As idas ao centro de saúde aqui na Polónia dão sempre vontade de contar. Há sempre um ou outro pormenor interessante. Ontem fui a uma consulta de otorrinolaringologia ao centro de saúde. Quando lá entrei, passado pouco tempo já estava a suar. Não faço ideia como é que eles regularam os caloríferos, mas estava um calor exagerado. Para quem está constipado, isto não ajuda nada. Deixei o meu casaco no bengaleiro na entrada e dirigi-me à zona da laryngologia, como eles lhe chamam. Fiquei logo assustada quando vi a quantidade de pessoas sentadas à espera. Supostamente tinha marcação para as 19h. Eram 18h40 quando cheguei (preferi chegar com antecedência) e estavam 5 pessoas à espera... Mentalizei-me logo que ia ter de ficar ali uma eternidade. Passado um bocado, abre-se a porta do gabinete e aparece uma enfermeira com um papel na mão e a chamar um nome. A pessoa em questão levantou-se e dirigiu-se ao gabinete. Nesse momento, outra ao meu lado começa a reclamar, porque diz que estava marcada para as 18h15. A enfermeira perguntou-lhe o nome, olhou para o papel e disse que não, que estava para mais tarde. A senhora ainda rabujou, mas não lhe serviu de nada. Um homem também começou a falar com a senhora, a perguntar quando tinha marcação, ela olhou para o papel e disse que o nome dele não aparecia. Ele explicou que tinha estado lá de manhã a combinar, mas não serviu de nada. Porta fechada e ponto final. A senhora das 18h15 entretanto começou logo a mandar vir em voz alta, com frases do estilo: "Parece que voltámos ao tempo dos comunas, etc". Claro que entretanto outras pessoas começaram também a opinar e tal. O homem começou a contar a história toda da sua marcação inexistente e assim se gerou um ambiente típico de reclamação, todos a dizerem mal do serviço de saúde. Quando se acalmaram (entretanto entrou a senhora das 18h15), comecei a ouvir de dentro do gabinete uns berros interessantes, voz de homem. Pensei que ela estava a mandar vir com o médico e ele lhe estava a responder. Do outro lado do corredor, à porta de outro gabinete, uns pacientes também trocavam comentários pouco agradáveis em relação a quem seria o próximo a entrar.
Para minha grande surpresa, às 19h a enfermeira apareceu a chamar-me. Passei à frente de quase todos os que lá estavam. Entrei e afinal não foi tão mau. O médico não era nenhum monstro, nem que quis atacar. Foi super despachado - talvez despachado demais para o meu gosto. No fim, saí de lá e fui directamente à farmácia aviar a receita. Passou-me uma lista interminável de coisas, sobretudo porque alguns remédios mandou comprar logo 3 caixas de uma vez... Ou seja, aquilo que não gastei na consulta, acabei por gastar na farmácia! O mais curioso é que receitou-me um líquido para gargarejar cujo nome me soou muito familiar... Já uma vez falei dele aqui, num post sobre Chernobyl. Chama-se lugol e era o que as crianças polacas tiveram de tomar na sequência do desastre de Chernobyl, por causa das radiações. Devo dizer que achei sinistro. Bem, mas ao menos não tenho de beber aquilo, porque sabe mesmo mal (basicamente é tipo betadine...).
Tudo isto para dizer que até acho piada ir ao centro de saúde. Apesar de tudo não acho que seja mal tratada e sempre dá para ouvir umas bocas interessantes que as pessoas vão mandando umas às outras na sala de espera.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O meu primeiro concurso na Polónia
Vá-se lá saber porquê, sempre tive tendência para ganhar passatempos. Em Portugal volta e meia participava, fosse nas promoções de Verão da Coca-cola ou do Ice Tea, ou em outras variadas. Ganhei uma máquina fotográfica digital, um discman que lia mp3, uma viagem de avião, um bilhete para o Rock in Rio, eu sei lá! Não sei se foi sorte ou não, simplesmente gosto de participar e por isso de vez em quando lá aparece um prémio.
Pela primeira vez resolvi participar num passatempo na Polónia. O suplemento de um conhecido jornal polaco criou uma página de internet dedicada às mulheres, na qual pôs uma série de passatempos, talvez como "promoção de abertura". Por curiosidade fui lá ver o que havia, olhei para os vários prémios, escolhi aquele que me pareceu mais interessente - e participei nesse. Dois dias depois recebi um mail a dizer que ganhei o prémio e agora tenho de o ir lá buscar hoje ou amanhã. Vamos ver se consigo. O mais curioso é que participei tanto só por participar que nem reparei que o prémio era um conjunto de cremes para quem tem mais de 35 anos... Quem sabe, pode ser um bom presente de Natal para alguém.
