Certa vez, o "Tio" Stalin veio visitar a Polónia. Os camaradas do partido, para serem simpáticos, levaram-no a dar um passeio de carro pela cidade. Quando estavam a passar pelo Palácio da Cultura, Stalin perguntou:
- O que é aquilo?
- Aquilo é o Palácio da Cultura e da Ciência de Jozef Stalin(1) - responderam-lhe.
- Oh, camaradas, dedicaram-me o palácio? Não era preciso! Tanta honra! - disse Stalin comovido.
E lá continuaram o passeio.
Foram andando pela Ul. Marszałkowska (Rua do Marechal) e Stalin perguntou:
- Que rua é esta?
- Esta é a Rua do Marechal
- Camaradas! - disse Stalin embasbacado - Outra vez, tanta honra! Uma rua em meu nome? Mas que simpatia!(2)
Passado mais um bocado, chegaram até à Plac Zbawiciela (Praça do Salvador) (3).
Como sempre, Stalin perguntou:
- Que praça é esta?
- Esta é a Praça do Salvador.
- Epa, ó camaradas, não acham que já estão a exagerar?...
_____________
(1) Este era o nome que o Palácio tinha durante o comunismo. Depois passou a ser simplesmente Palácio da Cultura e da Ciência.
(2) Stalin tinha o título de Marechal da União Soviética, um título que existiu apenas de 1935 a 1991. No entanto, como é óbvio, a Ul. Marszałkowska não tem este nome por causa dele...
(3) A Plac Zbawiciela, Praça do Salvador ou Praça do Santíssimo Salvador, fica numa das pontas da Ul. Marszałkowska. Tem este nome penso eu devido à igreja do Santíssimo Salvador que fica precismente ali.
quinta-feira, 19 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Kiler
Ainda falando sobre filmes, desta vez polacos, recentemente vi mais uma daquelas comédias polacas meio parvas. Digo parvas, porque o são, mas admito que na mesma me divirto imenso a vê-las. As últimas que vi chamava-se "Kiler" e "Kilerów 2óch", que é a sequela.
O primeiro filme conta a história de um taxista chamado
Jerzy Kiler que é confundido com um perigoso assassino procurado pela polícia, cuja alcunha é killer. Certa manhã, a polícia entra no apartamento dele e prende-o, porque encontrou no táxi dele a arma usada no último crime. O pobre homem ainda tenta explicar-se, mas ninguém acredita nele. Por fim, vai parar à prisão, onde a maioria dos prisioneiros o trata com muito respeito, pois crêem que é o famoso killer, que realiza crimes por encomenda. No entanto, há um prisioneiro que aterroriza todos os outros e começa também a chatear o taxista. Como todos pensam que ele é um assassino contratado, pedem-lhe que mate esse tal prisioneiro. Sem se desmascarar, ele diz que vai pensar no assunto e pouco tempo depois, acidentalmente, acaba por matar esse homem. Entretanto, um antigo cliente do taxista decide organizar a fuga deste da prisão. Isto porque esse homem era um dos que contratava o killer e ficou muito surpreendido ao descobrir que, afinal, aquele taxista era o "seu"
grande assassino. Mil e uma peripécias acontecem entretanto, muitos mal entendidos, até que no fim o Kiler consegue entregar à polícias os malfeitores que o queriam contratar e inclusive o verdadeiro killer, que não gostou de ver os seus créditos por mãos alheias.
Na sequela, o Jerzy Kiler entretanto tornou-se num homem famoso, que abriu uma fundação de caridade. Os malfeitores que foram presos por sua causa conseguem sair da prisão, pois são homens poderosos que usam as suas influências. Estes, por sua vez, querem arranjar uma maneira de o tramar e contratam um assassino para o matar. Mais uma vez há mil e uma peripécias, até que no fim acaba com um final feliz (para alguns, claro).
Estes filmes são daqueles que têm certas frases de culto, muito engraçadas. Gostava de um dia me aventurar e arranjar legendas em português para alguns destes filmes, mas...
O primeiro filme conta a história de um taxista chamado
Jerzy Kiler que é confundido com um perigoso assassino procurado pela polícia, cuja alcunha é killer. Certa manhã, a polícia entra no apartamento dele e prende-o, porque encontrou no táxi dele a arma usada no último crime. O pobre homem ainda tenta explicar-se, mas ninguém acredita nele. Por fim, vai parar à prisão, onde a maioria dos prisioneiros o trata com muito respeito, pois crêem que é o famoso killer, que realiza crimes por encomenda. No entanto, há um prisioneiro que aterroriza todos os outros e começa também a chatear o taxista. Como todos pensam que ele é um assassino contratado, pedem-lhe que mate esse tal prisioneiro. Sem se desmascarar, ele diz que vai pensar no assunto e pouco tempo depois, acidentalmente, acaba por matar esse homem. Entretanto, um antigo cliente do taxista decide organizar a fuga deste da prisão. Isto porque esse homem era um dos que contratava o killer e ficou muito surpreendido ao descobrir que, afinal, aquele taxista era o "seu"
grande assassino. Mil e uma peripécias acontecem entretanto, muitos mal entendidos, até que no fim o Kiler consegue entregar à polícias os malfeitores que o queriam contratar e inclusive o verdadeiro killer, que não gostou de ver os seus créditos por mãos alheias.Na sequela, o Jerzy Kiler entretanto tornou-se num homem famoso, que abriu uma fundação de caridade. Os malfeitores que foram presos por sua causa conseguem sair da prisão, pois são homens poderosos que usam as suas influências. Estes, por sua vez, querem arranjar uma maneira de o tramar e contratam um assassino para o matar. Mais uma vez há mil e uma peripécias, até que no fim acaba com um final feliz (para alguns, claro).
Estes filmes são daqueles que têm certas frases de culto, muito engraçadas. Gostava de um dia me aventurar e arranjar legendas em português para alguns destes filmes, mas...
sexta-feira, 13 de março de 2009
A Toca do Lobo
Ontem estivemos a ver o filme Valquíria, o tal do Tom Cruise.
Achei muito interessante o facto de no filme aparecer o quartel-general do Hitler na Prússia Oriental, onde ocorreu o atentado, que na realidade fica na Polónia. Já em tempos tinha ouvido falar de uma casa qualquer onde o Hitler ficava na Polónia, na região dos lagos, mas nunca pensei que fosse esta. A Toca do Lobo - assim se chamava este quartel - fica na região de Kętrzyn, na Mazúria, perto de um grande lago. Este território pertencia à Polónia antes das partilhas do séc. XVIII, que a dividiram entre a Áustria, a Rússia e a Prússia. Apesar de se chamar Prússia, tal como nos outros antigos territórios da Polónia, as pessoas falavam polaco. Depois da Iª Guerra Mundial, a Polónia voltou a ser independente e recuperou alguns dos seus antigos territórios. No entanto, a Prússia Oriental continuou a pertencer à Alemanha. O Hitler decidiu instalar-se naquela região para dali comandar a invasão da Rússia, porque sempre era mais perto do que Berlim. O espaço estava muito bem organizado: no meio de um bosque, devidamente camuflado de modo a que nenhum avião desse por ele, nem
os moradores da região. Daquilo que ouvi dizer, durante a guerra e mesmo muito tempo depois da guerra, os polacos desconheciam a existência daquele quartel. Mal sonhavam eles que o Hitler tinha andado por ali tantas vezes. Segundo dizem, passou ali bastante tempo, nomeadamente: entre Junho de 1941 e Julho de 1942, sete dias no início de Novembro de 1942 e depois desde o fim desse mês até Fevereiro de 1943, seis dias em Março de 1943, 12 dias em Maio de 1943, 17 dias no início de Julho de 1943 e depois desde o fim desse mês até Fevereiro de 1944, e por fim entre Julho e Novembro de 1944.
