terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Boa educação

No Domingo, quando estávamos a sair de casa, passou por nós um dos seguranças do condomínio e, como sempre, cumprimentou-nos (e nós a ele, claro está). O mais interessante disto é que o senhor quando se dirigiu a mim tirou o chapéu. São ainda restos da boa educação clássica dos polacos, que é das melhores coisas que eles têm. Se querem falar de cavalheirismo, chamem um polaco! :)

PS - Isto lembra-me sempre uma clássica, uma vez quando estávamos em Lisboa e a Maria teria na altura uns 4 anos. Íamos sair e, como qualquer polaco, o Stas preparou-se para ajudar as mulheres presentes a vestir os casacos. De repente, pegou no sobretudo da Maria e agarrou-o de forma a ela enfiar lá os braços. Ora, a pequenota não percebia nada do que é ele estava para ali a fazer e tirou-lhe o casaco toda zangada, dizendo algo como: "Dá cá o meu casaco!!". Polaco sofre! :D

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A temperatura sobe e desce, sobe e desce

Voltámos às temperaturas negativas, depois de umas semanas com temperaturas acima dos zero. Por mim tudo bem, não fosse a minha sinusite mal curada a voltar a dar sinal... E logo hoje, à entrada do fim-de-semana!... :(

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dia Internacional de Memória do Holocausto

Hoje comemora-se o aniversário da libertação do campo de Auschwitz. O presidente polaco e alemão lá se encontraram em Auschwitz para uma cerimónia com antigos prisioneiros (fiquei a saber que o presidente da Alemanha se chama Christian Wulff... nem sabia que ele existia...).
Este dia foi proclamado Dia Internacional da Memória do Holocausto pela ONU em 2005, altura em que se reconheceu oficialmente a existência do Holocausto. A propósito disto, gostava de escrever umas breves linhas sobre um polaco notável, chamado Witold Pilecki, membro da resistência polaca durante a guerra.
Quando o mundo, durante a guerra, insistia em fechar os olhos ao que se estava a passar e em negar que houvesse extermínio de pessoas, Pilecki decidiu fazer algo muito arriscado: deixou-se prender para ir para Auschwitz e aí recolheu o máximo de informações para passar à resistência e, por conseguinte, aos aliados.
Pilecki era um militar, que já tinha lutado na guerra contra os russos anos antes. Quando se iniciou a IIª Guerra Mundial, lutou contra os alemães na chamada Campanha de Setembro. Depois disso, veio para Varsóvia e trabalhou com a resistência. Em 1940 teve a ideia de ir para Auschwitz recolher informações sobre o funcionamento do campo e de criar aí um movimento secreto de oposição. Certo dia, quando os alemães apanhavam pessoas na rua para enviar para o campo de concentração (em polaco traduz-se literalmente por "apanhadas", porque as pessoas eram apanhadas na rua assim do meio do nada), ele meteu-se lá no meio e foi também apanhado. Quase 3 dias depois chegou ao campo de concentração.
Durante a sua estadia, organizou o novo movimento de oposição, criando diferentes núcleos (que não sabiam da existência uns dos outros) que se ajudavam mutuamente, fosse a arranjar mais comida, divulgando notícias do exterior (ou passando para fora) ou mesmo animar os espíritos dos outros prisioneiros. Para além disso, Pilecki foi recolhendo informações sobre o genocídio que estava a acontecer dentro de Auschwitz e através de diferentes pessoas foi passando-as para fora (umas para a resistência, outras para os aliados - informações estas que foram ignoradas, pois os aliados continuavam a achar que era tudo um mito).
Por fim, em 1943 Pilecki conseguiu fugir com mais dois prisioneiros. Andou uns tempos escondido e mais tarde voltou às suas actividades, participando na Insurreição de Varsóvia e no exército polaco no estrangeiro, em Itália, lutando com o general Anders.
Com o fim da guerra, regressou à Polónia e começou a recolher informações sobre o que estava a acontecer aos soldados polacos que tinham lutado na resistência, pois os russos andavam a perssegui-los e muitos tinham sido deportados para a Sibéria. O acima mencionado general Anders disse-lhe para fugir da Polónia, mas Pilecki achou que não havia perigo para si. Enganou-se. Em 1947 foi preso pelo UB (a polícia política dos tempos do comunismo) e um ano depois foi condenado por crimes como: atravessar ilegalmente as fronteiras, utilização de documentos ilegais, posse ilegal de armas, ser espião do general Anders (e colaborador do governo polaco no exílio) e tentativa de golpe contra o Ministério da Segurança Nacional. Pilecki acabou por ser assassinado com um tiro na nuca e atirado para uma qualquer vala comum (não há certeza do sítio onde foi enterrado).
Antes de morrer, Pilecki disse à sua mulher que o UB era pior que a SS de Auschwitz. Terá dito algo como: "Auschwitz ao lado disto é uma ninharia".
Nos últimos anos, Pilecki foi postumamente condecorado pelas autoridades polacas com duas ordens oficiais, uma delas a mais importante na Polónia.