Pela primeira vez resolvi participar num passatempo na Polónia. O suplemento de um conhecido jornal polaco criou uma página de internet dedicada às mulheres, na qual pôs uma série de passatempos, talvez como "promoção de abertura". Por curiosidade fui lá ver o que havia, olhei para os vários prémios, escolhi aquele que me pareceu mais interessente - e participei nesse. Dois dias depois recebi um mail a dizer que ganhei o prémio e agora tenho de o ir lá buscar hoje ou amanhã. Vamos ver se consigo. O mais curioso é que participei tanto só por participar que nem reparei que o prémio era um conjunto de cremes para quem tem mais de 35 anos... Quem sabe, pode ser um bom presente de Natal para alguém.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mazúria
No Verão do ano passado passámos um fim-de-semana na Mazúria. Na Polónia é conhecida como a região dos lagos, pois nela encontram-se imenso e enormes lagos. Gostei muito e fiquei mesmo com vontade de lá voltar.
Há poucos dias, em conversa com uma amiga originária da Mazúria, fiquei a saber que aquela região só há relativamente poucos anos pertence à Polónia. Durante séculos esteve sob o domínio da Prússia. Só depois da IIª Guerra Mundial passou novamente a fazer parte da Polónia. Nessa altura, como aconteceu
com todo o lado ocidental da Polónia (na altura pertencentes ao Reich alemão), os habitantes da Mazúria viram-se forçados a sair das suas casas, para irem para a Alemanha. Sabia que isto tinha acontecido com os alemães que viviam em toda aquela zona da Pomerânia, Silésia, etc, etc, e com os polacos que viviam nos territórios actualmente pertencentes à Ucrânia e Bielorrússia. Não fazia ideia que o mesmo se tinha passado na Mazúria. Mas pelos vistos assim foi.
Essa minha amiga contou algumas coisas sobre a avó, que se recusou a sair da sua terra nessa altura. Diz que não se considera nem alemã, nem polaca, mas sim "mazura", se é que assim se pode dizer. Por causa disto, acabou por sofrer bastante quando os russos entraram por ali a dentro. Como era considerada alemã (pois vivia em território prusso), acabou por sofrer represálias por isso. As irmãs dela, por exemplo, tiveram vários filhos fruto de violações por parte dos soviéticos (tios desta minha amiga! Admito que faz impressão...). Eram assim, os russos. Já tinha ouvido a visão da avó do Stas, que vivia na zona oriental da Polónia, sobre eles e agora pelos vistos a avó desta amiga, de uma região completamente diferente, tem uma opinião igual. Os russos eram definitivamente bárbaros (e de certa forma continuam a ser...).
Com tudo isto fiquei então a saber que a Mazúria tem uma cultura própria e até teve (não sei se ainda tem) um dialecto próprio. Uma das nossas próximas viagens sem dúvida será para aqueles lados.
Há poucos dias, em conversa com uma amiga originária da Mazúria, fiquei a saber que aquela região só há relativamente poucos anos pertence à Polónia. Durante séculos esteve sob o domínio da Prússia. Só depois da IIª Guerra Mundial passou novamente a fazer parte da Polónia. Nessa altura, como aconteceu
com todo o lado ocidental da Polónia (na altura pertencentes ao Reich alemão), os habitantes da Mazúria viram-se forçados a sair das suas casas, para irem para a Alemanha. Sabia que isto tinha acontecido com os alemães que viviam em toda aquela zona da Pomerânia, Silésia, etc, etc, e com os polacos que viviam nos territórios actualmente pertencentes à Ucrânia e Bielorrússia. Não fazia ideia que o mesmo se tinha passado na Mazúria. Mas pelos vistos assim foi.Essa minha amiga contou algumas coisas sobre a avó, que se recusou a sair da sua terra nessa altura. Diz que não se considera nem alemã, nem polaca, mas sim "mazura", se é que assim se pode dizer. Por causa disto, acabou por sofrer bastante quando os russos entraram por ali a dentro. Como era considerada alemã (pois vivia em território prusso), acabou por sofrer represálias por isso. As irmãs dela, por exemplo, tiveram vários filhos fruto de violações por parte dos soviéticos (tios desta minha amiga! Admito que faz impressão...). Eram assim, os russos. Já tinha ouvido a visão da avó do Stas, que vivia na zona oriental da Polónia, sobre eles e agora pelos vistos a avó desta amiga, de uma região completamente diferente, tem uma opinião igual. Os russos eram definitivamente bárbaros (e de certa forma continuam a ser...).
Com tudo isto fiquei então a saber que a Mazúria tem uma cultura própria e até teve (não sei se ainda tem) um dialecto próprio. Uma das nossas próximas viagens sem dúvida será para aqueles lados.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Doçaria portuguesa
Se há coisa que me chateia na Polónia é não haver cafés normais. Existem pastelarias, onde se vendem só mesmo doces, padarias, onde se vende pão e alguns bolos e os cafés, onde se vende sobretudo café, chá, algumas sandes daquelas tipo área de serviço e uns bolitos. Faz-me muita falta o café à portuguesa, onde posso comprar bolos, salgados, pedir uma torrada ou uma tosta mista, comprar um pacote de pastilhas; às vezes até comer uma sopa ou um almoço normal. Por acaso uma vez descobri um sítio no centro onde fazem tostas mistas, mas era um sítio mínimo onde não havia praticamente nada.