A Toca do Lobo foi descoberta quando o Exército Vermelho começou a avançar sobre os nazis. Antes de abandonarem o local, os nazis fizeram explodir tudo. Porém, dado que algumas paredes tinham espessura de oito metros, nem todas as explosões conseguiram destruir tudo, tendo alguns dos bunkers e locais sobrevivido até hoje (não muitos, pelo que percebi).
Durante a existência activa da Toca do Lobo, viveram ali ma
is de 2000 pessoas. Tinha edifícios de carácter residencial e vários bunkers. Havia um grande gerador de energia, que fazia com que não tivessem de depender das terras vizinhas. Tinha também um cinema, uma central telefónica, casino, café, enfim, digamos que estavam bem apetrechados. Neste local o Hitler recebeu convidados importantes de países seus aliados, entre os quais Mussolini, o Primeiro-Ministro romeno Antonescu, o czar Bóris III da Bulgária, o Primeiro-Ministro francês Pierre Laval (do governo de Vichy) e o embaixador japones Hiroshi Oshim.
Perto deste local existe o hoje chamado aeródromo de Wilamowo. Aqui, os nazis construiram o seu aeroporto privativo para trazer e levar pessoas para a Toca do Lobo, bem como para abastecer o local. Este foi aproveitado posteriormente pelo Exército Vermelho. O aeródromo de Wilamowo mais tarde voltou a ser outra vez conhecido, pois deste local os comunistas transferiram o Cardeal Stefan Wyszyński como prisioneiro (ele teve de mudar várias vezes de local, pois os comunistas queriam manter segredo sobre o seu paradeiro, para criarem o mito de que tinha morrido ou abdicado. Só que as pessoas descobriam onde ele estava e depois era o cabo dos trabalhos).
Quem sabe se no Verão não decidimos dar um salto até à Mazúria e aproveitamos para ver a Toca do Lobo? Pode ser interessante.
Achei muito interessante o facto de no filme aparecer o quartel-general do Hitler na Prússia Oriental, onde ocorreu o atentado, que na realidade fica na Polónia. Já em tempos tinha ouvido falar de uma casa qualquer onde o Hitler ficava na Polónia, na região dos lagos, mas nunca pensei que fosse esta. A Toca do Lobo - assim se chamava este quartel - fica na região de Kętrzyn, na Mazúria, perto de um grande lago. Este território pertencia à Polónia antes das partilhas do séc. XVIII, que a dividiram entre a Áustria, a Rússia e a Prússia. Apesar de se chamar Prússia, tal como nos outros antigos territórios da Polónia, as pessoas falavam polaco. Depois da Iª Guerra Mundial, a Polónia voltou a ser independente e recuperou alguns dos seus antigos territórios. No entanto, a Prússia Oriental continuou a pertencer à Alemanha. O Hitler decidiu instalar-se naquela região para dali comandar a invasão da Rússia, porque sempre era mais perto do que Berlim. O espaço estava muito bem organizado: no meio de um bosque, devidamente camuflado de modo a que nenhum avião desse por ele, nem
os moradores da região. Daquilo que ouvi dizer, durante a guerra e mesmo muito tempo depois da guerra, os polacos desconheciam a existência daquele quartel. Mal sonhavam eles que o Hitler tinha andado por ali tantas vezes. Segundo dizem, passou ali bastante tempo, nomeadamente: entre Junho de 1941 e Julho de 1942, sete dias no início de Novembro de 1942 e depois desde o fim desse mês até Fevereiro de 1943, seis dias em Março de 1943, 12 dias em Maio de 1943, 17 dias no início de Julho de 1943 e depois desde o fim desse mês até Fevereiro de 1944, e por fim entre Julho e Novembro de 1944.A Toca do Lobo foi descoberta quando o Exército Vermelho começou a avançar sobre os nazis. Antes de abandonarem o local, os nazis fizeram explodir tudo. Porém, dado que algumas paredes tinham espessura de oito metros, nem todas as explosões conseguiram destruir tudo, tendo alguns dos bunkers e locais sobrevivido até hoje (não muitos, pelo que percebi).
Durante a existência activa da Toca do Lobo, viveram ali ma
is de 2000 pessoas. Tinha edifícios de carácter residencial e vários bunkers. Havia um grande gerador de energia, que fazia com que não tivessem de depender das terras vizinhas. Tinha também um cinema, uma central telefónica, casino, café, enfim, digamos que estavam bem apetrechados. Neste local o Hitler recebeu convidados importantes de países seus aliados, entre os quais Mussolini, o Primeiro-Ministro romeno Antonescu, o czar Bóris III da Bulgária, o Primeiro-Ministro francês Pierre Laval (do governo de Vichy) e o embaixador japones Hiroshi Oshim.Perto deste local existe o hoje chamado aeródromo de Wilamowo. Aqui, os nazis construiram o seu aeroporto privativo para trazer e levar pessoas para a Toca do Lobo, bem como para abastecer o local. Este foi aproveitado posteriormente pelo Exército Vermelho. O aeródromo de Wilamowo mais tarde voltou a ser outra vez conhecido, pois deste local os comunistas transferiram o Cardeal Stefan Wyszyński como prisioneiro (ele teve de mudar várias vezes de local, pois os comunistas queriam manter segredo sobre o seu paradeiro, para criarem o mito de que tinha morrido ou abdicado. Só que as pessoas descobriam onde ele estava e depois era o cabo dos trabalhos).
Quem sabe se no Verão não decidimos dar um salto até à Mazúria e aproveitamos para ver a Toca do Lobo? Pode ser interessante.
terça-feira, 10 de março de 2009
Retratos do fim-de-semana
Um pormenor das paredes das casas de madeira. Elas costumam ter entre as traves estes rolinhos de palha (ou lá o que isto é) muito bem enrolados. Tradicionalmente, se entre as traves não houver isto, entra o ar. No entanto, hoje em dia há muita gente que usa estes rolinhos só para enfeitar e cola-os, para não saírem.
Vista de uma das estradas por onde tivemos de passar.
A pista de Kotelnica, em Białka Tatrzańska, por volta das 20h.
A vista de domingo de manhã. Estava tudo lindíssimo.
No caminho de regresso tivemos alguns problemas por causa da neve. Em certos sítios era quase impossível identificar onde ficava a estrada; tínhamos mesmo de conhecer o caminho ou então íamos parar sei lá onde.
O contraste no regresso: em Cracóvia apanhámos imenso sol e um dia lindo (à ida fomos por Katowice, no regresso por Cracóvia).
Vista de uma das estradas por onde tivemos de passar.
A pista de Kotelnica, em Białka Tatrzańska, por volta das 20h.
A vista de domingo de manhã. Estava tudo lindíssimo.
No caminho de regresso tivemos alguns problemas por causa da neve. Em certos sítios era quase impossível identificar onde ficava a estrada; tínhamos mesmo de conhecer o caminho ou então íamos parar sei lá onde.
O contraste no regresso: em Cracóvia apanhámos imenso sol e um dia lindo (à ida fomos por Katowice, no regresso por Cracóvia).Fim-de-semana nas montanhas
Ia escrever no título deste post "fim-de-semana na neve", mas achei que era melhor mudar, porque fins-de-semana na neve já passei vários este ano em Varsóvia. O que queria mesmo dizer é que no fim-de-semana passado fomos para as montanhas. Numa viagem assim meio improvisada, saímos de Varsóvia na quinta-feira à tarde e regressámos no domingo à noite. Fomos até à região das Tatra, uma parte da enorme cordilheira dos Cárpatos. Ficámos alojados numa casa própria para receber turistas. Na Polónia é comum haver pessoas com vivendas grandes que alugam quartos a turistas. Nas montanhas então, há destas casas aos mil. A casa onde ficámos era deste estilo, vivia lá um casal com dois filhos. Os nossos quartos e os deles eram em zonas separadas, mas partilhávamos a sala de jantar e a cozinha. O mais interessante desta casa era que para se chegar lá era necessário subir uma montanha por um caminhozito estreito. Na noite em que chegámos estavam 5ºC. Nesse dia, a neve tinha começado a derreter e a escorrer por esse tal caminho. Pusemos correntes nas rodas do carro e ainda tentámos subir, mas o caminho estava mesmo muito mau e até as próprias correntes se partiram. Teve de vir o nosso anfitrião buscar-nos de jipe, porque de outra forma passaríamos a noite dentro do carro. Nos outros dias, entretanto a temperatura desceu e nevou bastante, pelo que o caminho ficou melhor para conseguirmos andar nele (e comprámos também correntes novas para o carro, claro).
