Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Os nomes na Polónia

Penso que por causa do comunismo, os polacos normalmente só têm um ou dois nomes próprios e um apelido. Eventualmente há quem tenha dois apelidos, mas separados por hífen, o que faz com que acabe por ser um só mas composto.
Quando nasceu a Teresa quisemos registá-la cá com um apelido português e um polaco, mas deparámo-nos com funcionários públicos daqueles que adoram dificultar a vida das pessoas e, ems uma, acabámos por não poder. Entretanto soube que, se ela tivesse nascido um ano depois, já seria possível, porque entretanto a lei mudou.
No entanto, apesar de ser possível, penso que são raros os polacos que dão dois apelidos aos filhos. Já estão tão habituados à forma como as coisas são, que nem pensam mudar. O mais curioso para mim foi há dias estarmos com uns amigos e estarmos a discutir a questão dos nomes e fiquei a saber que deram à filha apenas um nome e um apelido. Não quiseram dar segundo nome. Porquê? Porque a mãe da criança tem dois nomes próprios e um apelido e diz que toda a vida os dois primeiros nomes a atrapalhava (em questões formais, entenda-se). Agora imagine-se a minha reacção, que tenho cinco apelidos (quatro de solteira e um de casada), ao ouvir alguém dizer que ter 3 nomes é muito confuso. É nestas pequenas coisas que se vê a diferença de mentalidades entre portugueses e polacos.

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Mais um Natal polaco

Este ano, ao contrário do que inicialmente planeávamos, passamos o Natal na Polónia. Por muitos motivos vai ser um Natal diferente do tradicional (sobretudo para mim, pois todos os Natais na Polónia são ainda uma novidade). Primeiro, pela ausência do avô que partiu este ano, e depois, pelo nascimento do nosso filhinho. Assim se vai renovando o ciclo da vida na família. Por causa do falecimento do avô, a avó não se sente com forças para organizar o Natal como sempre tem vindo a fazer. Então este ano mudamos de cenário, mudamos de pessoas (se é que se pode dizer assim, pela ausência de alguns familiares que este ano não virão a Varsóvia) e vamos mudar também de menu. Isto porque desta vez quem vai cozinhar é a minha sogra. Ela até cozinha bem, mas confesso que vou sentir saudades do barszcz e do bigos feitos pela avó.
Diz a tradição polaca que na véspera de Natal a mesa deve ter 12 pratos diferentes (não me refiro à baixela, mas sim à comida). Nos Natais anteriores nunca houve a preocupação de ser literal nisto, mas por acaso acontecia termos mesmo 12 (às vezes um mesmo prato em duas travessas). Este ano, como a minha sogra não está habituada a preparar as comidas do Natal todas sozinhas, ofereci-me para fazer qualquer coisa em casa e levar, para ela não ficar com o peso de ter de fazer vários pratos diferentes. Normalmente na véspera, os polacos comem carpa e arenque (este último geralmente marinado). Como não sei cozinhar nenhum destes peixes - e muito menos à maneira polaca - decidi fazer outro peixe qualquer. Felizmente a minha sogra, apesar de ser muito tradicional em vários aspectos, gosta de inovar na cozinha e não se importa que eu faça um prato à la portuguesa. Como cá não se arranja bacalhau (só mesmo bacalhau fresco, mas o efeito não é o mesmo), optei pela solha. Vamos lá ver que tal fica. Vai ser um bocadinho de Portugal no nosso Natal polaco. Pensei ainda que poderia também fazer uma sobremesa, mas os sonhos são difíceis de fazer e rabanadas já fiz uma vez e dá muito trabalho (preferia evitar ter de fritar alguma coisa). Alguém tem outra sugestão?
Já agora, um bom Natal para todos!!

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Gosto do Inverno na Polónia

O título deste post não é inteiramente verdade, mas como o post anterior se chamava "Detesto o Outono..." e marcou o início de uma longa interrupção, nada como a chegada do Inverno para marcar o regresso à escrita.
Os últimos tempos foram atribulados, com um parto pelo meio e uma recuperação algo dolorosa, como é normal. Tenho algumas observações a fazer sobre a Polónia que gostava de colocar aqui, sobretudo sobre a minha estadia na maternidade. Espero nos próximos tempos ter capacidade para o fazer.
Por enquanto aproveito para dizer que ontem à noite nevou e hoje ainda se vêem restos de neve no chão. Disseram-me que no Natal não ia haver neve. Há um ditado cá que diz que quando em Sta. Bárbara (dia 4 de Dezembro) há chuva, então o Natal não vai ser agreste (em termos de temperatura, entenda-se). E como dizem que nesse dia chuviscou um pouco, é possível que no Natal o tempo esteja bom. Vamos ver.