Os bolos na Polónia são todos um bocado exagerados. Têm muitas mariquices. Muitos cremes, muitas misturas de sabores, muitas frutas, eu sei lá! Não é que não goste deles, mas às vezes sinto falta de pedir um simples queque ou outro bolo do estilo, ass
im sem nada de especia. O mais parecido que encontro com isto é o pączek, e mesmo assim não tem nada a ver. Há também a babeczka (na foto, a base típica da babeczka), mas normalmente tem um creme qualquer esquisito.
Para tirar a barriga de misérias, volta e meia faço algum doce português. Em geral nunca faço nada muito complicado. Já me aconteceu várias vezes ir a uma festa ou algo do estilo e levar uma sobremesa. No início fazia mousse de chocolate (feita por mim, claro, nada de alsas nem afins), depois passei a fazer bolos, queques, etc. O mais curioso é que os polacos adoram estes nossos doces. Devem estar tão habituados a bolos ultra-elaborados, que quando vêem - e provam! - um bolo do mais normal possível, adoram! E repetem, e acabam-me logo com o dito. Bem, nem falo da mousse de chocolate, que é uma verdadeira perdição para toda a gente. Às vezes acontece-me fazer qualquer coisa só para nós cá em casa, mas infelizmente as quantidades dos livros de culinária são sempre para um batalhão. Nós, que ainda somos pouquinhos, não conseguimos nem por sombras dar cabo daquilo. Então, o Stas acaba por levar o bolo/doce para o trabalho e os colegas dele dão cabo dele em três tempos. Acho que eles são os meus maiores fãs. Mas também não admira, sou a única pessoa que lhes manda doces. Da última vez foi um cheesecake, já há algumas semanas. Só que ao que parece, já estão com saudades outra vez. Ontem o Stas chegou a casa e disse-me que eles perguntaram quando é que eu estava a pensar em fazer outro bolo...
Os bolos na Polónia são todos um bocado exagerados. Têm muitas mariquices. Muitos cremes, muitas misturas de sabores, muitas frutas, eu sei lá! Não é que não goste deles, mas às vezes sinto falta de pedir um simples queque ou outro bolo do estilo, ass
Para tirar a barriga de misérias, volta e meia faço algum doce português. Em geral nunca faço nada muito complicado. Já me aconteceu várias vezes ir a uma festa ou algo do estilo e levar uma sobremesa. No início fazia mousse de chocolate (feita por mim, claro, nada de alsas nem afins), depois passei a fazer bolos, queques, etc. O mais curioso é que os polacos adoram estes nossos doces. Devem estar tão habituados a bolos ultra-elaborados, que quando vêem - e provam! - um bolo do mais normal possível, adoram! E repetem, e acabam-me logo com o dito. Bem, nem falo da mousse de chocolate, que é uma verdadeira perdição para toda a gente. Às vezes acontece-me fazer qualquer coisa só para nós cá em casa, mas infelizmente as quantidades dos livros de culinária são sempre para um batalhão. Nós, que ainda somos pouquinhos, não conseguimos nem por sombras dar cabo daquilo. Então, o Stas acaba por levar o bolo/doce para o trabalho e os colegas dele dão cabo dele em três tempos. Acho que eles são os meus maiores fãs. Mas também não admira, sou a única pessoa que lhes manda doces. Da última vez foi um cheesecake, já há algumas semanas. Só que ao que parece, já estão com saudades outra vez. Ontem o Stas chegou a casa e disse-me que eles perguntaram quando é que eu estava a pensar em fazer outro bolo...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Um Outono a resvalar para Inverno
É o terceiro Outono que passo em Varsóvia e devo dizer que estou surpreendida. Este ano a passagem do Verão para o Outono foi um bocado à bruta. Há uns dias que veio um frio horrível, daqueles em que eu já usava o casaco que usei todo o Inverno passado.
Hoje, agora de manhãzinha, estava eu a tentar adormecer depois da T nos ter acordado com qualquer pesadelo ou algo do estilo, quando comecei a ouvir o som de um despertador. Olhei para o nosso, mas não era ele (até porque ele toca rádio). Levantei-me ligeiramente e reparei que vinha do nosso termómetro. No ano passado comprámos um termómetro para o carro, mas já depois do termos comprado vimos que não tinha luz e decidimos comprar outro. Este, entretanto, aproveitámos e pusemos no nosso quarto. Assim sabemos sempre quantos graus estão na rua e em casa. Ora, o dito termómetro começou a apitar do meio do nada. Como aquilo também tem relógio pensei que alguém teria tocado sem querer nos botões e tinha ligado o despertador (àquela hora nem pensei que os termómetros do carro não costumam ter despertador). Levantei-me e quando cheguei lá perto ele calou-se. Voltei a deitar-me. Passado um bocado volta a tocar. Desta vez foi o Stas que se levantou. E afinal o que era? Como este termómetro supostamente é para um carro, começou a apitar porque na rua estavam 2,5ºC, ou seja, perigo de gelo (o que é estranho é que já o temos há um ano e nunca o ouvi a apitar...). Se já é mau demais acordar cedo com uma bebé a choramingar, saber que na rua estão quase 0ºC é péssimo. Passado um bocado diz-me o Stas que está a nevar!!... Mal podia acreditar! Fui à janela, mas não vi nada. Era só aquela neve levezinha que derrete mal toca o chão.