Na sexta-feira fomos até Zakopane para fazer ski. Estivemos na pista de Nosal, onde me aventurei pela primeira vez neste belo desporto. Depois de umas quedas um pouco aparatosas (felizmente só mesmo aparatosas e não dolorosas) e de até ter ido parar à pista do lado, lá me consegui aguentar e divertir um bocado com aquilo. O pior é que nesse dia a temperatura ainda estava um bocado alta e estava a chover. Conclusão: quando saí dali, estava ensopada. Por sorte, a roupa de ski não deixa entrar água.
No sábado voltámos às pistas, desta vez em Białka Tatrzańska. Nesta tínhamos já estado no ano passado com o Hugo e de facto parecem-me melhores. Białka e Bukowina são duas vilas vizinhas muito bonitas, com casas de madeira giríssimas. Gosto mais delas do que de Zakopane, por serem mais tranquilas e mais tradicionais. Em Białka caí na asneira de ter ido para uma pista azul, achando que era uma verde. Claro está que na primeira descida fui ao chão várias vezes (muitas delas eu própria é que me atirava, porque achava que não ía conseguir travar). Foi chato que como a neve tinha começado a derreter na véspera, em alguns sítios havia gelo na pista, o que não era nada bom. Neste dia já não choveu, mas nevou.
No domingo ainda pensámos ir fazer mais um bocado de ski, mas como durante a noite caiu um nevão brutal (o nosso carro tinha uns 30cm de neve em cima), não conseguimos sair de casa com tempo suficiente para isso.
Apesar de não termos conseguido aproveitar o tempo como queríamos, foi um fim-de-semana bom. Adoro neve e tenho imensa pena que em Varsóvia já só haja chuva. Claro que mal posso esperar pela Primavera, mas a neve é sempre algo especial. Assim deu para aproveitar ainda um bocado deste fim de Inverno nas montanhas. Para o ano espero voltar, mas para uma semana de férias.
Na sexta-feira fomos até Zakopane para fazer ski. Estivemos na pista de Nosal, onde me aventurei pela primeira vez neste belo desporto. Depois de umas quedas um pouco aparatosas (felizmente só mesmo aparatosas e não dolorosas) e de até ter ido parar à pista do lado, lá me consegui aguentar e divertir um bocado com aquilo. O pior é que nesse dia a temperatura ainda estava um bocado alta e estava a chover. Conclusão: quando saí dali, estava ensopada. Por sorte, a roupa de ski não deixa entrar água.
No sábado voltámos às pistas, desta vez em Białka Tatrzańska. Nesta tínhamos já estado no ano passado com o Hugo e de facto parecem-me melhores. Białka e Bukowina são duas vilas vizinhas muito bonitas, com casas de madeira giríssimas. Gosto mais delas do que de Zakopane, por serem mais tranquilas e mais tradicionais. Em Białka caí na asneira de ter ido para uma pista azul, achando que era uma verde. Claro está que na primeira descida fui ao chão várias vezes (muitas delas eu própria é que me atirava, porque achava que não ía conseguir travar). Foi chato que como a neve tinha começado a derreter na véspera, em alguns sítios havia gelo na pista, o que não era nada bom. Neste dia já não choveu, mas nevou.
No domingo ainda pensámos ir fazer mais um bocado de ski, mas como durante a noite caiu um nevão brutal (o nosso carro tinha uns 30cm de neve em cima), não conseguimos sair de casa com tempo suficiente para isso.
Apesar de não termos conseguido aproveitar o tempo como queríamos, foi um fim-de-semana bom. Adoro neve e tenho imensa pena que em Varsóvia já só haja chuva. Claro que mal posso esperar pela Primavera, mas a neve é sempre algo especial. Assim deu para aproveitar ainda um bocado deste fim de Inverno nas montanhas. Para o ano espero voltar, mas para uma semana de férias.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Anita na Polónia


Podia ser o título de um dos clássicos livros da Anita, mas não é. Há poucos dias encontrei à venda a versão polaca destes livros. Fiquei deslumbrada, porque quando era pequenina gostava muito deles. Qual foi o meu espanto quando vi que a Anita na Polónia chama-se... Martynka! Pensei logo: "Granda invenção dos polacos!" Mas mesmo assim, fui ver o título original. E não é que o nome original da rapariga é mesmo Martine?? Porque será que lhe chamaram Anita em Portugal? Podia ser Martinha, sei lá. Sempre era mais parecido. Agora o dilema: compro para a Teresa livros da Anita ou da Martynka?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Tłusty czwartek
Hoje é a chamada Quinta-feira Gorda. Na Polónia, é dia de comer pączki. As estatísticas dizem que cada polaco come em média 2,5 pączki neste dia. Pelo que sei, há quem no dia de hoje se dedique a alarvar nestes bolos. É um dia muito feliz para as pastelarias, que se entretêm a fazer destes bolos aos mil.
Na Polónia não se festeja o Carnaval. Quer dizer, festeja-se alguma coisa, mas não na Terça-feira. Supostamente, Domingo é o último dia do Carnaval. Não há desfiles, nem nada do estilo (bem, com a neve que está, não me admira nada). Nos supermercados encontram-se à venda as típicas roupas para as crianças se mascararem, mas do que me disseram, os adultos são mais comedidos e não se m
isturam muito nesse tipo de brincadeiras.
Mas voltando ainda outra vez à doçaria polaca, outro doce típico nesta época são os faworki. São uma espécie de cuscurões cobertos com açúcar em pó. Ao contrário dos pączki, não são enjoativos e muito facilmente se comem uma data deles seguidos. Não me lembro bem, mas acho que durante o ano não se costumam ver à venda faworki, só mesmo por esta altura (apesar de no Natal já ter visto em alguns sítios).
Não sei fazer faworki, mas ontem deram-me uma receita de pączki e achei que era melhor não tentar fazer em casa. Para terem uma ideia, dizem que no campo neste dia é típico entrar em casa e sentir cheiro de óleo de fritar... Por isso, para quem gosta destes bolos, aconselho a comprar numa cukiernia.
Na Polónia não se festeja o Carnaval. Quer dizer, festeja-se alguma coisa, mas não na Terça-feira. Supostamente, Domingo é o último dia do Carnaval. Não há desfiles, nem nada do estilo (bem, com a neve que está, não me admira nada). Nos supermercados encontram-se à venda as típicas roupas para as crianças se mascararem, mas do que me disseram, os adultos são mais comedidos e não se m
isturam muito nesse tipo de brincadeiras.Mas voltando ainda outra vez à doçaria polaca, outro doce típico nesta época são os faworki. São uma espécie de cuscurões cobertos com açúcar em pó. Ao contrário dos pączki, não são enjoativos e muito facilmente se comem uma data deles seguidos. Não me lembro bem, mas acho que durante o ano não se costumam ver à venda faworki, só mesmo por esta altura (apesar de no Natal já ter visto em alguns sítios).
Não sei fazer faworki, mas ontem deram-me uma receita de pączki e achei que era melhor não tentar fazer em casa. Para terem uma ideia, dizem que no campo neste dia é típico entrar em casa e sentir cheiro de óleo de fritar... Por isso, para quem gosta destes bolos, aconselho a comprar numa cukiernia.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Dresiarz
Eis uma palavra polaca que até poderia existir em Portugal (apesar de
achar que aqui é capaz de fazer mais sentido). O dresiarz é o típico cromo que anda sempre vestido de fato de treino, porque acha que é fixe. Normalmente anda de cabeça rapada e costuma ser pouco inteligente. Digamos que não são tidos em grande consideração, apesar de haver meninas que os acham o máximo. Não fazem grande coisa na vida, para além de beber cerveja (à porta do supermercado ou algo do estilo, porque é mais barato).