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Detesto o Outono na Polónia

O Outono é a estação do ano de que menos gosto na Polónia. O frio chega logo em Setembro, os dias começam a ser cinzentos e cada vez mais curtos. Desde que vim para cá que sinto que os meses até ao fim do ano são aqueles que mais custa a passar. Curiosamente, há pouco tempo, em conversa com duas pessoas diferentes mas com as quais veio à baila o tema do Outono aqui em comparação com o Outono em Portugal, ambas me disseram: "Ah, o Outono é a minha estação do ano preferida!!". Fiquei em choque, pois para mim é exactamente o contrário! E os argumentos? "A vegetação fica toda com cores lindas!" e "Finalmente podemos voltar a usar roupa quente, aquelas camisolas quentinhas tão agradáveis! Já não está aquele calor abrasador do Verão." Custou-me a acreditar no que estava a ouvir! Estes polacos são doidos! O argumento da natureza se vestir de várias cores quentes ainda aceito, é verdade. Quando está sol e o tempo não está mau, é muito agradável passear e ver as árvores com folhas vermelhas e amarelas, ou os tapetes de folhas de todas as cores no chão. É um quadro que não se vê em Portugal e que vale a pena ver. É de uma grande beleza. Mas isso só para mim não chega. Preciso de sol (!!!), calorzinho, dias grandes,... O argumento de vestir-se quente para mim não serve. Sei que há pessoas que gostam do tempo frio porque podem vestir outras roupas diferentes. Mas eu preferia reduzir esse tempo a alguns meses do ano e não à sua maioria. Admito que no Verão passei algumas dificuldades com o calor exagerado que apanhei no Algarve. Só que o Outono não tem de ser assim tão quente. Pode ser um médio-quente. Uns 20ºC, vá lá. Aqui, a média dos últimos dias tem sido 10ºC e ainda somado a isso vento forte. Para mim é uma passagem muito rápida do Verão para o Outono, sobretudo porque este Outono tem ar de Inverno português. Há que sobreviver, aproveitar para se sair enquanto ainda se pode e desfrutar ao máximo os dias de sol. Agora, no que diz respeito aos dias ficarem pequenos... ainda vamos ter de sofrer um bom bocado!!

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Lanche de escola

Hoje o lanche na escola da minha filha é o seguinte: kisiel de frutas (é uma coisa parecida com gelatina), pipocas e fruta. Pipocas ao lanche?? Não admira que chegue a casa esfomeada...

Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

Viajar acompanhados por uma estrela

No Verão, quando fomos para Portugal, viajou connosco no avião a cantora polaca Edyta Górniak. Só dei por ela quando já estávamos dentro do avião. Ia sozinha com o filho. Durante a viagem, algumas pessoas foram até junto dela para pedir autógrafos ou tirar fotografias. Pessoalmente não ligo muito às vedetas polacas (nem às portuguesas, a bem dizer). Mas a verdade é que a Edyta é daquelas que aparece em quase todas as revistas de fofocas. Até eu, que praticamente nelas não pego, conheço os desaires amorosos da senhora. No aeroporto de Lisboa é que a vi mais de perto, porque ficámos quase lado a lado junto ao cinto das malas (fugimos para a zona que tinha menos gente). Eles tinham umas malas tão grandes que ficámos a pensar como é que as iam conseguir tirar do cinto. Sinceramente não vi o que ela fez, porque estávamos mais interessados nas nossas coisas do que no que a sra. cantora ia fazer.
Curioso foi, já depois das férias, um dia em casa de uma pessoa peguei numa destas revistas cor-de-rosa e deparo-me com uma notícia a comentar o facto da Edyta Górniak ter ido passar férias a Portugal com o filho! E vê-se que as fotos foram tiradas no dia da nossa partida (a mesma roupa, etc). Diz a notícia que o namorado se foi despedir dela ao aeroporto (sim, porque ela viajou só mesmo com o filho) e que mais tarde se lhes juntou para passarem o resto das férias juntos. Do que me contaram depois, pelos vistos a cantora gosta de passar férias em Portugal, já que não é a primeira nem a segunda vez que para ali vai. Só posso comentar que tem bom gosto.