Neste momento já são 9h, na rua estão 0ºC e está a nevar non-stop!! Telhados brancos, carros estacionados brancos, relva branca... Só os passeios e estradas ainda não mudaram de cor, porque a neve derrete logo. Mas, por este andar, daqui a umas horas ainda vou pôr aqui uma foto de tudo branquinho.
Mas, ó meus amigos, hoje é só dia 14 de Outubro!!!! Neve??? Alguém que fale com S. Pedro, porque isto já não está a ser normal!!...
Hoje, agora de manhãzinha, estava eu a tentar adormecer depois da T nos ter acordado com qualquer pesadelo ou algo do estilo, quando comecei a ouvir o som de um despertador. Olhei para o nosso, mas não era ele (até porque ele toca rádio). Levantei-me ligeiramente e reparei que vinha do nosso termómetro. No ano passado comprámos um termómetro para o carro, mas já depois do termos comprado vimos que não tinha luz e decidimos comprar outro. Este, entretanto, aproveitámos e pusemos no nosso quarto. Assim sabemos sempre quantos graus estão na rua e em casa. Ora, o dito termómetro começou a apitar do meio do nada. Como aquilo também tem relógio pensei que alguém teria tocado sem querer nos botões e tinha ligado o despertador (àquela hora nem pensei que os termómetros do carro não costumam ter despertador). Levantei-me e quando cheguei lá perto ele calou-se. Voltei a deitar-me. Passado um bocado volta a tocar. Desta vez foi o Stas que se levantou. E afinal o que era? Como este termómetro supostamente é para um carro, começou a apitar porque na rua estavam 2,5ºC, ou seja, perigo de gelo (o que é estranho é que já o temos há um ano e nunca o ouvi a apitar...). Se já é mau demais acordar cedo com uma bebé a choramingar, saber que na rua estão quase 0ºC é péssimo. Passado um bocado diz-me o Stas que está a nevar!!... Mal podia acreditar! Fui à janela, mas não vi nada. Era só aquela neve levezinha que derrete mal toca o chão.
Neste momento já são 9h, na rua estão 0ºC e está a nevar non-stop!! Telhados brancos, carros estacionados brancos, relva branca... Só os passeios e estradas ainda não mudaram de cor, porque a neve derrete logo. Mas, por este andar, daqui a umas horas ainda vou pôr aqui uma foto de tudo branquinho.
Mas, ó meus amigos, hoje é só dia 14 de Outubro!!!! Neve??? Alguém que fale com S. Pedro, porque isto já não está a ser normal!!...
terça-feira, 13 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Retratos de Kazimierz Dolny
No sábado fomos passar o dia a Kazimierz Dolny. Há imenso tempo que tinha vontade de lá ir, mas nunca se tinha proporcionado. Este sábado, mesmo depois de ter arrancado um siso na véspera, lá nos metemos a caminho. Tivemos sorte, porque nos dias anteriores tinha chovido, mas naquele dia não caiu uma gota. A viagem é um bocado chata - como a maioria das viagens na Polónia, pela qualidade da estrada. Quer dizer, há zonas boas onde não dá para andar muito depressa e zonas com piso péssimo onde até se consegue andar alguma coisa de jeito. Coitadinho do nosso carro!...
Kazimierz é uma cidade situada na margem do rio Vístula. O rei Kazimierz o Grande construiu ali um castelo para vigiar o acesso por barco a Cracóvia (na altura a capital do reino). Devo dizer que o castelo tem de facto uma vista estrondosa para o rio. Era impossível alguém passar por ali despercebido. Infelizmente o castelo foi destruido durante a guerra com os suecos e depois com as partilhas da Polónia (Kazimierz ficou na parte que pertencia à Rússia), os russos não deixaram reconstruir o castelo. Anos mais tarde, no período entre guerras ainda tentaram, mas de tal modo o castelo estava degradado que não havia mesmo hipótese. Note-se que à saída da praça do mercado encontrámos um muro de uma casa curiosamente construido com pedras iguais à do castelo (típico, as pessoas roubarem das ruinas para as suas próprias casas...).
Kazimierz é uma vila que lembra um pouco o estilo de Sintra. Tem uma praça central onde há algumas casas bonitas e muitas lojas de recordações. Dizem que é típico de lá pão em forma de galo. Nós por acaso não comprámos, mas vi à venda em vários locais. Para além disso vendiam também muitas coisas de verga.
Mas em vez de estar a descrever, vou mostrar alguns pormenores interessantes da vila (se quiserem ver alguma das fotos com melhor qualidade, cliquem em cima dela).

