terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Anita na Polónia


Podia ser o título de um dos clássicos livros da Anita, mas não é. Há poucos dias encontrei à venda a versão polaca destes livros. Fiquei deslumbrada, porque quando era pequenina gostava muito deles. Qual foi o meu espanto quando vi que a Anita na Polónia chama-se... Martynka! Pensei logo: "Granda invenção dos polacos!" Mas mesmo assim, fui ver o título original. E não é que o nome original da rapariga é mesmo Martine?? Porque será que lhe chamaram Anita em Portugal? Podia ser Martinha, sei lá. Sempre era mais parecido. Agora o dilema: compro para a Teresa livros da Anita ou da Martynka?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Tłusty czwartek

Hoje é a chamada Quinta-feira Gorda. Na Polónia, é dia de comer pączki. As estatísticas dizem que cada polaco come em média 2,5 pączki neste dia. Pelo que sei, há quem no dia de hoje se dedique a alarvar nestes bolos. É um dia muito feliz para as pastelarias, que se entretêm a fazer destes bolos aos mil.
Na Polónia não se festeja o Carnaval. Quer dizer, festeja-se alguma coisa, mas não na Terça-feira. Supostamente, Domingo é o último dia do Carnaval. Não há desfiles, nem nada do estilo (bem, com a neve que está, não me admira nada). Nos supermercados encontram-se à venda as típicas roupas para as crianças se mascararem, mas do que me disseram, os adultos são mais comedidos e não se misturam muito nesse tipo de brincadeiras.
Mas voltando ainda outra vez à doçaria polaca, outro doce típico nesta época são os faworki. São uma espécie de cuscurões cobertos com açúcar em pó. Ao contrário dos pączki, não são enjoativos e muito facilmente se comem uma data deles seguidos. Não me lembro bem, mas acho que durante o ano não se costumam ver à venda faworki, só mesmo por esta altura (apesar de no Natal já ter visto em alguns sítios).
Não sei fazer faworki, mas ontem deram-me uma receita de pączki e achei que era melhor não tentar fazer em casa. Para terem uma ideia, dizem que no campo neste dia é típico entrar em casa e sentir cheiro de óleo de fritar... Por isso, para quem gosta destes bolos, aconselho a comprar numa cukiernia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dresiarz

Eis uma palavra polaca que até poderia existir em Portugal (apesar de achar que aqui é capaz de fazer mais sentido). O dresiarz é o típico cromo que anda sempre vestido de fato de treino, porque acha que é fixe. Normalmente anda de cabeça rapada e costuma ser pouco inteligente. Digamos que não são tidos em grande consideração, apesar de haver meninas que os acham o máximo. Não fazem grande coisa na vida, para além de beber cerveja (à porta do supermercado ou algo do estilo, porque é mais barato).
Apesar de não haver uma versão feminina do dresiarz, o mais parecido com isto são as frytka. Literalmente, frytka significa batata frita. Chamam assim às meninas que passam horas no solário até ficarem que nem batatas fritas. Têm o cabelo loiro (pintadíssimo), ou então também existe a versão de cabelo preto (mesmo preto). Têm unhas de gel, cada uma mais pirosa que a outra, e andam sempre super pintadas. Vestem-se segundo o último grito da moda (grito de susto, claro está), e quanto mais à mostra, melhor. Podem estar -20ºC e lá andam elas de mini-saia. Também são burras, como os dresiarz, e digamos - de uma forma simpática - que não têm lá muito boa reputação...
Imagino que o sonho do dresiarz seja ter a sua frytka, e vice-versa. Querendo ser muito preconceituosa, este é o tipo de gente que quase não se encontra dentro das universidades, mas mais ao balcão de uma pastelaria, num call-center, ou noutros locais do estilo (sobretudo num solarium ou à porta de uma loja de bebidas alcoólicas).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A web polaca: médicos conhecidos