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Ganhou 28 milhões de zlótis no totoloto polaco

Esta semana havia um grande prémio em jogo no totoloto, de 52 milhões de zlótis. Nós ainda jogámos uma quantia simbólica só por piada. Ontem, as notícias diziam que havia dois vencedores, um deles em Varsóvia. O mais curioso é que esse tinha entregado o boletim aqui perto. Hoje fiquei a saber que precisamente esse sortudo trabalhava no call-center da empresa do Stas!!! Entretanto já se despediu e, ao que parece, publicou no facebook fotos do boletim vencedor e anda a contar a toda a gente que ganhou. Pobre rapaz, cheira-me que o dinheiro vai desaparecer bem mais depressa do que ele pensa...

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

10 anos da Wikipedia polaca

A Wikipedia polaca faz 10 anos. Por causa disto fiquei a saber uma coisa interessante: para além da versão normal em polaco, existem ainda duas wikipédias em dialectos da Polónia. Uma delas, a Ślunsko Wikipedyjo, escrita no dialecto falado na região da Silésia, a sudoeste da Polónia, e a outra, a Kaszëbskô Wikipedijô, escrita no dialecto falado na região da Cassúbia, a noroeste.
Aqui fica um print screen da página inicial de cada uma delas.



Nota: Imagino que para o comum dos mortais mostrar estas páginas, ou a página da Wikipedia polaca é exactamente a mesma coisa. Para quem conhece algo da língua polaca, isto até tem a sua graça, porque vêem-se diferenças notáveis. Assim à primeira vista, fico com a sensação que o dialecto da Silésia é mais semelhante ao polaco do que o da Cassúbia.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Tradução dos nomes

Como é possível que Lourenço em polaco se diga Wawrzyniec e que o nome polaco Wojciech em português corresponde a Adalberto??

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Quando o cérebro começa a baralhar línguas

Noutro dia telefonaram-me de uma agência de traduções a perguntar se eu podia ir fazer tradução simultânea numa formação. A tradução devia ser feita para espanhol. Se fosse há uns anos atrás, não havia qualquer problema, tinha dito logo que sim. No entanto, infelizmente tive de recusar o trabalho. Acontece que, desde que estou na Polónia, tenho tido mais dificuldade em falar línguas como o espanhol ou inglês. Como o meu dia-a-dia gira à volta do português e do polaco, não é fácil de repente passar para outra língua. Nos últimos anos, sempre que por qualquer motivo tenho de falar outra língua, dou por mim a meter palavras polacas pelo meio e a baralhar tudo. Por causa desta falta de treino não me senti capaz de fazer essa tradução.
Mas o pior de tudo é quando estou a falar português e de repente salta-me uma palavra polaca para a boca. Já me aconteceu em Portugal em várias situações, mas deu sempre para disfarçar de tal modo que as pessoas com quem estava a falar não deram por isso. Aqui em casa, por exemplo, quando estamos a falar português, às vezes meto uma palavra polaca pelo meio (normalmente palavras que não há em português, ou que em polaco resultam melhor em determinado contexto), outras vezes "aportugueso" algum termo polaco concreto. Por exemplo, quero referir-me aos prédios de vários andares típicos do comunismo, chamados coloquialmente "blokowisko", mas no plural; então faço à portuguesa e no fim acrescento um "s" (neste caso ficaria "blokowiskos"). O que nunca me tinha acontecido foi, como ontem, aportuguesar uma palavra sem me dar conta disso e dar por mim a dizer uma frase sem sentido nenhum. Tratava-se da palavra "pan", que significa senhor. Tínhamos acabado de falar com um senhor, de quem eu não me lembrava, mas o Stas sim. Depois deste se ausentar, comentei em português que não me lembrava do dito senhor. Só que, como a conversa anterior tinha sido em polaco, dei por mim a dizer: "Não me lembro deste pão"... Mal as palavras me saíram da boca, percebi a asneira que tinha dito (até porque o senhor, coitado, nem era nenhum pão...) e fiquei muito surpreendida como é que o meu cérebro me pregou uma partida destas. Vulnerabilidades linguísticas. Agora estou à espera para ver qual será a próxima. O mais curioso disto tudo é que a minha filha não tem estas baralhações como eu. Ou fala português, ou fala polaco, ou mistura, mas nunca aldraba as palavras destas maneiras.