Uma das casas bonitas da praça do mercado. Esta e a do lado têm a fachada toda esculpida, são muito bonitas.

Outra vista da praça, com umas arcadas onde há lojas e os típicos artistas que há em todos os centros de cidades...

A zona das esplanadas na praça central.

Uma fonte no meio da praça (já estava farta daqueles tipo que nunca mais saíam dali, por isso tirei a foto mesmo com eles...).


Um pormenor de uma janela e da porta principal da igreja de Kazimierz.

A vista do castelo sobre a cidade e o rio.

A torre, que fica a uns metros do castelo.

O castelo visto da torre.

Parte de cima da fachada do museu de Kazimierz.

Entrada da "Galeria do Vinho Tinto"...
Kazimierz é uma cidade situada na margem do rio Vístula. O rei Kazimierz o Grande construiu ali um castelo para vigiar o acesso por barco a Cracóvia (na altura a capital do reino). Devo dizer que o castelo tem de facto uma vista estrondosa para o rio. Era impossível alguém passar por ali despercebido. Infelizmente o castelo foi destruido durante a guerra com os suecos e depois com as partilhas da Polónia (Kazimierz ficou na parte que pertencia à Rússia), os russos não deixaram reconstruir o castelo. Anos mais tarde, no período entre guerras ainda tentaram, mas de tal modo o castelo estava degradado que não havia mesmo hipótese. Note-se que à saída da praça do mercado encontrámos um muro de uma casa curiosamente construido com pedras iguais à do castelo (típico, as pessoas roubarem das ruinas para as suas próprias casas...).
Kazimierz é uma vila que lembra um pouco o estilo de Sintra. Tem uma praça central onde há algumas casas bonitas e muitas lojas de recordações. Dizem que é típico de lá pão em forma de galo. Nós por acaso não comprámos, mas vi à venda em vários locais. Para além disso vendiam também muitas coisas de verga.
Mas em vez de estar a descrever, vou mostrar alguns pormenores interessantes da vila (se quiserem ver alguma das fotos com melhor qualidade, cliquem em cima dela).

Uma das casas bonitas da praça do mercado. Esta e a do lado têm a fachada toda esculpida, são muito bonitas.

Outra vista da praça, com umas arcadas onde há lojas e os típicos artistas que há em todos os centros de cidades...

A zona das esplanadas na praça central.

Uma fonte no meio da praça (já estava farta daqueles tipo que nunca mais saíam dali, por isso tirei a foto mesmo com eles...).


Um pormenor de uma janela e da porta principal da igreja de Kazimierz.

A vista do castelo sobre a cidade e o rio.

A torre, que fica a uns metros do castelo.

O castelo visto da torre.

Parte de cima da fachada do museu de Kazimierz.

