sexta-feira, 18 de março de 2011

O que é um cavalo?

Ontem fiquei a saber um facto curioso da Polónia. A primeira enciclopédia polaca, chamada Nowe Ateny, foi publicada no século XVIII. Aí se encontra a definição mais original que alguma vez vi. Num capítulo intitulado Sobre os Animais, o autor define diferentes animais. Mas quando chega ao cavalo, por ser um animal de uso comum (meio de transporte mais usado, todos os nobres tinham, etc), a definição é simplesmente a seguinte:


Cavalo - é aquilo que todos vêm que é.


E mais nada. Está tudo dito. Para quê definir algo que é óbvio? Esta definição foi tão absurda que ainda hoje, em alguns contextos, alguns polacos a utilizam para dizer que algo é óbvio.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Retratos meio ao calhas de Varsóvia

Fotos tiradas do carro, assim meio ao calhas, mas que acabam por te alguma piada. Da parte antiga de Varsóvia.






O gen. De Gaulle

quarta-feira, 16 de março de 2011

Imagens do Museu de Chopin

 A fachada do palacete onde fizeram o museu.

A porta de entrada. 

Uma partitura escrita à mão por Chopin, com várias correcções. 

Um dos pontos "modernaços", onde se podia ouvir música. Neste sítio em concreto não consegui perceber totalmente como funcionava, mas penso que passava por virar as páginas e tocar em alguns pontos para escolher as opções. 

Uma imagem de Chopin entre outros compositores "famosos" (deles só ouvi falar de Liszt), em França.

O último piano de Chopin. 

Uma parte da escadaria na entrada do palacete. 

A vista da fachada já à noite e de um nível mais baixo.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Museu de Chopin

Há dias estive no Museu de Chopin, um dos mais recentes museus de Varsóvia. Para dizer a verdade, nem sabia que existia... Conhecia o local, o palácio onde se encontra, que é muito bonito. O museu, devo dizer, é dos mais modernos que conheço. De tanta modernice que lá há, a certa altura já estava cansada daquilo tudo e só me apetecia que aquele museu fosse dos "normais", com os textos escritos em lugares visíveis e sem computadores, ecrãs onde se toca, etc. Um pormenor interessante foi o facto de se verem constantemente pessoas a limpar os ecrãs das marcas dos dedos e até a varrer o chão (por causa da lama que se cola aos sapatos - na altura ainda restos de neve). Fiquei com a sensação que as pessoas que trabalhavam no museu eram alunos da academia musical, que fica a poucos metros.
Em geral, do museu não fiquei com grande ideia do que foi a vida de Chopin. Claro que aprendi coisas novas, mas pelo exagero de "cromice" e modernices, não consegui seguir a cronologia da vida dele de forma devida. Ouvi muita e bonita música, isso sim. O museu está cheio de pontos onde se podem ouvir praticamente todas as composições de Chopin (praticamente? se calhar estão mesmo todas...).
Quando vierem a Varsóvia, se quiserem ver algo completamente diferente das coisas relacionadas com a guerra, recomendo uma passagem pelo museu de Chopin.
Amanhã... fotos!! A não perder! ;)

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Primavera chegou em grande!

Até parece mentira, mas têm estado uns dias verdadeiramente fenomenais! O fim-de-semana foi de sonho, com imenso sol e temperaturas muito mais altas do que aquilo a que os últimos meses nos habituaram. Claro, temos de ter em conta que estamos na Polónia e ter algumas precauções (de manhã e à noite está frio!!). Mas já dá para andar sem chapéu, com sapatos normais e durante o dia só com um casaco levezinho. O sol brilha como doido e enche-nos de alegria. Só espero que se mantenha assim por muito tempo. Nada de voltar atrás!!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sopa da pedra com... pregos??

Aqui há uns tempos estava a dar uma aula de português e apresentei a história da sopa da pedra. Já a tinha usado antes com outros alunos, ou seja, não era grande novidade para mim. Porém, desta vez fiquei muito surpreendida com o que ouvi. Então não é que na Polónia não existe sopa da pedra, mas existe sopa do... prego?? E a história é praticamente igual, apenas com personagens diferentes! Em vez dum frade é um cigano que vai bater à porta de uma senhora que não lhe quer dar de comer. Nessa altura, decide fazer uma sopa de prego e... o resto é tal e qual a nossa história da sopa da pedra! Quem diria, eu a querer apresentar algo tipicamente português e saiu-me o tiro pela culatra. Mas daquilo que apurei, a sopa do prego existe só mesmo na história, ao contrário da nossa sopa da pedra que se pode comer em alguns restaurantes.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Retratos de Góra Kalwaria