Outro site interessante que descobri na Polónia chama-se Znany Lekarz, isto é, médico conhecido. Neste site, podemos encontrar opiniões escritas por pacientes sobre diferentes médicos. Quando quero consultar um médico, posso ir lá ver que opiniões há, se o recomendam ou desaconselham. Infelizmente nem todos os médicos aparecem neste site (pela minha experiência, aqueles que só trabalham no serviço público muitas vezes não aparecem). Já lá estive a ver as opiniões sobre os médicos com os quais tive contacto até agora e, em geral, concordo com elas. Há uma ou outra opinião um bocado estranha, tipo, dizem da médica que me fez o parto que não se interessa pelo paciente, que nem sequer lhe diz como contactá-la em caso de ter algum problema, etc. Ora, a mim logo na primeira consulta ela deu o telemóvel e disse para ligar se fosse preciso...
Há pouco tempo estava a consultar o fórum de uma clínica privada aqui em Varsóvia e deparei-me com um comentário de uma pessoa a dizer muito mal de um médico deles. Acusava-o de algumas coisas, mas nada muito concreto e remetia a direcção da clínica para aquele site. Em resposta a este comentário, responderam-lhe da clínica que depois disto já rescindiram o contrato com esse médico. Curiosa, fui ver o que diziam no Znany Lekarz do dito senhor, já que o hospital tinha corrido logo com ele. Bem... é com cada crítica!... Coitado do senhor! Mas, se realmente ele é como dizem lá, coitados dos pacientes. Havia umas 40 opiniões todas péssimas e lá no meio uma positiva de alguém muito surpreendido por estarem a dizer isso dele. Depois havia também uma outra a dizer bem, que logo foi comentada por alguém a dizer que mais parecia ter sido escrita pelo próprio médico, a defender-se. Por acaso até parecia, mas se é ou não, não sei.
Tudo isto para dizer que gosto deste site. Ainda não escrevi lá nenhuma opinião, porque acho que não é preciso. Mas daquilo que vi, é uma boa ajuda na hora de escolher um médico.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A web polaca: o fenómeno Allegro

Um dos sites mais conhecidos dos polacos é o Allegro. É uma espécie de eBay à polaca. Lá podemos compra praticamente tudo. Quem vende são pessoas normais (normalmente coisas em segunda mão) ou mesmo empresas. Algumas destas empresas têm lojas onde quem quiser pode ir buscar directamente o que comprou no Allegro. Outras não e dedicam-se exclusivamente a vender através deste site. Há duas formas de vender e comprar: por leilão (o típico quem dá mais) ou compra directa, a vulso. Cada produto está online durante uma série de dias e depois desaparece (quando se trata das empresas, elas depois voltam a colocá-los lá). Supostamente, a vantagem de comprar no Allegro é que é tudo mais barato do que nas lojas normais. Claro que também há excepções, mas costuma ser assim. Às vezes quando quero comprar alguma coisa numa loja, vou lá antes para ter uma noção dos preços a que se vende.
Daquilo que percebi, há muita gente a comprar no Allegro. É verdade que também já houve barracadas, aldrabões que vão para lá vender coisas, conseguem extorquir dinheiro às pessoas e depois desaparecem. Mas em geral - e agora falando concretamente do nosso caso - aquilo até funciona bem. Nós já comprámos lá várias coisas, umas em segunda mão, outras novas (das tais empresas). Entre elas contam-se: pneus de inverno para o carro (ah pois foi! E que bons que eles são!), um telemóvel, pilhas recarregáveis, peças para o carro (não me perguntem o que era aquilo, que não faço ideia), o produto que usamos para dar banho à bebé (mais barato que nas lojas), chávenas de café e o Stas até comprou com um colega de trabalho uma máquina de café expresso para terem na sala deles (o café cá... pronto, já se sabe...). Somos capazes de ter comprado mais algumas coisas, mas neste momento não me lembro. No trabalho do Stas, vários colegas dele usam o Allegro. Por exemplo, noutro dia um deles pediu-nos a máquina fotográfica para tirar fotos a umas botas de snowboard que queria pôr lá à venda. Outro encontrou lá um conjunto de sofás que está a pensar comprar para a sua casa nova. Outro, arranja lá a maioria das coisas que precisa para o filho bebé (gel de banho, vitaminas, etc, etc).
Para mim, o Allegro é mesmo um fenómeno. Eu, que não sou nada dada a compras na Internet, dou por mim volta e meia a pesquisar coisas neste site. De facto, até estou bem contente com as compras que lá fizemos.
Entretanto, o Allegro abriu um novo site chamado Co Kupić, que significa "O que comprar?". É um site onde as pessoas dão a sua opinião sobre milhares de produtos, se valem ou não a pena. Também já lá fui uma ou outra vez. Como é um site novo, ainda não há muitas opiniões, mas por acaso fui à procura de uma sobre uns biberons. Vi lá uma opinião negativa, que me fez mudar de ideias e vi outra, num que me interessava, a dizer uma série de coisas que iam de encontro ao que eu precisava. Ou seja, foi uma boa ajuda. Comprei o tal biberon (numa loja, por acaso não foi no Allegro) e de facto é um dos mais práticos que tenho.
A nível de empresa, não faço a mínima ideia como está este grupo Allegro, mas deve estar a ganhar bem. Por minha parte, vou continuar a usar os sites deles.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Czarnobyl