Apesar de não haver uma versão feminina do dresiarz, o mais
parecido com isto são as frytka. Literalmente, frytka significa batata frita. Chamam assim às meninas que passam horas no solário até ficarem que nem batatas fritas. Têm o cabelo loiro (pintadíssimo), ou então também existe a versão de cabelo preto (mesmo preto). Têm unhas de gel, cada uma mais pirosa que a outra, e andam sempre super pintadas. Vestem-se segundo o último grito da moda (grito de susto, claro está), e quanto mais à mostra, melhor. Podem estar -20ºC e lá andam elas de mini-saia. Também são burras, como os dresiarz, e digamos - de uma forma simpática - que não têm lá muito boa reputação...
Imagino que o sonho do dresiarz seja ter a sua frytka, e vice-versa. Querendo ser muito preconceituosa, este é o tipo de gente que quase não se encontra dentro das universidades, mas mais ao balcão de uma pastelaria, num call-center, ou noutros locais do estilo (sobretudo num solarium ou à porta de uma loja de bebidas alcoólicas).
achar que aqui é capaz de fazer mais sentido). O dresiarz é o típico cromo que anda sempre vestido de fato de treino, porque acha que é fixe. Normalmente anda de cabeça rapada e costuma ser pouco inteligente. Digamos que não são tidos em grande consideração, apesar de haver meninas que os acham o máximo. Não fazem grande coisa na vida, para além de beber cerveja (à porta do supermercado ou algo do estilo, porque é mais barato).Apesar de não haver uma versão feminina do dresiarz, o mais
parecido com isto são as frytka. Literalmente, frytka significa batata frita. Chamam assim às meninas que passam horas no solário até ficarem que nem batatas fritas. Têm o cabelo loiro (pintadíssimo), ou então também existe a versão de cabelo preto (mesmo preto). Têm unhas de gel, cada uma mais pirosa que a outra, e andam sempre super pintadas. Vestem-se segundo o último grito da moda (grito de susto, claro está), e quanto mais à mostra, melhor. Podem estar -20ºC e lá andam elas de mini-saia. Também são burras, como os dresiarz, e digamos - de uma forma simpática - que não têm lá muito boa reputação...Imagino que o sonho do dresiarz seja ter a sua frytka, e vice-versa. Querendo ser muito preconceituosa, este é o tipo de gente que quase não se encontra dentro das universidades, mas mais ao balcão de uma pastelaria, num call-center, ou noutros locais do estilo (sobretudo num solarium ou à porta de uma loja de bebidas alcoólicas).
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A web polaca: médicos conhecidos
Outro site interessante que descobri na Polónia chama-se Znany Lekarz, isto é, médico conhecido. Neste site, podemos encontrar opiniões escritas por pacientes sobre diferentes médicos. Quando quero consultar um
médico, posso ir lá ver que opiniões há, se o recomendam ou desaconselham. Infelizmente nem todos os médicos aparecem neste site (pela minha experiência, aqueles que só trabalham no serviço público muitas vezes não aparecem). Já lá estive a ver as opiniões sobre os médicos com os quais tive contacto até agora e, em geral, concordo com elas. Há uma ou outra opinião um bocado estranha, tipo, dizem da médica que me fez o parto que não se interessa pelo paciente, que nem sequer lhe diz como contactá-la em caso de ter algum problema, etc. Ora, a mim logo na primeira consulta ela deu o telemóvel e disse para ligar se fosse preciso...
Há pouco tempo estava a consultar o fórum de uma clínica privada aqui em Varsóvia e deparei-me com um comentário de uma pessoa a dizer muito mal de um médico deles. Acusava-o de algumas coisas, mas nada muito concreto e remetia a direcção da clínica para aquele site. Em resposta a este comentário, responderam-lhe da clínica que depois disto já rescindiram o contrato com esse médico. Curiosa, fui ver o que diziam no Znany Lekarz do dito senhor, já que o hospital tinha corrido logo com ele. Bem... é com cada crítica!... Coitado do senhor! Mas, se realmente ele é como dizem lá, coitados dos pacientes. Havia umas 40 opiniões todas péssimas e lá no meio uma positiva de alguém muito surpreendido por estarem a dizer isso dele. Depois havia também uma outra a dizer bem, que logo foi comentada por alguém a dizer que mais parecia ter sido escrita pelo próprio médico, a defender-se. Por acaso até parecia, mas se é ou não, não sei.
Tudo isto para dizer que gosto deste site. Ainda não escrevi lá nenhuma opinião, porque acho que não é preciso. Mas daquilo que vi, é uma boa ajuda na hora de escolher um médico.
médico, posso ir lá ver que opiniões há, se o recomendam ou desaconselham. Infelizmente nem todos os médicos aparecem neste site (pela minha experiência, aqueles que só trabalham no serviço público muitas vezes não aparecem). Já lá estive a ver as opiniões sobre os médicos com os quais tive contacto até agora e, em geral, concordo com elas. Há uma ou outra opinião um bocado estranha, tipo, dizem da médica que me fez o parto que não se interessa pelo paciente, que nem sequer lhe diz como contactá-la em caso de ter algum problema, etc. Ora, a mim logo na primeira consulta ela deu o telemóvel e disse para ligar se fosse preciso...Há pouco tempo estava a consultar o fórum de uma clínica privada aqui em Varsóvia e deparei-me com um comentário de uma pessoa a dizer muito mal de um médico deles. Acusava-o de algumas coisas, mas nada muito concreto e remetia a direcção da clínica para aquele site. Em resposta a este comentário, responderam-lhe da clínica que depois disto já rescindiram o contrato com esse médico. Curiosa, fui ver o que diziam no Znany Lekarz do dito senhor, já que o hospital tinha corrido logo com ele. Bem... é com cada crítica!... Coitado do senhor! Mas, se realmente ele é como dizem lá, coitados dos pacientes. Havia umas 40 opiniões todas péssimas e lá no meio uma positiva de alguém muito surpreendido por estarem a dizer isso dele. Depois havia também uma outra a dizer bem, que logo foi comentada por alguém a dizer que mais parecia ter sido escrita pelo próprio médico, a defender-se. Por acaso até parecia, mas se é ou não, não sei.
Tudo isto para dizer que gosto deste site. Ainda não escrevi lá nenhuma opinião, porque acho que não é preciso. Mas daquilo que vi, é uma boa ajuda na hora de escolher um médico.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A web polaca: o fenómeno Allegro
Um dos sites mais conhecidos dos polacos é o Allegro. É uma espécie de eBay à polaca. Lá podemos compra praticamente tudo. Quem vende são pessoas normais (normalmente coisas em segunda mão) ou mesmo empresas. Algumas destas empresas têm lojas onde quem quiser pode ir buscar directamente o que comprou no Allegro. Outras não e dedicam-se exclusivamente a vender através deste site. Há duas formas de vender e comprar: por leilão (o típico quem dá mais) ou compra directa, a vulso. Cada produto está online durante uma série de dias e depois desaparece (quando se trata das empresas, elas depois voltam a colocá-los lá). Supostamente, a vantagem de comprar no Allegro é que é tudo mais barato do que nas lojas normais. Claro que também há excepções, mas costuma ser assim. Às vezes quando quero comprar alguma coisa numa
loja, vou lá antes para ter uma noção dos preços a que se vende.