 Placa que assinala o local onde Pilecko se deixou apanhar para ir para Auschwitz. Diz o seguinte: Aqui, no dia 19 de Setembro de 1940, foi preso pelos nazis o capitão Witold Pilecki (1901-1948), "Witold", a fim de, como prisioneiro nº. 4859 de Auschwitz, organizar uma conspiração dentro do campo de concentração. Morreu na prisão em Mokotów [Varsóvia] às mãos dos carrascos de Stalin, + 25 de Maio de 1948. Paz à sua alma.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

As Salas de Brincadeiras

Um fenómeno que se desenvolveu muito cá nos últimos anos são as salas de brincadeiras. Em Portugal sei que também são populares os locais onde se podem fazer festas de anos. As salas de brincadeira servem para isso, mas essa não é a sua função principal.
Daquilo que já observei, há dois formatos: a sala de brincadeiras assim chamada, onde há escorregas, piscinas com bolas e mil e uma coisas onde as crianças se podem pendurar, saltar e brincar, que adicionalmente pode ter uma zona para os pais com pastelaria; os cafés com zona de brincadeiras, que são primariamente cafés, mas que têm uma área onde as crianças podem estar a brincar sem chatear ninguém (enquanto os pais tomam alguma coisa e aproveitam para ler, conversar ou mesmo trabalhar - hoje em dia em toda a parte já há wi-fi). Para além disto, nas salas de brincadeira cada criança paga pela entrada, enquanto que nos cafés paga-se apenas o que se consome (porque são, de facto, cafés). Estes dois tipos de espaço podem alugar-se para qualquer tipo de evento.
A vantagem das salas de brincadeiras é que, quando está frio e não dá para ir ao parque infantil (que os há aos magotes aqui em Varsóvia), as crianças podem brincar lá à vontade. Para além disso, a maioria delas organiza actividades, como festas temáticas, workshops ou até mesmo aulas de desenvolvimento geral para crianças que ainda não andam na escola/jardim infantil. No Outono comecei a ir com a Teresa a umas aulas destas e estamos a adorar. Estas onde vamos demoram uma hora e no fim temos ainda uma hora grátis para estar lá a brincar. Mas, sobre estas aulas, falarei noutro dia. Posso apenas dizer que, desde que começámos a lá ir, a Teresa tem aprendido muita coisa e sobretudo tem-se desenvolvido muito na questão da língua.




Fotos da "nossa" sala de brincadeiras aqui.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Casas na Polónia

Uma das grandes marcas da passagem do comunismo pela Polónia é a forma de habitação.
É verdade que no tempo do comunismo todas as pessoas tinham direito a ter uma casa e recebiam-na. Porém, como é óbvio, não havia grande opção de escolha: ou se ficava com aquilo que o governo sugeria, ou então azar. E qual era o custo disto? Os comunistas fizeram sobretudo duas coisas. Em primeiro lugar, "pegaram" nas casas que já existiam (imaginem aquelas casas antigas, do início do séc. XX ou até anteriores, grandes) e dividiram-nas em vários apartamentos. Ou seja, uma casa com umas seis assoalhadas, uma cozinha e uma casa de banho era dividida de forma a poderem viver lá várias famílias. Uns ficavam com a cozinha, outros tinham uma cozinha improvisada num quarto normal. Outra opção era ter a casa-de-banho ou a cozinha comum, o que não era nada agradável. Hoje em dia encontramos ainda várias destas casas. Às vezes entramos num prédio qualquer e temos a nítida sensação que ali havia um apartamento grande, que foi todo dividido. Uns amigos nossos, por exemplo, viviam num prédio destes e tinham uma cozinha e casa-de-banho "improvisadas". A casa-de-banho, por exemplo, era uma divisão normal que não tinha sido construída com a intenção de ser casa-de-banho, então no Inverno eles passavam imenso frio ali dentro. As filhas pequenas, por exemplo, tinham de tomar banho na sala (que era a divisão ao lado da casa-de-banho...) para não adoecerem. Graças a Deus eles já não vivem ali, porque as condições eram mesmo degradantes (mesmo estando a casa bem decorada e com um aspecto agradável). Basicamente, para dar casa a toda a gente - e para não haver aquela coisa que os "ricos" tinham casas grandes, para nivelar as classes - assassinaram-se milhares de casas belíssimas, que hoje em dia sinceramente não servem para nada (quem é que quer comprar ou alugar um apartamento daqueles???).
A outra coisa que eles fizeram foi construir blocos de apartamentos. Os edifícios construídos por volta dos anos 50 até nem são muito feios (para mim, para os polacos são horrorosos), mas os construídos depois disso são de fugir. Feios, escuros, com uma quantidade enorme de apartamentos por prédio e a maioria deles, claro está, minúsculos. Obviamente são melhores que os que referi acima, porque estas casas foram construídas de raíz e têm uma certa "lógica arquitectónica".

