segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Conversas de sala de espera

Hoje fui com a T ao centro de saúde, para tratar de umas coisas com a pediatra (pediatra do serviço público, nada de números de telemóvel para onde se pode ligar a torto e a direito à mínima questão). Apesar do mau humor com que as enfermeiras hoje estavam, até acho que aquilo lá funciona bastante bem. Esperámos um bocado para sermos atendidas, porque não tínhamos marcação, mas nada demais.
Estava eu muito bem sentadinha à espera quando chegou um homem com uma senhora com ar de mãe/sogra e um bebé tipo a T. Sentaram-se ao meu lado e do outro lado sentou-se outra senhora, que ao princípio nem percebi que estava com eles. Quando entraram para o gabinete, essa senhora ficou à espera e disse-lhes alguma coisa em espanhol. Meti logo conversa e disse que era portuguesa. Ficámos ali a tagarelar durante o tempo da consulta deles e no fim ainda falei um pouco com o filho (chileno, casado com uma polaca). Já é a segunda vez que encontro casais mistos espanhóis-polacos em locais públicos e com quem falo. As pessoas que também estavam à espera ali no centro de saúde só olhavam para nós, até porque a senhora (como todos os hispano-hablantes) falava um bocadinho alto.
Durante este pequeno colóquio mais uma vez apercebi-me que estou com uma mistura horrível de línguas na minha cabeça. Volta e meia queria responder-lhe usando palavras polacas e tinha de travar a fundo, parar e pensar como se dizia isso em espanhol. É uma desgraça!


Mudando radicalmente de tema, a T desde que nasceu vai todas as semanas a casa dos bisavós. Habituou-se a eles desde sempre e em geral gosta. Houve uma fase em que deixou de querer ir para o colo deles, mas já lhe passou. Agora, quando lá estamos, senta-se ao colo do bisavô, muito séria, enquanto ele lhe faz cavalinho e canta músicas. A particularidade disto é que muitas dessas músicas são aquelas típicas do tempo da guerra, que os soldados da resistência cantavam. Ela, com o seu ar sério e compenetrado, parece estar a sentir o que ele canta. Qualquer dia, em vez de cantar musiquinhas próprias de criança, vamos ter a T a entoar hinos patrióticos polacos e outras coisas do estilo. Estou para ver.

1 comentário:

Prof. Ana Cristina disse...

Não esmoreças, querida T, canta o que o bivô te ensina... quem quer ouvir a cantiga do joão ratão se tem outras com mais conteúdo no ouvido?! Estou contigo,
prima Ana C.