Que é como quem diz Chernobyl. Ontem estive a ouvir uma conversa interessante sobre o acidente em Chernobyl e como isso foi para a Polónia. Tudo começou quando alguém me perguntou se eu me lembrava de, em pequena, tomar lugol. Eu olhei para o meu interlocutor, muito surpreendida, pois nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Contaram-me então que, após o acidente no reactor, todas as crianças até aos 17 anos tinham de tomar lugol. O lugol consiste num preparado à base de iodo, que ajuda na prevenção do cancro na tiróide (que era um dos grandes riscos de quem estava exposto à radiação). Logo a seguir ao acidente, a região do nordeste da Polónia começou a distribuir o remédio, mas rapidamente a distribuição se alargou a todo o país. Dizem que foi uma das melhores coisas que fez o então governo comunista, pois imediatamente todos tiveram acesso ao lugol. Em poucas horas, 18,5 milhões de crianças receberam o remédio. Na rua havia cartazes afixados a dizer para as pessoas irem aos centros de saúde levantar o preparado. Em princípio, todas as crianças polacas daquele tempo devem ter tomado isto.
Outra coisa que se tomava também era leite em pó. Desconfiava-se do leite, pois as vacas andavam a comer relva que podia estar contaminada. Coitadas das famílias, que naqueles tempos difíceis tinham de andar a arranjar leite em pó para os filhos. A minha sogra conta que a seguir à catástrofe, quando foi levar os filhos à escola, perguntou se naquele dia iam dar-lhes leite. Responderam-lhe com grande indiferença que claro que sim. Eles ficaram um pouco assustados, mas nada podiam fazer, porque naqueles tempos não era como hoje, que se pode chegar à escola e dizer: "Hoje não dêem leite aos meus filhos." O mais provável é que nos desprezassem e dessem o leite na mesma. Aliás, uma característica dos tempos do comunismo que já ouvi referir por várias pessoas (e aparece também caracterizada no satírico filme Miś) é o facto de, em geral, nas lojas e nos serviços públicos as pessoas serem tratadas com muito desprezo. Não havia, de modo nenhum, a atenção pelo cliente que há hoje (não era o cliente tem sempre razão, mas mais o cliente nunca tem razão).
Voltando novamente a Chernobyl, a nível de contaminação, um ano depois os países mais afectados eram a Bulgária, Áustria, Grécia e Roménia. Neste gráfico (cliquem nele se o quiserem ver maior), a Polónia só aparece em 10º lugar, depois da Itália (quem diria?) e Portugal, claro, aparece quase no fim da lista. Actualmente não se sabem contabilizar as consequências de Chernobyl na Polónia, mas dá-me a sensação que não são muito grandes. Já passaram mais de 20 anos e não há efeitos escandalosamente visíveis. Dizem até agora que a toma do lugol não era indispensável, pois a Polónia nunca correu grande risco. A Ucrância e sobretudo a Bielorrúsia (nossas vizinhas) é que foram mais afectadas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A neve é uma coisa muito gira, mas...

O mal de quando a neve derrete toda é que só se vê porcaria por toda a parte, sobretudo cócós de cão. Às vezes até parece que estou em Lisboa!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sylwester

Já percebi que o mercado dos artigos sazonais na Polónia é bem maior do que em Portugal. Pelo menos daquilo que eu me lembro. Se no Todos-os-Santos por toda a parte encontrávamos à venda aquelas velas típicas de cemitério, no Natal era ver em cada esquina vendedores de pinheiros e nos supermercados enfeites de todos os estilos. Nesta época, já se vê por aí uma série de artigos para o Carnaval, desde máscaras a confetis. E o que é que isto tudo tem a ver com o Sylwester (a noite da passagem de ano, o dia de S. Silvestre)? É que nos dias que antecedem o ano novo, para além de aumentar a compra de bebidas alcoólicas, em toda a parte podemos comprar fogo de artifício. Até na rua, num passeio qualquer, alguém decide montar uma banquinha a vender foguetes e lá vai fazendo uns trocos. Nós acabámos por não comprar, mas também não foi preciso. Toda a gente comprou, então vimos milhares de fogos de artifício.
Mas o mais giro que vimos foi no parque Morskie Oko. À meia-noite fomos para lá, pois estávamos numa festa numa casa ali em frente. Várias pessoas tinham ido para ali mandar foguetes (que isto não seja mal interpretado). Não muito longe deste local, na Plac Konstitucji, estava a decorrer a festa de ano novo organizada pela cidade de Varsóvia, com vários artistas e tal. Ora, neste parque de Morskie Oko pudemos admirar o fogo de artifício dessa festa e devo dizer que foi muito giro. Fiz uns pequenos filmes com a máquina fotográfica, deixo-vos aqui um deles que dá para ter uma ideia:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Kolędy