Entrada da "Galeria do Vinho Tinto"...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
As crianças têm destas coisas
Ontem à noite e hoje de manhã andei pela casa toda à procura do ursinho de peluche preferido da T. Fartei-me de procurar e não o encontrei em lado nenhum. E agora, há coisa de poucos minutos, ela apareceu ao pé de mim com ele na mão...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Completamente descabido
Há uns dias veio uma notícia absurda num jornal diário. Ao que
parece, o Ministério da Administração Interna alemão está a atribuir a nacionalidade alemã a todos os polacos que nasceram antes de 1990 nos territórios que anteriormente pertenciam à Alemanha. Ou seja, alguém que tenha nascido em Wrocław entre 1945 e 1990 pode ter dupla nacionalidade. Qual é o argumento deles para justificar este procedimento? Dizem eles que a Conferência de Potsdam, onde se procedeu à reorganização do território alemão (e onde se decidiu que a zona oriental da Alemanha passaria a integrar a Polónia), não foi válida. E porquê 1990? Porque nessa altura a Polónia e a Alemanha assinaram uma espécie de tratado de paz. Historiadores polacos afirmam que esta teoria é completamente disparatada, pois o Reich alemão deixou de existir a 8 de Maio de 1945. Já os alemães dizem que o Reich continuou a existir para além do Tratado de Potsdam. E a discussão poderia continuar por muito mais tempo.
Será que esta gente não tem mais nada para fazer? Haja paciência!...
parece, o Ministério da Administração Interna alemão está a atribuir a nacionalidade alemã a todos os polacos que nasceram antes de 1990 nos territórios que anteriormente pertenciam à Alemanha. Ou seja, alguém que tenha nascido em Wrocław entre 1945 e 1990 pode ter dupla nacionalidade. Qual é o argumento deles para justificar este procedimento? Dizem eles que a Conferência de Potsdam, onde se procedeu à reorganização do território alemão (e onde se decidiu que a zona oriental da Alemanha passaria a integrar a Polónia), não foi válida. E porquê 1990? Porque nessa altura a Polónia e a Alemanha assinaram uma espécie de tratado de paz. Historiadores polacos afirmam que esta teoria é completamente disparatada, pois o Reich alemão deixou de existir a 8 de Maio de 1945. Já os alemães dizem que o Reich continuou a existir para além do Tratado de Potsdam. E a discussão poderia continuar por muito mais tempo.Será que esta gente não tem mais nada para fazer? Haja paciência!...
Iupiiiiiiiiiiiiii
Finalmente ligaram o aquecimento central!!!
Ok, sei que isto parece descabido para quem está em Portugal a apanhar uma caloraça daquelas. Mas é que aqui o Outono entrou em grande. Durante o dia até tem estado um calorzito, mas de manhã e ao entardecer... É para esquecer! Um briole desgraçado. O termómetro teima em oscilar entre os 10ºC e os 15ºC. Hoje, para piorar, está de chuva. Já não me imagino sair de casa sem meias, nem sem um casaco de reserva. Com este panorama, já dá para perceber porque me alegrei tanto ao sentir hoje um calorzinho a vir dos aquecedores.
Ok, sei que isto parece descabido para quem está em Portugal a apanhar uma caloraça daquelas. Mas é que aqui o Outono entrou em grande. Durante o dia até tem estado um calorzito, mas de manhã e ao entardecer... É para esquecer! Um briole desgraçado. O termómetro teima em oscilar entre os 10ºC e os 15ºC. Hoje, para piorar, está de chuva. Já não me imagino sair de casa sem meias, nem sem um casaco de reserva. Com este panorama, já dá para perceber porque me alegrei tanto ao sentir hoje um calorzinho a vir dos aquecedores.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
A vida difícil dos mineiros
Faz hoje uma semana que houve um acidente grave numa mina de carvão em Wujek-Śląsk (lê-se shlonsk). Apesar de todos os controles de segurança, durante os trabalhos numa parede houve uma repentina subida no nível de metano no ar, que provocou uma explosão mais ou menos a 1km debaixo da terra. Não se sabe bem como terá acontecido, pois foi totalmente imprevisível. Hoje morreu o 18º mineiro, que estava internado há uma semana. 12 tiveram morte imediata no local. Há ainda pelo menos 34 internados em estado grave. O presidente decretou luto nacional e até o Papa deu as condolências no fim da sua habitual catequese de quarta-feira (é engraçado ouvir o sotaque dele a falar polaco). O Durão Barroso também enviou uma mensagem de pesar.
Ser mineiro, de facto, não é uma coisa fácil. Um amigo nosso proveniente daquela região disse que lá se sente o síndroma das famílias dos mineiros, pois num prédio em cada andar há pelo menos uma viúva de um mineiro. Os homens morrem cedo, já que é uma profissão extremamente desgastante (nem falo nos acidentes que infelizmente às vezes acontecem).
Ao que parece, o último grande acidente numa mina na Polónia foi em 2006. Esperemos que agora não se volte a repetir tão cedo.
Acrescento apenas que na Polónia há muitas minas: de sal, de enxofre, de calcário, de argila, etc. Penso que se situam sobretudo no sul do país. Para eles é normal ouvir falar de minas. Para mim não foi tanto, por isso tiveram de me explicar certas coisas básicas, como por exemplo que existem sensores que detectam gases no ar e o que é preciso para o metano gerar uma explosão. Interessante tudo isto, não fosse o facto de terem morrido tantas pessoas.
Ser mineiro, de facto, não é uma coisa fácil. Um amigo nosso proveniente daquela região disse que lá se sente o síndroma das famílias dos mineiros, pois num prédio em cada andar há pelo menos uma viúva de um mineiro. Os homens morrem cedo, já que é uma profissão extremamente desgastante (nem falo nos acidentes que infelizmente às vezes acontecem).
Ao que parece, o último grande acidente numa mina na Polónia foi em 2006. Esperemos que agora não se volte a repetir tão cedo.
