Mostrar mensagens com a etiqueta Bilinguismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bilinguismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de setembro de 2013

O Outono em Łazienki

Por saber como não gosto do Outono na Polónia, uma amiga sugeriu que eu participasse num passeio guiado com um biólogo no parque de Łazienki sobre as alterações da natureza no Outono. Achei que podia ser uma boa ideia e por isso hoje de manhã arranjámo-nos depressa para conseguir estar lá à hora certa.
A visita foi bem interessante. O nosso guia, o biólogo Darek (não me lembro do apelido...!) - especialista em insectos... - levou-nos a dar uma volta pelo parque, parando por aqui e por ali para algumas explicações. Foi uma autêntica aula de revisões de ciências da natureza, com lições sobre a fotossíntese, sobre o modo como as folhas mudam de cor e porque é que caem das árvores. Mostrou-nos ainda alguns insectos do parque e fiquei a saber que existem joaninhas bordeaux com pintinhas brancas! Tirei algumas fotos que podem ilustrar melhor este passeio.

O nosso guia a explicar porque as folhas mudam de cor e caem das árvores.

Um esquilo. Há imeeeeensos em Łazienki. Nem sei quantos vi hoje! São espécies protegidas por isso é proibido apanhá-los. Mas não têm medo de nós e se tivermos comida, é provável que venham comer das nossas mãos. Agora uma curiosidade do bilinguismo: em polaco, a palavra esquilo (wiewiórka) é feminina. A T. passou o tempo a dizer coisas tipo: "Vamos apanhá-la!", referindo-se ao esquilo.

O guia a mostrar alguns dos insectos que apanhou de uma das árvores com a sua rede.

Um turista asiático teve este momento de contacto com um esquilo.

A qualidade da foto não é grande coisa (telemóvel...), mas dá para ter uma ideia da transformação da cor nestas árvores, desde o verde ainda muito verde do lado esquerdo até ao verde-amarelado do lado direito.

Novamente sem grande qualidade, mas com algum esforço percebe-se que ao longe as árvores têm diferentes cores outonais. Na relva, patos.

Uma autêntica cratera numa árvore, feita por insectos (blhec). Na parte de baixo da foto vê-se um pouco da areia em que os ditos bichos transformaram a madeira da pobre árvore.

Esta risca vertical de cor diferente no tronco da árvore é provocada pela queda de um raio durante uma trovoada. O nosso guia explicou que quando isto acontece, a temperatura da água dentro da árvore sobre brutalmente e queima-a toda por dentro (ouch!!). A seguir a esta vimos outra também com uma marca enorme. Árvore sofre!

Uma casa de pássaros vandalizada por animais. Explicou-nos o guia que pode ter sido por outros pássaros, ou até por... esquilos! Disse ele que estes bichinhos que toda a gente adora volta e meia, quando acham caso disso, tornam-se nas maiores pestes e são capazes de atacar (outros animais, entenda-se). Mas acho que o pior mesmo foi saber que há pássaros que atacam ninhos de outros pássaros, incluíndo os bebés que lá estejam...

Um dos primeiros sinais do Outono na Polónia.

Já fora da visita, passámos pelo famoso monumento de Chopin. Quando estávamos já de saída, ouvi um guia a contar a um grupo um pormenor interessante que desconhecia sobre ela. Ora diz que durante a IIª Guerra Mundial esta estátua foi totalmente destruída. Alguns anos mais tarde, não-sei-quem encontrou num ferro-velho... a cabeça do Chopin! A partir daí, e com base numa réplica em miniatura que havia não-sei-onde (ok, ele estava com outro grupo, não ouvi bem tudo...), reconstruíram a estátua tal qual como está hoje. E esta, heim?

Depois de todo este passeio, a questão final é: Será que fiquei a gostar mais do Outono na Polónia? Sinceramente não sei. O Outono é de facto muito bonito, com as árvores pintadas de mil cores. Mas o frio (podemos sempre agasalhar-nos!)... a chuva (para que servem as galochas??)... os dias pequenos (para isto não arranjo solução... só mesmo a companhia de bons amigos!!)... são muuuuito chatos. Quem sabe, pode ser que este ano seja melhor do que nos anteriores!

PS - Uma observação minha: quando estávamos a regressar, começou a choviscar. E a quantidade de gente a passear por lá, a chegar para passear, grupos organizados, pais com bebés de colo,...? Imensos!! Realmente, os cerca de 7ºC e uma chuvinha não metem medo a ninguém. Eu é que, para dizer a verdade, já estava a gelar, mesmo depois de ter tomado um chocolate quente...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

De qual gostas mais?

- T., que língua é mais fácil: o português ou o polaco?
- Hmmmm... O polaco!!

E neste momento o coração da mãe sofre... :P

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A língua em minoria

Há um fenómeno que já tinha reparado na T. há uns anos e que este ano voltou em força. É a questão da língua em minoria. Quando estamos no nosso dia-a-dia na Polónia, a T. está habituada que há uma língua em maioria - o polaco - que falam todas as pessoas, e uma língua em minoria - o português - que falo basicamente só eu (ok, o pai também e o M. também já começa). É sempre assim e ela já sabe que quando vem falar com a mãe, fala na língua em minoria. Ora, o que acontece é que quando vimos a Portugal, as línguas invertem-se: a língua em maioria passa a ser o português e a língua em minoria, o polaco. E em que é que isto resulta? Que comigo passa a falar polaco e com todos os outros português! A família revolta-se por a ver a falar sempre em polaco comigo, mas a verdade é que ela não faz por mal. É simplesmente mais uma confusão do bilinguismo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tu não falas essa língua!

Para a T. não faz confusão nenhuma haver umas pessoas que falam português e outras que falam polaco. Do mesmo modo não faz confusão os pais falarem tanto numa, como noutra língua, ou até nas duas ao mesmo tempo. O que faz confusão é ouvir um português falar polaco, ou um polaco falar português. Nessas situações reage sempre com um olhar incrédulo. E depois ri-se muito, farta-se de gozar. Com ela isto já aconteceu várias vezes, já não é surpresa. Mas com o M., no seu ano e meio de vida, ainda não tinha acontecido. Até ontem. Ontem, a minha mãe disse algo em polaco e ele olhou para ela muito surpreendido, como se achasse estranhíssimo. Percebeu que havia alguma coisa que não batia certo. Ou seja, apesar de ainda praticamente não falar, ele já percebe a diferença entre as línguas bem mais do que nos parece.