Certo dia, numa aula de polaco, falámos de cânticos de Natal. Surgiu-me a dúvida sobre como escrever a palavra polaca que a eles se refere, se kolenda ou kolęda. Achava eu que se escrevia com en. A minha professora corrigiu-me e explicou-me, que sendo uma palavra tipicamente polaca, escrevia-se com ę.
De facto, kolęda é algo mesmo típico dos polacos. Durante os dias do Natal, há sempre um momento em que todos páram para cantar músicas natalícias. Para além de em algumas casas haver um CD com estas músicas a tocar, há sempre a altura em que o desligam e cantam todos juntos. Quem tem instrumentos, toca-os e o resto acompanha. Há imensas kolędy, acho que nenhum polaco as deve conhecer a todas. Pediram-me a certa altura que cantasse uma portuguesa. Neste momento deu-me uma branca e não me conseguia lembrar de nada. Veio-me à cabeça aquela do "Olhei para o céu, estava estrelado, etc.", mas não me aventurei a cantá-la sozinha diante de todos. Até porque nem conheço a letra toda. Ainda por cima, as kolędy têm todas uma letra muito religiosa e esta de que me lembrei é um bocado inventada ("Eu hei-de dar ao Menino uma fitinha para o chapéu"?? Quem é que se foi lembrar de inventar isto??). De resto, só me ocorriam aquelas que a Maria cantou mil vezes no Natal do ano passado, mas essas são espanholas (o burrito sabanero, que frio hace en el portal, baba uisha, ...). Uma vergonha!
Ao fim de várias semanas sempre a ouvir estas músicas, elas acabam por entrar no ouvido. E depois, tem piada ouvir como diferentes pessoas as cantam de diferentes maneiras.
Tradicionalmente, nas vilas e aldeias havia um grupo de pessoas que íam pelas casas cantando músicas de Natal. Acho que isto ainda se faz em alguns lugares. Houve uma pessoa que nos contou que este Natal um grupo de miúdos andou pelo prédio dela a bater às portas e a cantar. Para ganhar umas massas, claro.
Para terminar, deixo aqui um vídeo de uma kolęda, chamada Gdy się Chrystus rodzi, que significa "Quando Cristo nasce".

Natal polaco

Apenas algumas notas em relação ao Natal na Polónia.

. Diz a tradição que a ceia da véspera de Natal se começa a partir do momento em que aparece no céu a primeira estrelas. Quando há crianças, normalmente elas ficam à janela à espreita, a ver quem vê primeiro a dita estrela. Na Polónia isto significa que se começa a comer lá para as 16h da tarde. Uma vez que a maioria das pessoas trabalha dia 24, nem todos começam tão cedo.

. Na mesa da Consoada costuma-se colocar no centro, por baixo da toalha, um bocado de palha. Tradicionalmente isto compra-se na igreja, mas hoje em dia vende-se também nos supermercados. Nós, por acaso, não tivemos esta tradição.

. Muito típico nesta época é o opłatek. O opłatek é uma hóstia rectangular que se partilha no Natal com a família e os amigos. Cada um recebe um bocado de opłatek, que irá distribuir por todos. Vamos ter com cada pessoa, ela parte um bocadinho da nossa hóstia, come-a e nós fazemos o mesmo. Enquanto isto, fazemos os nossos votos a essa pessoa; dizemos o que lhe desejamos e ela faz o mesmo connosco. Na Páscoa também há quem faça algo semelhante, mas partilhando ovo cozido (como os ovos são símbolo da Páscoa). O opłatek partilha-se não só na Véspera de Natal, mas em todos os encontros que fazemos nesta época (jantares de Natal, festinhas, etc). Para mim, esta tradição é um bocadinho difícil, pois desejar individualmente algo a alguém é uma coisa muito pessoal. Sobretudo quando não conhecemos bem a pessoa, isto torna-se complicado. Mas enfim, lá me desenrrasquei.

. Na mesa da Consoada tradicionalmente têm de estar 12 comidas diferentes. E tudo pratos de peixe, pois só no dia de Natal se come carne. Ouvi dizer de quem contasse o saleiro e o pão para fazer as 12. No nosso caso, por acaso tivemos 12 travessas na mesa, mas puramente acidental. Às vezes a mesma comida estava em duas travessas diferentes, para facilitar. Entre os peixes, o mais tradicional é a carpa. Para além dele, come-se também arenque e outros.

. Os doces de Natal são mais à base de bolos secos. Há o keks, uma mistura entre o bolo-rei e o bolo-rainha, feito com passas e coisas do estilo; o makowiec, um bolo feito à base de sementes de papoila; pierniki, que são bolinhos de gengibre; e vi também sernik (cheesecake) e outros semelhantes. Depois de ver as comidas polacas típicas desta época, percebo porque é que cá conseguem festejar três dias de Natal e em Portugal não.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O meu reino por uma árvore de natal!