Acrescento apenas que na Polónia há muitas minas: de sal, de enxofre, de calcário, de argila, etc. Penso que se situam sobretudo no sul do país. Para eles é normal ouvir falar de minas. Para mim não foi tanto, por isso tiveram de me explicar certas coisas básicas, como por exemplo que existem sensores que detectam gases no ar e o que é preciso para o metano gerar uma explosão. Interessante tudo isto, não fosse o facto de terem morrido tantas pessoas.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Formas de tratamento
Há uma coisa nos polacos que sempre me fez alguma impressão. A partir dos 18 anos, mais ou menos, todas as pessoas são tratadas por "senhor" e "senhora". Na faculdade, por exemplo, os professores dirigem-se aos alunos desta maneira. Confesso que às vezes soa-me um bocado ridículo quando vejo tratarem um jovenzito desta forma, já que em Portugal não é nada assim.
Mas o que acontece é que neste aspectos os polacos são muito mais bem educados do que os portugueses. Há dias, por exemplo, vi um rapaz com idade de andar no liceu abrir o portão de entrada para o nosso condomínio. Estavam dois homens parados à conversa ali ao lado e ele quando abriu, virou-se para eles e disse: "Os senhores também vão entrar?". Ora, este gesto e estas palavras tão simples chamaram-me a atenção. Será que o adolescente português nas mesmas condições teria esta atitude? Será que ele diria algo como "os senhores"? É esta delicadeza nas formas de tratamento, que se vê já em crianças pequenas, que não deixa de me surpreender. Sempre que falam com uma pessoa desconhecida lá vem o belo d' "o senhor" ou "a senhora". Eu própria já dou por mim a falar desta maneira. Mas confesso que ainda me faz confusão virar-me para um jovenzito imberbe e chamar-lhe senhor.
Mas o que acontece é que neste aspectos os polacos são muito mais bem educados do que os portugueses. Há dias, por exemplo, vi um rapaz com idade de andar no liceu abrir o portão de entrada para o nosso condomínio. Estavam dois homens parados à conversa ali ao lado e ele quando abriu, virou-se para eles e disse: "Os senhores também vão entrar?". Ora, este gesto e estas palavras tão simples chamaram-me a atenção. Será que o adolescente português nas mesmas condições teria esta atitude? Será que ele diria algo como "os senhores"? É esta delicadeza nas formas de tratamento, que se vê já em crianças pequenas, que não deixa de me surpreender. Sempre que falam com uma pessoa desconhecida lá vem o belo d' "o senhor" ou "a senhora". Eu própria já dou por mim a falar desta maneira. Mas confesso que ainda me faz confusão virar-me para um jovenzito imberbe e chamar-lhe senhor.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Música infantil polaca
Neste Verão, uns amigos nossos polacos deram-nos uns CDs de música infantil dos filhos, por estes já não terem idade para os ouvir. A T adora-os, mesmo! Como ela gosta muito de dançar, qualquer música é bem-vinda. Mas destes CDs, por terem umas melodias próprias para crianças, ela gosta particularmente. Para mim também têm sido bons, porque acabo por ir aprendendo uma série de coisas em polaco, desde expressões a jogos próprios de crianças. Já nem falo de vocabulário (sim, aprendi a dizer "rastejar", "andar à caranguejo", "latir", etc).
No entanto, para além deste lado bom, estes CDs também têm algumas músicas com letras meio tontas... Ok, sei que as músicas para crianças normalmente são um bocado assim, mas estas às vezes são demasiado imbecis. Por exemplo:
Tenho um leão [de peluche]. Às vezes digo-lhe: "Gatinho, fica aí sossegadinho" ... Chamar gatinho a um leão??? Nem comento....
Vamos construir uma casa. Construimos portas e janelas. E no fim rebentamos com tudo... para poder construir outra vez. ... Sim, realmente, muito educativo...
Mamã, papá, quando for grande vou ser limpa-chaminés! ... Que grande alegria para os pais!!
Enfim, há assim uma ou outra realmente parva. Tirando isso, as músicas até são jeitosas e a T diverte-se muito a ouvi-las. São de facto uma boa ajuda em momentos de crise.
No entanto, para além deste lado bom, estes CDs também têm algumas músicas com letras meio tontas... Ok, sei que as músicas para crianças normalmente são um bocado assim, mas estas às vezes são demasiado imbecis. Por exemplo:
Tenho um leão [de peluche]. Às vezes digo-lhe: "Gatinho, fica aí sossegadinho" ... Chamar gatinho a um leão??? Nem comento....
Vamos construir uma casa. Construimos portas e janelas. E no fim rebentamos com tudo... para poder construir outra vez. ... Sim, realmente, muito educativo...
Mamã, papá, quando for grande vou ser limpa-chaminés! ... Que grande alegria para os pais!!
Enfim, há assim uma ou outra realmente parva. Tirando isso, as músicas até são jeitosas e a T diverte-se muito a ouvi-las. São de facto uma boa ajuda em momentos de crise.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
17 de Setembro de 1939
Depois da grande efeméride no início deste mês, ontem
assinalou-se o 70º aniversário da invasão soviética na Polónia. Em coisa de um mês (falando de 1939, claro), a Polónia ficou completamente encurralada. Já aqui uma vez falei do excelente filme de Andrzej Wajda, Katyń. Volto a referi-lo, pois há uma cena inicial do filme que mostra muito bem esta realidade. Um grupo de civis fugia em direcção ao leste, com malas e tudo o que conseguiram levar consigo. A certa altura chegam a uma ponte e vêem do outro lado um grupo de pessoas nas mesmas circunstâncias, mas a fugir em sentido contrário. Alguém do segundo grupo grita para o primeiro: "Para onde é que vocês vão?". Ao que lhes respondem: "Estamos a fugir dos nazis. E vocês?" "Nós dos russos." Esta cena transmite uma excelente sensação de encurralados, de como não havia grande opção de fuga.
A avó do Staś, que viveu os anos da guerra como adolescente, conta que os russos eram muito piores que os alemães. Diz que se os alemães causavam muitos danos, os russos por onde passavam não deixavam mesmo nada. Basicamente a diferença que me explicou é que os alemães eram minimamente civilizados e os russos uns autênticos bárbaros. Isto, aliás, vê-se em fotos de guerra. Quando se vêem paradas de russos a passar por cidades polacas é vê-los cada um como cada qual. Ou seja, nada arranjados, todos chungosos. Já os alemães andavam todos bem vestidinhos e tal.