Góra Kalwaria, a poucos quilómetros de Varsóvia, não é uma terra bonita e nem turística. O motivo de lá termos ido? Foi lá que nasceu e cresceu um grande, grande amigo das nossas famílias que infelizmente já não está entre nós. Numa tentativa meio virtual de querer ver alguns locais de interesse da terra dele, passámos por ali no Sábado. O pior foi tentar encontrar um sítio para almoçar... O único restaurante aberto - uma pequena pizzeria - estava sem electricidade. Acabámos por ir para Konstancin, uma terra um pouco elitista que faz fronteira com Varsóvia, onde - aí sim - encontrámos logo sítio para comer (só que caro, tendo em conta o sítio onde era). Deixo aqui umas poucas imagens deste dia de alguns pormenores de Góra Kalwaria.
***
Apenas um pouco de história: Góra Kalwaria era inicialmente uma grande colónia de judeus (onde ainda há um antigo cemitério judeu), chamada Nova Jerusalém. Entretanto, não sei bem explicar porquê, construíram ali uma espécie de Via Sacra gigante e por isso o nome da terra foi alterado para Góra Kalwaria (Monte Calvário). A estrutura original da vila era em forma de cruz, composta por duas ruas principais (uma delas onde hoje circula a maior parte do trânsito). À cabeça da cruz situava-se a igreja matriz dos Padres Marianos, comunidade fortemente presente no local. Ao longo dessa rua, de um lado e de outro, existiram outrora inúmeras capelinhas com as estações da Via Sacra, onde os peregrinos iam parando e fazendo as suas orações. No fim, aos pés da cruz, encontrava-se (e encontra-se ainda hoje) o cemitério de Góra Kalwaria. A maior parte disto já não dá para ver, pois existem apenas uns pequenos marcos que lembram esta estrutura inicial. De resto, como já referi, esta não é uma terra com grande interesse turístico.

Casas antigas de Góra Kalwaria.



Via Sacra antiga no terreno de uma capela dos Padres Marianos.
Pormenor de uma das estações da Via Sacra.
Paisagem de Inverno.
A fachada da igreja matriz dos Marianos.
Patos resistentes ao frio em Konstancin.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Fim-de-semana de passeio... com frio!

Estamos em plena visita dos pais, o que implica uma certa saída da nossa rotina. Pensando que no fim-de-semana ia estar bom tempo, planeámos ir dar alguns passeios. Infelizmente, o tempo esteve manhoso, com vento frio e alguns momentos de chuva/neve. Passeámos dentro e fora de Varsóvia e tenho algumas fotos giras para mostrar. Só que ainda não vai ser agora que as vou publicar. Talvez amanhã ou depois. Me aguardem!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os dias são cada vez maiores...

Há coisa de uma semana e tal a Teresa começou a acordar muito cedo de manhã. Inicialmente pensei que fosse por ter deixado recentemente a chucha e estivesse a reagir de alguma maneira a isso. Porém, há dias comecei a reparar que às horas a que ela acorda já há imensa luz na rua. Quando fomos às nossas aulas semanais, falei com outras mães e não é que elas têm exactamente o mesmo problema?? É que o sol agora nasce às 6 e tal da manhã e as crianças acordam cedo. O pior é que daqui a umas semanas a hora muda e aí é que vão ser elas. Para já temos de ver se compramos mais uns estores ou cortinas para o quarto dela, porque apesar de tudo o que temos nas janelas há tanta luz de manhã que é impossível não acordar. Adoro dias compridos, mas preferia poder dormir um pouco mais. Só espero que quando o sol nascer às 4 da manhã ela não nos apareça no quarto a essa hora a dizer que já acordou...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Quarta-feira gorda??