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Afinal, a Polónia também é um país pequeno

Ontem à tarde, depois de regressarmos do infantário, parámos no parque infantil para gastar ainda mais umas energias. Apareceu uma menina com quem a minha filha em pouco tempo começou a brincar. Como é costume dela, ia falando e volta e meia dirigia-se a mim dizendo algumas coisas em português. De repente, a mãe da outra criança vira-se para mim e diz: "Ela está a falar português!". Fiquei muito surpreendida e respondi-lhe que sim. Normalmente as pessoas pensam que é espanhol, ou outra língua parecida, mas nunca ninguém acerta que é português. (Noutro dia, por exemplo, quando estava no centro de saúde à espera de ser atendida estava a ler um livro em português e a senhora do lado - que já tinha metido antes conversa comigo - perguntou se era francês ou espanhol.) Vim então a saber que a mãe da nova amiguinha da minha filha formou-se em língua portuguesa! Do que percebi estava mais familiarizada com a versão brasileira, pois até tinha vivido no Brasil durante uns meses. Mas das poucas coisas que a Teresinha disse (ainda por cima com sotaque de criança pequena) conseguiu captar logo em que língua ela estava a falar. Diz-me essa senhora a certa altura: "Engraçado como o mundo é pequeno!". É bem verdade! E para o comprovar contei-lhe ainda que a minha vizinha de cima casou com um brasileiro e tem um filho também bilingue (só que esses moram no Brasil e ela só esporadicamente vem cá passar alguma temporada com a criança - por acaso agora está cá). Ou seja, não só no meu prédio há duas famílias ligadas à língua portuguesa, como no prédio ao lado vive uma senhora que domina o português! Afinal de contas, a Polónia também é um país pequeno.

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

O mistério das quadrículas

Com o regresso às aulas, o que mais se vê à venda nos grandes supermercados é material escolar. Há dias passei num hipermercado e lembrei-me de dar um salto à enorme secção em destaque com cadernos, canetas, estojos, etc. Queria comprar um caderno A5 de linhas, com argolas, ao estilo daqueles da Agata Ruiz de la Prada (mais grossos do que o normal). Não sei precisar a quantidade de cadernos que vi espalhados pelos expositores, mas eram mesmo muitos. Uns fininhos, outros com mais páginas, capa dura e lombada e outros com argolas, como eu queria. Devo ter pegado em praticamente todos os cadernos com argolas que por ali vi e... eram todos quadriculados!! Nem um liso, nem um de linhas! Comecei a achar aquilo muito estranho, então embrenhei-me mais na procura, indo até à secção habitual de materia escolar confirmar que não havia lá nada escondido. Mas não. Só quadrados, quadrados, quadrados. As linhas devem ter ficado esquecidas algures. Nesse dia fiquei a saber - por experiência própria e por ter perguntado a alguém depois - que os miúdos nas escolas usam sobretudo cadernos de quadrados. Porque será?? E eu continuo em busca do meu caderninho de linhas.

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Comida de escola

É certo e sabido que as comidas de escola ou de cantinas nunca são grande coisa. Acredito que haja excepções, mas regra geral são sempre meio sem graça. Estive a ver a tabela com as refeições da minha filha no infantário e confesso que o coração ficou um bocadinho pequenino. Ela não se queixa e do que tenho sabido até come tudo (ou quase). Se gosta ou não, não sei, mas que come porque não tem outra opção e está cheia de fome, lá isso é verdade. Até agora, sempre que chega a casa, mesmo depois de lanchar lá, vem com um apetite voraz.
Algumas das refeições servidas até não são más, mas há outras...!! Até o meu marido, polaco, diz que são uma porcaria. Talvez estejamos todos mal habituados, pois aqui em casa predomina a cozinha portuguesa e raramente comemos coisas tipicamente polacas. Agora na escola, ela vai ter de se habituar a novos sabores. Enquanto não se queixar, tudo bem. Tenho é de começar a investir mais nos lanches pós-infantário.