A consequência de tudo isto é que, mesmo as casas novas que se constróem, têm uma área pequena. O mercado está de tal forma que uma casa com 50m2 pode ser caríssima. O lado menos mau disto é que, como os polacos viveram assim durante tantos anos, para eles não faz grande diferença viver numa casa pequenina. São muitas as famílias em que os pais dormem na sala, para os filhos poderem ter um quarto para si (já nem falando das casas com cozinha aberta para a sala).

Quando começámos à procura de casa cá, à partida não queríamos nem uma casa comunista, nem uma casa minúscula, porque precisávamos de pelo menos um quarto para nós e um para as visitas (que já contávamos ter). Hoje, quando vejo a nossa casa - de que, aliás, gosto muito - noto um certo paradoxo. Para os standards portugueses não é muito grande. No entanto, para os polacos, não está nada mal. Digamos que dos nossos amigos de cá que vivem mesmo em Varsóvia (tirando uns que moram numa zona mais periférica e arrendaram um sótão grande numa moradia) somos os que têm a casa maior. E nem perto de 100m2 temos!!...

Para terminar, algumas imagens dos prédios tipicamente comunistas da Polónia (e dos países do antigo bloco comunista):

Prédio mais antigo do comunismo.

Prédios mais recentes do comunismo.

A forma como estes prédios era construída.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Regresso

Ontem fiquei a saber que há mais gente do que eu pensava a conhecer este blog. Será que com isto me vou incentivar a regressar à escrita na blogosfera? Quem sabe...

Janeiro está quase a chegar ao fim e posso apenas referi algumas coisas:
- Foi o mês de Janeiro mais quente que alguma vez apanhei na Polónia. Houve vários dias com temperaturas iguais às de Lisboa, em que já andávamos com menos roupa em cima. Ironicamente, foram os piores dias do mês, pois na sequência destes ficámos todos constipados (e daquilo que pude observar, não fomos os únicos...). Felizmente já voltaram as temperaturas negativas, ainda que rondem os zero graus, e com estas a neve.


(fotos de hoje)

- A Teresa está cada vez mais bilingue, o que é muito giro. Hoje disse pela primeira vez (e muito bem proncunciada) a palavra "óculos". Desde que aprendeu a falar que dizia sempre a versão polaca, okulary, porque sim. Até nós quando falávamos com ela dizíamos instintivamente "okulaly" (como ela dizia). Hoje disse uma frase em português e à primeira usou "okulary", mas depois percebeu que aquela palavra não ficava me naquele contexto e mudou para "óculos". Depois repetiu a mesma frase com "óculos" para ver que tal soava. Nos últimos tempos tem começado a distinguir mais uma e outra língua e a misturaá-las cada vez menos. Para isto acho que têm ajudado muito as aulas onde temos ido uma vez por semana desde há vários meses. Mas disso falarei noutro post.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Respondendo ao desafio da Margarida

Tenho andado com pouco tempo para bloguices, por isso aproveito o desafio da Margarida para responder pelo menos a duas questões:

1) Criei este blog quando vim viver para a Polónia, de certa forma para pôr a família e os amigos a par do que ia acontecendo por aqui. Entretanto acabei por receber visitas de toda a parte do mundo, achei piada sobretudo a pessoas do Brasil, descendentes de emigrantes polacos.
2) O primeiro post deste blog foi no dia 4 de Janeiro de 2007. Quem diria...

