos em direcção ao cemitério. À volta dele, o caos. Estacionamento tipo quem vai ao futebol e imensos comerciantes com as suas bancadas (ou não) a venderem velas funerárias de vários tipos, cores e feitios (e preços), arranjos florais próprios para campas, alguns bolinhos e até mesmo brinquedos! Bem, pelo menos vi um que vendia brinquedos, mas acho que era o único. No cemitério as campas estavam ornadas com flores e velas acesas. Um espectáculo algo engraçado. Dizem os que neste dia vão ao campo que os cemitérios das aldeias são dignos de se ver, de tão bem ornados que ficam. Parece que à noite, quando se passa por eles, vê-se uma "nuvem" de luz das velas que lá deixaram acesas.
E falando de velas acesas, os polacos deixam-nas não só nos cemitérios, mas em todos os locais que indiquem mortos, como por exemplo em locais onde houve acidentes de carro e em monumentos. Deixo aqui alguns exemplos:

Este é o monumento em memória das vítimas dos soviéticos durante a IIª Guerra Mundial. Fica perto da porta do antigo Gueto de Varsóvia. O monumento consiste num carril gigante, em que cada trave tem escrito um local (penso que talvez seja o local para onde os polacos foram deportados, mas não sei ao certo). No cimo, um vagão aberto cheio de cruzes. Não dá para ver bem na foto, mas estavam lá umas pessoas a colocar velas.

Aqui está a parte central do monumento (à qual fizeram tunning e puseram estas luzes lindas por baixo).

Placa identificativa do monumento com a data do início da agressão soviética: 17 de Setembro de 1939.

O monumento da Insurreição de Varsóvia.

O célebre local onde o Papa João Paulo II celebrava as suas Missas em Varsóvia e que tem também uma placa no chão alusiva ao funeral Cardeal Wyszyński, que me leva a crer que a Missa do funeral deve ter sido também ali (note-se a presença do Stas e da Teresa na foto).

Por fim, o monumento ao soldado desconhecido.

PS - Apesar de parecer que andámos a passear à noite por Varsóvia, devo esclarecer que na realidade eram entre 17h e 18h...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O serviço nacional de saúde polaco

Algumas pessoas já me devem ter ouvido falar do serviço nacional de saúde polaco, normalmente elogiando-o. É verdade que estou muito contente com a pediatra da Teresa, com a forma como somos atendidos no centro de saúde, como nunca tenho de esperar em filas, etc. Pois bem, finalmente comecei a conhecer melhor certas realidades e, agora sim, venho queixar-me! Da última vez que fomos às vacinas, fiquei de marcar nova consulta para Dezembro. Quando fui marcar, disseram-me que ainda não tinham os mapas de Dezembro e pediram para telefonar na semana seguinte. E aqui começam os meus problemas.
A avó do Stas, que é médica, diz que no centro de saúde somos bem atendidos e fazemos tudo... quando lá estamos. Quando não estamos... não vale a pena. Antes de fazer esta marcação, tenho de fazer outra para outro médico do centro de saúde (noutra filial). Telefonei na 6ª feira. Responderam-me secamente que à 6ª o balcão das marcações não funciona. Achei muito estranho as marcações terem folgas, mas enfim. Telefonei 2ª à tarde. «O balcão das marcações não funciona na 2ª à tarde». Apre. Perguntei se na 3ª funcionava, disseram-me que sim. Telefonei 3ª, mas ninguém me atende. Descobri um número alternativo e liguei para lá. Disseram-me que não era ali e reencaminharam-me a chamada. Repeti pela enésima vez o meu discurso: «Bom dia, queria marcar uma consulta com x». Do outro lado respondem-me que aquelas marcações não se fazem ali, que ligue para outra filial. Fiquei furiosa, porque já me podiam ter dito isso das outras vezes que liguei. Mas não, claro, porque o balcão das marcações estava fechado (sou capaz de jurar que foi a mesma voz sempre a atender-me). Pedi o número dessa filial e deram-mo. Liguei para lá e respondem-me: «O balcão das marcações só funciona à tarde»... Ia tendo um colapso! Por fim desisti e pedi que fosse o Stas a ligar para lá, antes que eu mandasse um berro a alguém. Por sorte, ele conseguiu ser atendido. Mas a resposta? «Ligue a partir de dia 12». Haja paciência!...

sábado, 1 de novembro de 2008

Bruxas? Não, obrigada.