Este ano pensava que não ia ter árvore de natal em casa. Primeiro, porque não vamos estar em casa em nenhum dos dias de festa (que cá são 24, 25 e 26). Segundo, porque a Teresa ainda não liga a isso. Terceiro, porque achava que era caro. A certa altura, em discussão com a cara metade, resolvemos que iriamos comprar uma árvore de natal. Pensei logo numa coisa pequenina. De cada vez que ia ao supermercado, dava uma olhadela nos preços das árvores de plástico e achava caríssimas. Até que certo dia, o Stas foi ajudar os avós a comprar a árvore deles. Pelo que percebi, cá a maioria das pessoas tem árvores verdadeiras em casa. Lá foram eles a um desses vendedores que se encontra por toda a parte nesta época do ano comprar a dita. Qual o meu espanto quando soube que tinham comprado uma com 2,50m por um preço baratíssimo! Caiu-me o queixo ao chão; nunca pensei que fossem tão baratas as árvores verdadeiras! Sempre tinha aquela ideia que as verdadeiras eram bastante mais caras que as de plástico, mas pelos vistos enganei-me. Em suma, passámos da ideia (minha) de comprar um "arbustrozinho" de plástico para comprar uma árvore verdadeira com pelo menos 2m.
Tendo decidido o que queriamos, partimos certo dia em busca da dita. Ora, esta tarefa resultou bem mais complicada do que pensei. Fomos a uns oito sítios diferentes. O problema era sempre: ou era muito cara, ou era feia. Não sei porquê, nunca me ocorreu que pudesse encontrar árvores feias. Algumas não tinham quase ramos em cima, outras estavam muito depenadas, outras eram exageradamente farfalhudas em baixo e despidas em cima, etc, etc. Para além disto, há dois tipos de árvore à escolha: jodła e świerk. A primeira tem a vantagem de aguentar muito tempo e por isso é mais cara; a segunda dizem que deita um cheiro bom, mas deixa cair uma espécie de caruma, o que faz com que se tenha de limpar o chão frequentemente (esta é mais barata). Nessa tarde estavam 4ºC e tinha chovido a potes na véspera. A maioria dos locais onde estavam os vendedores das árvores estava atolhada de lama e mal se conseguia lá entrar. Congelámos completamente e sujámos os sapatos todos. Mas conseguimos arranjar uma de que gostámos e por um bom preço. Da próxima vez, acho que vamos procurar com mais antecedência.
Aqui está a nossa árvore de natal, à chegada a casa, antes de ser armada:

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O que os bebés comem na Polónia

Tal como os adultos na Polónia têm as suas comidas tradicionais, os bebés também têm as suas próprias. Em geral, na Polónia, quando os bebés chegam à fase de comer outras coisas para além do leite, passam a comer de boiões. Quando fomos da última vez à pediatra, ela deu-nos uma brochura de uma marca de boiões com a indicação de como se devia alimentar o bebé. Pelo que percebi, aqui não há a sopinha caseira que se faz aí, à qual se vão acrescentando ingredientes. Quer dizer, haver há, mas está a tornar-se cada vez menos popular. De tal maneira que a pediatra nem sequer supôs que nós pudéssemos não querer alimentar a bebé só com boiões. Como não temos grande experiência nesta área, tive a felicidade de algumas pessoas de Portugal me ajudarem com indicações sobre como preparavam as comidas dos seus bebés. Os boiões de facto são muito práticos e têm uma variedade enorme de sabores. Mas - lá está - não há nada como uma bela sopinha caseira (para além de que é mais barato)! E a Teresa, para já, tem gostado.
Para além disto, há também papas, como em qualquer parte do mundo. Tirando o facto de não haver cerelac (o que me deixa muito triste), predominam as papas de arroz. Há também papas de milho, mas ouvi dizer que são uma porcaria. Às papas de arroz juntam-se sabores: há papa de framboesa, papa de banana, etc. Mas o que achei mais original foi ver papa de... bróculos, de abóbora e de outros legumes! São da Nestlé e chamam-se algo como "Jardim do Ursinho". Ainda não sei se vamos comprar, mas parece-me que não. De qualquer maneira comprámos um boião com puré de bróculos, imagino que seja mais saboroso.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mais ginástica!