Mudando radicalmente de tema, por aqui finalmente chegou o calor. Tivemos umas trovoadas desgraçadas, em que em poucos minutos caía tanta água como nunca vi. O nosso atalho preferido para fugir ao trânsito, entre Ursynów e Wilanów, está fechado, porque houve desabamento de terras por causa da chuva. O Vístula esteve um espetáculo, com a água muito mais perto das pontes, copas de árvores a saírem de dentro de água e em certos sítios fazia impressão ver a água chegar onde sabíamos que normalmente não chega. Uma pequena praia fluvial a sul de Varsóvia simplesmente desapareceu do mapa. O pior disto tudo é que dizem que se calhar ainda não acabou... Desde que não chova nos próximos dias, sobretudo no fim-de-semana, tudo bem! É que estamos a preparar já a festinha de anos da Teresa e Deus queira que esteja tanto calor como no dia em que ela nasceu. Ah, é verdade, já consegui apanhar o meu primeiro escaldão nos ombros, o que é sinal que este solinho nos tem sabido muuuuuito bem.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Passamos de 8 a 80

Se no Inverno surpreendeu-me o facto do Vístula ter congelado, agora surpreende-me o facto de estar a transbordar das suas margens... Ainda não fui lá perto ver, mas daquilo que vi em fotos e filmes é incrível.

sábado, 17 de abril de 2010

O dia a dia de uma família bilingue

Várias pessoas nos disseram que com a Teresa devíamos ser firmes e eu falar exclusivamente em português e o Staś em polaco. Na prática não conseguimos fazer isso e acabamos por misturar as duas línguas. Há pouco íamos no carro e a Teresa começa a dizer no banco de trás: "Pão, makaron (massa), queijinho, szynka (fiambre)". A mistura de línguas dela é absoluta. A verdade é que já começa a perceber a diferença de certos ambientes. Há dias fomos passear com umas amigas polacas e ela percebeu que ali devia falar polaco e dizia woda em vez de água, etc (quando em casa normalmente prefere dizer aguinha). Quando a Maria esteve cá agora aprendeu a dizer siadaj, que quer dizer senta-te, porque a Teresa diz: senta! Siadaj!
Os nomes dos animais também vai dizendo conforme lhe apetece. Prefere dizer lew a leão, mas prefere macaco a małpa. Leite diz mleko, flores diz em português e sol também. Mas se dissermos estas palavras em polaco, percebe perfeitamente. Há poucos dias apercebi-me que sempre que lhe pergunto se quer alguma coisa e não quer, responde-me em polaco: nie chcę. Esta expressão aprendeu em polaco e é sempre assim que a diz, mesmo quando a pergunta é feita em português.
A nossa forma de a ensinar não é lá muito pedagógica, mas tem a sua piada e mostra-nos como de facto as crianças têm uma capacidade excepcional para aprender línguas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os polacos estão condenados à tragédia

Fim-de-semana intenso, começando com surpresas de aniversário, passando por exames de polaco e terminando com baptizado de família. Tudo isto com trágicos acontecimentos em background. Como reagir a isto? Não sei. Tenho amigos que choram, por conhecerem famílias que ficaram órfãs, outros que falam em conspirações, outros que foram acender velas junto ao palácio presidencial. É complicado, a Polónia de facto é um país que está condenado às tragédias. Ao menos acabou (por enquanto) as discussões inúteis sobre Katyn, se foi genocídio, se os russos devem pedir desculpa pela enésima vez, etc. Discussões que não acabariam, um tema no qual os políticos gostam de estar sempre a remexer. Agora acabou tudo isso, chega de patetice.
Katyn parece um local assombrado para os polacos. Pela segunda vez a elite polaca terminou os seus dias por ali.

