quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Varsóvia em Dia de Todos-os-Santos

Com algum atraso, venho aqui escrever sobre o dia de Todos-os-Santos na Polónia.
Como em muitas outras partes do mundo cristão, no dia de Todos-os-Santos vai-se ao cemitério. Apesar de em Portugal também haver esta tradição, penso que ela se extende principalmente ao meio rural. Nós, pelo menos, em Portugal, nunca fomos a nenhum cemitério no dia 1 de Novembro (e muitas das pessoas que conheço também não vão). Pois na Polónia este é o dia em que se vai ao cemitério. E quem não pode ir no dia 1, vai nos dias seguintes, durante a oitava da festa. No ano passado passei o dia de Todos-os-Santos que nem podia e não pus o pé fora de casa. Este ano pus os dois e lá fomos todos em direcção ao cemitério. À volta dele, o caos. Estacionamento tipo quem vai ao futebol e imensos comerciantes com as suas bancadas (ou não) a venderem velas funerárias de vários tipos, cores e feitios (e preços), arranjos florais próprios para campas, alguns bolinhos e até mesmo brinquedos! Bem, pelo menos vi um que vendia brinquedos, mas acho que era o único. No cemitério as campas estavam ornadas com flores e velas acesas. Um espectáculo algo engraçado. Dizem os que neste dia vão ao campo que os cemitérios das aldeias são dignos de se ver, de tão bem ornados que ficam. Parece que à noite, quando se passa por eles, vê-se uma "nuvem" de luz das velas que lá deixaram acesas.
E falando de velas acesas, os polacos deixam-nas não só nos cemitérios, mas em todos os locais que indiquem mortos, como por exemplo em locais onde houve acidentes de carro e em monumentos. Deixo aqui alguns exemplos:

Este é o monumento em memória das vítimas dos soviéticos durante a IIª Guerra Mundial. Fica perto da porta do antigo Gueto de Varsóvia. O monumento consiste num carril gigante, em que cada trave tem escrito um local (penso que talvez seja o local para onde os polacos foram deportados, mas não sei ao certo). No cimo, um vagão aberto cheio de cruzes. Não dá para ver bem na foto, mas estavam lá umas pessoas a colocar velas.

Aqui está a parte central do monumento (à qual fizeram tunning e puseram estas luzes lindas por baixo).

Placa identificativa do monumento com a data do início da agressão soviética: 17 de Setembro de 1939.

O monumento da Insurreição de Varsóvia.

O célebre local onde o Papa João Paulo II celebrava as suas Missas em Varsóvia e que tem também uma placa no chão alusiva ao funeral Cardeal Wyszyński, que me leva a crer que a Missa do funeral deve ter sido também ali (note-se a presença do Stas e da Teresa na foto).

Por fim, o monumento ao soldado desconhecido.

PS - Apesar de parecer que andámos a passear à noite por Varsóvia, devo esclarecer que na realidade eram entre 17h e 18h...

4 comentários:

Anónimo disse...

é extende ou estende?
Cá também se vai muito aos cemitérios e há o costume de haver uma missa no cemitério.
Passámos pelo Cemitério do Carregal e não havia campa que não estivesse bem florida.

Nanda Oliveira disse...

Legal seu bol...gostei..interessante...XD
Dá uma passadinha lá no meu tbm...
http://canalcereja.blogspot.com/

bjin

bruno claudio disse...

as 2 semelhanças mais gritantes entre um portugues e um polaco serao, em primeiro, a maneira selvagem como conduzem, estacionam e ter de levar o carro para todo o lado, como qualquer bom cidadao de terceiro mundo, e em segundo a falsa questao da igreja, da nossa senhora e amor ao senhor, as tradiçoes cinicas e ciclicas e a roupinha de ir á missa.

mvs disse...

Tem graça, não concordo com nenhuma dessas afirmações. E devo dizer que sou condutora e católica, quer em Portugal, quer na Polónia. Pelos vistos temos experiências bem diferentes.