PS - Não quero com isto dizer que a cozinha polaca seja má, simplesmente a conjugação que fazem neste infantário não nos parece das mais felizes... Felizmente não é assim todos os dias.

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

O primeiro dia no infantário!

Hoje, dia 1 de Setembro, é um dia muito importante na Polónia. Não, não me estou a referir ao aniversário da invasão da Alemanha que despoletou o início da IIª Guerra Mundial. Hoje é o dia em que começa a escola em todo o país. Foi, por isso, também o primeiro dia de infantário da nossa pequena Teresa. Eu aguardava este dia com alguma expectativa, pois não fazia ideia de como ela iria reagir. Lembro-me bem do meu primeiro dia e lembro-me de passar o tempo todo a chorar à espera da minha mãe. O meu maior terror era ela ter um dia igual. Para além disso, sendo a primeira filha e tendo estado comigo até aos três anos, previ logo que para mim não ia ser fácil. Ontem à noite recebi um sms gozão, em que me diziam que eu me ia fartar de chorar. Claro que me ri, mas achei que seria mesmo assim. O Stas preparou tudo de véspera com ela: a roupa, o saco para levar, o ursinho de peluche que lhe iria fazer companhia, etc. Hoje, quando acordou, foi só pegar no que já estava pronto e arranjou-se num instante. Estava entusiasmada, porque sabia que ia brincar com outras crianças. Quando chegámos à porta do infantário, cruzámo-nos com uma mãe que saía apressada, bem vestida, com ar de quem ia para o trabalho, e a limpar as lágrimas que discretamente deixara escapar. Fiquei logo com o coração apertado, a pensar se me iria acontecer o mesmo. Descobrimos o lugar para a Teresa deixar as suas coisas (ela decorou logo onde era), ajudámo-la a tirar os sapatos (eles cá andam de pantufas na escola) e o casaco, porque ela estava ocupada a olhar para tudo o que havia naquela divisão. Depois fomos juntos até à sala, onde ela encontrou logo uns brinquedos que lhe interessaram. Quisemos ainda ir mostrar-lhe onde era a casa-de-banho, mas foi difícil arrancá-la da sala; não queria sair de lá!! Tinha tanta coisa nova e interessante! Mostrámos-lhe onde era e depois voltámos aos brinquedos. Entretanto a Irmã responsável pelo grupo apareceu e deu-lhe a mão. Disse-lhe para se despedir dos pais, o que ela fez, meio envergonhada, meio sem saber muito bem o que ia acontecer. E depois saímos. Ouvimos ainda uma criança a chorar imenso, mas ela não chorou. Olhou para ela, viu o que se estava a passar, mas não se deixou contagiar. Acho que no fundo ela sabe sempre que os pais vão voltar (regra geral nunca chora em situações de separação).
As horas que foram desde o momento em que a deixámos lá até ao momento em que a fomos buscar (umas meras três e meia, por ser o primeiro dia) foram longas. É estranho de repente voltar a ter tempo livre. Despachei o meu trabalho mais rapidamente, fui fazer compras, arrumei a cozinha e ainda tive tempo para não fazer nada. Claro que isto é tudo temporário, até o maninho vir cá para fora. Foi uma sensação nova, sobretudo quando fui às compras, ir sozinha, sem a minha companheira habitual. Quando a fomos buscar, lá estava ela, a acabar de almoçar tranquilamente. Ficou toda contente de nos ver, mas depois queria voltar para a sala e ficar a brincar. Explicámos que no dia seguinte iria voltar e que era altura de ir para casa. No caminho disse-nos que gostou e que o ursinho também gostou. Esperemos que nos outros dias também seja assim.

Entretanto, nas ruas por onde passei hoje de manhã vi várias crianças e adolescentes, todos vestidos com o habitual traje elegante polaco (ou seja, camisa branca e calças/saia escura) para o primeiro dia de escola. Eles fazem sempre isto no primeiro e no último dia. É um espectáculo diferente do habitual, ver tantos miúdos vestidos desta forma (até os pequenos da primária usam estas cores soturnas!), em sítios tão aleatórios. Assim assinalam eles o início de mais um ano lectivo. E este ano, pela primeira vez - apesar de nos termos vestido "coloridos" - nós também.