Na Polónia, a Quinta-feira Gorda é um dia bem celebrado - e as barrigas que o digam!! É dia de comer pączki até cair para o lado. Por motivos diversos que nos impossibilitam de celebrar o dia de hoje, ontem fomos até casa de uns amigos "alarvar". Eu, a Teresa e mais umas amigas fomos primeiro para fazer pączki. Nunca na vida tinha feito, nem visto fazer. Devo dizer que não é tarefa fácil. Começámos por volta das 13h e os primeiros bolos estavam prontos para ser comidos por volta das 16h/17h... No total fizeram-se pouco mais de 40 pączki. E, claro, fartámo-nos de os comer. Hoje, que é o dia dos pączki por excelência, apesar de ainda termos alguns de ontem que trouxemos para casa, a vontade de os comer não é lá muita, tal a barrigada que apanhámos. Mas devo dizer que estes bolinhos caseiros e acabadinhos de fazer são uma delícia!
O defeito deles? Para mim só houve um e até bastante grande. É que foram fritos em... banha de porco!!!... Não vou comentar grande coisa isto, porque acho que não vale a pena, digo só que os polacos gostam muito de usar banha de porco em diferentes cozinhados.


terça-feira, 1 de março de 2011

Wola

Na semana passada tive de ir a Wola, um dos bairros mais antigos de Varsóvia. O bairro onde moro - Ursynów - é, como costumo dizer, um mundo à parte. A maior parte das vezes sinto-me como se vivesse numa cidade diferente, que faz fronteira com Varsóvia. Raramente tenho de ir para as zonas centrais da cidade, porque aqui à volta há tudo: serviços municipais, médicos, cinemas, restaurantes, hipermercados, etc. Para além disso, Ursynów encontra-se muito bem delimitado; diria até que é o único bairro de Varsóvia cujas fronteiras estão bem definidas. Nos outros bairros há sempre zonas que não sabemos muito bem se pertencem a este ou àquele, mas em Ursynów nunca encontrei nenhum sítio assim.
Wola é um bairro com muita história. Em Wola fica, por exemplo, o cemitério Powązki. Durante a IIª guerra mundial foi principalmente neste bairro que se delimitou o gueto dos judeus (ainda hoje há um fragmento do muro que pode ser visto numa das ruas). Aquando da destruição do gueto, arrasou-se completamente com tudo o que havia dentro daqueles muros, até ficar tudo quase em pó. Um ano depois, já perto do fim da Insurreição de Varsóvia, os alemães enviaram para Varsóvia um batalhão composto sobretudo por assassinos e outros reclusos que foram "re-integrados" no exército, cujo objectivo era simplesmente matar, matar, matar. À medida que iam avançado por Varsóvia, iam matando todas as pessoas que encontravam pelo caminho. Foi uma autêntica chacina em que, em coisa de dois dias, morreram quase 60 mil pessoas. Wola ficava, nessa altura, na fronteira de Varsóvia. Os soldados entraram por aí e limitaram-se a matar civis, pegar fogo às casas, empilhar cadáveres e queimá-los também, enfim, uma barbárie indescritível. Depois destes acontecimentos, Wola quase deixou de existir. Praticamente todas as construções que ali vemos hoje são do pós-guerra. No entanto, aqui e ali descobrem-se memórias do passado.
Uma curiosidade que certa vez me contaram sobre Wola é o facto da maioria das casas se encontrar um pouco mais elevadas do que o normal, isto é, o rés-do-chão não é tão baixo como noutras partes de Varsóvia. Isto porque todos os prédios foram construídos por cima das ruínas que ficaram da guerra. Para além disso, contaram-me também (uns amigos que viveram alguns anos em Wola) que quando se faz alguma escavação por ali às vezes encontram-se esqueletos ou objectos imagino que pertencentes às pessoas que ali viveram.
Pormenores sinistros à parte, em geral acho que Wola é um bairro com uma certa piada. Com o seu comércio local, meio tradicional, espaços verdes por entre as casas, elétricos a passar e casas antigas (ainda que antigo signifique dos anos 50), tem um certo charme. Quem quiser visitar Varsóvia, recomendo um passeio por Wola.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que falta na mesa dos polacos

Há certos hábitos alimentares que nunca me tinha apercebido que eram típicos de Portugal (ou dos povos do sul da Europa, em geral) até ter vindo parar à Polónia. Um desses hábitos é o ter uma salada com alface, tomate e mais qualquer coisa a acompanhar uma refeição. Quando vamos almoçar ou jantar a casa de um polaco, geralmente os acompanhamentos ou são batata cozida, ou alguns legumes cozidos (bróculos, etc). Actualmente, por influência estrangeira, já se começam a ver também aqui e ali saladas gregas (o queijo feta deve estar na moda em toda a parte). Mas aquilo que me continua a surpreender já há 4 anos (!) é que de cada vez que faço uma salada com várias coisas frescas, os polacos ficam maravilhados e fartam-se de a elogiar. Para mim é a coisa mais básica do mundo, para eles é algo que foge dos padrões alimentares. Imagino que o facto de haver poucos alimentos frescos (refiro-me a legumes, claro) na mesa seja uma herança do passado, quando não havia frigoríficos ou forma de obter verduras com tanta facilidade como agora. Quem diria que uma simples salada pode tornar-se em algo tipicamente português?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Champions Clerum 2011