Ontem à tarde aconteceu-me uma situação inesperada. Estávamos muito bem em casa, numa boa conversa com as nossas amigas, quando alguém tocou à porta. Abri, mas ninguém subiu logo. Pensei que fosse engano, ou algo do estilo. Passado um bocado, tocam outra vez, mas cá em cima. Abro a porta e dou um salto! À minha frente estavam duas crianças, uma vestida de bruxa, outra com uma máscara horrorosa na cara. Tinham sacos nas mãos e disseram-me: "Cukierek albo psikus" (doces ou partida, mais ou menos isto). Olhei para elas com cara de parva e como não tinha nada em casa, disse-lhes isso mesmo e elas lá seguiram o seu caminho. Claro que não me fizeram partida nenhuma.
Digam o que disserem, acho o halloween uma grande treta. Mais uma daquelas americanices de que os polacos tanto gostam. Mesmo assim, por cá não existe nenhuma grande tradição de halloween. Para mim, acho o carnaval mil vezes mais interessante que o halloween. Os miúdos (e graúdos) mascaram-se, mandam água uns aos outros, fazem partidas, divertem-se à brava. Agora, brincar com bruxarias, feitiçaria, espiritismos e outros que tais, sinceramente, não acho que valha a pena. Prefiro que os meus filhos brinquem com coisas alegres e divertidas, porque quem brinca com o fogo queima-se. Posso parecer exagerada, mas de facto what goes around, comes around. Prefiro influências positivas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um simples frasco de mel

No sábado passado fomos às compras a um bazar, como lhes chamam os polacos, um mercado que me lembrava a feira do Carregal (só faltavam lá os pintos e frangos). Tinha montes de fruta e verduras com ar óptimo e mais baratas (algumas) que nos supermercados. Achei interessante ver lá bancadas com diferentes tipos de cogumelos. Há muita gente que costuma ir para os bosques apanhá-los. Só que é preciso conhecê-los bem, para não trazer para casa cogumelos venenosos. Já ouvi várias histórias sobre pessoas que foram apanhar cogumelos, umas engraçadas, outras nem por isso.
A certa altura, parámos junto de um senhor para lhe comprar umas pêras que tinham óptimo aspecto. Quando estávamos quase a ser atendidos, lembrei-me de pedir também mel, pois o senhor também o vendia. Depois de ter estado horrivelmente constipada em Lisboa e de ter ficado fã do leitinho com mel (que afinal não era mel, mas isso é uma longa história), pensei que se calhar seria bom ter mel em casa, para o caso de ser preciso. Neste momento, o Stas vira-se para mim e pergunta: "Que tipo de mel queres?". Eis que me dá um bloqueio. Na minha ignorância (talvez por nunca ter gostado de mel) jamais soube que existiam diferentes tipos de mel. Olho para o chão e vejo imensos frascos de mel que, afinal, eram diferentes uns dos outros! E agora? Sei lá eu que tipo de mel quero! Para mim é tudo a mesma coisa! Salvou-me um senhor que estava atrás de nós à espera de ser atendido e lá explicou que, se calhar, para o que queríamos era melhor um mel mais líquido e recomendou mel lipowy.
Depois de regressarmos, ouvi uma grande história sobre o mel. Diz então que na Polónia há uma grande tradição de apicultura, já muuuuuito antiga. Os apicultores instalam-se perto de certo tipo de vegetação e assim as abelhas vão produzindo diferentes tipo de mel. Parece que é a abelha-mestra que indica às outras que tipo de pólen elas têm de recolher. Agora, como é que a abelha-mestra se entende com o apicultor, isso já não sei. O que sei é que existem vários tipos de mel, de acordo com os diferentes tipos de pólen. O mel lipowy, que nós comprámos, é mel de tília. Vi que também existe mel de acácia, de framboesa (imagina!) e de outras coisas cujos nomes não consigo entender.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Leis do trabalho polacas

. No dia de Todos-os-Santos todas as lojas são obrigadas a estar fechadas (para os trabalhadores descansarem) - excepto farmácias e tal.
. Como o Todos-os-Santos calha num sábado, algumas empresas dão um dia de folga durante a semana para compensar. Isto significa fim-de-semana prolongado na próxima semana. :)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ainda sobre marcas portuguesas

Ontem, enquanto folheava uma daquelas revistas para mamãs, que aconselham a comprar mil e uma inutilidades para os filhos, encontrei uma coisa engraçada:

Esta página mostra vários produtos alimentares aconselhados para crianças. Mas vejamos melhor o que aparece no canto superior esquerdo:

Aaaah, mas são os potezinhos de fruta da Compal!! Que surpresa! Há uns meses, uma pessoa disse-me que encontrou há venda no Tesco algo que eu identifiquei como sendo estes essenciais de fruta da Compal (diziam-me que era uma marca portuguesa). Só que de cada vez que eu lá ia, nunca encontrei nada. Ontem, naquela revista, finalmente encontrei! Apenas um pormenor... No texto por baixo diz que isto é da marca Ogrody Natury e dá o respectivo site. Fui lá ver se encontrava alguma coisa, mas nada. Vou ver se retomo a minha busca nos supermercados (na Biedronka não!...lol), a ver se encontro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Finalmente: a minha ida à Biedronka!