Pela primeira vez depois da Teresa nascer, fui fazer ginástica. Achei que já era altura de voltar a exercitar o corpo. Até porque ser mãe existe uma certa resistência física que, de facto, me está a faltar. Noutro dia, por exemplo, dei uma corridinha a empurrar o carrinho do bebé na rua e quando parei achei que ia morrer. Ainda consigo aguentar bem com os 7kg da pequenota, mas tirando isso...
Decidi então inscrever-me num ginásio, numas aulas próprias para mães com bebés pequeninos. Para além de achar que era o indicado para mim (recuperação pós-parto, etc.), tinha a grande vantagem de não precisar de babysitter para a Teresa durante o tempo da aula.
Bem, eu já não fazia ginástica há muito tempo (sim, porque as aulas de preparação para o parto, ao contrário do que muitos pensaram, não eram de ginástica; simplesmente em algumas sessões tivemos 30min de exercícios). Então quando começámos a aula... acho que ainda nem tinham passado 10min e eu já não podia mais! Quer dizer, achava que não podia, porque depois ainda fiz mais uma série de exercícios, apesar de não tantas vezes como era suposto.
A aula começou com um aquecimento tipo step. Os bebés ficavam deitados numa mantinha no colchão e nós lá saltitávamos de um lado para o outro. Como é típico, nos primeiros minutos era a turma toda para a direita e eu para a esquerda, e vice-versa. Já quase no fim do aquecimento lá consegui acertar o passo com elas. A Teresa divertiu-se imenso com as minhas figuras; fartou-se de rir. Depois disto fizemos mais uns exercícios sozinhas e mais tarde é que pegámos nos bebés para ginasticarem connosco. É engraçado, este conceito de ginástica. Várias vezes, os bebés serviam de pesos para os exercícios. Só vos digo que não é tão fácil como parece! Passado um bocado, foi a vez dos bebés brincarem um pouco. Pusemo-los em cima das bolas de ginástica (que usámos para alguns exercícios), ora de barriga para baixo, ora de barriga para cima e rodávamos um pouco a bola em círculos. A Teresa adorou. Acho que para eles deve ser muito relaxante. Bem... pelo menos para alguns, porque ao meu lado estava uma bebé com sete meses que a mãe me disse que se farta de chorar de cada vez que a metem em cima da bola.
Ainda fizemos mais uns exercícios juntamente com os bebés, para nos matarmos mesmo até ao fim e depois lá terminámos. Quando já estávamos no carro para vir para casa é que a Teresa começou a chorar. Acho que queria mais aula para se continuar a rir das minhas figuras. Mas agora só para a semana.

Estas fotos foram tiradas ao calhas da internet; não faço a mínima ideia quem sejam estas pessoas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Concorrência entre operadoras móveis

Há uns tempos que a operadora móvel polaca Play (uma operadora que surgiu há coisa de um ano e tal) iniciou uma campanha publicitária de ataque directo à concorrência. Devo dizer que pessoalmente nunca gostei dos anúncios da Play, são todos horríveis. Estes agora estéticamente não têm nada de especial. O que chama a atenção é o que aparece escrito. Diz a Play que ligar de um telemóvel Play para outras redes é mais barato do que as chamadas dentro dessa outra rede. Ou seja - e citando os cartazes deles - ligar de Play para um telemóvel Era é mais barato do que ligar de um Era para um Era. E o mesmo com as redes Orange e Plus. Não sei se isto é verdade, porque não verifiquei, mas irrita-me este tipo de publicidade, que investe em dizer mal dos concorrentes.
E qual é a resposta dos concorrentes? Vejamos um caso concreto.
Estou a pensar comprar um novo cartão de telemóvel da operadora Heyah - uma rede que pertence à Era. Eles têm agora uma promoção que posso ligar por um preço muito bom para todas as redes (fixa incluída) da Polónia e da União Europeia!! Ou seja, passo a telefonar para Portugal ao mesmo preço que para cá. Só que esta promoção tem uma particularidade muito especial... Paga-se apenas 44 grosze (cerca de 11 cêntimos) para todas as redes (como já disse), excepto para a Play... para a qual se pagam 79 grosze por minuto (cerca de 21 cêntimos). Esta é a resposta que a concorrência está a dar à Play. A Orange parece que também está a ir por este caminho. Assim a Play vai levando dos seus concorrentes, enquanto perde tempo a criticá-los.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ciechanów

Na altura do feriado do 11 de Novembro, decidimos aproveitar a ponte para ir passear. Fomos até Ciechanów, uma cidade que fica a uns 100km a norte de Varsóvia. É uma cidade nada de especial, predominam os blocos de betão comunistas. Mas o que atrai muitos visitates àquelas bandas é o castelo dos Príncipes da Mazóvia. Este castelo foi construído no séc. XIV num pântano, para ser de difícil acesso. Tivémos pena que no dia em que lá fomos não se podia visitar o interior. Lemos duas lendas relativas ao castelo. A primeira, fala de um pagem do príncipe que se apaixonou pela princesa. Para o castigar, o príncipe mandou prendê-lo numa das torres do castelo durante um ano. Para o ajudar, a princesa levou-lhe ferramentas escondidas em comida e o pagem escavou um túnel para poder fugir. Ao que parece, o buraco na torre é visível ainda hoje. No entanto, nós não demos por ele. A segunda lenda fala de um castelão que tinha muitos ciúmes da sua esposa. Certa vez, ofereceu-lhe um anel muito caro. Porém, este anel desapareceu. O castelão decidiu assim dar-lhe outro. Quando o anel da castelã desapareceu pela terceira vez, o seu marido convenceu-se que ela teria um amante secreto e mandou matá-la. Algum tempo depois, uma criada do castelo descobriu num ninho de uma pega-rabuda (um pássaro que há muito por estes lados e que é conhecido por roubar coisas) os três anéis. Descobriu-se então a inocência da castelã, mas tarde demais.