Daquilo que percebi, há muita gente a comprar no Allegro. É verdade que também já houve barracadas, aldrabões que vão para lá vender coisas, conseguem extorquir dinheiro às pessoas e depois desaparecem. Mas em geral - e agora falando concretamente do nosso caso - aquilo até funciona bem. Nós já comprámos lá várias coisas, umas em segunda mão, outras novas (das tais empresas). Entre elas contam-se: pneus de inverno para o carro (ah pois foi! E que bons que eles são!), um telemóvel, pilhas recarregáveis, peças para o carro (não me perguntem o que era aquilo, que não faço ideia), o produto que usamos para dar banho à bebé (mais barato que nas lojas), chávenas de café e o Stas até comprou com um colega de trabalho uma máquina de café expresso para terem na sala deles (o café cá... pronto, já se sabe...). Somos capazes de ter comprado mais algumas coisas, mas neste momento não me lembro. No trabalho do Stas, vários colegas dele usam o Allegro. Por exemplo, noutro dia um deles pediu-nos a máquina fotográfica para tirar fotos a umas botas de snowboard que queria pôr lá à venda. Outro encontrou lá um conjunto de sofás que está a pensar comprar para a sua casa nova. Outro, arranja lá a maioria das coisas que precisa para o filho bebé (gel de banho, vitaminas, etc, etc).
Para mim, o Allegro é mesmo um fenómeno. Eu, que não sou nada dada a compras na Internet, dou por mim volta e meia a pesquisar coisas neste site. De facto, até estou bem contente com as compras que lá fizemos.
Entretanto,
o Allegro abriu um novo site chamado Co Kupić, que significa "O que comprar?". É um site onde as pessoas dão a sua opinião sobre milhares de produtos, se valem ou não a pena. Também já lá fui uma ou outra vez. Como é um site novo, ainda não há muitas opiniões, mas por acaso fui à procura de uma sobre uns biberons. Vi lá uma opinião negativa, que me fez mudar de ideias e vi outra, num que me interessava, a dizer uma série de coisas que iam de encontro ao que eu precisava. Ou seja, foi uma boa ajuda. Comprei o tal biberon (numa loja, por acaso não foi no Allegro) e de facto é um dos mais práticos que tenho.
A nível de empresa, não faço a mínima ideia como está este grupo Allegro, mas deve estar a ganhar bem. Por minha parte, vou continuar a usar os sites deles.
loja, vou lá antes para ter uma noção dos preços a que se vende.Daquilo que percebi, há muita gente a comprar no Allegro. É verdade que também já houve barracadas, aldrabões que vão para lá vender coisas, conseguem extorquir dinheiro às pessoas e depois desaparecem. Mas em geral - e agora falando concretamente do nosso caso - aquilo até funciona bem. Nós já comprámos lá várias coisas, umas em segunda mão, outras novas (das tais empresas). Entre elas contam-se: pneus de inverno para o carro (ah pois foi! E que bons que eles são!), um telemóvel, pilhas recarregáveis, peças para o carro (não me perguntem o que era aquilo, que não faço ideia), o produto que usamos para dar banho à bebé (mais barato que nas lojas), chávenas de café e o Stas até comprou com um colega de trabalho uma máquina de café expresso para terem na sala deles (o café cá... pronto, já se sabe...). Somos capazes de ter comprado mais algumas coisas, mas neste momento não me lembro. No trabalho do Stas, vários colegas dele usam o Allegro. Por exemplo, noutro dia um deles pediu-nos a máquina fotográfica para tirar fotos a umas botas de snowboard que queria pôr lá à venda. Outro encontrou lá um conjunto de sofás que está a pensar comprar para a sua casa nova. Outro, arranja lá a maioria das coisas que precisa para o filho bebé (gel de banho, vitaminas, etc, etc).
Para mim, o Allegro é mesmo um fenómeno. Eu, que não sou nada dada a compras na Internet, dou por mim volta e meia a pesquisar coisas neste site. De facto, até estou bem contente com as compras que lá fizemos.
Entretanto,
o Allegro abriu um novo site chamado Co Kupić, que significa "O que comprar?". É um site onde as pessoas dão a sua opinião sobre milhares de produtos, se valem ou não a pena. Também já lá fui uma ou outra vez. Como é um site novo, ainda não há muitas opiniões, mas por acaso fui à procura de uma sobre uns biberons. Vi lá uma opinião negativa, que me fez mudar de ideias e vi outra, num que me interessava, a dizer uma série de coisas que iam de encontro ao que eu precisava. Ou seja, foi uma boa ajuda. Comprei o tal biberon (numa loja, por acaso não foi no Allegro) e de facto é um dos mais práticos que tenho.A nível de empresa, não faço a mínima ideia como está este grupo Allegro, mas deve estar a ganhar bem. Por minha parte, vou continuar a usar os sites deles.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Czarnobyl
Que é como quem diz Chernobyl. Ontem estive a ouvir uma conversa interessante sobre o acidente em Chernobyl e como iss
o foi para a Polónia. Tudo começou quando alguém me perguntou se eu me lembrava de, em pequena, tomar lugol. Eu olhei para o meu interlocutor, muito surpreendida, pois nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Contaram-me então que, após o acidente no reactor, todas as crianças até aos 17 anos tinham de tomar lugol. O lugol consiste num preparado à base de iodo, que ajuda na prevenção do cancro na tiróide (que era um dos grandes riscos de quem estava exposto à radiação). Logo a seguir ao acidente, a região do nordeste da Polónia começou a distribuir o remédio, mas rapidamente a distribuição se alargou a todo o país. Dizem que foi uma das melhores coisas que fez o então governo comunista, pois imediatamente todos tiveram acesso ao lugol. Em poucas horas, 18,5 milhões de crianças receberam o remédio. Na rua havia cartazes afixados a dizer para as pessoas irem aos centros de saúde levantar o preparado. Em princípio, todas as crianças polacas daquele tempo devem ter tomado isto.
Outra coisa que se tomava também era leite em pó. Desconfiava-se do leite, pois as vacas andavam a comer relva que podia estar contaminada. Coitadas das famílias, que naqueles tempos difíceis tinham de andar a arranjar leite em pó para os filhos. A minha sogra conta que a seguir à catástrofe, quando foi levar os filhos à escola, perguntou se naquele dia iam dar-lhes leite. Responderam-lhe com grande indiferença que claro que sim. Eles ficaram um pouco assustados, mas nada podiam fazer, porque naqueles tempos não era como hoje, que se pode chegar à escola e dizer: "Hoje não dêem leite aos meus filhos." O mais provável é que nos desprezassem e dessem o leite na mesma. Aliás, uma característica dos tempos do comunismo que já ouvi referir por várias pessoas (e aparece
também caracterizada no satírico filme Miś) é o facto de, em geral, nas lojas e nos serviços públicos as pessoas serem tratadas com muito desprezo. Não havia, de modo nenhum, a atenção pelo cliente que há hoje (não era o cliente tem sempre razão, mas mais o cliente nunca tem razão).
Voltando novamente a Chernobyl, a nível de contaminação, um ano depois os países mais afectados eram a Bulgária, Áustria, Grécia e Roménia. Neste gráfico (cliquem nele se o quiserem ver maior), a Polónia só aparece em 10º lugar, depois da Itália (quem diria?) e Portugal, claro, aparece quase no fim da lista. Actualmente não se sabem contabilizar as consequências de Chernobyl na Polónia, mas dá-me a sensação que não são muito grandes. Já passaram mais de 20 anos e não há efeitos escandalosamente visíveis. Dizem até agora que a toma do lugol não era indispensável, pois a Polónia nunca correu grande risco. A Ucrância e sobretudo a Bielorrúsia (nossas vizinhas) é que foram mais afectadas.