Se uns já eram suficientemente maus, acho que os polacos não esperavam que pudesse acontecer algo ainda pior. Ainda por cima, os russos vieram com a promessa de ajudar a Polónia a libertar-se dos nazis, o que - obviamente - era treta. E o resto da história acho que já é conhecido.
Ontem ouvi na rádio uma mulher, deportada para a Sibéria durante o tempo da ocupação russa (como, aliás, aconteceu a muitos polacos, a ponto de dizerem que há na Sibéria autênticas cidades polacas). A senhora actualmente vivia na Austrália ou Nova Zelândia, não me lembro bem. Dizia ela que de tal maneira passou fome que jamais pensou que iria sobreviver. A descrição daqueles tempos na voz dela era absolutamente aterradora. Dizia que actualmente dá constantemente graças a Deus por ter sobrevivido e por ter conseguido formar uma família. 70 anos depois do início de uma página das mais negras na história da Polónia, continuam-se a ouvir relatos de reter a suspiração.
Nas últimas semanas tem-se falado muito sobre o massacre de Katyń. No parlamento discutem se se há-de considerar genocídio, se quê. Já há algum tempo que se tinha definido esta questão. Porquê voltar à discussão? Porque parece que o défice das contas públicas é bastante grande e por isso o governo arranja discussões fantasma para ocupar os meios de comunicação social e afastar do que realmente interessa. Pelos vistos não é só em Portugal.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A Polónia tem destas coisas
Acabei de ir tirar uma fotocópia a uma loja que era simultaneamente loja de fotocópias, fotógrafo, agência de viagens e loja de vestidos de noiva e afins.
Porque gosto de conduzir em Varsóvia
Porque posso mudar de faixa à vontade e as vezes que quiser, sem ter os outros condutores à procura da melhor maneira para me lixar.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Fantástico!
O boletim de voto dobrado em quatro é ligeiramente maior do que o envelope verde em que é suposto enfiá-lo, o que torna mais difícil o acto de fechar o dito cujo. É incrível; isto realmente só em Portugal!!...
Conversas de sala de espera
Hoje fui com a T ao centro de saúde, para tratar de umas coisas com a pediatra (pediatra do serviço público, nada de números de telemóvel para onde se pode ligar a torto e a direito à mínima questão). Apesar do mau humor com que as enfermeiras hoje estavam, até acho que aquilo lá funciona bastante bem. Esperámos um bocado para sermos atendidas, porque não tínhamos marcação, mas nada demais.
Estava eu muito bem sentadinha à espera quando chegou um homem com uma senhora com ar de mãe/sogra e um bebé tipo a T. Sentaram-se ao meu lado e do outro lado sentou-se outra senhora, que ao princípio nem percebi que estava com eles. Quando entraram para o gabinete, essa senhora ficou à espera e disse-lhes alguma coisa em espanhol. Meti logo conversa e disse que era portuguesa. Ficámos ali a tagarelar durante o tempo da consulta deles e no fim ainda falei um pouco com o filho (chileno, casado com uma polaca). Já é a segunda vez que encontro casais mistos espanhóis-polacos em locais públicos e com quem falo. As pessoas que também estavam à espera ali no centro de saúde só olhavam para nós, até porque a senhora (como todos os hispano-hablantes) falava um bocadinho alto.
Durante este pequeno colóquio mais uma vez apercebi-me que estou com uma mistura horrível de línguas na minha cabeça. Volta e meia queria responder-lhe usando palavras polacas e tinha de travar a fundo, parar e pensar como se dizia isso em espanhol. É uma desgraça!
Mudando radicalmente de tema, a T desde que nasceu vai todas as semanas a casa dos bisavós. Habituou-se a eles desde sempre e em geral gosta. Houve uma fase em que deixou de querer ir para o colo deles, mas já lhe passou. Agora, quando lá estamos, senta-se ao colo do bisavô, muito séria, enquanto ele lhe faz cavalinho e canta músicas. A particularidade disto é que muitas dessas músicas são aquelas típicas do tempo da guerra, que os soldados da resistência cantavam. Ela, com o seu ar sério e compenetrado, parece estar a sentir o que ele canta. Qualquer dia, em vez de cantar musiquinhas próprias de criança, vamos ter a T a entoar hinos patrióticos polacos e outras coisas do estilo. Estou para ver.
Estava eu muito bem sentadinha à espera quando chegou um homem com uma senhora com ar de mãe/sogra e um bebé tipo a T. Sentaram-se ao meu lado e do outro lado sentou-se outra senhora, que ao princípio nem percebi que estava com eles. Quando entraram para o gabinete, essa senhora ficou à espera e disse-lhes alguma coisa em espanhol. Meti logo conversa e disse que era portuguesa. Ficámos ali a tagarelar durante o tempo da consulta deles e no fim ainda falei um pouco com o filho (chileno, casado com uma polaca). Já é a segunda vez que encontro casais mistos espanhóis-polacos em locais públicos e com quem falo. As pessoas que também estavam à espera ali no centro de saúde só olhavam para nós, até porque a senhora (como todos os hispano-hablantes) falava um bocadinho alto.
Durante este pequeno colóquio mais uma vez apercebi-me que estou com uma mistura horrível de línguas na minha cabeça. Volta e meia queria responder-lhe usando palavras polacas e tinha de travar a fundo, parar e pensar como se dizia isso em espanhol. É uma desgraça!
Mudando radicalmente de tema, a T desde que nasceu vai todas as semanas a casa dos bisavós. Habituou-se a eles desde sempre e em geral gosta. Houve uma fase em que deixou de querer ir para o colo deles, mas já lhe passou. Agora, quando lá estamos, senta-se ao colo do bisavô, muito séria, enquanto ele lhe faz cavalinho e canta músicas. A particularidade disto é que muitas dessas músicas são aquelas típicas do tempo da guerra, que os soldados da resistência cantavam. Ela, com o seu ar sério e compenetrado, parece estar a sentir o que ele canta. Qualquer dia, em vez de cantar musiquinhas próprias de criança, vamos ter a T a entoar hinos patrióticos polacos e outras coisas do estilo. Estou para ver.
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