Apenas uma nota sobre os meios de comunicação portugueses. Lamento a sua nabice no que toca a estes acontecimentos. Vi com cada inexactidão nos jornais online portugueses, que nem vou comentar. Felizmente li os polacos e sei como foi tudo na realidade. Os jornalistas portugueses deviam ter vergonha da sua ignorância e deviam estudar um pouco melhor os factos antes de os apresentarem. Digo eu, que sou formada em comunicação social e cada vez mais tenho vergonha da classe jornalística no meu país natal.

terça-feira, 30 de março de 2010

Retratos de Nałęczów

A ida a Lublin aconteceu apenas porque em Dezembro ganhei um fim-de-semana num hotel em Nałęczów. Nałęczów é terra de termas, um local muito conhecido pelos tratamentos que lá se fazem. Os seus ares são considerados muito bons para a saúde já há séculos. No primeiro dia fomos visitar Lublin, que fica a poucos quilómetros de distância, e no segundo dia passeámos por Nałęczów. Não há muito para ver e o pouco que há está aqui. É mais para se estar e relaxar do que propriamente visitar.


Estátua do escritor Bolesław Prus, autor de um livro muito conhecido pelos polacos chamado Lalka. Também ele passou muito tempo nos bons ares de Nałęczów. Na casa da foto de cima há um pequeno museu sobre ele.



Um lago no parque de Nałęczów

Um homem a pescar no meio do lago congelado.



domingo, 28 de março de 2010

Retratos de Lublin

Sem grande tempo para escrever no blog, aproveito para deixar aqui fotos da nossa viagem a Lublin e Nałęczów no mês passado. Para já, são só fotos de Lublin.

Ao longe a vista do castelo de Lublin. Infelizmente não o conseguimos visitar por dentro, porque chegámos tarde demais. Fica para uma próxima visita.

A parte de baixo do passeio real, caminho que vai em direcção ao castelo.

Casas bonitas da parte antiga da cidade. No meio desta praça vêem-se os fundamentos de uma antiga igreja que existia aqui e os russos destruíram no séc. XIX.

Uma casa na parte velha.

Uma das portas da cidade. Diz que o interior desta torre está conservado no museu da cidade. Não o vimos.

Uma rua no centro.

A entrada do antigo cemitério judaico, que data de há vários séculos. Tem um ar velho e abandonado por dentro, não sei se haverá alguém que tome conta dele. Lublin está muito ligada aos judeus, ali existe uma enorme escola rabínica (ou lá como se chama) e há mesmo um percurso turístico ligado aos judeus, que passa por vários locais com eles relacionados.

O portão de entrada do campo de concentração de Majdanek, para onde foram deportados os judeus do gueto de Varsóvia. Nunca estive em nenhum campo de concentração e tenho pouca vontade de estar. Aqui chegámos tarde demais e já não houve tempo de entrar. O simples facto de estar perto desta porta e olhar para ali, ver o arame farpado, etc, já faz muita impressão. Deixa mesmo o coração pequenino.

Mas, para não terminar com uma imagem triste, fica a promessa de em breve colocar aqui fotos de Nałęczów.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Os deuses devem estar loucos!

E quando eu achava que já me tinha despedido da neve de vez esta estação, eis que ela aparece de surpresa. Esta noite nevou tanto que hoje de manhã tínhamos o carro num estado como nunca o vi nestes meses todos de Inverno em que tivemos dias e dias de muita neve. Indescritível! É o aquecimento global no seu melhor.

terça-feira, 9 de março de 2010

Papa śnieg (que é como quem diz, adeus ó neve!)

Nas últimas semanas derreteu praticamente toda a neve que caiu nos últimos meses. E, claro, como sempre, era um espetáculo de cócó de cão por toda a parte (podia fazer-se um concurso de qual passeio tinha mais). Tristezas... A temperatura subiu, ainda cairam mais umas neves, mas coisa de pouca dura. Ontem o frio voltou e apanhou-me de surpresa (-6ºC à noite). Felizmente hoje já parece melhor. E sol, sim, por cá temos tido bastante sol.
O outro tempo - o dos relógios - é que vai começando a faltar. Meti-me a fazer um curso de e-learning de uma universidade polaca e agora já acho que fui demasiado ambiciosa. O curso é interessante e tal, mas o facto de ser em polaco faz com que eu avance muito mais lentamente do que os outros participantes do curso. Vamos ver no que é que isto vai dar. Para além disto, vou fazer também mais um exame oficial de polaco como língua estrangeira. Já nem falo dos vários trabalhos que entretanto me começaram a aparecer e das idas quase diárias ao ginásio (um ginásio espetacular que tem uma sala para as crianças com babysitters que se ocupam por elas enquanto os pais se exercitam). Em suma, o tempo está a rir-se de mim à grande e eu, coitada, bem que corro atrás dele a ver se o apanho, mas sem grande sucesso. O que vale é que ainda temos uns dias de férias na neve à nossa espera e outros - mais tarde - em Portugal.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quem é (o) Dâmaso?