Ao fim de quase dois anos na Polónia, fui finalmente pela primeira vez fazer compras à Biedronka. A Mcf já me tinha massacrado para lá ir, mas a verdade é que na zona da cidade onde vivo não há nem uma! Apesar de uma vez me terem dito para lá ir ver se havia produtos portugueses que não há cá (tipo batata palha), nunca tive grande entusiasmo. Até porque as últimas publicidades que vi deles diziam algo tipo "90% de produtos polacos". Achei que era pouco provável que aqueles 10% fossem precisamente produtos portugueses, então não tinha vontade de lá ir.
Ontem, por fim, talvez por ainda estar na ressaca das férias em Portugal, achei que teria piada lá passar. Fui ao site deles, para ver se descobria qual era a loja mais perto de nós. Em Varsóvia há 27 Biedronkas, a maioria delas em zonas um bocado manhosas. Acabei de descobrir uma que ficava nas vizinhaças e lá fomos nós, quase à hora daquilo fechar.
Ficava num sítio um bocado escondido, mas depois de darmos algumas voltas, conseguimos chegar lá. À entrada, reparei logo nos cestos-carrinho iguais aos que há no Pingo Doce, só que em vermelho. Tentámos arranjar um que tivesse rodas, mas foi inútil: todos tinham as rodas partidas! Foi uma espécie de prenúncio do que seria toda a loja. Assim um bocado ao jeito do Lidl (como me disseram uma vez que a Biedronka era suposto ser parecida com o Lidl), nas prateleiras e chão podemos encontrar as coisas todas em caixas abertas. Tudo posto assim a granel para cada um chegar lá e se servir. As marcas para mim eram quase todas desconhecidas. Tirando uma ou outra (e a marca Biedronka, claro), nunca tinha visto nenhuma daquelas marcas. A única coisa que me impressionou positivamente foi a qualidade dos frescos. Às vezes tenho dificuldade em conseguir comprar num supermercado umas cenouras ou tomates de jeito. E ali, surpresa das surpresas, tudo tinha um aspecto "rural saudável". Fiquei fã. Mas acho que foi só mesmo disso. Vou ter de ser sincera: a loja era realmente manhosa e tinha um ar sujo... E as dúas únicas coisas que encontrei com marca portuguesa foi vinho do Porto marca Pingo Doce e pastéis de nata congelados marca Gelpeixe (Porto e pastéis de nata, ou seja, aquilo que um dia antes tínhamos trazido connosco de Portugal...). E para terminar bem, não se pode pagar com cartão. Por sorte tínhamos levado uns trocos que chegaram. Sim, porque os preços de facto são baixos (com marcas desconhecidas, não podia ser outra coisa) e pagámos menos do que o normal.
À saída, já no carro, mal tínhamos começado a andar oiço um estrondo do meu lado, como se uma pedra ou algo tivesse batido na porta. Parámos o carro mais à frente e vimos que alguém tinha atirado um tomate ou uma maçã contra nós. O que eu não sabia é que aquele bairro onde estava esta Biedronka também é algo manhoso (que estranho!).
Em suma, não penso voltar à Biedronka tão cedo. Ainda por cima também não dão sacos de plástico.

O horário solar polaco

Já antes disse aqui que na Polónia no Verão o sol nasce exageradamente cedo. No Inverno, pelo contrário, põe-se exageradamente cedo. Estes dois extremos fazem com que o sol "viaje" a uma grande velocidade por estes lados.
Quando a Teresa nasceu, em Junho, lembro-me de acordar de noite pelas 3h da manhã e já não precisar de acender nenhuma luz na cozinha, porque o dia já estava a começar. Há umas semanas atrás, às 5h fui à cozinha e senti a mesma sensação. Ou seja, os dias agora estão muito mais curtos. Em suma, estar na Polónia implica ter um bom relógio, porque pelo sol não vamos lá.