Um prédio engraçado em Ciechanów:O museu do romantismo em Opinogóra (fica lá perto):

E, como já vem sendo normal nestes dias, o nosso passeio lá teve de terminar cedo, porque começou a escurecer. Que pena...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Barracada...

...do jornal alemão Die Welt. Parece que o dito publicou na segunda-feira um artigo na sua edição online, no qual se referia ao "antigo campo de concentração polaco de Majdanek". Imediatamente saltou a tampa aos polacos, pois os campos de concentração que havia na Polónia eram todos alemães e não polacos. Dizem que os alemães queriam que eles fossem chamados de "campos de concentração nazis", mas os polacos insistem que são alemães e ponto final. A polémica foi imediata e o Die Welt alterou logo o texto da notícia e publicou uma nota no fim a pedir desculpa e a explicar a gaffe. O Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco até começou a falar de processá-los, etc. Acho que na prática não vai acontecer nada, mas de qualquer maneira os polacos quiseram mostrar bem que nestas coisas é melhor não haver confusões. É a tal coisa, apesar de ter um nome derivado da vizinha vila de Oświęcim, Auschwitz para os polacos será sempre Auschwitz, pois é uma "invenção" alemã e não polaca.
De facto, há certas coisas na vida dos polacos que mais vale não tocar. Algumas feridas cicatrizam muito lentamente.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um novo monumento em Varsóvia

Uma das coisas que sempre tive curiosidade em saber era exactamente onde tinha sido o Gueto de Varsóvia. Quer dizer, eu sabia mais ou menos em que zona era - até porque uma vez me disseram que as casas aí construídas estão ligeiramente mais altas do chão, por terem sido construídas sobre as ruínas do Gueto, e isso é visível. Mas queria saber com precisão. Comprámos há uns meses um livrito que tinha lá um mapa, mas nunca cheguei a fazer esse percurso para ver como é hoje.
Até que a cidade de Varsóvia teve uma boa ideia: colocou uma série de placas de bronze com um mapa do Gueto em zonas por onde passava o muro do dito. Uma forma de assinalar as suas fronteiras. Segundo dizem, podemos ver estas placas nas ruas Złota, Żelazna, Grzybowska, Solidarność e Żytnia, entre outras. Nós fomos em busca da placa na rua Świętojerska e, de facto, lá estava ela, toda janota à nossa espera para uma sessão de fotografias.



















Diz a inscrição:
«Por decisão das autoridades ocupantes alemãs, o gueto foi isolado do resto da cidade no dia 16 de Novembro de 1940. A área do gueto, rodeada por um muro, tinha inicialmente cerca de 307 hectares; posteriormente foi ampliada e a partir de Janeiro de 1942 dividiu-se no chamado pequeno e grande gueto. Foram enclausurados aqui cerca de 360 mil judeus de Varsóvia e cerca de 90 mil de outras localidades. Cerca de 100 mil pessoas morreram à fome. No verão de 1942, os alemães deportaram e assassinaram nas câmaras de gás de Treblinka cerca de 300 mil pessoas. No dia 19 de Abril de 1943 estalou uma insurreição; até meados de Maio insurgentes e civis morreram na luta e nas chamas do gueto sistematicamente incendiado; os outros foram assassinados pelos alemães em Novembro de 1943 nos campos de concentração de Majdanek, Poniatowa e Trawniki. Poucos sobreviveram.
À memoria daqueles que sofreram, lutaram, morreram. Cidade de Varsóvia, 2008
Pequeno fragmento do muro norte do gueto aqui preservado.»