Quando fui à ópera ver o Straszny Dwór, houve um pormenor que me chamou a atenção. Havia uma personagem chamada Damazy - Dâmaso, em português. Era um nobre que andava todo empinocado, cheio de cuidados, que contrastava obviamente com os heróis da ópera: outros nobres que se juntaram ao exército para lutar contra o invasor inimigo. Estes aparecem como corajosos, homens a sério, enquanto que o Damazy é um tipo superficial, com a mania que é bom e manhoso.
Lembre-me muito na altura do Dâmaso Salcede, do Eça de Queiroz. Apesar destas duas personagens serem obviamente muito diferentes, não pude deixar de reparar em algumas semelhanças - sobretudo no ridículo. Será que no séc. XIX "ser Dâmaso" significava alguma coisa?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Neve, neve e mais neve!

De facto, neste momento na Polónia só se vê é neve. As temperaturas subiram e ficaram propícias a nevões. Nos últimos tempos já fiquei com o carro preso na neve algumas vezes, mas felizmente com algum jeitinho consegui sempre sair dessas situações. Também já experimentei a sensação pouco simpática de os travões não funcionarem tão bem como antes, mas graças a Deus sem consequências graves. Há pilhas de neve mais altas do que eu e há sítios por onde já nem me atrevo a passar, a não ser que queira encher a roupa toda de neve. O reverso da medalha é que temos direito a um Inverno branquinho, o que dá mais alento do que o Inverno cinzentão de quando não há neve. Giro, giro, foi ter visto o Vístula congelado! Olhava-se para ele e era uma massa branca de uma ponta à outra. Depois derreteu e voltou a ver-se a água, mas no domingo quando passámos a ponte estava tudo branco outra vez.

A vista de uma das pontes sobre o Vístula.

Uma estrada fora de Varsóvia no Domingo de manhã.

Um grupo de pessoas a andar em trenós puxados por um tractor, brincadeira típica no campo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dia de sorteio

Sábado de manhã ia eu muito bem de carro pela rua Żwirki i Wigury, que liga o aeroporto mais ou menos ao centro da cidade, e vejo em cada candeeiro três bandeirinhas: uma da Polónia, uma com o logo do Euro 2012 e uma da Ucrânia. Pensei logo que haveria alguma coisa, ou que alguém importante chegasse naquele dia. Afinal foi dia de sorteio para as eliminatórias do Euro e diz que o Queirós esteve por cá. Alheada como estou, se não fosse pelas bandeirinhas, nem tinha dado por nada...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Uma ópera polaca

Ontem fui à ópera. Já não ia desde antes da Teresa nascer. Lembro-me que quando faltava um mês para o fim do tempo, fomos várias vezes (cheguei a ir de almofadinha, para ver se ficava mais confortável, por causa do barrigão). Talvez por isso a Teresa goste tanto de música. Desta vez, fomos ver uma ópera de um compositor polaco, Stanisław Moniuszko, chamada Straszny Dwór (a mansão assombrada). É uma obra muito conhecida na Polónia, mas pouco no estrangeiro. Do que percebi, isto deve-se ao facto de na altura ter sido abafada. Apesar de não ser este o enredo principal, numas entrelinhas muito óbvias podemos ler a exaltação de valores, como o amor à pátria e à Igreja Católica. Moniuszko viveu no séc. XIX, numa altura em que a Polónia estava repartida pela Rússia, Áustria e Prússia. Ora, neste contexto político, uma ópera polaca que exaltasse estes valores não era propriamente bem vista. Straszny Dwór estreou em Varsóvia em 1865, mas não passou das três apresentações. O czar da Rússia não gostou e apressou-se a censurá-la. Moniuszko acabou por morrer sem nunca mais ver o seu trabalho em cena.
A história da Mansão Assombrada é engraçada e em geral pareceu-me tudo muito bem feito, cenários, roupas, etc. Para um estrangeiro tem piada, porque apresenta um pouco da Polónia do séc. XIX, tradições, costumes, etc. Gostei sinceramente. Saliento apenas um momento no VI acto em que dançaram uma mazurca, dança típica polaca, ritmada, que se popularizou bastante precisamente no séc. XIX. Foi um dos melhores momentos do espetáculo.