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

Pseudo-praia em Varsóvia

Há poucos meses abriram uma pseudo-praia em Varsóvia. Fica em Wilanów e não percebi ainda se aquilo tem algum patrocínio da cidade de Gdynia. Trata-se de um recinto cheio de areia (que penso que veio precisamente de Gdynia), com uma zona para as crianças brincarem, seja na areia ou em baloiços, escorregas e outros que tais, e uma zona onde se pode tomar alguma bebida (não verifiquei se se pode comer a sério). Tem também várias cadeiras de pano tipo praia e pufs para quem quiser ir apanhar banhos de sol. Estivemos lá neste fim-de-semana pela primeira vez, pois já há algum tempo que tínhamos curiosidade de lá ir. No areal as crianças brincavam, alguns adultos apanhavam sol (vi pessoas que estavam de fato de banho, mas com algumas peças de roupa por cima), outros escondidos na sombra tomavam uma cervejinha ou algo do estilo. Para quem tem filhos pequenis, ali dá para passar uma tarde agradável e descansada, pois as crianças ficam entretidas, debaixo de olho e os pais podem também relaxar.
Claro que comparar isto com uma praia normal é um sacrilégio. Não tem absolutamente nada a ver. Se calhar para os varsovianos poderá ter alguma piada, mas para mim, depois de duas semaninhas no Algarve, não me convenceu. Só mesmo pela perspectiva de ser um café com parque infantil incluido (e muita areia no chão).



Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Tudo igual

Algo que já comprovei que não mudou durante o nosso tempo de férias foi a praga dos mosquitos. Ontem, só no trajecto do carro até casa (tendo em conta que o carro ficou à porta), fui picada pelo menos três vezes e duas melgas vieram coladas a mim até casa. Estas melgas polacas são uns autênticos monstros. Antes de ir para Portugal, como estava traumatizada com elas, comprámos diferentes repelentes e levámo-los connosco. Acabámos por praticamente não os usar lá, porque não foi preciso. Já aqui, ontem à noite os ditos insectos fizeram questão de me lembrar que, antes de ir de férias, sempre que saíamos ao entardecer levávamos connosco um spray repelente para podermos sobreviver às picadelas (sim, porque há umas melgas que, quando picam, deixam uma marca durante vários dias - e às vezes dói!...). Lá vamos nós ter de voltar a essa rotina! Ora bolas...

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Depois das férias

Lembro-me que, quando era pequena, o regresso a casa depois das férias era uma emoção. Passava quase dois meses longe de Lisboa e quando chegava era olhar para todos os lados e ver que lojas abriram, fecharam, mudaram a decoração, quais são as novas publicidades nos outdoors, etc. Havia sempre coisas novas ou pelo menos mudanças. Ontem regressámos de férias e quando estava a vir até casa olhei de relance para alguns sítios, mas estava tudo exactamente na mesma. Já não há a emoção de quando era criança, apenas o desejo de chegar o mais depressa possível para poder desfazer e arrumar as malas e "descansar" das férias.
A única alteração que notei - isso sim! - foi... o sabor da manteiga!! Depois de algumas semanas em Portugal, chegar a Varsóvia e comer torradas com manteiga sem sal foi um choque (sobretudo para o paladar). Felizmente hoje já vamos às compras para repor o stock.