o foi para a Polónia. Tudo começou quando alguém me perguntou se eu me lembrava de, em pequena, tomar lugol. Eu olhei para o meu interlocutor, muito surpreendida, pois nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Contaram-me então que, após o acidente no reactor, todas as crianças até aos 17 anos tinham de tomar lugol. O lugol consiste num preparado à base de iodo, que ajuda na prevenção do cancro na tiróide (que era um dos grandes riscos de quem estava exposto à radiação). Logo a seguir ao acidente, a região do nordeste da Polónia começou a distribuir o remédio, mas rapidamente a distribuição se alargou a todo o país. Dizem que foi uma das melhores coisas que fez o então governo comunista, pois imediatamente todos tiveram acesso ao lugol. Em poucas horas, 18,5 milhões de crianças receberam o remédio. Na rua havia cartazes afixados a dizer para as pessoas irem aos centros de saúde levantar o preparado. Em princípio, todas as crianças polacas daquele tempo devem ter tomado isto.Outra coisa que se tomava também era leite em pó. Desconfiava-se do leite, pois as vacas andavam a comer relva que podia estar contaminada. Coitadas das famílias, que naqueles tempos difíceis tinham de andar a arranjar leite em pó para os filhos. A minha sogra conta que a seguir à catástrofe, quando foi levar os filhos à escola, perguntou se naquele dia iam dar-lhes leite. Responderam-lhe com grande indiferença que claro que sim. Eles ficaram um pouco assustados, mas nada podiam fazer, porque naqueles tempos não era como hoje, que se pode chegar à escola e dizer: "Hoje não dêem leite aos meus filhos." O mais provável é que nos desprezassem e dessem o leite na mesma. Aliás, uma característica dos tempos do comunismo que já ouvi referir por várias pessoas (e aparece
Voltando novamente a Chernobyl, a nível de contaminação, um ano depois os países mais afectados eram a Bulgária, Áustria, Grécia e Roménia. Neste gráfico (cliquem nele se o quiserem ver maior), a Polónia só aparece em 10º lugar, depois da Itália (quem diria?) e Portugal, claro, aparece quase no fim da lista. Actualmente não se sabem contabilizar as consequências de Chernobyl na Polónia, mas dá-me a sensação que não são muito grandes. Já passaram mais de 20 anos e não há efeitos escandalosamente visíveis. Dizem até agora que a toma do lugol não era indispensável, pois a Polónia nunca correu grande risco. A Ucrância e sobretudo a Bielorrúsia (nossas vizinhas) é que foram mais afectadas.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
A neve é uma coisa muito gira, mas...
O mal de quando a neve derrete toda é que só se vê porcaria por toda a parte, sobretudo cócós de cão. Às vezes até parece que estou em Lisboa!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sylwester
Já percebi que o mercado dos artigos sazonais na Polónia é bem maior do que em Portugal. Pelo menos daquilo que eu me lembro. Se no Todos-os-Santos por toda a parte encontrávamos à venda aquelas velas típicas de cemitério, no Natal era ver em cada esquina vendedores de pinheiros e nos supermercados enfeites de todos os estilos. Nesta época, já se vê por aí uma série de artigos para o Carnaval, desde máscaras a confetis. E o que é que isto tudo tem a ver com o Sylwester (a noite da passagem de ano, o dia de S. Silvestre)? É que nos dias que antecedem o ano novo, para além de aumentar a compra de bebidas alcoólicas, em toda a parte podemos comprar fogo de artifício. Até na rua, num passeio qualquer, alguém decide montar uma banquinha a vender foguetes e lá vai fazendo uns trocos. Nós acabámos por não comprar, mas também não foi preciso. Toda a gente comprou, então vimos milhares de fogos de artifício.
Mas o mais giro que vimos foi no parque Morskie Oko. À meia-noite fomos para lá, pois estávamos numa festa numa casa ali em frente. Várias pessoas tinham ido para ali mandar foguetes (que isto não seja mal interpretado). Não muito longe deste local, na Plac Konstitucji, estava a decorrer a festa de ano novo organizada pela cidade de Varsóvia, com vários artistas e tal. Ora, neste parque de Morskie Oko pudemos admirar o fogo de artifício dessa festa e devo dizer que foi muito giro. Fiz uns pequenos filmes com a máquina fotográfica, deixo-vos aqui um deles que dá para ter uma ideia:
Mas o mais giro que vimos foi no parque Morskie Oko. À meia-noite fomos para lá, pois estávamos numa festa numa casa ali em frente. Várias pessoas tinham ido para ali mandar foguetes (que isto não seja mal interpretado). Não muito longe deste local, na Plac Konstitucji, estava a decorrer a festa de ano novo organizada pela cidade de Varsóvia, com vários artistas e tal. Ora, neste parque de Morskie Oko pudemos admirar o fogo de artifício dessa festa e devo dizer que foi muito giro. Fiz uns pequenos filmes com a máquina fotográfica, deixo-vos aqui um deles que dá para ter uma ideia:
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Kolędy
Certo dia, numa aula de polaco, falámos de cânticos de Natal. Surgiu-me a dúvida sobre como escrever a palavra polaca que a eles se refere, se kolenda ou kolęda. Achava eu que se escrevia com en. A minha professora corrigiu-me e explicou-me, que sendo uma palavra tipicamente polaca, escrevia-se com ę.
De facto, kolęda é algo mesmo típico dos polacos. Durante os dias do Natal, há sempre um momento em que todos páram para cantar músicas natalícias. Para além de em algumas casas haver um CD com estas músicas a tocar, há sempre a altura em que o desligam e cantam todos juntos. Quem tem instrumentos, toca-os e o resto acompanha. Há imensas kolędy, acho que nenhum polaco as deve conhecer a todas. Pediram-me a certa altura que cantasse uma portuguesa. Neste momento deu-me uma branca e não me conseguia lembrar de nada. Veio-me à cabeça aquela do "Olhei para o céu, estava estrelado, etc.", mas não me aventurei a cantá-la sozinha diante de todos. Até porque nem conheço a letra toda. Ainda por cima, as kolędy têm todas uma letra muito religiosa e esta de que me lembrei é um bocado inventada ("Eu hei-de dar ao Menino uma fitinha para o chapéu"?? Quem é que se foi lembrar de inventar isto??). De resto, só me ocorriam aquelas que a Maria cantou mil vezes no Natal do ano passado, mas essas são espanholas (o burrito sabanero, que frio hace en el portal, baba uisha, ...). Uma vergonha!
Ao fim de várias semanas sempre a ouvir estas músicas, elas acabam por entrar no ouvido. E depois, tem piada ouvir como diferentes pessoas as cantam de diferentes maneiras.
Tradicionalmente, nas vilas e aldeias havia um grupo de pessoas que íam pelas casas cantando músicas de Natal. Acho que isto ainda se faz em alguns lugares. Houve uma pessoa que nos contou que este Natal um grupo de miúdos andou pelo prédio dela a bater às portas e a cantar. Para ganhar umas massas, claro.
Para terminar, deixo aqui um vídeo de uma kolęda, chamada Gdy się Chrystus rodzi, que significa "Quando Cristo nasce".

De facto, kolęda é algo mesmo típico dos polacos. Durante os dias do Natal, há sempre um momento em que todos páram para cantar músicas natalícias. Para além de em algumas casas haver um CD com estas músicas a tocar, há sempre a altura em que o desligam e cantam todos juntos. Quem tem instrumentos, toca-os e o resto acompanha. Há imensas kolędy, acho que nenhum polaco as deve conhecer a todas. Pediram-me a certa altura que cantasse uma portuguesa. Neste momento deu-me uma branca e não me conseguia lembrar de nada. Veio-me à cabeça aquela do "Olhei para o céu, estava estrelado, etc.", mas não me aventurei a cantá-la sozinha diante de todos. Até porque nem conheço a letra toda. Ainda por cima, as kolędy têm todas uma letra muito religiosa e esta de que me lembrei é um bocado inventada ("Eu hei-de dar ao Menino uma fitinha para o chapéu"?? Quem é que se foi lembrar de inventar isto??). De resto, só me ocorriam aquelas que a Maria cantou mil vezes no Natal do ano passado, mas essas são espanholas (o burrito sabanero, que frio hace en el portal, baba uisha, ...). Uma vergonha!
Ao fim de várias semanas sempre a ouvir estas músicas, elas acabam por entrar no ouvido. E depois, tem piada ouvir como diferentes pessoas as cantam de diferentes maneiras.
Tradicionalmente, nas vilas e aldeias havia um grupo de pessoas que íam pelas casas cantando músicas de Natal. Acho que isto ainda se faz em alguns lugares. Houve uma pessoa que nos contou que este Natal um grupo de miúdos andou pelo prédio dela a bater às portas e a cantar. Para ganhar umas massas, claro.