E, para terminar, duas pequenas imagens das primeiras neves que cairam por aqui. Pena que não tirámos fotos no domingo. Isso sim, tinha sido giro. Caiu um nevão engraçado (que coincidiu com um momento em que tive de sair à rua...), era ver as criancinhas e pais todos aqui no parque infantil a descer as montanhinhas de trenó e a atirarem bolas de neve.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Recuando uns dias: o 11 de Novembro

Dia 11 de Novembro é feriado nacional na Polónia. Celebra-se a festa da independência. Independência esta reconquistada após a Iª Guerra Mundial - depois de mais de um século de Polónia dividida entre Rússia, Prússia e Áustria. O grande herói destes tempos é o marechal Piłsudzki (curiosidade: ao contrário do que muitos pensam, a rua Marszałkowska em Varsóvia não deve o seu nome a este marechal).
Na véspera deste feriado, fomos convidados para uma festa de anos algo patriótica. Em casa dos nossos amigos, em pleno coração da cidade, gerou-se um ambiente bem engraçado. A mesa da comida estava decorada com bandeirinhas polacas (pena que não tirei nenhuma foto). Mas o original desta festa foi que todos fomos convidados para irmos lá cantar cânticos patrióticos polacos! Tinhamos à nossa disposição cancioneiros com as letras das músicas e um amigo dos anfitriões dava o tom para ninguém se enganar. Foi um verdadeiro convívio patriótico! O mais curioso é que, no meio daquelas músicas todas, havia uma que eu conhecia, porque aprendi no curso na Universidade de Varsóvia!
Deixo aqui para quem quiser ouvir uma das várias músicas que cantaram na festa, chamada My Pierwsza Brygada (nós, a primeira brigada), que era onde estava o Piłsudzki (e o bisavô do Stas também, por sinal).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Powązki

Falando ainda a propósito do dia de Todos-os-Santos, não posso deixar de referir o cemitério de Powązki. É o cemitério mais antigo de Varsóvia e penso que um dos mais bonitos (não conheço os outros todos, mas imagino que sim). Nele encontram-se sepultados vários polacos famosos, sejam actores, escritores, juristas, artistas plásticos, músicos, etc. Muitas das campas e jazigos que lá há datam do século XIX. No dia de Todos-os-Santos ira Powązki é suicídio. As ruas à volta deste cemitério são fechadas, nas redondezas vemos placas de sinalização a indicar parkings provisórios criados especialmente para aquela ocasião e o trânsito para lá chegar também não anima. A solução é mesmo ir de eléctrico. Tentei ir lá no dia 2 de Novembro, já que dia 1 não foi possível, mas desistimos. Acabámos por ir uma semana depois, apesar de já não ser a mesma coisa. No próprio dia de Todos-os-Santos em Powązki concentram-se alguns polacos famosos a fazerem um peditório para a conservação e restauro dos túmulos de pessoas, conhecidas ou não, que por já não terem família, se estão a degradar. Pelo que percebi, se no dia 1 nos cemitérios normais já há grande confusão, então naquele deve ser um autêntico circo.
O cemitério de Powązki está rodeado por um cemitério judaico, um protestante e um muçulmano (dos tártaros, com túmulos também de séculos passados). Lá dentro, temos uma parte central com sepulturas antigas, uma zona chamada Aleja Zasłużonych, que se traduz mais ou menos por Avenida (ou Passeio) dos Meritórios, onde há uma espécie de corredor com vários cofres onde estão os restos mortais desses meritórios. Mais uma vez, como agora escurece tão cedo, não conseguimos fazer a visita ao cemitério tal como queríamos. Aqui ficam algumas fotos de Powązki (da parte civil, porque parece que também há um lado militar):

Uma inscrição à porta do cemitério: Quando se apaga a memória humana, passam a falar as pedras. Do Cardeal Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia.

A planta do cemitério.

Uma lápide com a inscrição: Aos soldados franceses que cairam na Polónia entre 1919-1921.





A igreja do cemitério. Duas fotos tiradas com tipo dois segundos de intervalo (só depois de tirar a segunda é que reparei que as luzes se acenderam!!










Breve resumo da história do cemitério:
Foi erguido (salvo seja) em 1790 numa propriedade cedida por um tal de Szymanowski. A igreja e catacumba foram construidas em 1792 de acordo com o projecto do arquitecto real Dominik Merlini. Foi ampliado 19 vezes. A sua ampliação terminou em 1971. Tem área de 43 hectares. A igreja foi reconstruida duas vezes: em 1847-1850 e 1890-1891. Durante a IIª Grande Guerra, a igreja e a catabumba foram destruídas, bem como muitos dos túmulos com significado histórico. Durante a ocupação alemã, o cemitério foi uma espécie de local de manobras do AK (o exército nacional clandestino, tipo resistência). Pelo cemitério conseguiam fazer passar alimentos para dentro do Gueto de Varsóvia. A igreja e a catabumba foram novamente construidas entre 1945 e 1976. No cemitério estão sepultados insurgentes e heróis polacos desde os tempos das partilhas da Polónia até à IIª Guerra. Num mausoléu estão cinzas de vítimas dos campos de concentração.