sexta-feira, 18 de setembro de 2009

17 de Setembro de 1939

Depois da grande efeméride no início deste mês, ontem assinalou-se o 70º aniversário da invasão soviética na Polónia. Em coisa de um mês (falando de 1939, claro), a Polónia ficou completamente encurralada. Já aqui uma vez falei do excelente filme de Andrzej Wajda, Katyń. Volto a referi-lo, pois há uma cena inicial do filme que mostra muito bem esta realidade. Um grupo de civis fugia em direcção ao leste, com malas e tudo o que conseguiram levar consigo. A certa altura chegam a uma ponte e vêem do outro lado um grupo de pessoas nas mesmas circunstâncias, mas a fugir em sentido contrário. Alguém do segundo grupo grita para o primeiro: "Para onde é que vocês vão?". Ao que lhes respondem: "Estamos a fugir dos nazis. E vocês?" "Nós dos russos." Esta cena transmite uma excelente sensação de encurralados, de como não havia grande opção de fuga.
A avó do Staś, que viveu os anos da guerra como adolescente, conta que os russos eram muito piores que os alemães. Diz que se os alemães causavam muitos danos, os russos por onde passavam não deixavam mesmo nada. Basicamente a diferença que me explicou é que os alemães eram minimamente civilizados e os russos uns autênticos bárbaros. Isto, aliás, vê-se em fotos de guerra. Quando se vêem paradas de russos a passar por cidades polacas é vê-los cada um como cada qual. Ou seja, nada arranjados, todos chungosos. Já os alemães andavam todos bem vestidinhos e tal.
Se uns já eram suficientemente maus, acho que os polacos não esperavam que pudesse acontecer algo ainda pior. Ainda por cima, os russos vieram com a promessa de ajudar a Polónia a libertar-se dos nazis, o que - obviamente - era treta. E o resto da história acho que já é conhecido.
Ontem ouvi na rádio uma mulher, deportada para a Sibéria durante o tempo da ocupação russa (como, aliás, aconteceu a muitos polacos, a ponto de dizerem que há na Sibéria autênticas cidades polacas). A senhora actualmente vivia na Austrália ou Nova Zelândia, não me lembro bem. Dizia ela que de tal maneira passou fome que jamais pensou que iria sobreviver. A descrição daqueles tempos na voz dela era absolutamente aterradora. Dizia que actualmente dá constantemente graças a Deus por ter sobrevivido e por ter conseguido formar uma família. 70 anos depois do início de uma página das mais negras na história da Polónia, continuam-se a ouvir relatos de reter a suspiração.

Nas últimas semanas tem-se falado muito sobre o massacre de Katyń. No parlamento discutem se se há-de considerar genocídio, se quê. Já há algum tempo que se tinha definido esta questão. Porquê voltar à discussão? Porque parece que o défice das contas públicas é bastante grande e por isso o governo arranja discussões fantasma para ocupar os meios de comunicação social e afastar do que realmente interessa. Pelos vistos não é só em Portugal.

1 comentário:

Ricardo Taipa disse...

Sempre bom referir a outra invasão, os crimes dos comunistas foram tais que esse ideal político não só deveria ser abolido como também considerado crime contra a humanidade colocando Lenine e Estaline na mesma prateleira que Hitler.