Para terminar, deixo aqui um vídeo de uma kolęda, chamada Gdy się Chrystus rodzi, que significa "Quando Cristo nasce".
Natal polaco
Apenas algumas notas em relação ao Natal na Polónia.. Diz a tradição que a ceia da véspera de Natal se começa a partir do momento em que aparece no céu a primeira estrelas. Quando há crianças, normalmente elas ficam à janela à espreita, a ver quem vê primeiro a dita estrela. Na Polónia isto significa que se começa a comer lá para as 16h da tarde. Uma vez que a maioria das pessoas trabalha dia 24, nem todos começam tão cedo.
. Na mesa da Consoada costuma-se colocar no centro, por baixo da toalha, um bocado de palha. Tradicionalmente isto compra-se na igreja, mas hoje em dia vende-se também nos supermercados. Nós, por acaso, não tivemos esta tradição.
. Muito típico nesta época é o opłatek. O opłatek é uma hóstia rectangular que se partilha no Natal com a família e os amigos. Cada um recebe um bocado de opłatek, que irá distribuir por todos. Vamos ter com cada pessoa, ela parte um bocadinho da nossa hóstia, come-a e nós fazemos o mesmo. Enquanto isto, fazemos os nossos votos a essa pessoa; dizemos o que lhe desejamos e ela faz o mesmo connosco. Na Páscoa também há quem faça algo semelhante, mas partilhando ovo cozido (como os ovos são símbolo da Páscoa). O opłatek partilha-se não só na Véspera de Natal, mas em todos os encontros que fazemos nesta época (jantares de Natal, festinhas, etc). Para mim, esta tradição é um bocadinho difícil, pois desejar individualmente algo a alguém é uma coisa muito pessoal. Sobretudo quando não conhecemos bem a pessoa, isto torna-se complicado. Mas enfim, lá me desenrrasquei.
. Na mesa da Consoada tradicionalmente têm de estar 12 comidas diferentes. E tudo pratos de peixe, pois só no dia de Natal se come carne. Ouvi dizer de quem contasse o saleiro e o pão para fazer as 12. No nosso caso, por acaso tivemos 12 travessas na mesa, mas puramente acidental. Às vezes a mesma comida estava em duas travessas diferentes, para facilitar. Entre os peixes, o mais tradicional é a carpa. Para além dele, come-se também arenque e outros.
. Os doces de Natal são mais à base de bolos secos. Há o keks, uma mistura entre o bolo-rei e o bolo-rainha, feito com passas e coisas do estilo; o makowiec, um bolo feito à base de sementes de papoila; pierniki, que são bolinhos de gengibre; e vi também sernik (cheesecake) e outros semelhantes. Depois de ver as comidas polacas típicas desta época, percebo porque é que cá conseguem festejar três dias de Natal e em Portugal não.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O meu reino por uma árvore de natal!
Este ano pensava que não ia ter árvore de natal em casa. Primeiro, porque não vamos estar em casa em nenhum dos dias de festa (que cá são 24, 25 e 26). Segundo, porque a Teresa ainda não liga a isso. Terceiro, porque achava que era caro. A certa altura, em discussão com a cara metade, resolvemos que iriamos comprar uma árvore de natal. Pensei logo numa coisa pequenina. De cada vez que ia ao supermercado, dava uma olhadela nos preços das árvores de plástico e achava caríssimas. Até que certo dia, o Stas foi ajudar os avós a comprar a árvore deles. Pelo que percebi, cá a maioria das pessoas tem árvores verdadeiras em casa. Lá foram eles a um desses vendedores que se encontra por toda a parte nesta época do ano comprar a dita. Qual o meu espanto quando soube que tinham comprado uma com 2,50m por um preço baratíssimo! Caiu-me o queixo ao chão; nunca pensei que fossem tão baratas as árvores verdadeiras! Sempre tinha aquela ideia que as verdadeiras eram bastante mais caras que as de plástico, mas pelos vistos enganei-me. Em suma, passámos da ideia (minha) de comprar um "arbustrozinho" de plástico para comprar uma árvore verdadeira com pelo menos 2m.
Tendo decidido o que queriamos, partimos certo dia em busca da dita. Ora, esta tarefa resultou bem mais complicada do que pensei. Fomos a uns oito sítios diferentes. O problema era sempre: ou era muito cara, ou era feia. Não sei porquê, nunca me ocorreu que pudesse encontrar árvores feias. Algumas não tinham quase ramos em cima, outras estavam muito depenadas, outras eram exageradamente farfalhudas em baixo e despidas em cima, etc, etc. Para além disto, há dois tipos de árvore à escolha: jodła e świerk. A primeira tem a vantagem de aguentar muito tempo e por isso é mais cara; a segunda dizem que deita um cheiro bom, mas deixa cair uma espécie de caruma, o que faz com que se tenha de limpar o chão frequentemente (esta é mais barata). Nessa tarde estavam 4ºC e tinha chovido a potes na véspera. A maioria dos locais onde estavam os vendedores das árvores estava atolhada de lama e mal se conseguia lá entrar. Congelámos completamente e sujámos os sapatos todos. Mas conseguimos arranjar uma de que gostámos e por um bom preço. Da próxima vez, acho que vamos procurar com mais antecedência.
Aqui está a nossa árvore de natal, à chegada a casa, antes de ser armada:
Tendo decidido o que queriamos, partimos certo dia em busca da dita. Ora, esta tarefa resultou bem mais complicada do que pensei. Fomos a uns oito sítios diferentes. O problema era sempre: ou era muito cara, ou era feia. Não sei porquê, nunca me ocorreu que pudesse encontrar árvores feias. Algumas não tinham quase ramos em cima, outras estavam muito depenadas, outras eram exageradamente farfalhudas em baixo e despidas em cima, etc, etc. Para além disto, há dois tipos de árvore à escolha: jodła e świerk. A primeira tem a vantagem de aguentar muito tempo e por isso é mais cara; a segunda dizem que deita um cheiro bom, mas deixa cair uma espécie de caruma, o que faz com que se tenha de limpar o chão frequentemente (esta é mais barata). Nessa tarde estavam 4ºC e tinha chovido a potes na véspera. A maioria dos locais onde estavam os vendedores das árvores estava atolhada de lama e mal se conseguia lá entrar. Congelámos completamente e sujámos os sapatos todos. Mas conseguimos arranjar uma de que gostámos e por um bom preço. Da próxima vez, acho que vamos procurar com mais antecedência.
Aqui está a nossa árvore de natal, à chegada a casa, antes de ser armada:
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
O que os bebés comem na Polónia
Tal como os adultos na Polónia têm as suas comidas tradicionais, os bebés também têm as suas próprias. Em geral, na Polónia, quando os bebés chegam à fase de comer outras coisas para além do leite, passam a comer de boiões. Quando fomos da última vez à pediatra, ela deu-nos uma brochura de uma marca de boiões com a indicação de como se devia alimentar o bebé. Pelo que percebi, aqui não há a sopinha caseira que se faz aí, à qual se vão acrescentando ingredientes. Quer dizer, haver há, mas está a tornar-se cada vez menos popular. De tal maneira que a pediatra nem sequer supôs que nós pudéssemos não querer alimentar a bebé só com boiões. Como não temos grande experiência nesta área, tive a felicidade de algumas pessoas de Portugal me ajudarem com indicações sobre como preparavam as comidas dos seus bebés. Os boiões de facto são muito práticos e têm uma variedade enorme de sa
bores. Mas - lá está - não há nada como uma bela sopinha caseira (para além de que é mais barato)! E a Teresa, para já, tem gostado.Para além disto, há também papas, como em qualquer parte do mundo. Tirando o facto de não haver cerelac (o que me deixa muito triste), predominam as papas de arroz. Há também papas de milho, mas ouvi dizer que são uma porcaria. Às papas de arroz juntam-se sabores: há papa de framboesa, papa de banana, etc. Mas o que achei mais original foi ver papa de... bróculos, de abóbora e de outros legumes! São da Nestlé e chamam-se algo como "Jardim do Ursinho". Ainda não sei se vamos comprar, mas parece-me que não. De qualquer maneira comprámos um boião com puré de bróculos, imagino que seja mais saboroso.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Mais ginástica!