Quinta-feira, 4 de Agosto de 2011

Fonte multimédia

Há uns meses foi inaugurada na parte antiga da cidade uma fonte enorme, com uma série de jactos de água e que à noite fica iluminada. Todos os sábados, nos meses "quentes", fazem um espectáculo multimédia, como eles lhe chamam, com música, luzes sincronizados com os jactos de água da fonte. Há umas semanas, meio à maluca, no fim do jantar fomos lá para ver que tal era. Chegámos no fim do primeiro espectáculo e ainda assistimos ao segundo. O parque estava cheio de gente, com um ambiente muito festivo e agradável. Os dois espectáculos multimédia eram diferentes. O segundo, que foi aquele que vimos na totalidade, estava muito giro, mas achei uma propaganda exagerada à União Europeia (tudo por causa da presidência polaca). Era non-stop UE, UE, UE, somos todos Europa, etc. Até enjoava... Mas se nos abstraíssemos dessa temática, estava muito bem feito. A Teresa aplaudiu em alguns momentos e gritava: eeeeeee!, de entusiasmo por ver aquilo. Tentei tirar fotos, mas a máquina não capta tão bem, ao vivo é que dá para ver o efeito real. Estas imagens são abstractas, mas em alguns momentos passaram imagens como o logo da presidência polaca na UE, uma animação com duas pessoas a dançar e coisas do estilo. Num momento faziam efeitos de luzes com as cores das bandeiras dos diferentes Estados europeus e quando chegou a vez de Portugal passaram uma música com sons típicos da nossa música tradicional. É pena só fazerem isto uma vez por semana. Recomendo vivamente um passeio por aqueles lados no sábado à noite para desfrutar este espectáculo.

Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

Tour de Pologne

Sem grande inspiração para escrever, aproveito para colocar duas fotos que tirei no Domingo. Foi o dia em que começou o Tour de Pologne, equivalente à nossa Volta a Portugal. A primeira etapa precisamente passava aqui em Varsóvia e mesmo perto de nossa casa. Combinámos com uns amigos e fomos para a rua vê-los passar. Foi muito giro, lembrou-me quando estávamos na Figueira e havia uma etapa que passava por lá. Só que aqui nós não fomos para o sítio principal onde o bairro organizou uma festinha e onde estavam a maior parte das pessoas. Mesmo assim juntou-se ali um grupinho jeitoso que ainda aplaudiu os ciclistas. Aqui estão duas imagens do grupo:

 Este era o pelotão da frente, que ia a uma distância considerável dos outros todos.

Terça-feira, 26 de Julho de 2011

A Janela da Vida

Há uns meses contaram-me que uma polaca que conheci há vários anos tinha e com quem actualmente não tenho contacto tinha adoptado uma criança. Ela estava casada há uns seis ou sete anos, mas sem filhos. Decidiram então adoptar um bebé e neste momento têm uma pequena Lúcia, que não sei se já terá sequer um ano. Quem me contou isto acrecentou ainda que a bebé tinha sido adoptada através da "Janela da Vida". Como nunca tinha ouvido falar nisto antes, perguntei-lhe do que se tratava. Explicou-me que alguns conventos - à semelhança do que acontecia antigamente, quando os pais que não podiam criar os filhos os deixavam à porta dum convento - têm uma coisa chamada "Janela da Vida", onde as mães deixam os bebés que não podem criar e o convento recolhe-os. Fiquei muito surpreendida, pois pensei que este costume já não existisse. Curiosamente algumas semanas depois esbarrei com um artigo numa revista sobre isto. Ao que parece contam-se pelos dedos os conventos que tèm estas "Janelas da Vida", ou até nem isso. Há um em Varsóvia, em Cracóvia e em outras cidades da Polónia. Numa parede do convento há um buraco com uma janela para dentro e uma para fora. No meio há um sítio próprio para deitar o bebé. Quem o quiser deixar, abre a janela de fora, coloca-o nesse compartimento intermédio e fecha a janela. No momento em que alguma criança lá é colocada, a pessoa responsável pela Janela recebe um sinal num aparelho tipo beeper e vai logo lá buscar o bebé. O quarto no qual está essa janela está equipado com todo o material necessário para prestar os cuidados primários ao bebé e a pessoa responsável - pelo menos a de Varsóvia, que foi o caso descrito na revista - tem a formação adequada para tratar dele. Quando aparece uma criança nova há uma série de formalidades que têm de ser cumpridas: telefona-se para a polícia, que vem tomar conta da ocorrência, e em seguida vem uma ambulância que leva o bebé ao hospital para verificar o seu estado de saúde. Depois de tudo isto - não sei ao certo quanto tempo depois - o bebé é encaminhado para um orfanato, de onde será posteriormente entregue para adopção. Durante todo este processo não se faz nenhuma tentativa de localizar os pais. Confesso que achei isto bastante interessante, pois nunca pensei que existisse algo do género.