Não podia deixar de falar aqui no maior evento desportivo da actualidade. Qual Euro 2012, a Polónia está neste momento a acolher o Campeonato Europeu de Futsal de... Padres!!!! O Champions Clerum está a decorrer em Kielce e, para já, a equipa portuguesa não está nada mal! Já ganhou cinco jogos e agora está nas meias-finais, onde vai jogar com a Polónia. Amanhã vai ser o dia em que ficamos a saber quem é o campeão desta edição do Champions Clerum. Daquilo que vi, este torneio não é nada mau. Para além dos jogos, os padres têm direito a passeios turísticos e pequenas peregrinações durante a estadia na Polónia. No último campeonato, realizado em Portugal, perdemos na final com a Polónia. Será que desta vez passamos das meias-finais? Força Portugal!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Monika

Recebi ontem no correio uns livrinhos que traduzi para uma editora polaca, ilustrados pelo Maurício de Souza, com as personagens da Turma da Mônica. Não foi um trabalho nada fácil, pois os livros (feitos para o mercado brasileiro) partem do princípio que toda a gente sabe quem é o Cascão, a Magali e o Cebolinha, entre outros. Como apresentar isto a crianças polacas que, provavelmente, nunca leram um livro de quadradinhos da Mônica? O trabalho lá foi feito, com algum custo, e por fim ontem vi o resultado final. Confesso que me fez alguma confusão numa das ilustrações ver o pai do Cascão a falar em polaco...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estamos sempre a aprender

Ontem deixei uma garrafa pequena de água no carro durante mais ou menos uma hora. Quando vim para casa, trouxe-a para cima e uma meia hora depois, sem prestar muita atenção, deitei um bocado num copo e levei à boca. Foi então que os meus dentes se queixaram à grande. É que na rua estavam -10º e a água lá dentro deve ter congelado um bocado... Eu, claro está, nada habituada a estas coisas (mesmo ao fim de 4 anos há hábitos que custam a entrar), ainda tenho estes momentos de distração.
É isso e a condução na neve. Há dias fiz duas pequenas "alarvidades" na neve, que o Stas quase saltou da cadeira. Eu, claro, não vi perigo nenhum nessas situações (até porque não houve perigo real). A questão é que quando a estrada está coberta de neve tem de se ter precauções especiais que, como é óbvio, não nos ensinam em Portugal quando tiramos a carta. Realmente estamos sempre a aprender.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Notícia do Dia

O projecto do novo estádio da equipa de futebol polaca Polonia de Varsóvia vai ser feito por Tomás Taveira. E esta, hein?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mas que ideia!

Ontem o Stas teve a feliz ideia de ir lavar o carro depois do almoço. Já há dias andava a reclamar que o carro estava um nojo. Até aqui tudo bem, não estivessem ontem -7ºC... Quando saiu do trabalho não conseguia abrir as portas do carro, porque tinham congelado... Resultado: ficou ali não sei quanto tempo a tentar resolver a situação e teve a sorte dos pais morarem perto e lhe irem lá levar um líquido que ajuda a resolver estas coisas. Para o que lhe havia de dar!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As mães polacas