Pela primeira vez depois da Teresa nascer, fui fazer ginástica. Achei que já era altura de voltar a exercitar o corpo. Até porque ser mãe existe uma certa resistênc
ia física que, de facto, me está a faltar. Noutro dia, por exemplo, dei uma corridinha a empurrar o carrinho do bebé na rua e quando parei achei que ia morrer. Ainda consigo aguentar bem com os 7kg da pequenota, mas tirando isso...
Decidi então inscrever-me num ginásio, numas aulas próprias para mães com bebés pequeninos. Para além de achar que era o indicado para mim (recuperação pós-parto, etc.), tinha a grande vantagem de não precisar de babysitter para a Teresa durante o tempo da aula.
Bem, eu já não fazia ginástica há muito tempo (sim, porque as aulas de preparação para o parto, ao contrário do que muitos pensaram, não eram de ginástica; simplesmente em algumas sessões tivemos 30min de exercícios). Então quando começámos a aula... acho que ainda nem tinham passado 10min e eu já não podia mais
! Quer dizer, achava que não podia, porque depois ainda fiz mais uma série de exercícios, apesar de não tantas vezes como era suposto.
A aula começou com um aquecimento tipo step. Os bebés ficavam deitados numa mantinha no colchão e nós lá saltitávamos de um lado para o outro. Como é típico, nos primeiros minutos era a turma toda para a direita e eu para a esquerda, e vice-versa. Já quase no fim do aquecimento lá consegui acertar o passo com elas. A Teresa divertiu-se imenso com as minhas figuras; fartou-se de rir. Depois disto fizemos mais uns exercícios sozinhas e mais tarde é que pegámos nos bebés para ginasticarem connosco. É engraçado, este conceito de ginástica. Várias vezes, os bebés serviam de pesos para os exercícios. Só vos digo que não é tão fácil como parece! Passado um bocado, foi a vez dos bebés brincarem um pouco. Pusemo-los em cima das bolas de ginástica (que usámos para alguns exercícios), ora de barriga para baixo, ora de barriga para cima e rodávamos um pouco a bola em círculos. A Teresa adorou. Acho que para eles deve ser muito relaxante. Bem... pelo menos para alguns, porque ao meu lado estava uma bebé com sete meses que a mãe me disse que se farta de chorar de cada vez que a metem em cima da bola.
Ainda fizemos mais uns exercícios juntamente com os bebés, para nos matarmos mesmo até ao fim e depois lá terminámos. Quando já estávamos no carro para vir para casa é que a Teresa começou a chorar. Acho que queria mais aula para se continuar a rir das minhas figuras. Mas agora só para a semana.
Estas fotos foram tiradas ao calhas da internet; não faço a mínima ideia quem sejam estas pessoas.
ia física que, de facto, me está a faltar. Noutro dia, por exemplo, dei uma corridinha a empurrar o carrinho do bebé na rua e quando parei achei que ia morrer. Ainda consigo aguentar bem com os 7kg da pequenota, mas tirando isso...Decidi então inscrever-me num ginásio, numas aulas próprias para mães com bebés pequeninos. Para além de achar que era o indicado para mim (recuperação pós-parto, etc.), tinha a grande vantagem de não precisar de babysitter para a Teresa durante o tempo da aula.
Bem, eu já não fazia ginástica há muito tempo (sim, porque as aulas de preparação para o parto, ao contrário do que muitos pensaram, não eram de ginástica; simplesmente em algumas sessões tivemos 30min de exercícios). Então quando começámos a aula... acho que ainda nem tinham passado 10min e eu já não podia mais
! Quer dizer, achava que não podia, porque depois ainda fiz mais uma série de exercícios, apesar de não tantas vezes como era suposto.A aula começou com um aquecimento tipo step. Os bebés ficavam deitados numa mantinha no colchão e nós lá saltitávamos de um lado para o outro. Como é típico, nos primeiros minutos era a turma toda para a direita e eu para a esquerda, e vice-versa. Já quase no fim do aquecimento lá consegui acertar o passo com elas. A Teresa divertiu-se imenso com as minhas figuras; fartou-se de rir. Depois disto fizemos mais uns exercícios sozinhas e mais tarde é que pegámos nos bebés para ginasticarem connosco. É engraçado, este conceito de ginástica. Várias vezes, os bebés serviam de pesos para os exercícios. Só vos digo que não é tão fácil como parece! Passado um bocado, foi a vez dos bebés brincarem um pouco. Pusemo-los em cima das bolas de ginástica (que usámos para alguns exercícios), ora de barriga para baixo, ora de barriga para cima e rodávamos um pouco a bola em círculos. A Teresa adorou. Acho que para eles deve ser muito relaxante. Bem... pelo menos para alguns, porque ao meu lado estava uma bebé com sete meses que a mãe me disse que se farta de chorar de cada vez que a metem em cima da bola.
Ainda fizemos mais uns exercícios juntamente com os bebés, para nos matarmos mesmo até ao fim e depois lá terminámos. Quando já estávamos no carro para vir para casa é que a Teresa começou a chorar. Acho que queria mais aula para se continuar a rir das minhas figuras. Mas agora só para a semana.
Estas fotos foram tiradas ao calhas da internet; não faço a mínima ideia quem sejam estas pessoas.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Concorrência entre operadoras móveis
Há uns tempos que a operadora móvel polaca Play (uma operadora que surgiu há coisa de um ano e tal) iniciou uma campanha publicitária de ataque directo à concorrência. Devo dizer que pessoalmente nunca gostei dos anúncios da Play, são todos horríveis. Estes agora estéticamente não têm nada de especial. O que chama a atenção é o que aparece escrito. Diz a Play que ligar de um telemóvel Play para outras redes é mais barato do que as chamadas dentro dessa outra rede. Ou seja - e citando os cartazes deles - ligar de Play para um telemóvel Era é mais barato do que ligar de um Era para um Era. E o mesmo com as redes Orange e Plus. Não sei se isto é verdade, porque não verifiquei, mas irrita-me este tipo de publicidade, que investe em dizer mal dos concorrentes.
E qual é a resposta dos concorrentes? Vejamos um caso concreto.
Estou a pensar comprar um novo cartão de telemóvel da operadora Heyah - uma rede que pertence à Era. Eles têm agora uma promoção que posso ligar por um preço muito bom para todas as redes (fixa incluída) da Polónia e da União Europeia!! Ou seja, passo a telefonar para Portugal ao mesmo preço que para cá. Só que esta promoção tem uma particularidade muito especial... Paga-se apenas 44 grosze (cerca de 11 cêntimos) para todas as redes (como já disse), excepto para a Play... para a qual se pagam 79 grosze por minuto (cerca de 21 cêntimos). Esta é a resposta que a concorrência está a dar à Play. A Orange parece que também está a ir por este caminho. Assim a Play vai levando dos seus concorrentes, enquanto perde tempo a criticá-los.
E qual é a resposta dos concorrentes? Vejamos um caso concreto.
Estou a pensar comprar um novo cartão de telemóvel da operadora Heyah - uma rede que pertence à Era. Eles têm agora uma promoção que posso ligar por um preço muito bom para todas as redes (fixa incluída) da Polónia e da União Europeia!! Ou seja, passo a telefonar para Portugal ao mesmo preço que para cá. Só que esta promoção tem uma particularidade muito especial... Paga-se apenas 44 grosze (cerca de 11 cêntimos) para todas as redes (como já disse), excepto para a Play... para a qual se pagam 79 grosze por minuto (cerca de 21 cêntimos). Esta é a resposta que a concorrência está a dar à Play. A Orange parece que também está a ir por este caminho. Assim a Play vai levando dos seus concorrentes, enquanto perde tempo a criticá-los.
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