No que diz respeito à maternidade, na Polónia há uma mentalidade um pouco diferente de Portugal. Apesar de haver que pense e promova o contrário (artigos em revistas, etc), as mulheres polacas, quando têm possibilidade, não se importam de sacrificar um pouco a carreira para serem mães. Há alguns médicos que, mal a mulher engravida, dão-lhe logo baixa e recomendam passar a gravidez tranquilamente, sem trabalhar (conheço vários casos destes). Para além disso, depois da licença normal de maternidade após o parto (que é igual a Portugal), há quem tire uma "licença de educação", que é uma espécie de licença sem vencimento até a criança fazer 3 anos (e depois tb até aos 6, parece-me). Depois destas licenças todas, quando a mulher regressa ao trabalho, há uma lei que diz que não pode ser despedida durante os próximos 6 meses ou 1 ano (já não me lembro exactamente). De todos os casais nossos amigos que têm filhos, só conheço uma mulher que voltou ao trabalho "logo" depois da filha nascer - e isto foi quando a filha tinha quase um ano! De resto, são todas mães a tempo inteiro. - Aliás, esta que regressou "logo" ao trabalho começou primeiro por trabalhar a partir de casa (a empresa aceitou esta solução) e só mais tarde voltou ao escritório.
Quando comecei a ir com a Teresa às aulas dela uma vez por semana, reparei que a maioria das crianças estavam ali com as mães. Claro que há um ou outro caso de uma avó que vai com um neto. O mais curioso é que estas crianças têm todas 3 ou quase 3 anos! Algumas mães têm ainda filhos mais pequenos e imagino que estejam a desfrutar da licença de maternidade desses pequenos. Outras não têm mais filhos e simplesmente não trabalham. É algo que para mim, com a minha mentalidade portuguesa, me fez alguma impressão, pois estou habituada a que as mulheres, mal a criança faça 4 ou 5 meses, vão logo trabalhar. Afinal, aqui há muita boa gente que não faz nada disso. E não é por serem ricos, porque não são. Penso que estas mulheres têm a sensibilidade de perceber que as crianças pequenas ficam melhor em casa com as mães do que numa creche fria e impessoal.
Um aspecto que imagino que ajude é o facto dos polacos terem recebido uma educação em que se valorizava muito o poupar (por causa dos tempos difíceis do comunismo). Digo isto porque noto como, por exempol, às vezes as polacas conseguem criar refeições a partir de coisas com as quais eu nunca seria capaz de o fazer. Não porque sejam más, nada disso! Simplesmente nunca tive necessidade de poupar nos ingredientes. Às vezes em casa de alguém decide-se improvisar algo para comer e eu olho para o frigorífico e fico em branco. As polacas pegam logo nisto e naquilo, e em poucos minutos preparam um jantar! Aproveitam tudo (ou quase tudo) e nesse aspecto têm mais imaginação do que eu.
Isto para dizer que as minhas amigas que estão em casa com os filhos sabem gerir bem a economia doméstica. Quem fala na comida, fala também em vários outros aspectos do dia-a-dia. Admiro muito esta capacidade dos polacos.
Será que estas mulheres por estarem em casa dos filhos e fazerem uma pausa nas carreiras durante uns tempos se sentem frustradas com isso? Daquilo que tenho visto, não. Para elas, investir num filho é mais importante do que investir na carreira, mesmo com todos os sacrifícios que isso possa trazer. Neste aspecto, graças a Deus que agora estamos na Polónia, porque se estivessemos a viver em Portugal, seria impossível estar em casa com a Teresa.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Kumoterkas, skiring e ski-skiring

Há dias, por motivos profissionais, fiquei a saber o que são kumoterkas. Trata-se de um desporto que é praticado nas montanhas todos os anos na altura do Carnaval (o Carnaval na Polónia vai desde o fim da época do Natal até ao último Domingo antes da Quarta-feira de Cinzas). Consiste em equipas formadas por duas pessoas (geralmente um casal, mas pode também não ser) em que uma monta um cavalo e a outra fica num trenó puxado pelo cavalo. Como isto é uma corrida, o que vai a cavalo vai acelerando para chegar o mais rápido possível à meta, enquanto que o de trás vai balançando o corpo para manter o trenó equilibrado e os dois no caminho certo. Existem ainda outros desportos, chamados Skiring e Ski-skiring, que consistem em algo muito parecido às kumoterkas, mas a pessoa de trás está apoiada em esquis. Nunca vi isto ao vivo, mas deve ter piada. E participar ainda mais piada deve ter.
(não escrevo mais sobre o tema, porque esta semana ando atrapalhada com trabalho... vamos lá ver se vou conseguir 
actualizar o blog com a frequência desejada)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Royal Mail

Ontem recebi uma carta do Club Card, o programa de pontos dos hipermercados Tesco. Normalmente umas duas ou três vezes por ano enviam cupões de desconto para alguns produtos. Até aqui tudo normal. Não fosse no lugar do selo haver um sinal a dizer: Royal Mail. Olhámos para o lugar do remetente e vimos: Tesco Clubcard, Unit 4, Heathrow Causeway Estate, Hounslow, Middlesex, TW4 6JW, UK. Quem diria que o Tesco prepara e envia as cartas para a Polónia de Inglaterra?? Sempre pensei que era mais barato fazer estas coisas a partir da Polónia. Aliás, eu própria a nível profissional já tive de trabalhar com empresas polacas que são prestadores de serviços para empresas dos EUA e do Japão, simplesmente porque na Polónia o custo de mão de obra não é muito elevado. Mas pelos vistos o Tesco anda bem de massas.